A deplorável lista do Expresso que elegeu os fabulosos 100 Portugueses que “marcaram e vão marcar o país e o mundo”

Para comemorar os 50 anos do seu aniversário, o semanário Expresso achou boa ideia selecionar 100 Portugueses, que a fazer fé naquele órgão da imprensa, marcaram e vão marcar o país e o mundo. Na lista dos tais 100 (gloriosos) nomes, que se reproduz no final  do presente post, aparecem 14 Académicos, cujo nome realcei, número que é quase o mesmo dos nomes dos Portugueses (gloriosos) ligados à área do desporto. Quase como se o contributo de uns e de outros para o progresso de Portugal fosse idêntico !

Admito, que me move um sentimento critico e até de repulsa pela valorizaçáo social de qualquer “campeão desportivo” (leia-se gente que consome milhares de calorias diariamente (o Michel Phelps consumia 12.000 por dia) para produzir rigorosamente nada que possa beneficiar ainda que minimamente a Humanidade), repulsa essa bem patente aliás em posts vários, como por exemplo naquele de 24 de Agosto de 2020, de título “Presidente Marcelo felicita Português campeão de cuspir a maior distância https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/08/presidente-marcelo-felicita-portugues.html

Ou naquele outro post de 2019, no qual critiquei a revista Visão, que nesse ano teve a péssima ideia de fazer um artigo deplorável sobre  “100 figuras da década” onde apareciam 29 (vinte e nove) Portugueses alegadamente “notáveis”, vários deles ligados ao mundo futebolístico, mas apenas um único cientistahttps://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/a-maquina-de-estupidificar-os.html

Atente-se, para efeitos comparativos, que numa lista de 100 notáveis Franceses, havia 6 desportistas, que note-se constituem metade da percentagem da lista Portuguesa e na lista sobre os 100 Britânicos mais notáveis, aparecem apenas quatro pessoas ligadas ao desporto (dois futebolistas, um remador olímpico, 5 vezes campeão do mundo e um individuo que bateu 8 recordes mundiais de velocidade) lista essa onde nem sequer apareceram Britânicos que sozinhos ganharam várias medalhas de ouro olimpicas  https://en.wikipedia.org/wiki/100_Greatest_Britons

Não será por isso absurdo admitir que esta valorização excessiva, perniciosa e contranatura de desportistas Portugueses, numa percentagem anormalmente superior à dos Britânicos, sendo que muitos deles nunca fizeram nada de especialmente relevante a nível mundial, é uma prova inequívoca de um país atrasado, que se mostra incapaz de se libertar desse atraso, que é afinal promovido pela própria imprensa dita “mainstream”.  

Esta desprezível forma de colocar cientistas ao mesmo nível de gente ligada ao desporto, não pode desligar-se da forma igualmente desprezível, como este Governo tem andado a subfinanciar o ensino superior, tenha-se presente que o orçamento universitário de 2023 foi inferior ao de 2010, e se os valores forem analisados em percentagem do PIB, então o resultado é ainda mais vergonhoso, pois constata-se que o valor do orçamento das universidades públicas em 2023 é metade do valor de 2010, vide fig 4.2 na página 63 na publicação de Aguiar-Conraria et al. https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/81109/1/2022_12_05%20Financiamento%20do%20ES%20em%20Portugal.pdf

Ainda relativamente à tal lista do Expresso, na parte dos Portugueses ligados de uma forma ou de outra à Academia, já tinha sido mau que o mesmo Expresso, tivesse optado por valorizar um pequeno número, mas pior do que isso, a sua capacidade para escolher cientistas que alegadamente “vão marcar o país e o mundo” é no mínimo motivo de riso, pois até conseguiu escolher uma investigadora, de nome Clara Sousa-Silva (que ao fim de 10 anos de investigação, possui apenas 1 (um) artigo com mais de 150 citações), que estava associada a uma alegada “descoberta” (da vida no Planeta Vénus!!!) que depois nem sequer se confirmou  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/a-maior-descoberta-do-seculoo-expresso.html

