A Prioridade Estratégica de Desenvolver Polímatas para Conseguir Integrar Ciência, Inovação e Sustentabilidade

Num post anterior de Janeiro do corrente ano que agora está prestes a terminar, divulguei um livro de um conhecido investigador alemão Ulrich A.K. Betz. Nesse post mencionei também um admirável artigo do mesmo investigador, com co-autoria de investigadores das universidades de Harvard, Cambridge e Oxford, no qual se previa que a IA Generativa poderá dar inicio a uma nova idade de ouro para os polímatas.

Nessa sequência entendo importante divulgar um recente e interessante artigo de dois investigadores Norte-Americanos, que foi publicado na revista científica Patterns, sob o título “The recent Physics and Chemistry Nobel Prizes, AI, and the convergence of knowledge fields”, onde se defende que o desenvolvimento de polímatas, com recurso à IA generativa, deve ser considerado uma prioridade estratégica, para ajudar a colmatar a divisão existente entre os mais recentes avanços da ciência e as aplicações práticas necessárias para uma melhoria inequívoca e substancial da nossa sociedade.

Os seus autores só se esqueceram, de mencionar que a polimatia poderá ser especialmente importante para tentar compatibilizar, competitividade, crescimento económico e sustentabilidade, vide a este respeito, a menção que fiz num post anterior à frontal oposição ao modelo económico actual, por parte do ilustre Professor da UCLondon, Robert Costanza, que possui o impressionante registo de ter mais de uma dezena de publicações que receberam cada uma mais de mil citações na Scopus, incluindo uma que já foi citada mais de 15.000 vezes, acerca de uma estimativa do valor económico dos serviços ambientais, que à data era superior ao próprio PIB mundial.

PS – No final de cada ano, a prestigiada revista The Economist faz previsões para o ano seguinte. Este ano na sua edição The World Ahead 2025, há um intrigante artigo sobre 10 (dez) cenários hipotéticos, que embora improváveis, não são de probabilidade nula. Como se pode ler, logo no primeiro parágrafo, desse interessante artigo, quem pretende preparar-se para o futuro deve tentar antecipar a ocorrência de eventos que podem ser muito improváveis. E nesse contexto os polímatas poderão adquirir particular relevância, por conta da sua superior capacidade, em lidar com a incerteza associada aos referidos cenários, que no futuro se poderão tornar uma dura realidade.

A pífia proposta deste Governo, a incluir no RJIES, que na melhor das hipóteses, levará 18 anos a atingir o resultado pretendido

https://www.publico.pt/2024/12/23/opiniao/opiniao/autonomia-impacto-universidades-politecnicos-2116614

O Ministro Fernando Alexandre, foi ontem autor de um longo artigo, no jornal Público, sobre a revisão do Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior-RJIES, vide link supra, onde entre outras coisas se pode ler:  “propõem-se regras para combater a endogamia no Ensino Superior. Em particular, as IES não poderão contratar um doutorado da sua instituição durante os três anos após o doutoramento”

Trata-se de uma iniciativa meritória, que ambiciona retirar Portugal do pódio internacional da endogamia académica, onde o nosso país tem a pouca honrosa companhia de países do terceiro mundo​, mas que eu recentemente critiquei por ser de muito fraco alcance​, num post contundente, ácido e irónico, mas muito realista.

​Devo recordar aqueles esquecidos e principalmente aqueles que não o sabem, que o primeiro estudo nacional sobre endogamia académica, que foi levado a cabo em 2016 (por coincidência, apenas alguns meses depois de eu ter sido o primeiro subscritor de uma petição sobre esse grave problema) apurou uma percentagem nacional de 70%, e o último estudo feito em 2022, confirmou que ao longo desses seis anos teve lugar uma redução miserável de apenas 2%, (0.33%/ano), https://wwwcdn.dges.gov.pt/sites/default/files/endogamiaacademica_20212022.pd significa isso, que mesmo que a fraca medida agora proposta por este Governo, conseguisse o improvável milagre de decuplicar essa percentagem de redução para 3,3% ao ano, então Portugal necessitaria ainda assim de 18 anos, para conseguir atingir percentagens de endogamia académica idênticas às de países como a Alemanha e o Reino Unido, que são inferiores a 10%.

