Paper__How 100 Top U.S. Universities Are Navigating Generative AI in Education

Building upon the insights presented in the recent post, Advancing Tutor Training Through GPT-4: A Breakthrough Study from Carnegie Mellon, it is pertinent to draw attention to a newly published paper in Computers & Education: Artificial Intelligence.

This research investigates the landscape of Generative AI policies, statements, guidelines, and resources across the leading 100 universities in the United States. Through meticulous analysis, the study finds that a substantial 81.7% of these institutions have curated resources offering foundational technical knowledge on Generative AI. These resources are crafted to facilitate instructors’ comprehension and exploration of the potential applications of Generative AI within educational settings. Furthermore, the study reveals that 53.8% of the surveyed institutions actively promote the pedagogical advantages associated with Generative AI. Additionally, 54.8% of these universities empower instructors to autonomously define and implement classroom policies related to Generative AI usage, underscoring a flexible approach toward integrating AI in instructional practices. 

PS – In the concluding phrase of a prior post, I raised the question of whether Europe is prepared to adopt a ruthless American-style business ethos in its quest for economic success. Now, in the context above, I must ask: should Europe—and the rest of the world—uncritically follow America’s hasty and imprudent push to adopt generative AI in education?

IA Generativa na Educação: Uma análise sobre a sua utilização nas 100 melhores universidades dos EUA

Ainda na sequência do post anterior, sobre o Catedrático da Universidade do Minho que apelidou de tolos os professores que tem medo que os alunos façam trabalhos usando o ChatGPT, faz todo o sentido divulgar um artigo muito recente publicado na revista Computers & Education: Artificial Intelligence,  que examina a forma como é utilizada a IA Generativa nas 100 melhores universidades dos EUA https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2666920X24001292#se0170

PS – Quando se pergunta ao ChatGPT quais são as maiores desvantagens que podem advir da utilização da IA na educação a resposta é aquela bastante instrutiva que abaixo se reproduz: 

  1. Reduced Human Connection: AI lacks the empathy and intuition that human educators provide. Building motivation, fostering curiosity, and responding to students’ emotional needs often require a human touch that AI can’t replicate.
  2. Over-Reliance and Decline in Critical Thinking: Excessive reliance on AI for answers can reduce students’ critical thinking skills. Instead of analyzing problems themselves, students might default to AI-generated responses without fully understanding the underlying concepts.
  3. Privacy and Ethical Issues: AI systems often collect significant amounts of student data, raising concerns around privacy, data security, and potential misuse of personal information, especially in educational contexts involving minors.
  4. Access and Equity Challenges: Not all students have equal access to the technology needed for AI-based learning, potentially widening the gap between students of different socioeconomic backgrounds.
  5. Potential for Bias and Inaccuracy: AI models can inherit biases from their training data, which can lead to biased or incorrect outputs. If unmonitored, these inaccuracies can misinform students and introduce unfairness in automated assessments.
  6. Risk of Teacher Displacement and Curriculum Narrowing: AI could be seen as a cost-saving substitute for human teachers, potentially diminishing the quality of education. Additionally, over-reliance on AI tools may push curricula toward standardized approaches, limiting space for creative and critical thinking.
  7. Algorithm Dependence: AI-driven learning can create dependence on standardization, which may discourage unique, non-standard approaches that showcase deep, creative understanding of complex material.

O vírus da irrelevância científica que atacou forte nas instituições de ensino superior localizadas abaixo do rio Mondego

No conhecido ranking de investigadores altamente citados Elsevier/Stanford de 2024, há 633 investigadores no ficheiro carreira, que trabalham em instituições Portuguesas. Nos primeiros 78 lugares, não há actualmente um único investigador de um instituto politécnico, porque aquele que lá aparece nomeado já faleceu. 

Entre esses 633 investigadores, há apenas duas dezenas pertencentes a institutos politécnicos, o que representa apenas 3 (três)% do total, mas o mais estranho é que 90% dos investigadores dos politécnicos que aparecem nesse ranking, pertencem a instituições localizadas acima do Rio Mondego, o que diz bastante sobre a baixa relevância, das investigações, produzidas nos institutos Politécnicos localizados abaixo do Rio Mondego.  

