A indecente formulação jurídica que permite a um Reitor receber simultaneamente dois salários

Num artigo com um título deveras jocoso, a revista Sábado desta semana, informa que há novos e incriveis desenvolvimentos no caso do Reitor da Universidade Nova, que acumula o salário de Reitor (quase 6500 euros) com o salário de professor catedrático. Afinal e contrariando a opinião de conhecidos especialistas, como o Paulo Veiga e Moura, especialista em Direito Administrativo, que garantiu que essa acumulação era manifestamente ilegal, fica-se agora a saber através da referida revista, que um novo douto parecer, veio “salvar” a face do dito Reitor, aconselhando que basta afinal, alterar o contrato, de forma a que no mesmo conste a autorização do Conselho Geral daquela universidade. É claro que se esse dinheiro tivesse que sair do bolso dos senhores conselheiros, ao invés de sair do bolso dos contribuintes, de certeza que essa autorização nunca veria a luz do dia. 

Irónica e desgraçadamente, na mesma universidade, em particular na mesma Faculdade a que pertence o Reitor  João Sáàgua, aqueles muitos doutorados, que asseguram actividade lectiva, recebendo zero, a esses não há parecer nem autorização do Conselho Geral que os salve. Terão que continuar a trabalhar sem nada receber, o que mostra bem a imoralidade e a perversão das leis que tem andado a ser aprovadas na Assembleia da República. 

Um catedrático de filosofia, como é o senhor Reitor da universidade Nova, tem obrigação de saber que nem tudo aquilo que é legal é ético, porém parece que ele está afinal muitíssimo mais preocupado com a primeira e muito menos com a segunda e isso apenas para poder embolsar um total de algumas poucas dezenas de milhares de euros. 

E depois ainda há quem se admire e revele estar muitíssimo preocupado, que neste momento o Português que está melhor posicionado para vir a ser o próximo Presidente da República, seja um militar. Dizem que isso seria uma anormalidade num país europeu e que a única coisa que ele fez foi coordenar o processo de vacinação contra a Covid-19. https://www.publico.pt/2024/10/06/politica/noticia/castro-almeida-militar-presidencia-anormalidade-2106726

Porém muito oportuna e hipocritamente esses se esquecem que nos últimos 50 anos, entre os milhares de políticos eleitos neste país, muitos deles conhecidos pela sua ganância extrema e alguns até por terem conseguido enriquecer do dia para a noite e que andam por aí a rir-se de todos nós (Presidente da ASJP dixit), houve apenas um único, que não quis receber aquilo que a lei lhe permitia, e preferiu deixar de receber mais de 1 milhão de euros. Era um militar. https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/ramalho-eanes-recusou-pagamento-de-13-milhoes-de-euros-em-retroativos-a-que-tinha-direito/ E o pior que pode acontecer a um país europeu, não é de todo, a hipótese de ter um militar como Presidente da República, é antes a de ter um militar a dar lições de ética aos catedráticos de filosofia desse país. 

PS – O mesmo número da revista Sábado, contém um outro interessante artigo, sobre algo que a maioria dos Portugueses acha  um tema muito grave, a corrupção. A revista Sábado enviou a todos os 230 deputados um inquérito com 13 perguntas, sobre corrupção, contudo apenas 4 deputados responderam a esse inquérito, o que mostra o muito pouco que eles se preocupam com esse tema e ajuda também a perceber aquilo que se escreveu aqui.

Nature paper_How Carbon Revenues Can Save Us from Climate-Induced Chaos

In a previous post, I explored the moral obligations of university professors and researchers to adopt sustainable practices, which are crucial in persuading society to assume its share of collective responsibility for the planet. I also referenced Thomas Piketty’s latest book on economic inequality as a barrier to achieving harmony between humanity and nature. Building on that, I’d now like to highlight a recent study published in Nature Climate Change.

The study, led by Johannes Emmerling, a senior scientist at the Euro-Mediterranean Center on Climate Change, examines how climate change is expected to exacerbate inequality within countries. It projects that, without intervention, the Gini index—a key measure of income inequality—could rise sharply in the coming years.

However, the study offers a promising solution: redistributing carbon revenues equally among citizens. This approach not only offsets the short-term economic costs of climate policies but also reduces inequality https://www.nature.com/articles/s41558-024-02151-7#Sec7

PS – In this context, it is essential to highlight that Kriege & Meierrieks (2019) provided compelling evidence that income inequality significantly contributes to the rise of terrorism https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/09/2019-paper-by-german-researchersincome.html

Mais um prego no caixão da justiça e desta coisa a que chamam democracia mas que se deveria chamar corruptocracia

Hoje na página 17 da edição impressa do jornal Público pode ler-se que o Tribunal de Relação de Coimbra, condenou um juiz de nome João Evangelista Fonseca, na pena de ficar inibido de exercer a profissão durante 4 anos, pelo facto de durante muitos anos, mais de uma década, esse juiz ter trabalhado “…de forma oculta para as várias firmas do empresário”. E ainda por ter acedido ao sistema informático dos tribunais para obter informação privilegiada sobre o desenrolar dos processos judiciais envolvendo esse empresário, como contrapartida por uma “vida de luxo”.