A minha previsão de 2021 sobre um professor da Universidade de Coimbra que não se confirmou e a previsão acertada sobre um jovem investigador Italiano

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/professor-associado-antunes-do-carmo-e.html

Em Agosto de 2021 (link supra) revelei o nome dos únicos três investigadores, da área da engenharia civil a nível mundial, que tinham mais de 1000 (mil) revisões de artigos confirmadas, dois Portugueses e um Australiano. Nessa sequência reproduzo abaixo o total de revisões dos referidos investigadores no dia de hoje. É claro que como esses investigadores se doutoraram em alturas muito diferentes, a única comparação que faz sentido fazer é a do rácio revisões/ano, desde a data do seu doutoramento, valor esse que aparece entre parênteses curvo.

Jorge de Brito……………………2258 (72) revisões confirmadas

Dong Sheng Jeng……………..1691 (62)

Pacheco-Torgal…………………1596 (93)

No referido post de 2021, previ que um professor da universidade de Coimbra, Antunes do Carmo, seria o próximo a atingir as 1000 revisões, na área da engenharia civil, porém como na presente data, ele possui 671 revisões confirmadas, ainda está longe de conseguir alcançar essa meta. Nesse post previ também que o jovem investigador Italiano Umberto Berardi, se tornaria a nível mundial, o 4º membro com mais de mil revisões, o que entretanto veio de facto a acontecer.

E como ainda por cima ele se doutorou apenas há pouco mais de uma década, isso significa que ele possui um rácio médio de revisões anuais de 84, o que o coloca acima do rácio do catedrático Dong Sheng Jeng e do catedrático Jorge de Brito, e significa também que daqui a poucos anos ele se poderá tornar o titular do maior rácio de revisões anuais na área da engenharia civil, entre os membros do Clube Mil. 

Aquilo que eu de facto não previ, foi que o investigador Umberto Berardi, chegaria tão depressa a catedrático, mas que afinal e bem vistas as coisas não é de estranhar, num investigador que em pouco mais de uma década conseguiu ter mais de 50 publicações com mais de 50 citações cada (Scopus h-index=54), que a maioria dos investigadores da área da engenharia civil não consegue, nem sequer 30 ou 40 anos depois de se terem doutorado e que está associado a um rácio h-index/ano superior ao rácio médio até mesmo dos catedráticos de engenharia civil do Imperial College e também do MIT.  https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/30767

PS – Sobre o tema supra convém recordar que alguns Editores de revistas científicas referem que a importante actividade de revisão de artigos se encontra em crise a nível mundial, pois há cada vez mais artigos que necessitam de revisão e esse aumento da procura não foi acompanhado de um aumento da oferta do número de revisores com elevada experiência nessa actividade, vide por exemplo o artigo que há poucos meses foi publicado na revista Higher Education Quarterly“The crisis of peer review: Part of the evolution of science” https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/hequ.12511

Um prestigiado cientista que recebeu uma indemnização por ter escrito sobre um “mentiroso reles” e “um pobre-diabo”

“…o queixoso era um prestigiado cientista que fora condenado criminalmente, neste jardim à beira-mar plantado, como difamador, por ter respondido a um ataque à sua competência profissional, classificando o atacante como um “mentiroso reles” e “um pobre-diabo”

O extrato supra foi retirado do último artigo do conhecido advogado Francisco Teixeira da Mota no jornal Público, onde aquele escreveu sobre um recente livro, com mais de 600 páginas de reflexões sobre 30 decisões do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos -TEDH e onde só faltou mencionar o valor total que o Estado Português já foi condenado a pagar por conta das bizarras decisões de muitos juízes Portugueses, como aquela sentença, famosa por maus motivos, que condenou o Director do jornal Público a pagar 60.000 euros ao juiz Noronha Nascimento https://www.publico.pt/2017/01/17/sociedade/noticia/estado-portugues-violou-direito-a-liberdade-de-expressao-de-exdirector-do-publico-1758605

