INVENTHEI – Capacitar os alunos de doutoramento para os desafios do século 21

Não foi certamente por acaso, que num artigo publicado na revista da Ordem dos Engenheiros, no inicio do corrente ano, o extraordinário catedrático Adélio Mendes, da Universidade do Porto, afirmou que no grupo dele já nasceram 10 (dez) start-ups e que esse número cresce à razão de duas novas a cada ano, o que constitui uma dinâmica criativa invulgar, que compara de forma favorável com a produção da maior unidade de investigação na área da ciência e engenharia dos materiais-CICECO, onde há centenas de investigadores, mas que até hoje produziu apenas 8 (oito) start-ups. 

No final do passado mês de Março, a revista The Economist, previu um futuro péssimo para a economia Europeia, a juntar à invasão da Ucrânia, que levou à subida de preços de energia e à subida da inflação, e à invasão dos veículos elétricos Chineses, que ameaçam milhões de empregos, de que é reflexo o recente anúncio da Volkswagen de encerrar fábricas na Alemanha, juntar-se-ia também a possibilidade futura, de Donald Trump se tornar o próximo presidente dos EUA, que entretanto deixou de ser apenas uma possibilidade, para levar a uma inevitável uma guerra de tarifas, que contribuirá para tornar ainda mais negras as perspectivas futuras da economia europeia, o que por sua vez torna ainda mais importante e urgente programas, que facilitem a criação de empresas tecnológicas.

No presente contexto aproveito para divulgar uma recente publicação, onde se descreve um programa educativo, financiado pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia no âmbito da Iniciativa: Capacitação em Inovação para o Ensino Superior, https://ieeexplore.ieee.org/stamp/stamp.jsp?tp=&arnumber=10767758 e que foi especialmente projetado para ajudar os alunos de doutoramento na exploração e valorização dos resultados económicos das suas investigações e bem assim na sua capacitação para os desafios de uma economia europeia sujeita a uma competição brutal por parte dos  EUA e também da China (país cujo crescimento fulgurante até já lhe permite a audácia de roubar prémios Nobel à Europa), vide o relato dramático feito no relatório Draghi, onde não por acaso, na página 214, é explicitada a critica que na Europa (ainda) não existem incentivos suficientes para que os investigadores se tornem empresários, embora neste aspecto particular seja importante frisar que ao contrário de incentivos, paradoxalmente, o que tem havido são desincentivos, que mostra a ciência, constituem autênticos tiros nos pés https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/new-evidence-shows-that-abolishment-of.html

Pessoalmente, acho que o referido programa apresenta uma séria limitação. A palavra “failure” não aparece referida uma única vez no mesmo e porém como recordei anteriormente a capacidade de ultrapassar insucessos é determinante nesta área e não se consegue sequer perceber porque é que as universidades lhe dedicam tão pouca atenção: “A critical concern deserving increased emphasis within universities — the nuanced skill of overcoming failures and the profound lessons that inevitably unfold from these experiences underscore the importance for educational institutions to acknowledge the inherent value of such lessons in shaping individuals. It is crucial to note that the ability to overcome failure and continue taking risks is particularly vital in the knowledge economy and the realm of startup creation“. 

PS – Em 2017 critiquei pela sua ligeireza e notória ausência de sustentação científica, um descarado exercício de propaganda, que contou com a participação da FCT, que dava conta que numa única década teriam alegadamente sido criadas no nosso país 300.000 start-ups, o que a ser verdade, faria de Portugal o campeão do universo, embora na verdade nesse campeonato, nem sequer conseguimos ter metade do rácio da Estónia. 

PSD, CDS e Chega – O trio de inimigos declarados da Ciência Portuguesa

https://www.publico.pt/2024/11/27/ciencia/noticia/proposta-aumento-orcamento-fct-chumbada-parlamento-2113573

É bastante esclarecedor o facto de ontem os deputados do PSD, CDS e Chega se terem unido, para chumbar uma proposta que visava compensar o corte de quase 70 milhões de euros que o Governo de Luís Montenegro inscreveu no Orçamento de Estado para 2025, relativamente ao financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Vide artigo acessível no link supra. 