Aliás, não é de agora a incapacidade do Expresso em conseguir descobrir, investigadoras de elevado potencial, pois há alguns anos atrás, também já tinha repetido esse falhado exercício, quando publicou um artigo excessivamente elogioso, sobre uma investigadora de nome Zita Martins, quase como se ela fosse a próxima “Alberta Einstein”, (que ao fim de quase 20 anos de investigação, possui apenas 1 (um) artigo com mais de 150 citações) quando afinal a mesma nem sequer consegue aparecer num conhecido ranking, da universidade de Stanford, onde há 100.000 (cem mil) investigadores https://elsevier.digitalcommonsdata.com/datasets/btchxktzyw/5

Ou quem sabe, talvez essa obsessão com a valorização forçada de alegadas “promissoras” jovens mulheres cientistas, sirva afinal para confirmar a hipótese de que aos cientistas Portugueses do género masculino, mais não resta do que tentaram mudar de sexo, para conseguirem que a tendenciosa imprensa Portuguesa reconheça a importância do seu trabalho https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/03/cientistas-do-genero-masculino-forcados.html

Declaração de interesses – Declaro que já por diversas vezes critiquei o Expresso e em 2018 consegui até que a ERC tivesse produzido uma deliberação, na qual se confirma que o Expresso violou (repetidamente) o dever de rigor informativo https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/08/estara-o-expresso-viciado-em-fake-news.html

Os 100 Portugueses que (alegadamente)  marcaram e vão marcar o país e o mundo  

– Mário Soares

– Leonor Caldeira

– Sá Carneiro

– Carlos Moedas

Mariano Gago

Nuno Maulide

António Damásio

– João Costa Ribeiro

– Mário Moniz Pereira

– Francisca Veselko

– Luís Miguel Cintra

– Albano Jerónimo

– José Afonso

– MARO

– Luiz Villas-Boas

 – Salvador Sobral

– Álvaro Cunhal

– Alice Gato

– Marcello Caetano

– João Maria Jonet

– Cavaco Silva

– Fernando Medina

– Pinto Balsemão

Pedro Oliveira

– Tolentino Mendonça

– Américo Aguiar

– A. Lobo Antunes

– Gonçalo M. Tavares

– Cristiano Ronaldo

– Kika Nazareth

– José Mourinho

– João Almeida

– António Variações

– Tamara Alves 

– Lopes-Graça

– Ricardo Vieira

Orlando Ribeiro 

– António Brito Guterres

– G. Ribeiro-Telles

– Catarina Barreiros 

– Jorge Sampaio

– Graça Canto Moniz

– Maria de Lourdes Pintasilgo

– Luisa Salgueiro

– Herman José

– Joana Marques

– Maria João Pires

– Hugo Canoilas

– Julião Sarmento

– Fernão Cruz

– Siza Vieira

– Inês Vieira da Silva e Miguel Vieira

– Manoel de Oliveira

– Catarina Vasconcelos

– José Saramago

– Andreia C.Faria

– Pinto da Costa

– Diogo Ribeiro

– Belmiro de Azevedo

Ricardo Reis

– António Guterres

– Clara Sousa-Silva

– Américo Amorim

– Miguel Faria-e-Castro

– Alexandre Soares dos Santos

– Daniela Braga 

José Mattoso

Paulo Pires do Vale

– Paula Rego

– Sandro Resende

– Agustina Bessa-Luis

– Daniela Melchior

– Freitas do Amaral

– Alba Baptista

– Otelo Saraiva de Carvalho

– Tiago Rodrigues 

– Ramalho Eanes

Ana Luisa Correia 

– Salgueiro Maia

– João Gonzalez

– Passos Coelho

– Inês Lains

– José Sócrates

Edson Santos Oliveira

– Rui Veloso

Anabela Carvalho

– Carlos do Carmo

– Dino D´Santiago

– Luís Figo

– Francisco Costa

– Fernando Santos

– Tiago Guedes

– César Torres

– Gustavo Ribeiro

– Durão Barroso

– Mariana Mortágua

-António Costa

– Pedro Nuno Santos

– Marcelo Rebelo de Sousa

Joana Goançalves de Sá

To GPT or not GPT?