E agora que os Politécnicos passaram a estar habilitados a atribuir o grau de Doutor (Lei nº 16/2023 do Governo de António Costa), deveria pelo menos limitar-se essa possibilidade somente aos professores desse subsistema, com uma obra científica minimamente relevante, para evitar que aqueles possuidores de uma obra irrelevante, leia-se de esterilidade científica comprovada, prejudiquem de forma irreversível a carreira dos futuros doutorados, como foi demonstrado num estudo de 2019 de investigadores da UCLondon https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/junior-researchers-who-coauthor-work.html e foi novamente demonstrado num outro estudo publicado este ano, que foi mencionado na prestigiada revista Science https://www.science.org/content/article/budding-scientists-inherit-career-success-or-lack-it-their-mentors

PS – Sobre os politécnicos onde a irrelevância científica parece ser “tradição“, sendo incapazes de produzir um único artigo que receba mais de 300 citações Scopus revisite-se o post https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/ranking-da-irrelevancia-cientifica.html

Pode a genética explicar que Portugal seja campeão do consumo de ansiolíticos ?

Na sequência do post de 25 de Dezembro de 2019 (acessível no link supra) onde se fez referência ao facto de haver um gene que só é encontrado em Portugal, e tendo em conta o contexto do nosso país, ser o campeão do consumo de ansiolíticos entre os 34 países da OCDE, faz sentido divulgar o vídeo, onde participa um médico especialista e investigador da universidade de Lisboa, que uma pesquisa Scopus revela que o seu artigo mais citado se foca na ansiedade, sob o título “Reliability and validity of the Portuguese version of the Generalized Anxiety Disorder (GAD-7) scale“, vídeo esse no qual se sugere uma causa de natureza genética para a referida ansiedade. https://www.youtube.com/watch?v=50-Gc320CNo 

O novo artigo do catedrático (das lacunas cognitivas) e os conselhos de dois investigadores da U.Cambridge sobre o GPT

O tal catedrático que critiquei no post anterior, por conta de um artigo pouco feliz, mas que apesar desse lapso merece consideração, pelo menos sobre temas da sua área científica, pois uma pesquisa na plataforma Scopus revela que ele possui seis artigos que receberam mais de 150 citações, o que o coloca muito à frente de muitas dezenas de catedráticos Portugueses, vide lista no link https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/ranking-de-investigadores.html escreve esta semana sobre a hipótese formulada pelo Luis Garicano (que foi catedrático de economia na U.Chicago e agora é catedrático na London School of Economics) da inteligência artificial poder ter um impacto na prosperidade “tão grande quanto o das máquinas na revolução industrial”, e que ele designa por tecno-optimismo. 

Curiosamente, nesse artigo ele não faz qualquer referência aos benefícios potenciais da utilização da inteligência artificial para detectar esquemas fraudulentos associados às criptomoedas, como foi o recente escândalo FTX, que se estima que até hoje já tenham provocado prejuizos de aproximadamente 100.000 milhões de euros. A este respeito vale a pena ler o artigo que foi publicado na semana passada, precisamente sobre a referida utilização, com o esclarecedor título “ChatGPT: a Canary in the Coal Mine or a Parrot in the Echo Chamber? Detecting Fraud with LLM: the Case of FTX”  https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1544612324013783#sec0006

PS – Ainda sobre o ChatGPT, faz sentido revisitar a conversa entre Vaughan Connolly e Steve Watson,  dois investigadores da Faculdade de Educação da prestigiada Universidade de Cambridge, que oferece uma visão detalhada sobre as oportunidades, desafios e possibilidades do ChatGPT. https://news.educ.cam.ac.uk/230403-chat-gpt-education  Nela se defende que o valor real do ChatGPT não está tanto na criação de conteúdos, mas mais na possibilidade do GPT ser utilizado como uma ferramenta que pode ajudar os alunos a apurar ideias e organizar argumentos, permitindo que o foco seja dirigido a questões mais profundas. Nela também se sugere que os professores podem (e devem) incentivar os alunos a examinar criticamente os vieses que podem estar presentes nos conteúdos gerados por esse modelo de IA generativa, o que por sua vez pode promover uma compreensão mais rigorosa do GPT, como sendo uma ferramenta muito valiosa, mas imperfeita, por vezes necessitando de validação humana.