Não admira por isso que como dei conta há alguns anos atrás, Portugal é campeão de condenações no TEDH, numa percentagem que é 350% superior à da Holanda e pasme-se, 900% superior à da Alemanha https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/tribunal-europeu-dos-direitos-do.html 

Ainda sobre aquilo que é o bizarro entendimento dos juízes Portugueses acerca dos limites da liberdade de expressão, recordo que em 2022 constatei que para os juízes Portugueses, era menos grave alguém ser condenado por fugir ao fisco, num valor de 39 milhões de euros, do que ser condenado pelo crime de difamação. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/04/o-que-e-mais-grave-difamar-alguem-ou.html

Um ataque ao coração do nepotismo catedrático: Ministro propõe que os docentes e investigadores não possam ser contratados pelas instituições onde se doutoraram

https://www.publico.pt/2024/12/13/ciencia/noticia/endogamia-academica-governo-quer-limitar-contratacoes-medida-podera-curta-2115599

Hoje o jornal Público revelou que o Governo pretende, talvez para celebrar os 50 anos da democracia Portuguesa, tentar aproximar, de forma muito suave, este país daquilo que há muito se faz noutros países, como por exemplo na Alemanha e nos EUA. É porém evidente que esta suave medida não vai passar, pela simples razão que afronta os catedráticos e catedráticas, donos da Academia, cujo grande sonho de vida, é poderem ser sucedidos nesse cargo pelos seus filhos e filhas. Não sou eu que o digo, foi um feroz magistrado aposentado, que em 2020, no seu blog, criticou essa “tradição” de forma veemente “Eppure…isto não deixa de ser vergonhoso e até indigno https://portadaloja.blogspot.com/2020/02/a-licao-de-coimbra-e-italiana.html

Sobre a peregrina mas suave proposta do Ministro Fernando Alexandre, entendo como bastante pertinente relembrar, que em 2015 fui o primeiro subscritor de uma petição contra a viciação concursal associada à endogamia académica. De lá para cá e já passaram quase 10 anos, praticamente nada foi feito para tentar resolver o problema. Em 2017 foi publicado o primeiro Estudo da Direcção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, que confirmou que a Universidade de Coimbra é a campeã nacional da endogamia, estudo esse que na altura suscitou a indignação do Ministro Heitor, a qual porém, qual montanha que pariu um rato, se traduziu apenas na aprovação de uma tímida medida pela FCT, e que só se aplica aos bolseiros de pós-doutoramento. Pessoalmente e em coerência com aquilo que defendi em 2015, na supracitada petição, entendo que a melhor forma de combater a endogamia académica, passa por alterar os júris dos concursos, para que sejam integralmente constituídos por especialistas estrangeiros, como sucedeu nos concursos Investigador-FCT, uma hipótese alternativa, praticada  nas universidades da Suécia, passa por convidar um professor de uma universidade estrangeira de topo, para eliminar os candidatos mais fracos e escolher os 2 ou 3 que passarão à fase final do concurso. Vide exemplo https://www.docdroid.net/ONpHyGk/review-by-aalto-university-expert-pdf

PS – Num post anterior de 2023, comentei de forma negativa o programa FCT tenure, nesse post abstive-me porém, porque entendi que era redundante fazê-lo, de criticar como merecia um aspecto crucial do mesmo. Que esse programa, a coberto de alegadas piedosas intenções, conseguiu algo imperdoável, retirar à FCT a realização dos concursos, com recurso a especialistas estrangeiros, que constitui a sua principal mais valia, entregando-os às universidades e aos seus júris caseiros, assim favorecendo objctivamente a selecção dos investigadores mais subservientes, como há muito sucede nos concursos para a carreira docente, como foi confessado por um Reitor https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/reitor-diz-que-os-juris-academicos.html e muito antes já tinha sido denunciado e criticado por vários catedráticos, como por exemplo aqueles dois corajosos catedráticos da Universidade de Lisboa que foram mencionados aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/04/9-euros-e-quanto-custa-o-livro-sobre-os.html Em suma, o programa FCT tenure escancarou as portas ao nepotismo, consubstanciando uma chocante e condenável vitória dos mais retrógrados e perniciosos interesses instalados da Academia Portuguesa, a qual terá como consequência mais evidente, a saída de talento científico para outros países, onde a endogamia e o nepotismo catedrático não ditam as regras. 