Ou seja já não bastavam os vários cortes que o Governo do António Costa efectuou nos orçamentos da Ciência e agora o actual Governo ainda pretende efectuar cortes muitíssimo superiores. É inacreditável que este Governo, com o apoio do Chega, pretenda fazer, aquilo que nem o Governo do Passos Coelho se atreveu a fazer, durante o resgate da Troika, pois em 2015, o Orçamento da FCT correspondeu a 0,23% do PIB, enquanto que agora essa percentagem vai baixar para o valor terceiro-mundista de 0.19%.  Mas se a justificação deste Primeiro-Ministro, é que não tem dinheiro para a Ciência, porque alegadamente precisa do “pouco” que tem para fins mais nobres, então eu aproveito para lhe dar o mesmíssimo conselho que há alguns anos atrás, publicamente dei ao então Primeiro-Ministro António Costa. Trate de o ir buscar onde ele anda a ser desbaratado por uma classe politica parasita. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/primeiro-ministro-defende-reducao-de.html

Mas se por absurdo, o Governo de Luís Montenegro, mesmo assim continuar a achar que é preferível retirar dinheiro à Ciência, porque não tem coragem para cortar nas dezenas de milhões de euros que todos os anos o Estado gasta com sociedades de advogados, ou nos milhões de euros que custam as subvenções vitalícias dos políticos, ou nos milhões de euros que se gastam na compra de viaturas de políticos, mesmo assim, ainda lhe resta uma outra hipótese, para conseguir arranjar dinheiro para a Ciência (e para outras áreas), basta que tenha a coragem de copiar a legislação do Reino Unido, que permite declarar perdido a favor do Estado o produto de actividades criminosas (Unexplained Wealth Order), pois convém lembrar a este respeito que em Portugal “…o nosso Ministério Público só conseguiu apreender (leia-se congelar) nos últimos 5 anos um valor miserável que representa menos de 1% do valor roubado (o valor efectivamente declarado perdido a favor do Estado no final do julgamento é apenas 0.01%)” .

PS – E quanto mais depressa o Governo Português começar a copiar o que fazem na Suécia e também na Alemanha, condenando a penas de cadeia efectivas, os grandes evasores fiscais, mais depressa conseguirá arranjar dinheiro para a Ciência, para a Sáude e para as restantes áreas: “…a Suécia condenou mais de mil pessoas a penas de cadeia efectiva enquanto que no mesmo período a justiça Portuguesa aplicou penas de prisão, por fuga aos impostos, a apenas 83 pessoas, o que é 12 (doze) vezes menos….na Alemanha há penas de cadeia efectivas para a fuga ao fisco superior a 1 milhão de euros, atenta porém a diferença salarial entre os dois países, então para Portugal o valor de fuga ao fisco que daria automaticamente pena de prisão deveria ser de 350.000 euros” 

The Mathematician Unmasking the Myth of Fraudulent ‘Super-Publication Powers

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/how-many-papers-can-superscientist.html

For far too long, academia and publishers have turned a blind eye to the absurd phenomenon of so-called “super-publication powers,” as highlighted in the post above. A glaring example is the Danish Full Professor who, in 2020, churned out an astonishing average of six (6) Scopus-indexed papers per week—yes, per week!. Such output defies not just credibility but also the basic limits of human intellectual and physical capacity. When individuals produce at rates that strain the boundaries of reason, the entire academic system risks collapsing under the weight of its own hypocrisy.

