https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2026/09/o-erro-conceptual-do-reitor-da-uminho-e.html
No post anterior, acessível no link supra critiquei as falácias narrativas da conhecida catedrática Elvira Fortunato e agora que é co-autora de um artigo no jornal Público, no qual contorna as consequências do que ela própria escreve, vejo-me obrigado a voltar a criticá-la. No referido artigo, a catedrática Elvira Fortunato reconhece que Portugal ocupa o primeiro lugar da União Europeia no apoio público, directo e fiscal, à I&D das empresas. Ou seja, no referido indicador, nenhum outro país europeu, absolutamente nenhum consegue superar a generosidade portuguesa. Seria de esperar que tamanha generosidade tivesse uma correspondência igualmente extraordinária nos resultados. Porém, os resultados da inovação industrial são miseráveis e a própria autora acaba por confirmar o que eu já tinha denunciado, ao mencionar, infelizmente quase en passant, que mais de mil milhões de euros captados por fundos do SIFIDE continuavam por aplicar, como se a dimensão desse escândalo coubesse numa observação de passagem.
Como expliquei no post Ciência fantasma em Portugal: O mistério dos milhares de investigadores escondidos o problema exige escrutinar a distância entre as centenas de milhões de incentivos fiscais concedidos e a investigação declarada. Infelizmente a catedrática Elvira Fortunato enumerou os sinais do escândalo, mas recuou perante as suas consequências. Se ela fosse minimamente corajosa, coragem de que infelizmente não deu provas quando, como ministra, não mexeu uma palha para combater o flagelo da endogamia académica, deveria antes ter exigido contas a quem permitiu que mais de mil milhões de euros fossem canalizados para fundos em nome da investigação, para aí ficarem por aplicar, enquanto o orçamento da ciência pública é progressivamente asfixiado, com a agravante do montante destinado às universidades do país do infame Donal Trump ser superior ao montante destinado a contratar investigadores em Portugal.
Já o facto de a catedrática Elvira Fortunato não ter percebido a gravidade de tratar com tamanha complacência mais de mil milhões de euros por aplicar, logo num país mergulhado numa crise habitacional explosiva, à qual a presidência da FCT também ficou indiferente quando, em nome de uma preguiçosa e nada inteligente regra de proporcionalidade e ao arrepio do princípio constitucional da prossecução do interesse público, decidiu financiar três vezes mais contratos para investigadores de filosofia do que para investigadores da área do ambiente construído, só vem confirmar que mais lhe valia ter optado por um prudente silêncio que, sem lhe conferir coragem, ao menos lhe teria poupado a embaraçosa exposição pública da sua despudorada complacência.
PS — A catedrática Elvira Fortunato termina o artigo a defender a consolidação do programa FCT-Tenure, que foi criado quando foi Ministra da Ciência. A minha opinião é precisamente a contrária, esse programa deve ser extinto porque, como escrevi, trata-se de um concurso que “concentra o pior dos vícios académicos: põe recursos públicos ao serviço de lugares atribuídos por júris caseiros, favorece a reprodução das hierarquias instaladas e alimenta a endogamia com uma complacência política escandalosa”.

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