Os cientistas que receberam 70.000 euros por ano pelo aluguer da sua afiliação

https://english.elpais.com/science-tech/2024-12-05/dozens-of-the-worlds-most-cited-scientists-stop-falsely-claiming-to-work-in-saudi-arabia.html

O jornal El País acaba de voltar a publicar um artigo sobre os cientistas que andaram a “alugar” a sua afiliação a universidades Sauditas. Desta vez porém o propósito do artigo não é para falar dos cientistas Espanhóis nessa situação, mas para mostrar que afinal os Espanhóis nem sequer foram aqueles que mais “alugaram” a sua afiliação e para dar conta da inevitável queda das universidades da Arábia Saudita, agora que se tornou público que esses cientistas não trabalhavam naquele país. 

Sobre este tema recordo que em 27 de Abril comentei as primeiras noticias sobre os cientistas Espanhóis que andaram a “alugar” a sua afiliação a universidades Sauditas. Nesse post escrevi que nessa história nem tudo é preto e branco, pois há cientistas na Espanha, sem contrato de exclusividade, que até se vem obrigados a ter um part-time no ensino secundário para conseguirem melhorar o vencimento, pelo que é assim difícil aceitar exercícios hipócritas de apedrejamento público, por aqueles não terem resistido ao dinheiro Saudita. 

E se não houve nenhum caso em Portugal de aluguer de afiliação (logo o país onde até há uma universidade pública cujo Reitor recebe simultaneamente dois salários, o que no futuro levará outros a copiar essa esperteza saloia) muito provavelmente, foi apenas porque os cientistas Portugueses HCR estão todos eles em exclusividade de funções. Verdadeiramente inaceitável em Portugal, é que um investigador no inicio de carreira, ganhe apenas o mesmo que ganha qualquer um dos muitos motoristas do Primeiro-Ministro. 

PS – Apesar de tudo, há porém uma dimensão positiva nesta história, o facto de mostrar que existe uma competição mundial pelo talento científico e que se a Arábia Saudita quer de facto ter nas suas Universidades cientistas reputados, vai ter de lhes pagar muito mais do que 70.000 euros por ano (que representa apenas 0,035% do salário pago pelos Sauditas ao hipócrita artista do pontapé e da cabeçada Ronaldo), pois há muitas universidades europeias e Americanas que pagam mais do que isso por cientistas de topo. E agora até a própria China já lhes leva a palma nesse campeonato.

Governo corta o financiamento na área das humanidades e das ciências sociais para privilegiar somente as ciências “douradas”

https://www.science.org/content/article/amid-cuts-basic-research-new-zealand-scraps-all-support-social-sciences

Não foi uma decisão do Donald Trump, nem do anarcocapitalista Presidente da Argentina, o “Presidente favorito de Trump“, nem sequer de nenhum ditador de um país do terceiro mundo, mas logo do Governo da Nova Zelândia, vide noticia no link supra, onde se pode ler que a Ministra da Ciência, Inovação e Tecnologia daquele país (que certamente não por acaso até é um dos mais civilizados do Planeta, de acordo com o índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas) afirmou que doravante o financiamento de investigação, será dirigido somente a áreas que tenham impacto económico, incluindo nesse grupo, as áreas da física, da química, da matemática, das engenharias e das ciências biomédicas. 

Um dos maiores, senão mesmo o maior inconveniente desta abordagem passa pelo seu impacto previsível a nível mundial, porque levará à germinação de ideias similares na cabeça de dirigentes de países pobres, que logo correrão a copiar essa receita, com a argumentação, que se um país que está no grupo dos 25 mais ricos e com um PIB/capita similar ao da França e da Itália achou necessário financiar somente as áreas científicas com impacto económico, então mais razões tem países pobres para lhe seguirem o exemplo. 