A few months ago, a mathematician (pictured at the start of this post) authored a paper that identified, quantified, and illustrated the typical signs of scientists exhibiting papermilling behavior. The paper presents clear examples, including a comparison of two researchers who have previously appeared on the Highly Cited Researchers list having similar career lengths. These profiles are depicted in Figure 1 and Figure 2 https://arxiv.org/html/2405.19872v2 He suggests that to quantify the observed patterns, the following indicators can be used when analyzing papermilling behavior:

  • High correlation (above 0.7–0.8) between publication and citation counts.
  • Minimal delay between citations and publications with high correlation.
  • Unusually high annual publication count, especially with an increasing trend.
  • Low integrity index

O estranho inconseguimento do departamento de engenharia civil da Universidade do Porto

https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2021636118

Tendo em conta que existe, a nível mundial, um excesso de publicações científicas, avulsas, que acrescentam muito pouco ao estado da arte, excesso esse que é prejudicial à ciência, vide artigo acessível no link supra, o que também tem que ver com o facto dos investigadores serem cada vez mais incapazes de sintetizar todo o conhecimento daquilo que é referido estado da arte, vide artigo “The memory of science“, e tendo ainda em conta o grave défice académico de Portugal, no respeitante à produção de livros indexados, bem patente no facto da pequena universidade de Oxford, produzir anualmente mais livros indexados, do que todas universidades e politécnicos Portugueses juntos, reproduzo abaixo os títulos dos 10 livros mais citados, de sempre, da área científica da Engenharia Civil, indexados na plataforma Scopus, onde existe um domínio evidente da universidade do Minho, mas onde estranhamente não existe um único que tenha sido produzido por investigadores da universidade do Porto.

1 – Handbook of Alkali-Activated Cements, Mortars and Concretes (UMinho)

2 – Handbook of Recycled Concrete and Demolition Waste (UMinho)

3 – Design of Steel Structures (UCoimbra)

4 – Eco-efficient concrete  (UMinho)

5 – Mechanics and strength of materials  (UCoimbra)

6 – Fibrous and Composite Materials for Civil Engineering Applications (UMinho)

7 – Toxicity of building materials  (UMinho)

8 – Seismic Design of Concrete Buildings to Eurocode 8 (LNEC)

9 – Sustainable Construction Materials: Copper Slag (ULisboa)

10 – Nano and biotech based materials for energy building efficiency (UMinho)

PS – 50% dos livros da referida lista são da responsabilidade do dono deste blogue, incluindo o primeiro livro dessa lista que se tornou o mais citado, entre todos aqueles, quase 1500, de todas as áreas científicas produzidas em todas as universidades Portuguesas nos últimos dez anos. Já o segundo da lista tornou-se o mais citado da sua área a nível mundial. 

A universidade com o pior desempenho no ranking do narcisismo académico

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/o-cientista-que-se-auto-citou-numa.html

Há três anos atrás analisei o desempenho comparado das seis melhores universidades Portuguesas, para aferir quais aquelas que tinham mais investigadores influentes, que gostavam muito, de se citarem a si próprios, tendo nessa altura concluído que a Universidade de Lisboa era aquela onde havia a maior densidade de investigadores com percentagens de auto-citações superiores a 25%, e no pólo oposto, que a universidade do Minho era a que apresentava o menor número desses investigadores. Vide post acessível no link supra.

Uma atualização dessa análise, baseada no ficheiro carreira, do ranking Stanford que foi divulgado há poucos meses atrás, somente para os investigadores com percentagens de auto-citação superiores a 30%, mostra que a Universidade de Lisboa continua a liderar, esse lamentável ranking, sendo que essa liderança se deve na sua esmagadora maioria aos investigadores do Instituto Superior Técnico. Dessa análise também novamente se constata que os investigadores da Universidade do Minho, continuam a mostrar, uma peculiar mas saudável “aversão”, a citarem-se a si próprios.