A humilhação do imenso orgulho Francês e a antevisão de um futuro muito pouco brilhante para Portugal

Ainda sobre o email de 11 de Outubro, abaixo, na parte sobre “gerar, reter ou atrair talento”, faz sentido divulgar o impressionante facto de uma universidade Chinesa ter acabado de contratar um cientista Francês que ganhou o Nobel da Física.  https://www.scmp.com/news/china/science/article/3283624/french-nobel-winning-laser-scientist-gerard-mourou-joins-chinas-top-university

Ou seja, já não bastava aquele país asiático, ter aparecido este ano, na capa da revista The Economist, num artigo que na altura divulguei e comentei onde foi possível ler que: “China is now a leading scientific power. Its scientists produce some of the world’s best research…They contribute to more papers in prestigious journals than their colleagues from America and the European Union and they produce more work that is highly cited”

E como se isso já não fosse suficientemente mau para o futuro da Europa, como o mostrou recentemente o relatório Draghi, divulgado no dia 9 de Outubro, onde até se fala de uma ameaça existencial, agora fica-se a saber que a Europa, ou melhor, um país rico e orgulhoso como é a França, já nem sequer consegue reter os seus melhores cientistas. E se assim é na França, imagine-se então qual será no futuro a capacidade de Portugal conseguir reter os seus talentos ! 

PS – No passado dia 15 de Outubro, o catedrático jubilado Vital Moreira, reproduziu no seu blogue, uma frase de um ex-Primeiro Ministro Italiano, que resume o futuro da Europa da seguinte forma, ou a Europa acorda e faz pela vida ou então só lhe sobrará a “escolha” entre ser uma colónia, Americana ou Chinesa.


De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 11 de outubro de 2024 07:06
Para: eng-todos; eng-investigadores
Assunto: A definição de “Outstanding Achievement” segundo o maior centro de investigação na área de ciência e engenharia dos materiais

Relativamente ao post anterior, sobre os 100 investigadores melhor classificados no ranking Stanford, há 2 dias um Colega de uma universidade do Norte do país, que não é aquela onde exerço funções, sugeriu-me uma análise mais fina por sub-área, vide email abaixo, onde apaguei a sua identidade, porém na resposta expliquei-lhe que não o poderia fazer por falta de tempo, mas disse-lhe que esse deveria ser um trabalho a ser feito pela DGEEC ou por cada uma das universidades, como forma de avaliarem o grau de influência internacional dos seus investigadores, que é uma forma expedita de avaliar a capacidade dessas universidades serem capazes de gerar, reter ou atrair talento, que Portugal precisa desesperadamente, vide noticia de 5 de Agosto no site do AICEP “Fuga de talento mina desenvolvimento no Norte de Portugal”, mas que todos os anos se limita passivamente a ver sair, com destino a países que são altamente competitivos a atrair talento, vide Global Talent Competitiveness Index 2023, https://www.insead.edu/system/files/2023-11/gtci-2023-report.pdf

E de facto uma conhecida unidade de investigação da universidade de Aveiro, que se descreve como sendo o maior centro de investigação português na área de ciência e engenharia dos materiais fez isso mesmo e contabilizou quantos dos seus investigadores apareciam nos 5 (cinco) primeiros lugares de cada sub-área, classificando esse desempenho como sendo um Outstanding Achievement https://www.ciceco.ua.pt/?tabela=geral_article&menu=255&language=eng&id_article=2281

PS – Pela parte que me diz respeito, desde 2019, que estive todos os anos, entre os 3 (três) primeiros lugares da minha área científica no ranking Stanford.


Para: F. Pacheco Torgal 

De: AAA
Enviado: 9 de outubro de 2024 10:01

Assunto: A propósito do Ranking Stanford/Scopus

Caro Fernando,

Olhando para os indicadores Stanford/Scopus pergunto-me se não seria interessante um post relativo à posição dos investigadores portugueses no ranking sub-field, uma vez que é talvez aquele que melhor mostra a relevância individual? 

Cumprimentos,

Argos’s Risk Scores: Scientific Accountability or Author Shaming?

Following up on the previous post about a study from the University of Bern tracking errors in academic papers, it’s worth highlighting a recent article in Nature that offers an in-depth look at Argos, a newly launched science-integrity platform. Argos aims to identify potentially problematic research papers by assigning risk scores based on factors such as the authors’ publication history and the extent to which the work cites previously retracted studies.  https://www.nature.com/articles/d41586-024-03427-w  

However, Argos raises several concerns despite its intention to flag high-risk papers. A high-risk score does not automatically indicate that a paper is of poor quality or fraudulent. Its heavy reliance on retraction history can result in false positives, potentially penalizing authors for past associations rather than reflecting the actual quality of their current work. Furthermore, the use of open data sources, such as Retraction Watch, increases the risk of misidentifications, particularly with common author names. Labeling papers as high-risk without thorough investigation may lead to misguided actions. Additionally, Argos’s commercial interests could present a conflict of interest, fostering excessive retractions to protect reputations rather than ensuring genuine integrity.