E quando se começa a cortar nas despesas de investigação de algumas áreas, alegando que é preciso guardar o dinheiro, para as áreas que tenham mais impacto económico, então já se sabe que a seguir virá a exigência, no sentido dos projectos a financiar, dever ser feita favorecendo os projectos do tipo MIDAS, que prometam o maior retorno económico o mais rapidamente possível, o que levará ao financiamento de projectos, que muito embora prometam elevado retorno económico, no final ficarão apenas pelas promessas. 

PS – Sobre a questão supra vale a pena revisitar o post anterior de título “A serendipidade na ciência e a paralisação do progresso científico”

A Tale of Two ERC Presidents: Maria Leptin’s Silence vs. Bourguignon’s Courage

https://www.publico.pt/2024/12/08/ciencia/entrevista/maria-leptin-ciencia-investe-ganha-europa-ficou-tras-2114625

In a comprehensive interview published yesterday in one of Portugal’s leading daily newspapers (accessible via the link above), the septuagenarian scientist Maria Leptin, President of the European Research Council, highlights a stark reality: China invests 50% more in research annually than Europe. When asked by the journalist, “Is the lag in European science solely a matter of investment?” her response is reproduced below:

“You’re asking about innovation. It’s not just my opinion—the reports I cited have highlighted these issues. Additionally, economists like Jean Tirole, a Nobel laureate, have also commented on similar challenges. A common criticism is that scientists lack entrepreneurial spirit. However, that’s not what I observe among our researchers. Instead, the issue often lies elsewhere. One significant challenge is that universities don’t do enough to support the transfer of knowledge from academia to society or to bridge the gap between science and the market. This might be an important factor, but what’s abundantly clear from the voices I’ve mentioned is the issue of fragmentation within Europe. Consider this scenario: someone in Barcelona develops an innovation—a proof of concept, for instance—bringing it to market and securing all the necessary licenses. Now, they seek an investor to help launch a company to commercialize the product. Unfortunately, they’re at a disadvantage because their primary market is limited to Spain. Meanwhile, a colleague in the United States might undertake a similar endeavor, but their market encompasses the entire country. This difference in market scale creates a significant imbalance in opportunities…”

It is, however, deeply regrettable that she failed to point out to the journalist that the root cause of this issue lies squarely with the politicians. This oversight is particularly glaring given the clear evidence outlined in the Draghi report, specifically on page 214, which unequivocally states: Europe’s researchers have few incentives to become entrepreneurs. . The reality is far grimmer—those incentives are not merely lacking; they are non-existent, leaving Europe’s researchers shackled by a system that seems designed to stifle entrepreneurial ambition. This isn’t just neglect; it’s systemic self-sabotage

A glaring example of this failure is the obstinate refusal to embrace proven strategies that have the potential to revolutionize innovation within European universities. One such strategy is Sweden’s model: reinstating the “professor’s privilege,”. The evidence is irrefutable—eliminating this so-called privilege, which once granted professors ownership of the intellectual property stemming from their inventions, was not merely a grave misstep but an act of breathtaking short-sightednesshttps://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/new-evidence-shows-that-abolishment-of.html

European universities should follow ETH Zurich’s lead by implementing flexible employment policies that allow researchers to take entrepreneurial leave while pursuing business ventures. The Entrepreneurial Sabbatical model enables faculty and researchers to step away for up to a year to work on startups, without risking their academic position. This approach effectively bridges the gap between research and business, offering a secure safety net.

PS – Personally, I would advocate for adopting a more assertive and uncompromising stance against the evident cowardice of European politicians—a stance akin to that taken by the esteemed former President of the European Research Council (ERC), the French mathematician Jean-Pierre Bourguignon. Bourguignon did not mince words when he issued a powerful and inspiring call to action, urging researchers to demonstrate their “fighting spirit.” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/there-are-times-when-scientists-must.html

Estarão os 100 investigadores mais citados de Portugal a conseguir aproveitar a notável ascensão da Ciência Chinesa ?