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/07/mit-full-professor-presentation-on-how.html

Still following the previous post about a chatGPT presentation by a Full professor of MIT (link above) check below a paper published today in the journal Computers and Education: Artificial Intelligence. I found the part that compares ChatGPT and Wikipedia to be especially interesting:

“And here Wikipedia has a key advantage over ChatGPT: the power of citations. Wikipedia articles must cite all claims and hyperlink to sources for each claim. Articles that do not follow these rules display an advisory note to readers that the claims are under-cited. The citations are vital because they provide primary-source documentation to which readers can link if they wish to learn more. This feature is lacking in ChatGPT, which can provide a skeletal bibliography if asked (formatted in the style of users’ choosing), but which generally does not cite sources within its responses” https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2666920X23000395#sec2

In this context, it is worth remembering the paper “ChatGPT and the potential growing of ghost bibliographic references” recently published in Scientometrics which warns against references to non-existent papers  https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-023-04804-4

PS – I asked ChatGPT to criticize the article and got the following reply: 

“The text is quite dense and could be difficult for some readers to follow due to its extensive use of complex language and intricate sentence structures. The author should consider simplifying certain passages to enhance readability and comprehension.

Lack of Counterarguments: While the author acknowledges potential concerns and challenges posed by ChatGPT, the text largely focuses on the positive aspects and ways to utilize the technology effectively. It would be more balanced to include more detailed discussions of potential drawbacks, such as overreliance on AI, potential bias in AI-generated content, and the potential for devaluing human skills.

Analogies and Comparisons: The extensive use of analogies, particularly the calculator analogy, can sometimes oversimplify complex issues related to AI integration. The text could benefit from more nuanced explanations that consider the unique nature of AI technology and its implications for education.

Limited Discussion on Ethical Considerations: While the author briefly touches on concerns about AI-generated misinformation and bias, a more thorough exploration of ethical considerations is warranted. This could include discussions on responsible AI usage, transparency in AI algorithms, and potential consequences of delegating critical thinking to AI tools.

Practical Implementation: The text outlines potential ways to incorporate ChatGPT into educational settings, but lacks practical examples and real-world case studies. Including concrete scenarios and success stories would enhance the text’s applicability and relevance.

Overemphasis on ChatGPT Limitations: While the author discusses some limitations of ChatGPT, such as its inability to fully comprehend texts or accurately generate certain content, the text might appear overly critical of AI’s current capabilities. It’s important to recognize that AI technology is rapidly evolving and improving over time.

Addressing Technological Changes: The text acknowledges that AI’s impact on job markets will be gradual, but does not delve deeply into the strategies educators and institutions can employ to adapt to these changes and prepare students for an AI-driven future”

A misteriosa receita catedrática para arruinar a supremacia do ChatGPT

Desde que neste blog se começaram a divulgar posts sobre o ChatGPT (o tal modelo de IA generativa, que deixou a Academia em polvorosa, de tal maneira, que na presente data a mesma já conta com mais de 1000-mil publicações indexadas na Scopus e mais de 5000-cinco mil no Scholar Google), que os referidos posts logo se tornaram campeões absolutos de visualizações.

Porém, ontem, um post sobre um concurso para um lugar de catedrático, conseguiu a “proeza” de logo ter saltado para o terceiro lugar dos posts mais vistos de 2023, roubando esse lugar a um post sobre o ChatGPT e ameaçando ainda poder vir a destronar um dos dois primeiros lugares, que também pertencem a dois posts sobre o ChatGPT, vide imagem abaixo.

Mas o que poderá haver de tão peculiar ou perturbador nesse post, que tenha colocado em causa a indisputável supremacia do ChatGPT ? De certeza absoluta que não foi a exigência de um h-index mínimo, num concurso para um lugar de professor catedrático. Será que foi a sugestão de despedimento dos Associados e Catedráticos com um h-index inferior a 10 ?

Ou será que foi a pergunta (absolutamente incontestável) do post scriptum que encerrou esse post: “será exigir muito que um professor universitário de uma universidade de um país europeu, consiga produzir 1 artigo credível a cada 3 anos, quando ainda por cima nesse mesmo país há doutorados que apesar de terem produzido muitíssimo mais do que isso, como esta aqui, mesmo assim foram “despedidos”?

