Uma descoberta merecedora de um Nobel ou a promoção (pelo semanário Expresso) de ignorância catedrática ?

O Expresso organizou  recentemente uma conferência sobre o futuro do cimento e do betão. Curiosamente o único catedrático que lá apareceu foi um catedrático de nome Paulo Ferrão, do Instituto Superior Técnico. Sucede porém  que o mesmo não teve qualquer formação de base sobre cimento ou betão durante a sua licenciatura, a não ser que a licenciatura em engenharia mecânica do Técnico, seja um caso único a nível mundial, baseada no desenvolvimento de máquinas fabulosas, sem dúvida merecedoras de um Nobel (ou vários) cuja fonte de energia, não é o gasóleo, nem a gasolina, nem a eletricidade, mas o cimento ! 

O referido catedrático também nada estudou na sua tese de mestrado sobre esse tema, tão pouco se debruçou sobre essa área nas suas investigações de doutoramento e de certeza absoluta que não foi o seu exercício de cargos de gestão, quando foi convidado pelo seu Colega de departamento, o Ministro Manuel Heitor, para Diretor do programa MIT-Portugal e para Presidente da FCT, que o tornaram um especialista em cimento ou betão. Em resumo, o seu conhecimento sobre essa especialidade é na melhor das hipóteses o de um leigo. 

PS – Quem não faltou â dita conferência sobre cimento e betão, foi o Sr. Otmar Hübscher, CEO da empresa cimenteira, que há largas dezenas de anos anda esburacar o Parque Natural da Serra da Arrábida e que pretende continuar com essa danosa actividade nas próximas dezenas de anos. Talvez porque o Expresso, por distração ou ignorância, ainda não tenha informado o seu público que é cientifica e tecnologicamente possível produzir betão, sem cimento e logo sem a necessidade terceiro-mundista de andar a esburacar Parques Naturais https://www.elsevier.com/books/handbook-of-alkali-activated-cements-mortars-and-concretes/pacheco-torgal/978-1-78242-276-1

Declaração de interesses – Declaro que no passado evidenciei ter pouca consideração pelo mandato do catedrático Paulo Ferrão, enquanto Presidente da FCT, mandato esse durante o qual foi levado a cabo uma (pseudo) avaliação de unidades de investigação (onde as métricas foram proibidas, numa grosseira violação do principio da transparência, assim impedindo que se soubesse o que de facto cada uma delas tinha produzido) e que resultou num “rodízio de Excelentes e Muito Bons” que não bate certo com aquilo que é a realidade da ciência Portuguesa, onde abunda a mediania e a excelência é muitíssimo escassa https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/carlos-fiolhaisa-fraca-qualidade-da.html Ainda sobre unidades de investigação e a falta de rigor do Expresso, declaro ainda, que em 2017 a Entidade Reguladora da Comunicação-ERC, apreciou uma queixa que apresentei contra aquele semanário, relativamente a noticias contendo dados falsos sobre aquelas, tendo a mesma ERC, pela sua deliberação ERC/2018/154 (CONT JOR-I), confirmado a ocorrência de uma situação de violação do dever de rigor informativo. 

2022 – Produção científica por instituição__UAveiro no topo enquanto que os Politécnicos de Santarém, Castelo Branco e Tomar “lideram” o fundo da tabela

Ainda sequência da polémica sobre a mexicanização do ensino superior (catedrático Aguiar-Conraria dixit) que eu mencionei no meu post de 24 de Dezembro, e do inerente, irónico e injusto favorecimento das instituições de ensino superior menos dinâmicas, lista-se abaixo a produção cientifica, indexada, na base Scopus, referente ao ano de 2022, a qual comprova, uma vez mais, que aquelas instituições que menos produziram estão entre as que foram mais favorecidas.