Na sequência do post anterior, onde se revelou quais as universidades e politécnicos públicos que mais (e menos) tem ajudado Portugal a tentar alcançar a meta de 7% de colaborações com China, como já sucede com a Alemanha e a Suiça, é pertinente tentar saber até que ponto os 100 investigadores mais citados de Portugal, de acordo com o ficheiro carreira do ranking Stanford, se preocuparam ao longo da sua carreira em estabelecer colaborações, com investigadores do referido país, que em poucos anos se tornou uma potência científica mundial, por mérito próprio.  Note-se que numa entrevista que hoje aparece no jornal Público,  a cientista septuagenária Maria Leptin, Presidente do Conselho Europeu de Investigação, avisa que anualmente a China investe em investigação 50% mais do que a Europa ! https://www.publico.pt/2024/12/08/ciencia/entrevista/maria-leptin-ciencia-investe-ganha-europa-ficou-tras-2114625

A média da amostra da lista infra é infelizmente de apenas 3%, havendo apenas uma dezena de investigadores com uma percentagem superior a 10% e um Investigador, Alan Lander Philips, com uma elevada percentagem de 41%, sem o qual a média global seria ainda mais baixa e que só é pena que já se tenha aposentado. No grupo dos que possuem baixas percentagens de colaborações com a China, merecem destaque pela positiva, aqueles vários que em contrapartida, possuem colaborações com outros países científicamente muito competitivos, como é por exemplo o caso dos investigadores Maria Carmo-Fonseca e Miguel Bastos Araújo, que possuem percentagens de colaborações com investigadores da Alemanha, de respectivamente 20% e 14%, porém dificilmente se entende, que haja outros investigadores que nas suas colaborações tenham decido privilegiar países científicamente pouco competitivos, como o Brasil, por falta de ambição ou incapacidade prospectiva https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/six-books-to-understand-future.html