Mais um concurso para um lugar de professor catedrático que exige um h-index mínimo igual ou superior a 15

A universidade do Minho acaba de anunciar um concurso para um lugar de Catedrático da área científica de engenharia civil (Edital nº 1434/2023 de 2 de Agosto) onde se exige: “Evidência da relevância do trabalho na comunidade científica, expressa por um h -index (sem -auto citações) igual ou superior a 15 (nas bases de dados Scopus ou Web of Science)”

Curiosa e coincidentemente, em 19 de Dezembro de 2022, já tinha divulgado um concurso para um lugar de catedrático de engenharia civil, na universidade de Lisboa, onde também era exigido um h-índex mínimo de 15 na base Scopus. Fi-lo num post onde lembrei, que uma análise bibliométrica, que levei a cabo, sobre uma amostra de largas dezenas de professores, associados e catedráticos (124-cento e vinte e quatro), da mesma área científica, apurou um h-index=15, para o subgrupo com o melhor desempenho (Top 5%). 

Errado é porém admitir que de repente, no Ano da Graça de 2023, a Academia, ou pelo menos esta área científica em particular (que apesar de receber muito menos dinheiro do OE do que outras áreas ainda assim consegue ser uma mais competitivas de Portugal) se tornou tão exigente, ao ponto de definir como um requisito mínimo o mesmo valor de h-index dos professores associados e catedráticos, com o melhor desempenho. 

A verdade é que a tal supracitada análise bibliométrica, foi efectuada há quase uma década atrás, https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/30767 pelo que tendo em conta o valor do rácio h-index/ano, que foi uma das métricas apuradas na altura (tanto para associados como para catedráticos), multiplicado pelos anos que decorreram entretanto, significa que o valor actualizado desagregado, resulta num h-index=21 para os melhores associados e num h-index=27 para os melhores catedráticos desta área científica.  O que significa assim que o h-index mínimo=15, exigível neste concurso (e também no outro anterior da universidade de Lisboa) é afinal inferior ao h-index do grupo dos melhores professores associados. 

Questão diferente mas não menos pertinente é a aquela que se relaciona, com a iniquidade (e consequente violação do principio do mérito consagrado na Constituição da República Portuguesa)  de se exigirem mínimos de h-index aos novos catedráticos, ao mesmo tempo que se faz vista grossa ao facto de haver catedráticos que não possuem esses mínimos. Talvez a dita iniquidade permita perceber melhor porque é que no final do tal post sugeri o “despedimento dos Associados e Catedráticos com um h-índex inferior a 10” 

PS – Em Outubro de 2021, comentei o facto da universidade do Porto, ter despedido um professor porque aquele mostrou-se incapaz de produzir artigos com credibilidade. Por certo deve ter sido o primeiro a ser despedido de uma universidade pública Portuguesa por essa razão. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/publico-professor-universitario.html Seja como for fica-se com a noção que se ele tivesse produzido 1 artigo com credibilidade não teria sido despedido. Mas será que produzir 1 artigo com credibilidade é suficiente como patamar mínimo da Academia de um país europeu ? Mesmo a condição de despedimento, por mim sugerida, para aqueles professores associados ou catedráticos, que foram incapazes de produzir 10 artigos com credibilidade, não estava sujeita a qualquer limite temporal, significando isso que mesmo que tivessem levado 30 anos para os produzir já estariam a salvo desse despedimento. Pergunto por isso, será exigir muito que um professor universitário de uma universidade de um país europeu consiga produzir 1 artigo credível a cada 3 anos, quando ainda por cima nesse mesmo país há doutorados que apesar de terem produzido muitíssimo mais do que isso, como esta aqui, mesmo assim foram “despedidos”?

Os cientistas Finlandeses e Noruegueses que andam obcecados com um Português coriáceo e os cientistas que não sabem que não existem

Em Agosto de 2020, quando ainda não se tinha completado um ano do inicio do meu primeiro blog (que está alojado na Blogger), altura em que aquele atingiu meio milhão de visitas, divulguei um extracto, que mostrava que em valor absoluto, os visitantes estrangeiros desse blogue provinham na sua maioria dos EUA, da Holanda e da Finlândia https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/08/meio-milhao-com-ajuda-de-tres-frugais.html

É claro que tendo esses países populações de dimensão muito díspar só a comparação dos rácios (visitantes/milhão de habitantes) permitia saber de forma rigorosa a nacionalidade dos visitantes efectivamente mais frequentes do mesmo, tendo constatado na altura que a Finlândia liderava, com um rácio que era o dobro do rácio da Holanda e sete vezes o rácio dos EUA.