1 – UAveiro……………..6.5 publicações indexadas por docente ETI

2 – UPorto………………5.2

3 – UCoimbra………….4.9 

4 – UMinho……………..3.8  

5 – UNova………………3.7 

6 – ISCTE……………….3.7  

7 – ULisboa…………….3.5 

8 – UBI…………………..3.3  

9 – IPol.Viana C………2.8

10 – IPol.Bragança…..2.3    

11 – UMadeira…………2.3

12 – UTAD………………2.2     

13 – UALG……………..2.1  

14 – UÉvora……………1.9  

15 – UAçores…………..1.7

16 – IPol.Porto………..1.6

17 – IPol.Leiria…………1.4 

18 – IPCA………………..1.3

19 – IPolPortalegre…..1,3  

20 – IPol.Coimbra…….1.2 

21 – IPol.Viseu…………1.1

22 – UAberta…………….1.0   

23 – IPol.Setubal……..1.0

24 – IPol.Lisboa……….0.9 

25 – IPol.Beja…………..0.9

26 – IPol.Guarda………0.9 

27 – IPol.Tomar………..0.8

28 – IPol.C.Branco……0.8 

29 – IPol.Santarém……0.5  

Cientistas exigem ter acesso ao mesmo estatuto de acumulação dos deputados

Tendo em conta que a tal deputada do PS, que foi mencionada no final do post, andou desde 2010, a acumular a remuneração de deputada com outra da REN, o que significa que nesse período, ganhou mais de 1,5 milhões de euros, é mais do que justo que os Cientistas exijam ter acesso a igual estatuto de acumulação de remunerações. Ou em alternativa, que passem a pagar a mesma taxa reduzida de IRS que pagam os estrangeiros que trabalham em Portugal, inclusive até mesmo aqueles que ganham milhões

Até porque se outra razão não houvesse, essa acumulação permitirá compensar os Cientistas por serem a classe profissional, em toda a função pública, que perdeu mais rendimentos ao longo da última década https://www.jn.pt/nacional/magistrados-e-deputados-com-mais-aumentos-medicos-ganham-menos-14968666.html Situação essa que é ainda por cima agravada por comparações internacionais, que colocam Cientistas Portugueses no topo da carreira, a ganharem o mesmo que ganha um aluno de doutoramento em universidades do Norte da Europa. 

O que é muito diferente daquilo que ocorre com os deputados Portugueses, que não só ganham muito mais do que merecem, mas que proporcionalmente até ganham mais do que os deputados da França e do Reino Unido https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/os-politicos-deveriam-ter-uma.html

PS – E nem sequer falo dos astronómicos prejuízos que os nosso deputados causaram ao nosso país, com a aprovação de leis amigas de burlões, vigaristas e corruptos e mais recentemente, pasme-se, criando novos entraves a que justiça possa apreender e declarar perdidos a favor do Estado o produto das actividades criminosas, ao contrário do que se faz noutros países e como também recomenda uma Directiva Europeia.

Actualização em 18 de Janeiro – O jornal Público informa hoje que a supracitada deputada do PS, Jamila Madeira, não declarou os seus rendimentos em metade das declarações que entregou e porém não foi demitida como a lei exige. Será que as leis da República não se aplicam aos políticos do partido socialista ?https://www.publico.pt/2023/01/18/politica/noticia/metade-declaracoes-rendimentos-jamila-madeira-tc-rendimentos-2035426

As cabras e os cabrões

Ao contrário do que à primeira vista possa parecer o título deste post nada tem de escandaloso ou sequer de original, porque é apenas uma cópia do título, de um post de um blogue de um magistrado aposentado, acerca do artigo choque, publicado hoje na revista Sábado, artigo esse que revela várias coisas escandalosas sobre os políticos Portugueses.