ULisboa………25 investigadores com percentagens de auto-citação superiores a 30%

UPorto…………10

UAveiro…………8

UNova……………6

UCoimbra………5

UMinho………….1

PS – Há uma década atrás analisei a produção científica, de Professores Associados e Catedráticos de Departamentos de Engenharia Civil em seis Universidades Portuguesas, tendo utilizado para esse efeito as seguintes métricas: número de artigos em revista internacional indexada na Scopus, rácio artigos/ano, número de citações, rácio citações/artigo, índice-h, rácio índice-h/ano, percentagem de auto-citações e percentagem de artigos não citados. Na lista de referências, que então citei, há um artigo interessante, com afiliação daquele país que lidera o rácio mundial prémios Nobel/milhão de habitantes, que concluiu após analisar quase 800 artigos, que se há um factor que contribui bastante para um artigo científico se poder tornar bastante citado é o de ter autores de universidades de topo. Porém, se não há em Portugal uma única universidade de topo, nem do grupo das 20 melhores, nem do grupo das 50 melhores, ou do grupo das 100 melhores ou sequer das 150 melhores, isso significa que quem na ULisboa ou em qualquer outra universidade Portuguesa, acha “boa” ideia auto citar-se em excesso, mais não faz que desvalorizar esse artigo, com citações de alguém que não pertence a nenhuma universidade de topo. Não é narcisismo é apenas burrice.

Portugal vs Norway: A Clear Case Study Highlighting the Flaws in Clarivate’s HCR List

Clarivate Analytics has just unveiled its Highly Cited Researchers (HCR) list for 2024. Interestingly, both Portugal and Norway have 18 HCRs. However, when assessing their performance through the Stanford Scientist Ranking, particularly within the top 0.5% of researchers, Norway shows a remarkable 500% advantage over Portugal. List below. This disparity suggests a significant flaw in the methodology behind the Clarivate HCR list. 

It is worth noting that the Stanford Scientist ranking, is the only one worldwide that satisfies three critical conditions: accurate author disambiguation, the exclusion of self-citations, and fractional counting of contributions. Furthermore, this ranking effectively addresses a major flaw in Clarivate’s HCR list—its bias toward specific scientific disciplines. This issue persists despite the introduction of the Cross-Field category in recent years, which has failed to resolve the problem. 

Chaignon et al. (2023) unleashed a scathing rebuke of the HCR list, condemning its methodology for systematically erasing groundbreaking contributions in innovative or niche fields. They singled out the shocking exclusion of Alain Aspect, the French Nobel laureate in Physics (2022), as a glaring example of its shortcomings.

Declaration of Competing Interests – In November 2020, I criticized Clarivate’s Highly Cited Researchers list for its blatant bias toward specific scientific disciplines. A year later, in November 2021, I reiterated this condemnation, emphasizing that their token measure—excluding papers with more than 30 affiliations—amounts to little more than window dressing. It utterly fails to address the list’s core and glaring flaw: the stubborn refusal to implement fractional counting. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/the-flawed-clarivate-list-of.html

PS – Revising the Clarivate Highly Cited Researchers list to incorporate fractional counting while ensuring an unbiased evaluation across all scientific disciplines would undoubtedly redefine the Shanghai Ranking of universities. This reform has the potential to curtail the dominance of a powerful nation within that ranking. The pressing question remains: which country will suffer the most when these entrenched biases are finally dismantled?

  1. Switzerland………108 scientists per million inhabitants in Top 0.5% Stanford Ranking
  2. Denmark…………. 84
  3. UK……………………77
  4. USA………………….75
  5. Sweden…………….70
  6. Australia……………65
  7. Netherlands……….63
  8. Canada……………..60
  9. Finland………………53
  10. Israel…………………45
  11. Norway………………41
  12. New Zealand………41
  13. Singapore………….39
  14. Belgium……………..35
  15. Germany……………33
  16. Ireland……………….32
  17. Austria……………….31
  18. Iceland………………27
  19. France……………….19
  20. Italy……………………15
  21. Luxembourg……….13
  22. Greece………………12
  23. Slovenia……………..9
  24. Cyprus………………..9
  25. Portugal………………8

Instituições de ensino superior que ajudam Portugal a não fazer má figura no contexto da guerra Europa vs EUA vs China

No passado mês de Setembro, analisei através de uma pesquisa na plataforma Scopus, as publicações produzidas a partir de 1 de Janeiro de 2023, sobre IA, isto é, que continham os termos GPT OR AI OR LLM nos campos título, resumo e palavras chave, selecionando somente as publicações que continham as palavras-chave “Artificial Inteligence” OR “Machine Learning” OR “Deep Learning”. 