Uma analise hoje efectuada, (passados que estão três anos), não a esse mas ao presente blog, que está alojado na plataforma WordPress, mostra que em valor absoluto, os três países estrangeiros que mais contribuem para as estatísticas de visualizações, ainda continuam a ser os EUA, a Holanda e a Finlândia. A seguir a esses aparecem ainda no top dos países estrangeiros, por valor absoluto de visualizações os seguintes:

4 – Austrália,

5 – Reino Unido,

6 – França,

7 – Canadá,

8 – Áustria,

9 – Noruega,

10 – China

Em termos de rácios, a Finlândia reforçou a sua presença, estando agora próxima de ter o triplo do rácio da Holanda, mas conseguiu afastar-se muito mais dos EUA, pois o seu rácio é agora 18 vezes superior ao rácio daquele país. Porém, a grande novidade em termos de rácios, é que a Noruega, apesar de aparecer em 8º lugar em termos absolutos, ultrapassou a Holanda e é agora o segundo país com o maior rácio.

As estatísticas deste blogue permitem também saber que o mesmo já foi visitado por pessoas de 150 (cento e cinquenta) países.

PS – A informação supra não tem, como a alguns (limitados) pode erradamente parecer, um valor que releva apenas da mera curiosidade, sobre as putativas motivações de largas dezenas de investigadores da Finlândia e da Noruega (e também da Holanda), ela permite também ter uma ideia da dimensão das interacções deste blogue (leia-se do seu coriáceo autor), ao contrário do que sucede com muitos investigadores em Portugal (e também lá fora) cujo número de interacções ao nível da comunidade científica mundial, é tão tão tão reduzido que é quase como se esses investigadores nem sequer existissem, pelo menos à luz da interpretação do conhecido físico Carlos Rovelli.  

Cientistas do depart. de Engenharia Civil do MIT conseguem armazenar energia elétrica em compósitos à base de cimento

A conhecida revista Science acaba de dar destaque aos resultados de uma investigação de cientistas do MIT, que conseguiram armazenar energia elétrica numa mistura à base de cimento e carbono negro. Os referidos investigadores, que afirmam que uma habitação com um volume de 45m3 de betão nas suas fundações poderia armazenar 10kWh (consumo médio diário de uma família), pretendem em seguida aumentar a escala do estudo por forma a conseguir igualar a capacidade de uma bateria de 12 volts, como aquelas que são utilizadas pelos veículos elétricos. https://www.science.org/content/article/electrified-cement-could-turn-houses-and-roads-nearly-limitless-batteries

Tendo em conta que os investigadores Chineses, são aqueles que não por acaso, possuem em todo o Planeta, o maior número de artigos, sobre o desempenho de compósitos à base de cimento e carbono negro, na vertente da auto-sensibilidade para fins de auto-monitorização (400% a mais do que os EUA, o segundo país desse ranking) não constituirá grande surpresa que utilizem essa massa critica para tentarem ultrapassar os EUA, agora também na parte da capacidade de armazenamento de energia elétrica, em materiais de baixo custo. Quem sabe talvez nessa altura haja em Portugal quem finalmente consiga perceber a extensão da inominável estupidez que se criticou aqui

O futuro de uma certa área científica e a imprudente ingenuidade de muitos cientistas

Ainda na sequência do post anterior, que deu conta de alguns dos artigos científicos que contribuem para o meu índice-K, é pertinente divulgar, que uma pesquisa pela palavra bio entre os referidos 158 artigos, consegue já detectar 24 (abaixo os 10 mais citados), que fazem prova de uma tendência que antecipei há alguns anos atrás (que não é a dos materiais para construção de bases lunares), e que posteriormente confirmei, quando alguns anos depois sugeri numa certa publicação uma alteração da estrutura currricular do curso de engenharia civil. 