Desde logo que se a referida revista não tivesse tido vários jornalistas durante vários meses a analisar as declarações patrimoniais dos políticos Portugueses, depositadas no Tribunal Constitucional, os Portugueses não teriam forma alguma de saber o nome daqueles que possuem o maior património. Listo abaixo os nomes dos políticos milionários do Top 10 nacional:

1º – Basilio Horta………..Presidente da Câmara de Sintra (PS)…..10 Milhões de euros

2º – Lacerda Sales………Secretário de Estado (PS)……………………2.6 milhões de euros

3º – Ofélia Ramos……….Deputada (PSD)………………………………..1.8 milhões de euros

4º – Carlos Moedas……..Presidente da Câmara de Lisboa (PSD)..1.5 Milhões de euros

5º – Mónica Quintela…..Deputada (PSD)………………………………..1.4 milhões de euros

6º – Paula Cardoso……..Deputada (PSD)………………………………..1.3 milhões de euros

7º – Fernando Ruas…….Presidente da Câmara de Viseu (PSD)….1.3 milhões de euros

8º – António C.Silva……Ministro da Economia (PS)…………………1.1 milhões de euros

9º – Sergio Marques……Deputado (PSD)………………………………..1.1 milhões de euros

10º – Elvira Fortunato..Ministra da Ciência (PS)…………………….1.1 milhões de euros

Como bem explica o artigo hoje publicado na revista Sábado, na França, qualquer cidadão pode, em poucos segundos, saber a situação patrimonial de qualquer Ministro Francês, basta que entre no site da Alta Autoridade para a Transparência na Vida Pública. E aqueles políticos Franceses que se esquecerem de entregar as declarações sobre o seu património ou omitirem informações podem arriscar 3 anos de cadeia, o pagamento de 45.000 euros de multa, e ainda ficarem 10 anos sem poderem exercer funções públicas, que foi precisamente o que aconteceu ao Ex-Primeiro Ministro François Fillon, por ter criado um falso emprego de assistente parlamentar para a sua mulher.

Já em Portugal é a pouca vergonha que se sabe, o PS e o PSD (os dois partidos que já se tinham aliado no passado para criar as vergonhosas subvenções vitalícias, que custam milhões aos contribuintes e que explicam porque é que o cadastrado Armando Vara aufere uma pensão de quase 9000 euros/mês) aliaram-se para dificultar ao máximo que os Portugueses possam conhecer a situação patrimonial dos políticos, obrigando a pedidos ao Tribunal Constitucional e ao agendamento de visitas aquela instituição. E não contentes com essa infâmia, ainda trataram de garantir que nada acontece, de verdadeiramente grave, aqueles políticos que entreguem a declaração incompleta ou que nem sequer a entreguem, e a prova cabal disso mesmo é feita no referido artigo, que dá conta de centenas de declarações com falhas e omissões e até de declarações que nem sequer foram entregues. 

PS –  Convém ter presente que o magistrado aposentado mencionado no inicio deste post, é precisamente o mesmo, pouco dado a meiguices que também já tinha escrito sobre o Governo de José Sócrates o seguinte: “Não se admite que um cabrão de um secretário de Estado, ministro ou um filha da puta qualquer que seja governante e receba do erário público, gaste uma média de 295 euros por refeição paga por todos nós, através do Orçamento de Estado. Não se admite, ponto final”

Actualização em 14 de Janeiro – O mesmo magistrado aposentado, arrasa hoje no seu blogue, a tal sonsa deputada socialista, que acumulava alegremente duas remunerações, a de deputada na Assembleia da República e outra da REN, que lhe permitiu meter ao bolso 11.000 euros/mês. E também não escapam outros socialistas chico-espertos que descobriram a receita mágica para meter milhões ao bolso e nele até se fala das melhorias, pagas com o dinheiro dos contribuintes, numa propriedade de um juiz desembargador, o mesmo juiz que há poucos anos, e foi apanhado numa escuta a pedir ao presidente do IRN (que foi posteriormente condenado por corrupção) que arranjasse comprador – imigrantes chineses candidatos a vistos dourados em troca de investimentos superiores a 500 mil € – para casa de um amigo, em Leiria https://portadaloja.blogspot.com/2023/01/os-moinhos-do-tuela.html#disqus_thread