Nessa sequência reproduzo abaixo uma pesquisa similar feita este mês, onde se percebe quais são as instituições que estão mais activas nessa área (leia-se as que mais ajudam Portugal). No final do post apresenta-se também uma lista dos países que produziram pelo menos 500 publicações nessa área, ordenados pelo rácio publicações por milhão de habitantes, onde Portugal consegue a proeza de integrar o Top 10 mundial. 

Sobre este tema é pertinente revisitar um post de 9 de Agosto, onde divulguei um artigo que deu conta que a esmagadora maioria das publicações sobre IA altamente citadas, foram produzidas por empresas, Americanas e Chinesas, fazendo prova da reduzida competitividade científica das empresas europeias nesta importante área.

PS – Quando se faz uma pesquisa na Scopus sobre todas as publicações indexadas sobre AI, com afiliação Portuguesa, produzidas desde o ano 2000, que já ultrapassam mais de um milhar e se ordenam pelo seu número de citações, constata-se que, a mais citada de todas elas, de título “On instabilities of deep learning in image reconstruction and the potential costs of AI”, foi publicada há apenas 4 anos, e curiosamente a mesma só tem afiliação de uma universidade Portuguesa, porque um dos co-autores é um investigador de Pós-Doutoramento, italiano, que trabalha na universidade do Porto https://orcid.org/0000-0002-8243-8350 e que vale a pena dizê-lo, constitui uma excelente (e muito louvável) contratação por parte daquela universidade.

Número de publicações científicas indexadas sobre IA produzidas desde Janeiro de 2023
Univ. do Porto……………121 publicações

Univ. de Lisboa…………..89     

Univ. de Coimbra………..55      

Univ. do Minho……………49     

Univ. de Aveiro……………43    

Univ. Nova…………………48      

ISCTE……………………….34         

UTAD…………………………28        

Inst. Pol. do Porto………..26          

Univ.  Beira Interior………22        

Inst.Pol. de Bragança…..17         

Inst. Pol. de Leiria………..16        

Inst. Pol. de Lisboa………15         

UALG…..……………….….12     

 Inst. Pol. Santarém……….8       

Inst. Pol. de Coimbra…….8      

Inst. Pol. de Setúbal……..7     

Inst. Pol. de V.Castelo…..6        

Univ. da Madeira…………..6      

IPCA…………………………..6       

Inst. Pol. de Portalegre….6         

Univ. Aberta…………………5        

Inst. Pol. de Viseu………..4        

Inst. Pol. de Tomar……….4        

U.de Évora………………….4        

Inst. Pol. de C.Branco…..3      

Univ. dos Açores…………..2        

Pol. de Beja………………….2       

Inst. Pol. da Guarda………2

      
Lista de países, que desde Janeiro de 2023, produziram mais de 500 publicações sobre IA, ordenados pelo rácio de publicações por milhões de habitantes: 

1 – Singapore…..117 publicações por milhão de habitantes

2 – Switzerland…..97

3 – Norway……….97

4 – UAE………….94

5 – Finland………92

6 – Sweden……..73

7 – Australia…….70

8 – Netherlands…65

9 – Austria……….62

10 – Portugal…..…60

Vírus mutitatis deixa Ministro incapacitado

Ainda sobre os recentes resultados do prestigiado ranking Shanghai por áreas, onde estão representadas 14 instituições de ensino superior Portuguesas, (apenas 7 instituições no Top 100) é muito estranho que ainda ninguém tenha conseguido ouvir uma palavra que fosse ao Ministro da Educação, Ciência e Inovação, por certo deve ter sido atacado por um novo vírus, que fugiu de algum laboratório, e que é capaz de provocar mudez selectiva.