No presente contexto faz todo o sentido recordar um post anterior onde se divulgou o facto de um estudo (ReNatural NZEB) ter concluído que o uso de materiais e produtos naturais (e reciclados) está associado a um aumento de custos significativos. E faz também todo o sentido, criticar os (ingénuos) autores desse estudo, que se esqueceram do prudente conselho Os cientistas nunca devem dizer a verdade nua e crua aos políticos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/a-receita-simples-para-ganhar-mais.html

No máximo dos máximos, esses investigadores, poderiam ter concluído que, os materiais correntemente utilizados pela indústria da construção, à base de matériais-primas não renováveis e alguns deles com uma elevada pegada carbónica, beneficiam de uma vantagem imoral (face aos materiais naturais e reciclados), cuja génese é uma evidente cobardia politica, porque ao contrário do que seria expectável, aqueles não são obrigados a internalizar no seu custo, a poluição associada à sua produção. E se estivessem efectivamente interessados em valorizar os materiais naturais (e reciclados), no minimo deveriam ter calculado o custo do carbono, a partir do qual os mesmos se tornariam baratos, face aos materiais de construção actualmente existentes no mercado. 

Cálculo esse que seria facilitado por estudos onde são referidos valores muito elevados do custo do carbono, como condição necessária para limitar o aquecimento global do Planeta, como aquele estudo a que fiz referência num post anterior de Outubro de 2021: “há estudos anteriores, por parte do catedrático jubilado James K. Boyce, da universidade Massachusetts Amherst) onde se analisa um trabalho do Nobel Nordhaus, que apontam para a necessidade de valores do custo do dióxido de carbono muitíssimo superiores, num cenário de uma subida de temperatura de 2.5 ºC relativamente a níveis pré-industriais: “The price required to achieve the 2.5 °C maximum starts more than six times higher at about $230/mt CO2 in 2020, rising to about $1000 in 2050” https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S092180091731580X#bb0275

TítuloRevistaCitações
Flax fibre and its composites – A reviewComposites Part B: Engineering899
Progress report on natural fiber reinforced compositesMacromolecular Materials and Engineering659
A review of recent research on the use of cellulosic fibres, their fibre fabric reinforced cementitious, geo-polymer and polymer composites in civil engineeringComposites Part B: Engineering379
Natural fiber reinforced polylactic acid composites: A reviewPolymer Composites252
Industrial and crop wastes: A new source for nanocellulose biorefineryIndustrial Crops and Products242
Bioconcrete: next generation of self-healing concreteApplied Microbiology and Biotechnology233
Plant aggregates and fibers in earth construction materials: A reviewConstruction and Building Materials218
Characterization of new natural cellulosic fiber from Cissus quadrangularis stemCarbohydrate Polymers218
Environmental applications of chitosan and cellulosic biopolymers: A comprehensive outlookBioresource Technology206
Overview of Cellulose Nanomaterials, Their Capabilities and ApplicationsJOM163

Colaborações internacionais das Instituições de Ensino Superior__Negligência ou incompetência ?

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evolucao-das-colaboracoes-cientificas.html

Na sequência do post supra, onde analisei a evolução das colaborações científicas dos investigadores Portugueses com investigadores estrangeiros ao longo dos últimos 60 anos, (onde se constata que Portugal diminuiu as colaborações científicas com países mais avançados, como a Alemanha, optando por aumentar as colaborações com o Brasil !!!) mas principalmente na sequência do post infra, onde analisei a evolução entre 2016 e 2020, das colaborações entre investigadores nacionais e investigadores da China https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/desempenho-de-16-instituicoes-de-ensino.html sou por este meio a divulgar uma actualização, dessas colaborações, relativamente à produção científica indexada nos anos 2021 e 2022. Vide lista no final deste post.

Atenta a notória exiguidade das percentagens ali apresentadas (excepto para as 6 primeiras instituições que conseguem ultrapassar 4%) reproduzo novamente a questão colocada no final desse post de 2021, estas baixas percentagens de colaborações, com o pais que a nível mundial mais cresceu em termos científicos e que não por acaso até já lidera em termos do número de artigos altamente citados, tendo relegado os EUA para o 2º lugar, são o resultado de negligência ou de incompetência ?