Limitação da velocidade máxima nas auto-estradas e o advogado que evapora multas

Na sequência do post anterior, de 28 de Setembro de 2022, sobre a tal Resolução do Conselho de Ministros n.º 82/2022, que definiu o conteúdo do solene Plano de Poupança de energia 2022-2023, onde está inscrita uma mera recomendação (leia-se um adereço cosmético) para a diminuição da velocidade máxima, é interessante constatar que a Câmara dos Comuns do Parlamento Inglês, divulgou há poucas semanas atrás um relatório, cujas medidas (página 43) incluem 3 dias de teletrabalho semanal, mas também de redução dos limites da velocidade máxima de circulação, nas auto-estradas e ainda a proibição do uso de viatura (pessoal) aos Domingos, nas grandes cidades. 

Tenha-se também presente que a GNR informou recentemente que em apenas 4 dias, detectou 1530 condutores em excesso de velocidade, uma centena que utilizava o telemóvel durante a condução, e ainda uma centena com uma taxa de álcool no sangue superior ao limite que é considerado crime (1,2 g/l), punida com pena de prisão até 1 ano. Tendo porém em conta que isso correspondeu apenas a uma ínfima parte (0.03%) dos vários milhões de veículos motorizados que circulam nas estradas deste desgraçado país, então em cada ano, haverá milhões de condutores em excesso de velocidade, centenas de milhares que conduzem ao mesmo tempo que utilizam o telemóvel e também centenas de milhares que circulam bêbados, o que ajuda a perceber porque é que todos os anos ocorrem dezenas de milhares de acidentes e porque é que a guerra rodoviária Portuguesa, matou nas últimas duas décadas, mais Portugueses do que matou a Guerra Colonial em África, sendo por isso manifestamente evidente a utilidade (múltipla) de medidas sobre a redução da velocidade máxima de circulação. 

PS – E importa também não esquecer a acção altamente danosa dos advogados, como aquele de Coimbra, que se descobriu há pouco tempo, andou durante 10 anos a ajudar clientes a fugir ao pagamento de centenas de multas https://www.sabado.pt/video/detalhe/o-advogado-que-ajudou-centenas-a-escapar-de-multas-veja-a-investigacao-sabado

Some questions about the large study based on 45 million articles and 3.9 million patents that claims Science is becoming much less disruptive

https://www.nature.com/articles/s41586-022-05543-x

Concerning the recently published study spanning six decades in Nature (link above), I am curious about the authors’ omission of size control for research teams. It raises the question of whether the global decline in small research teams, acknowledged as catalysts for disruption (Wu et al., 2019) may be influencing the study’s outcomes.

Additionally, the decision to examine patents as a metric is noteworthy. Given the prevailing perception that many patents represent intellectual redundancy, as highlighted in an article published in The Economist. Not to mention that Blind et al. (2021) were the first to study long-term effects showing that standards, not patents, can be used as a proxy for the diffusion of innovative knowledge.

Last but not least, since academic inbreeding is detrimental to risk-taking in research (Horta et al. 2020), and since the physicist, Carlo Rovelli said not long ago, that only rebel scientists can be truly creative, and since disruptions in science require disconnection and discord (Lin et. al., 2022) i wonder if the aforementioned findings mean that the science community is failing to generate enough rebel scientists. 

It would be most ironic if science were unable to generate rebel scientists at the precise moment that scientists are being asked to join civil disobedience movements. https://www.nature.com/articles/s41559-019-0979-y

PS – I also wonder if the results of the aforementioned study would remain unchanged if the authors had utilized the new metric proposed in the recent paper entitled “Quantifying revolutionary discoveries: Evidence from Nobel prize-winning papers,” which was published 5 days ago and claims to be “the first metric to quantify revolutionary discoveries“.