Declaration of Competing Interests – In 2019, I authored a critique of Retraction Watch in a post entitled ‘Public Shaming in Academia or Sharia Law in Academia?‘  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/public-shaming-in-academia.html

German-Swiss study shows that 2 million European homes could abandon the electrical grid

Following up on my previous post, available at the link above, where I discussed an interesting article by two researchers from the University of Cambridge, I would like to highlight another study conducted by researchers from universities in Germany and Switzerland.

This study investigates the potential for energy self-sufficiency in 41 million homes across Europe and concludes that 53% of these homes could achieve this using photovoltaic panels and battery storage systems. Furthermore, the article estimates that by 2050, approximately 2 million homes could fully disconnect from the electrical grid. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2542435123004026

Paradoxically, these scenarios may not be as ambitious as they initially appear. A home that disconnects from the grid and becomes energy self-sufficient does not necessarily yield substantial benefits, particularly when considering not only the financial costs but, more critically, the urgent need for the decarbonization of the building sector.

Decarbonization extends beyond energy production to include the materials used in construction—an essential factor that is often neglected. Unfortunately, this oversight is shared by several individuals, even those with significant academic credentials, as I have previously critiqued.

PS – It is essential to emphasize that the recent Draghi report highlights decarbonization as a pivotal element in bolstering EU competitiveness 

Será que desligar de forma definitiva 2 (dois) milhões de habitações da rede elétrica é uma meta ambiciosa ?

Na sequência do post anterior, acessível no link supra, onde comentei um interessante artigo, de dois investigadores da universidade de Cambridge sobre a descarbonização do ambiente contruído, aproveito agora para divulgar um outro artigo, de investigadores de universidades Alemãs e Suiças, que analisou a autossuficiência energética para 41 milhões de casas na Europa, tendo concluído que 53% poderão conseguir atingir essa condição com a utilização de painéis fotovoltaicos e baterias. O referido artigo menciona ainda que 2 milhões de habitações poderão desligar-se da rede elétrica até 2050. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2542435123004026

Paradoxalmente, os cenários referidos não são assim tão ambiciosos, quanto parecem à primeira vista, porque uma habitação desligada da rede e que produz a sua própria energia não constitui por si só um beneficio assim tão evidente, não só em termos de custos, mas principalmente em termos da necessidade imperiosa de descarbonização do parque edificado, que implica descarbonizar os próprios materiais de construção. Trata-se de um tema importante, que infelizmente muitos esquecem, como por exemplo o “adiantado mental” que há alguns tempos atrás eu critiquei aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/03/addressing-euronews-oversight-essential.html

A professora da UCoimbra que ensina aos catedráticos que eles não estão acima da lei

O jornal Público dá hoje conta da luta de uma corajosa professora da Universidade de Coimbra, que já levou 5 (cinco) concursos a tribunal e em dois deles já teve ganho de causa em virtude de sentenças do Supremo Tribunal Administrativo que lhe foram favoráveis. https://www.publico.pt/2024/10/20/sociedade/noticia/professora-luta-ha-14-anos-tribunais-concursos-justos-universidade-coimbra-2108664

No referido artigo a parte escandalosa é aquela onde se pode ler: “um dos membros do júri defendeu a exclusão do candidato vencedor, considerando que este mencionara factos falsos no seu currículo, mas o júri acabou por não colher a proposta”, facto esse que aliado a uma noticia de 2020, quando se ficou a saber que numa outra universidade pública, uma professora foi acusada de ganhar um concurso com um currículo contendo falsas declarações, torna obrigatória a interrogação, afinal quantos professores universitários ganharam concursos em universidades públicas, com um currículo contendo factos falsos ?

PS – No contexto supra, convém recordar aquilo que um corajoso Professor Associado com Agregação, escreveu num artigo que foi publicado na revista do Sindicato do Ensino Superior, que todos aqueles que se atrevem a contestar concursos académicos em tribunal, estão a atacar os catedráticos jurados nesse concurso e que por essa afronta devem ser punidos.  

Declaração de interesses – Declaro que já coloquei vários concursos académicos em tribunal e que pelo menos um dele foi anulado por violação da lei, estando outros há mais de uma década ainda à espera de sentença.