1.       Damásio, A.USouth Calif……….0%
2.       Hespanha, J. P.UCalifornia…………4%
3.       Davim, J. P.UAveiro………………4%
4.       Domingos, P.U.Washington……..0%
5.       Mano, João F.Aveiro………………..2%
6.       Araújo, M.B.CSIC………………….3%
7.       Liddle, Andrew R.ULisboa……………..6%
8.       Guedes Soares, C.ULisboa……………..13%
9.       Reis e Sousa, C.Francis Crick Inst..0.6%
10.   Damásio, HannaUSouth Calif…………0%
11.   Ferro, José M.ULisboa……………….3%
12.   Tenreiro Machado, J. A.Pol. Porto…………….11%
13.   Bioucas-Dias, José M.ULisboa……………….11%
14.   Heald, Richard J.Champalimaud F…..0%
15.   Coutinho, João A.P.UAveiro……………….0.1%
16.   Figueiredo, Mário A.T.ULisboa……………….1%
17.   Barros, CarlosULisboa………………..7%
18.   Chaves, Maria M.ULisboa………………..0%
19.   Figueiredo, José L.UPorto………………….0.5%
20.   Cunha, Rodrigo A.UCoimbra……………..3%
21.   Montemor, M. F.ULisboa………………..0.3%
22.   Ferreira, S.UPorto………………….-
23.   Rodrigues, Alírio E.UPorto…………………..5%
24.   Lobo, Francisco S.N.ULisboa…………………6%
25.   Bakermans-Kranenburg, M. J.ISPA………………………2%
26.   Lourenço, Paulo B.UMinho…………………0.3%
27.   Ferreira, A. J.M.UPorto…………………..4%
28.   Reis, Rui L.UMinho………………….4%
29.   Brett, Christopher M.A.UCoimbra………………0.6%
30.   Gama, JoãoUPorto……………………2%
31.   Cardoso, VitorULisboa………………….2%
32.   Malcata, Francisco X.UPorto……………………0%
33.   Catalão, João P.S.UPorto…………………..10%
34.   Lindman, BjörnUCoimbra………………..1%
35.   Moreira, Paula I.UCoimbra……………….2%
36.   Silveirinha, Mário G.ULisboa………………….0.7%
37.   Pereira, HelenaULisboa………………….0%
38.   Bertolami, OrfeuUPorto……………………0.4%
39.   Cardoso, FatimaChampalimaud F……..5%
40.   Pacheco-Torgal, F.UMinho…………………..17%
41.   Rocha, JoaoUAveiro…………………..4%
42.   Brito, JorgeULisboa…………………..2%
43.   Falcão, A. F.O.ULisboa…………………..0%
44.   Derouane, E. G.UAlgarve…………………1%
45.   Rodrigues, Joel J.P.C.ULusófona………………28%
46.   Pombeiro, ArmanULisboa…………………..6%
47.   Ferreira, Mario G.S.UAveiro…………………..11%
48.   Oliveira, Rui F.Inst. Gulbenkian………1%
49.   Varandas, António J.C.UCoimbra………………18%
50.   Pereira, Luis S.ULisboa………………….14%
51.   Veldhoen, MarcULisboa………………….3%
52.   Carmo-Fonseca, MariaULisboa…………………0.5%
53.   Sousa, NunoUMinho………………….2%
54.   Santos, Nuno C.UPorto……………………3%
55.   Peças Lopes, João A.UPorto……………………0%
56.   Kamel Boulos, M. N.ULisboa………………….12%
57.   Souto, Eliana B.UPorto……………………2%
58.   Rocha-Santos, TeresaUAveiro………………….2%
59.   Schütz, Gunter M.ULisboa…………………..0%
60.   Carvalho, F. P.ULisboa…………………..2%
61.   Cavaco-Paulo, ArturUMinho…………………..19%
62.   Rodrigues, Lígia R.UMinho…………………..3%
63.   Lemos, José P.S.ULisboa…………………..3%
64.   Sarmento, BrunoUPorto…………………….5%
65.   Gash, John H.ULisboa…………………..2%
66.   Oliva-Teles, AiresUPorto……………………..1%
67.   Vasconcelos, VítorUPorto……………………0.5%
68.   Miguel, Maria G.UAlgarve…………………..0%
69.   Saraiva, Maria JoãoUPorto………………………0%
70.   McGregor, Peter K.ISPA…………………………0%
71.   Graça, Manuel A.S.UCoimbra…………………1%
72.   Schmitt, Fernan C.UPorto……………………..2%
73.   Loureiro, Sandra M. C.Iscte…………………………2%
74.   Herdeiro, Carlos A.R.UAveiro……………………4%
75.   Simões, ManuelUPorto………………………0%
76.   Flores, PauloUMinho……………………3%
77.   Sousa Santos, B.UCoimbra…………………0%
78.   Paterson, Robert R.M.UMinho…………………….0%
79.   Ferreira, Isabel CPol.Bragança…………..0.3%
80.   Carlos, L. D.UAveiro……………………5%
81.   Edens, John F.Texas A&M……………….0%
82.   Phillips, Alan J.L.ULisboa…………………..41%
83.   Semin, Gün R.ISPA………………………..0%
84.   Kundu, Subhas C.UMinho…………………..19%
85.   Konotop, Vladimir V.ULisboa………………….12%
86.   Barros, LillianPol.  Bragança…………0.2%
87.   Vilar, RuiULisboa…………………..3%
88.   Carvalho, M.ULisboa……………………1%
89.   Kholkin, AndreiUAveiro…………………….3%
90.   Zilhão, JoãoULisboa……………………1%
91.   Marques, Rui C.ULusófona………………..1%
92.   Sobrinho-Simões, M.UPorto…………………..0.2%
93.   Martins, RodrigoUNova……………………..5%
94.   Órfão, José J.M.UPorto…………………….0%
95.   Antunes, Manuel J.UCoimbra………………..0%
96.   Leitão, PauloPol. Bragança…………0.5%
97.   Fernández-Rossier, J.INL………………………….1%
98.   Manaia, Célia M.UCatólica…………………5%
99.   Camarinha-Matos, Luis UNova…………………….0.5%
100.                      Fortunato, ElviraUNova……………………..5% 

U.Lisboa e U.Minho são as universidades com o maior crescimento em termos de colaborações com uma potência emergente da ciência mundial

Já não bastavam as péssimas noticias implícitas no facto da Europa já não ser capaz de “cativar” os seus melhores cientistas, e agora fica-se a saber, através de um recente relatório da Clarivate Analytics  “2024: Research Front-Active Fields, Leading Countries”, que a Europa faz triste figura frente à China. Na tabela 3 da página 9, pode ler-se que a China aparece em 1º lugar em 39 áreas, enquanto que a Europa faz figura de parente pobre, pois a soma dos primeiros lugares da Alemanha, do Reino Unido e da França, fica-se apenas por 6 (seis) áreas !!!