A solução da crise climática passa por tratar da saúde aos miseráveis super-ricos

Ainda na sequência de um post anterior, onde se divulgou um estudo efectuado por uma equipa de mais de duas dezenas de investigadores de vários países, que confirmou que são os super-ricos que andam efetivamente a dar cabo deste Planeta, vale a pena ler um artigo no último número da revista Visão, onde dois académicos Franceses (entre eles, o famoso catedrático Thomas Piketty, autor de um livro que já recebeu mais de 30.000 citações) analisam esse problema e sugerem a criação urgente de impostos sobre o carbono, cuja receita reverteria para as pessoas com rendimentos baixos e médios. 

Infelizmente o referido e interessante artigo não explica como é que é possível taxar de forma substancial os super-ricos, que como é sabido são especialistas em não pagar em impostos, mas quanto a esse pormaior, entendo que a solução mais óbvia, mais expedita e também a mais eficaz, passa por tentar copiar o que fazem na Alemanha, https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/06/grande-alemanha.html

PS – No limite e naqueles países que são totalmente incompetentes em taxar os super-ricos, talvez só sobre a receita radical, que foi sugerida há alguns anos atrás pelo Físico Martin Desvaux, que passa por essa “contribuiçãolhes ser arrancada à força. 

Quantas pessoas é que um médico em Portugal pode matar até que seja condenado a uma pena de prisão efectiva ?

Enquanto na Alemanha uma médica foi recentemente condenada a quase 3 anos de cadeia efectiva (e ainda a uma inibição adicional do exercício de medicina durante 3 anos) por conta de emitir atestados médicos falsos, já em Portugal um médico que há poucos anos foi condenado por homicídio por negligência apanhou 3 anos de pena suspensa, o que justifica a dúvida que dá título a este post. 

É porém importante realçar que aquele está muito longe de ser caso único, como se percebe por exemplo, no facto de em 2019, dois médicos terem sido condenados pelo homicídio negligente de uma criança de 13 anos de idade tendo igualmente recebido uma suave pena suspensa.  Ou antes disso aquela médica que também foi condenado por homicídio negligente e que também foi condenada a uma pena suspensa, entre muitos outros casos.

Já na Inglaterra, a negligência médica que provoque a morte de um paciente implica quase sempre uma pena de cadeia efectiva para o médico. Curiosamente, também na Inglaterra, há apenas um mês atrás, um médico foi condenado a quase 2 anos de pena de cadeia efectiva, por ter atropelado várias pessoas numa passadeira, de que resultaram várias fracturas e uma amputação de membro, e nem sequer lhe serviu de atenuante, o facto de o acidente ter sido causado, em parte por conta de um turno de trabalho de 12 horas seguidas, facto que em Portugal de certeza absoluta que lhe garantiria uma pena suspensa, por conta da existência no nosso país de uma autêntica epidemia de penas suspensas, que deveria ser proibida em pelo menos três tipos de crimes, crimes de que resultem mortes, crimes de pedofilia e crimes de corrupção. Recorde-se que actualmente mais de 60% dos condenados por pedofilia e mais de 90% dos condenados por corrupção recebem pena suspensa. 

Declaração de interesses – Declaro que os médicos (e os advogados) são as duas classes profissionais que receberam mais criticas nos meus blogues. Isso porém não sucede por mero acaso, mas pelo simples facto de essas serem precisamente as duas classes de que os Portugueses mais se queixam, sem que as Ordens que as regulam ajam em conformidade, contribuindo dessa forma para uma inadmissível “cultura” de impunidade https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/ordem-dos-medicoso-numero-de-queixas-e.html

PS – Ainda sobre os médicos e tendo em conta que a formação de um médico custa aos contribuintes 100.000 euros, subscrevo a recente opinião do catedrático jubilado Vital Moreira, que hoje no seu blogue, defende a obrigatoriedade do cumprimento de um mínimo de tempo de serviço no SNS, para dessa forma tentar retribuir, ainda que de forma mínima, o enorme esforço financeiro feito pelos contribuintes. 