Ao contrário de alguns países europeus (como Portugal) que ignorantemente sempre investiram pouco dinheiro em ciência e tecnologia, a China, apesar de nos últimos anos ter investido muitíssimo nessa área, pretende nos próximos anos passar a gastar ainda mais, já que naquele país a importância da ciência e tecnologia foi recentemente confirmada https://www.nature.com/articles/d41586-023-00744-4

Em 2017, num relatório do Instituto Bruegel sobre o crescimento da China na área da ciência e tecnologia podia ler-se que a Europa deveria tentar aumentar as suas ligações aquele país asiático para dessa forma acautelar o seu futuro. Nesse relatório há aliás uma curiosa frase que merece ser reproduzida: “When Freeman (2005) asked a top Harvard physicist, who had published important work in cooperation with overseas scientists and engineers, “So, you are helping them catch up with us?” the scientist replied, “No, they are helping us keep ahead of them” https://www.bruegel.org/sites/default/files/wp_attachments/PC-19-2017.pdf 

Recordo também que em Novembro de 2022, um conhecido Instituto Holandês (Rathnau), reconhecia a importância do fomento das publicações conjuntas entre investigadores da Holanda e investigadores da China, que entre 2010 e 2020 cresceram 400% https://www.rathenau.nl/en/science-figures/process/collaboration/china-scientific-superpower-making

Sem surpresa, a Alemanha e o Reino Unido não deixaram de lhe seguir o exemplo, porque uma pesquisa na plataforma Scopus, mostra que entre 2010 e 2020, as colaborações científicas da Alemanha com a China aumentaram mais de 300% e as colaborações científicas do Reino Unido com a mesma China aumentaram mais de 400%. 

Se as razões para essas colaborações já eram evidentes há uma década atrás, muito mais evidentes se tornaram perante o conteúdo do relatorio de 2022 da Clarivate Analytics sobre as empresas mais inovadoras do Planeta, onde existe uma figura “chocante” na pág.12, que analisa a evolução de patentes desde 1974 e que mostra que se em 2010, a Europa e os EUA produziam cada uma quase 2 milhões de patentes por ano, e a China apenas metade desse valor, em 2014 a China atingiu a paridade com aqueles blocos geográficos e a projecção para 2025, mostra que a China sozinha irá conseguir produzir mais patentes do que a Europa e os EUA juntoshttps://clarivate.com/wp-content/uploads/dlm_uploads/2022/02/Top-100-Global-innovators-2022-report-v9-RGB-SIN_AC.pdf

Desgraçada e muito ironicamente, as colaborações entre investigadores Portugueses e investigadores Brasileiros, são quase 300% superiores às colaborações nacionais com os investigadores Chineses, o que é prova bastante da incompetência (ou pelo menos negligência) estratégica que tem norteado as colaborações internacionais da maioria das Instituições de Ensino Superior Portuguesas, pois em termos de inovação mundial o Brasil aparece não só abaixo de Portugal, mas infelizmente até mesmo abaixo de países como o Vietname e o Irão https://www.theglobaleconomy.com/rankings/gii_index/

E se mais provas fossem ainda necessárias para comprovar a referia incompetência (ou no mínimo negligência) então bastaria ter presente que as colaborações entre investigadores Portugueses e investigadores Brasileiros, também são quase 300% superiores às colaborações nacionais com os investigadores da Suíça, que é não só o país mais inovador do Planeta, mas também aquele com o maior rácio, prémios Nobel por milhão de habitantes. 

Percentagem de publicações indexadas, com afiliação Chinesa, no biénio 2021 e 2022