Neste contexto importa recordar que há alguns anos atrás mostrei que muito embora Portugal tenha sido capaz de aumentar o número das suas publicações científicas não tem tido a mesma capacidade para aumentar o impacto dessas publicações. Infelizmente de ano para ano, o impacto “cresce” em sentido contrário 

Como também então escrevi, uma das formas mais evidentes (e mais baratas) de conseguir aumentar o impacto dessas publicações passa por diminuir de intensidade as colaborações com investigadores de países cientificamente pouco competitivos, para privilegiar as publicações com co-autoria de investigadores de países muito mais competitivos. E nesta área Portugal tem tido um comportamento bastante criticável, porque uma análise das colaborações ao longo dos últimos 60 anos, mostra que as colaborações científicas tem descurado os países cientificamente mais competitivos. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evolucao-das-colaboracoes-cientificas.html

Relativamente a esta questão, em Julho de 2023 analisei o desempenho das universidades e Politécnicos Portugueses que no biénio 2021 e 2022 tiveram mais (e menos) capacidade de produzir publicações conjuntas com investigadores dessa potência científica em ascensão que é a China e agora faz todo o sentido analisar como evoluiram essas colaborações no biénio 2023 e 2024. 

A nova lista que abaixo se reproduz permite constatar que há dez instituições que melhoraram a sua prestação no novo biénio, sendo que no grupo de instituições universitárias, as universidades de Lisboa e do Minho foram aquelas que tiveram o maior crescimento, representando mais de 40% de todas as publicações indexadas com afiliação Chinesa. 

É importante frisar que a média nacional das publicações com afiliação Chinesa subiu para 4.8%, uma subida ligeira de apenas 1% face aos 3.8% do biénio anterior, e essa subida teria sido ainda menor se a UMinho e a ULisboa tivessem tido o mesmo desempenho de outras universidades. Trata-se de um valor insatisfatório porque Portugal deve tentar alcançar a mesma percentagem da Alemanha e da Suiça que é de 7%.

Paradoxalmente a percentagem das colaborações com o Brasil manteve-se igual nos dois biénios, e logo num valor de 10% (o dobro da percentagem das afiliações Chinesas) o que significa que muitos investigadores Portugueses ainda continuam a apostar em colaborações que dificilmente irão contribuir para aumentar o impacto da ciência Portuguesa a nível mundial. 

Percentagem de publicações indexadas, com afiliação Chinesa, no biénio 2023 e 2024

1 – UMadeira…………8% 

2 – UMinho……………7% 

3 – ULisboa……………7% 

4 – UCoimbra…………6% 

5 – IPol.Viana C……..5% 

6 – IPol.Guarda………5%

7 – IPol.Lisboa……….4%

8 – ISCTE……………..4% 

9 – UAçores…………..4% 

10 – UAveiro…………..3% 

11 – UPorto……………3% 

12 – UNova…………….3% 

13 – UBI…………………3% 

14 – UALG……………..3% 

15 – IPol.Porto……….2% 

16 – IPol.Coimbra……2% 

17 – UÉvora……………2% 

18 – IPolPortalegre…..2% 

19 – IPol.C.Branco…..2% 

20 – IPol.Santarém…..2% 

21 – UTAD………………1% 

22 – IPol.Bragança…..1% 

23 – IPol.Leiria………….1%

24 – IPol.Tomar………..1% 

25 – IPol.Setubal………1% 

26 – IPol.Viseu…………1%

27 – UAberta…………..0.7% 

28 – IPol.Beja…………..0.4% 

29 – IPCA……………….0.2%