Compare-se este bizarro comportamento com o posicionamento do Ministério liderado pelo Patrick Hetzel, que na França tutela o ensino superior e a investigação, sobre os resultados daquele país no referido ranking Shanghai por áreas, que lá possui 80 instituições de ensino superior, sendo que mais de 30 aparecem no Top 100: “Este ranking confirma a posição de destaque de nossas instituições em disciplinas fundamentais para o futuro, como a matemática – essencial para os avanços em inteligência artificial –, a física, bem como a saúde, através da área de farmácia, e também a área do ambiente. Esses sucessos são o resultado de uma política de transformação da nossa investigação e desenvolvimento (I&D) e de investimentos significativos em investigação, que foram impulsionados pela Lei de Programação da Investigação, cujo núcleo permanece aliás preservado no âmbito do projeto de orçamento para 2025, e no plano França 2030″ https://www.campusfrance.org/en/actu/classement-thematique-shanghai-2024

Ou talvez o Ministro Fernando Alexandre tenha ficado calado pelo facto de muitas instituições Portuguesas não terem resultados brilhantes para apresentar (espantosamente nem a Universidade de Coimbra, nem a universidade Nova conseguem ter qualquer área no Top 100), nem muito menos ele pode falar de “investimentos significativos” em investigação, já que o anterior Governo gastou pouco e este Governo, por incrível que possa parecer, ainda pretende gastar menos.

“Maçonaria” do crime organizado confortavelmente instalada em Portugal perante a passividade das autoridades

Em 2009 as autoridades judiciárias Portuguesas foram avisadas pelas autoridades Norte-Americanas, quanto à possibilidade de já haver no nosso país, elementos da maior organização criminosa brasileira, o Primeiro Comando da Capital-PCC (cujas receitas ultrapassam 100 milhões de euros a cada ano) e em 2021 um artigo no semanário Nascer do Sol dava conta daquilo que já era então mais do que óbvio https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/sera-que-organizacao-criminosa-pcc-ja.html

Sem surpresa, hoje o jornal Público, coloca na capa uma chamada para um artigo muito preocupante, onde se dá conta que de acordo com o SIS, a “maçonaria” do crime organizado  Brasileiro já possui quase um milhar de criminosos a actuar em Portugal, embora o mesmo jornal adiante que o número real poderá ser muito maior: “…de acordo com um relatório dos Serviços de Informação e Segurança (SIS), conhecido em Novembro de 2023. Mas, segundo o PÚBLICO apurou, este número poderá pecar por escasso… de acordo com a secreta portuguesa, a presença do PCC tem provocado um aumento da violência relacionada com os negócios do tráfico, em especial na Grande Lisboa….”

O artigo do jornal Público contém declarações de um Procurador Brasileiro (que há três dias atrás foi entrevistado pela revista The Economist) que o PCC declarou pretender matar, por conta da sua decisão de transferir os lideres daquele grupo criminoso para prisões federais, algo que não será impossível ou sequer muito difícil pois o mesmo PCC conseguiu matar um amigo dele, o juiz José António Machado Dias. Aliás e em bom rigor, no Brasil o crime organizado, é conhecido pela forma como repetidamente tenta e muitas vezes consegue matar juízes, como foi também com o juiz Alexandre Martins de Castro Filho ou o juiz Carlos Froz da Silva ou o juiz Leopoldino Marques do Amaral ou o juiz Leopoldo Heitor Leite de Andrade ou a juíza Patrícia Acioli, que foi executada com 21 tiros. 

PS – Tendo em conta que a justiça Portuguesa, onde inexiste o instrumento de delação premiada (que a Suécia, como dei conta neste blogue, adotou no inicio deste ano para combater o crime organizado), já demonstrou ser incapaz de punir o crime de associação criminosa https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/associacao-criminosa.html será que essa incapacidade não irá favorecer o crescimento ainda mais acelerado e a impunidade da referida “maçonaria” do crime organizado em Portugal ?

Listagem de 46 áreas com maior prestigio científico internacional nas universidades e politécnicos de Portugal

Sendo importante, que no acesso ao ensino superior, os alunos possam ter acesso a informação rigorosa sobre o prestigio cientifico internacional, dos muitos cursos disponíveis, mas tendo em conta que muito infelizmente, é prática de muitas instituições de ensino superior no nosso país esconderem informação, sobre as áreas em que cientificamente, são muito pouco ou até mesmo nada competitivas, não se inibindo sequer para esse efeito, de chegar ao extremo de recorrer a rankings da treta, vide post de título A santa universidade que acaba de conhecer a dura verdade que agora a liberta de um céu imerecido para o inferno da realidade“, listam-se abaixo as 3 instituições nacionais com melhor classificação para cada área, obtidas a partir do prestigiado ranking Shanghai por áreas de 2024. 