1 – UMadeira………… 82/631……….13.0%

2 – UMinho……………310/6852………4.5 

3 – ISCTE…………….. 96/2126……….4.5

4 – UAçores…………… 30/667………..4.5

5 – ULisboa……………697/16170……4.3

6 – UCoimbra………..325/7842………4.1

7 – IPol.Porto………… 67/1737………3.9

8 – UNova……………..209/5747……..3.6

9 – UALG……………….67/1858………3.6

10 – IPol.C.Branco…….11/310………3.6

11 – UAveiro……………237/7036…….3.4

12 – UPorto……………..454/14660…..3.1

13 – IPol.Santarém…….6/194………..3.1 

14 – UAberta………….. 7/272…………2.6  

15 – IPol.Coimbra………21 /931……..2.3

16 – UÉvora……………..33 /1721…….2.0

17 – UBI……………………46 /2247……2.0

18 – IPol.Tomar…………3/163………..1.8  

19 – IPol.Lisboa………… 17/979…….1.7

20 – IPol.Setubal……….6/437………..1.4

21 – UTAD………………26 /2050……..1.3

22 – IPol.Viseu………… 5/473………..1.1

23 – IPol.Viana C………8 /777……….1.0

24 – IPCA…………………4/452………..0.9

25 – IPolPortalegre…….2/249……….0.8

26 – IPol.Bragança….. 10/1316……..0.8

27 – IPol.Guarda……….2/204………..0.7   

28 – IPol.Beja……………1/204………..0.5

29 – IPol.Leiria………….5 /1018……..0.5

ChatGPT, psychological profiling, and the $2 Billion Question

Yesterday I realized that my data on ChatGPT usage (email below) shows that so far I have made more than 600 requests to this generative AI model, whose output exceeds more than 500 pages (11-point Arial). In this context, it will be interesting if future versions of ChatGPT can use this “request history” to create a psychological profile of users. 

First of all, because academics (and its relatives) are prone to schizophrenia and bipolar illness https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/schizophrenia-and-bipolar-illness-in.html And “secondly”, because there is a worldwide epidemic of mental illness (nearly 1 billion people according to the UN) and many humans would rather interact with a machine than with a (expensive) psychotherapist https://www.ageing.ox.ac.uk/blog/ChatGPT-A-Game-changer-for-Personalized-Mental-Health-Care-for-Older-Adults

No doubt the corporate world (that had become addicted to personality tests of candidates) would be interested to know about that (cost-free) AI-based psychological profile. On this issue check the article The $2 Billion Question of Who You Are at Work published in the New York Times  https://www.nytimes.com/2023/03/05/business/remote-work-personality-tests.html


De: OpenAI 
Enviado: 26 de julho de 2023 16:29
Para: F. Pacheco Torgal 
Assunto: ChatGPT – Your data export is ready

You recently requested a copy of your ChatGPT data.
Your data export is now ready. Please click on the link below to download your data.
Download data export
If you have any questions, please contact us through our help center.
Best,
The ChatGPT team

O admirável impacto científico de uma gota nas áreas da física, da química, da engenharia, da biologia e da medicina

Ainda sobre o post do passado dia 16 de junho, sobre citações (e prémios indevidos), é pertinente divulgar que o tal indíce-K, que permite dintinguir aquelas publicações citadas nas obras científicamemte mais relevantes daquelas outras citadas nas menos relevantes ou mesmo nas absolutamente irrelevantes, não se consubstancia somente num número (que permite hierarquizar cientistas inclusive prémios Nobel), mas que permite também através de uma análise na plataforma Scopus, das publicações que dele fazem parte, perceber em que universidades do Planeta e em que áreas científicas é que o trabalho de qualquer investigador está a conseguir causar impacto. 

No referido contexto aproveito para reproduzir abaixo uma lista do Top10 de públicações recentes (últimos 4 anos) que contribuem para o meu índice-K=158, que actualmente, ainda continua a ser o índice mais elevado na área da Engenharia Civil em Portugal, lista da qual destaco a interessante e importante publicação que aparece no 10º lugar, sobre o complexo fenómeno de evaporação de uma gota, publicação essa, de 56 páginas, que é baseada em mais de 400 referências bibliográficas, envolvendo as áreas da física, da química, da engenharia, da biologia e até mesmo da medicina https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0370157319300468

TítuloRevistaCitações
1Targets for a circular economyResources, Conservation and Recycling395
2Recent progress in low-carbon bindersCement and Concrete Research282
3Natural fiber reinforced polylactic acid composites: A reviewPolymer Composites249
4Geopolymers as an alternative to Portland cement: An overviewConstruction and Building Materials241
5A review of performance of zero energy buildings and energy efficiency solutionsJournal of Building Engineering233
6A Comprehensive Review on Recycled Aggregate and Recycled Aggregate ConcreteResources, Conservation and Recycling206
7Properties of fresh and hardened fly ash/slag based geopolymer concrete: A reviewJournal of Cleaner Production205
8Urban green space cooling effect in citiesHeliyon204
9Silica fume and waste glass in cement concrete production: A reviewJournal of Building Engineering202
10Evaporation of a Droplet: From physics to applicationsPhysics Reports201