Ainda na sequência de um post anterior, no qual foi mencionado um artigo publicado na secção de Economia do Expresso, onde se podia ler que na pequena localidade do Fundão já trabalham mais de mil programadores informáticos, faz todo o sentido divulgar um novo artigo publicado na última edição do mesmo semanário que apresenta várias figuras que comparam o desempenho de vários concelhos da Beira interior, sendo especialmente interessante aquela que mostra a evolução, ao longo da última década, dos salários médios mensais, onde se constata que o Fundão conseguiu ultrapassar a Covilhã e agora já está prestes a ultrapassar Castelo Branco, pois a diferença que os separa é inferior a 1%.
É profundamente revelador que logo a Covilhã, berço da Universidade da Beira Interior, onde até parece que já nasceram 66 startups, que foram capazes de captar 104 milhões de euros em financiamento, não tenha conseguido transformar todo esse capital humano e empreendedor numa vantagem salarial robusta que lhe permitisse ultrapassar Castelo Branco e que trágica e ironicamente seja precisamente o Fundão, que toda a vida teve salários inferiores aos da Covilhã, e que agora sem qualquer instituição de ensino superior, esteja prestes a tornar-se o concelho com os salários mais elevados naquela zona.
Infelizmente, e ao contrário do que possa parecer, os supracitados 104 milhões de euros captados pelas startups nascidas na UBI, traduzem-se num valor médio por startup de apenas 1,6 milhões de euros, um desempenho que é significativamente inferior ao verificado em várias universidades nacionais e até inferior ao do valor médio registado pelas startups do, cientificamente muito menos competitivo, Instituto Politécnico de Leiria. https://pachecotorgal.com/2025/12/09/conseguir-alcancar-104-milhoes-de-euros-sera-que-a-ubi-esta-realmente-de-parabens/
PS – E se o Fundão, que o Jornal de Negócios descreveu como a cidade do Interior com mais engenheiros per capita, oriundos de mais de uma centena de nacionalidades, já hoje apresenta esse louvável desempenho, é muito provável que, no futuro, consiga atrair ainda mais capital humano, em consequência da tragédia associada à super tempestade Kristin que se abateu sobre as regiões mais próximas do Litoral, onde, ainda hoje, e ao contrário do que sucede no Fundão, muitas localidades permanecem, desgraçadamente, sem energia elétrica. Como é absolutamente evidente, num futuro em que as super tempestades se irão tornar a norma, o Interior afirmar-se-á cada vez mais como uma alternativa cada vez mais competitiva. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/artigo-de-investigadores-alemaes-ajuda.html
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