  1. Matemática…………………………………….U.Porto, U.Lisboa e U.Aveiro
  2. Física…………………………………………….U.Lisboa, U.Aveiro
  3. Química…………………………………………U.Lisboa, U.Coimbra e U.Aveiro
  4. Ciências da Terra…………………………….U.Lisboa
  5. Geografia……………………………………….U.Lisboa e U.Coimbra
  6. Ecologia…………………………………………U.Lisboa, U.Porto e U.Coimbra
  7. Oceanografia…………………………………..U.Lisboa
  8. Ciências Atmosféricas……………………..U.Lisboa, U.Aveiro e U.Porto
  9. Engenharia Mecânica………………………U.Lisboa, U.Minho e U.Aveiro
  10. Engenharia Eletrotécnica………………….U.Lisboa, U.Coimbra e U.Porto
  11. Automação e Controlo……………………..U.Lisboa
  12. Engenharia de Telecom…………………….U.Aveiro
  13. Ciência e Tecn. de Instrum………………..U.Lisboa, U.Porto e U.Aveiro
  14. Engenharia Biomédica……………………..U.Aveiro, U.Porto e U.Lisboa
  15. Ciência e Engenharia de Comp………….U.Lisboa, U.Porto e U.Nova
  16. Engenharia Civil………………………………U.Lisboa, UMinho e U.Porto
  17. Engenharia Química…………………………U.Lisboa, U.Porto e U.Aveiro
  18. Ciência e Engenharia de Materiais……..U.Porto, U.Minho e U.Aveiro
  19. Ciência e Engenharia da Energia………..U.Porto, ULisboa
  20. Ciência e Engenharia do Ambiente…….U.Aveiro, U.Porto, U.Lisboa
  21. Recursos Hídricos……………………………U.Lisboa
  22. Ciência e Tec. de Alimentos………………U.Pol. Bragança, U.Porto e U.Minho
  23. Biotecnologia…………………………………..U.Porto, U.Lisboa, UNova e U.Minho
  24. Engenharia Mar./Oceânica………………..U.Lisboa
  25. Ciência e Tec. dos Transportes…………..U.Lisboa
  26. Ciência e Engenharia Têxtil………………U.Minho
  27. Ciências Biológicas………………………….U.Porto, U.Lisboa e U.Aveiro
  28. Ciências Biológicas Humanas……………U.Lisboa, U.Porto e U.Coimbra
  29. Ciências Agrárias…………………………….U.Lisboa, U.Porto e UTAD
  30. Ciências Veterinárias………………………..U.Lisboa, U.Porto e U.Évora
  31. Medicina Clínica………………………………U.Porto, U.Lisboa e U.Coimbra
  32. Saúde Pública…………………………………..U.Nova, U.Lisboa e U.Porto
  33. Odontologia……………………………………..U.Lisboa e U.Coimbra
  34. Enfermagem…………………………………….U.Porto, U.Católica
  35. Tecnologia Médica……………………………U.Lisboa e U.Porto
  36. Ciências Farmacêuticas……………………..U.Porto, UCoimbra e U.Lisboa
  37. Economia………………………………………..U.Lisboa e U.Nova
  38. Estatística………………………………………..U.Lisboa
  39. Direito…………………………………………….UMinho e U.Porto
  40. Ciência Política………………………………..U.Lisboa e ISCTE
  41. Educação…………………………………………U.Minho, ISCTE, U.Porto
  42. Psicologia………………………………………..ISCTE, U.Minho e U.Lisboa
  43. Administração de Empresas………………..U.Nova e U.Lisboa
  44. Finanças………………………………………….U.Nova
  45. Gestão……………………………………………..U.Lisboa, U.Nova e U.Porto
  46. Gestão de Hospitalidade e Turismo……..ISCTE, UALG e U.Aveiro