Uma dúvida pertinente sobre o médico que diagnosticou Alzheimer ao Ricardo Salgado

O psiquiatra José Gameiro, que é titular de uma coluna na revista do Expresso, veio no seu último artigo queixar-se da cobardia da Ordem dos Médicos, que no seu entender deveriam defender a honra do médico Joaquim Ferreira, (o tal que diagnosticou Alzheimer ao Ricardo Salgado), dos ataques da Ana Gomes que escreveu Só Proenças de Carvalhos e acólitos advogados procuram vender a ficção da demência” e também das criticas do João Paulo Batalha, da Associação Frente Cívica, que sobre a mesma questão, foi ainda mais ácido ao ter afirmado que “É altura de o país saber se Ricardo Salgado teve a Alzheimer mais oportuna da história ou se é um pretexto criado pelos seus advogados”

Como não sou médico, nem muito menos neurologista, não vou obviamente questionar a competência do referido médico neurologista Joaquim Ferreira, ainda assim assiste-me uma dúvida importante. Como é que esse médico consegue, produzir muitas peritagens, como aquela com a qual os advogados de Ricardo Salgado querem anular todos os processos em que o seu cliente está envolvido, e ainda ser director técnico de uma Clinica, ser professor associado na universidade de Lisboa, estando obrigado nos termos do ECDU a lecionar um número mínimo de aulas, e como se isso não fosse suficiente, ainda ser investigador (Group Leader) no Instituto de Medicina Molecular, onde exibe uma produção científica, de publicações indexadas na base Scopus estratosférica, e que nalguns anos, pasme-se, consegue chegar a ser, 3000% superior à média da produção científica dos investigadores da sua área ? Será que ele é na realidade o super-homem disfarçado de perito, director, professor e investigador ?

Declaração de interesses – Declaro que não é a primeira vez que escrevo sobre o psiquiatra José Gameiro, pois na verdade já o tinha criticado anteriormente, num post de título “Os egoístas e insustentáveis prazeres de dois pequeno-burgueses” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/os-egoistas-e-insustentaveis-prazeres.html

PS – Muito provavelmente ainda ninguém informou o psiquiatra José Gameiro sobre o conteúdo do Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça (3017/11.6TBSTR.E1.S1) onde se pode ler: “as exigências de uma sociedade democrática e aberta não se coadunam com a imposição de restrições, formais e rígidas, ao exercício da actividade de escrutínio e crítica a temas de manifesta relevância e interesse público…que poderiam funcionar, em última análise, como formas atípicas ou subliminares de censura…a linguagem ácida e corrosiva…a crítica contundente, sarcástica, mordaz, com uma carga exageradamente depreciativa ou caricatural – justificando a necessidade de uma particular tolerância…às opiniões adversas que criticam acerbamente, chocam, ofendem ou exageram , envolvendo  porventura o uso de expressões agressivas ou virulentas” 

Research involving 1,173 PhD students shows that those with higher conscientiousness are more productive

The study that was recently published in the Journal of Informetrics involving 1173 Ph.D. students in Sweden found that the average number of publications seem to increase with conscientiousness similar over all research areas…”. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1751157722001067#sec0013

Does this mean that prior to accepting a Ph.D. student a supervisor should ask him (or her) to take a psychological test in order to assess the personality trait of conscientiousness?

But in that case, what should we think of the study by researchers from the United Kingdom, the Netherlands and Sweden, which correlated schizophrenia and the number of Nobel Prizes? https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/university-gives-preference-to.html

PS – The aforementioned study noticed that the general rule showed a (strange) exception for Ph.D students of Engineering and Technology ! But why is it that the productivity of young researchers in these areas does not depend on their conscientiousness levels?