Sem surpresa, seu advogado, de nome Duarte Santana Lopes, afirmou logo, que o seu cliente irá recorrer da condenação e portanto isso significa que durante muitos anos, como sucedeu por exemplo com aquele médico que deixou morrer uma paciente por negligência grosseira em 2008 e 16 (dezasseis) anos depois ainda anda a recorrer da sentença, que também este juiz tão cedo não verá a sua condenação transitada em julgado e mesmo quando daqui a muitos anos ela ocorrer, ainda poderá continuar a recorrer, como anda a fazer aquele conhecido magistrado que foi condenado por corrupção em 2018 e que ainda continua a meter atrás de recurso, alegando que os crimes que cometeu já prescreveram. 

O que significa que o tal referido juiz João Evangelista, poderá assim durante os próximos anos (quinze ou vinte), continuar a receber o seu elevado ordenado, sem precisar de trabalhar, o que já acontece desde 2021, quando foi suspenso de funções. Mas será que faz algum sentido que alguém que está doente receba apenas uma parte do seu vencimento mas um juiz suspenso de funções por ter sido acusado de cometer crimes possa receber o vencimento a 100% e ainda subsidio de residência de quase 900 euros por mês, pago 14 vezes por ano ?

Na última vez que os magistrados foram aumentados e durante os últimos 50 anos já foram aumentados tantas vezes, que passaram de ganhar, antes do 25 de Abril, o que ganhava um professor do secundário, para passarem a ganhar muito mais do que ganha um professor universitário e agora até mais do que ganha um catedrático, o argumento era então que um juiz mal pago se deixaria corromper mais facilmente. Porém os factos ainda estão para desmentir essa esdrúxula tese. 

Há dois anos atrás um inquérito feito aos magistrados Portugueses, revelou que 26% dos quase 500 magistrados inquiridos disseram acreditar que, durante os últimos três anos, houve juízes a aceitar, a título individual, subornos ou a envolverem-se em outras formas de corrupção. E depois ainda há quem se admire que o Chega tenha obtido 50 deputados nas últimas eleições e que a noticia sobre esse inquérito feito aos juízes, ainda hoje esteja visível no site desse partido  https://partidochega.pt/index.php/2022/11/02/14-dos-juizes-portugueses-sabem-que-os-seus-colegas-sao-corruptos/

PS – Coisa diferente mas não menos importante, é o facto da justiça deste país ter condenado a uma pena de cadeia efectiva de três anos, uma conhecida bolseira, por crimes de injúria e difamação, enquanto que o juiz supracitado foi apenas condenado a uma suave inibição de exercício de profissão de 4 anos, que quando transitar em julgado, se não prescrever antes, já esse juiz, que agora já tem quase 60 anos, há muito que estará aposentado. Pode até suceder que ele morra antes disso acontecer, o que significará que o seu crime fica sem punição, sendo premiado com férias permanentes, nos últimos anos da sua vida, recebendo salário 14 meses por ano sem ter de trabalhar.

As “lacunas cognitivas” de um conhecido catedrático

“Fabricar um carro convencional consome cerca de 30 quilogramas (kg) de minérios: cerca de 20kg de cobre e 10 de peróxido de manganês. Já produzir um carro elétrico consome mais de 200 kg de minérios, com cerca de 70kg de grafite e 55 kg de cobre à cabeça.”

A estranha contabilidade “mineral” acima reproduzida diz respeito a um artigo do conhecido catedrático de economia Ricardo Reis,  que foi publicado no Expresso. Porém como lá faltam muitos metais nomeadamente e desde logo o aço e o alumínio, pode admitir-se que ele pretendia contabilizar somente aqueles de maior custo, mas mesmo nessa hipótese, ainda ficam a faltar na referida contabilidade vários minerais, seja no fabrico dos carros convencionais, seja também para os carros elétricos. 

O objectivo do artigo desse artigo era mostrar que a China domina a nível mundial o mercado de minerais necessários à descarbonização, por conta de ter passado as ultimas décadas a abrir minas, naquele país e na África e nele lamenta-se o catedrático, que na Europa é quase impossível abrir uma mina e demora pelo menos dez a quinze anos a fazê-lo. 

Mas também aqui o catedrático Ricardo Reis falha, pois parece que ignora a razão porque a Europa dificulta a abertura de minas. Talvez ele desconheça que a industria mineira deixa atrás de si um rasto de destruição e contaminação e em Portugal há provas bem evidentes disso mesmo, vide estudo sobre uma localidade Portuguesa localizada próxima de uma mina com níveis de contaminação 2000% superiores aos admissíveis https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/contaminacao-de-mina-excede-em-2000.html 

Acresce ainda que um estudo recente provou que a perigosidade dos resíduos de minas pode afectar não só localidades próximas mas também aquelas localizadas a dezenas de quilómetros de distância. 

Lamentável é também que sendo ele catedrático de economia não tenha escrito, certamente porque se esqueceu (ou talvez porque ignora) que a descarbonização por via da reabilitação energética de edificios é muitíssimo mais barata do que a descarbonização, por via da electrificação, do sector rodoviário. Vide artigo publicado na revista The Economist. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/the-economistwhats-cheapest-way-to-cut_8.html

Declaração de interesses – Declaro que sou o primeiro editor de um livro, conjuntamente com vários catedráticos estrangeiros, sobre materiais para a reabilitação energética de edificios, cuja segunda edição será publicada no inicio de 2025 https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/06/cambridge-university-how-to-achieve-net.html

A inversão de um ciclo: A engenharia civil como uma profissão essencial e a medicina como profissão em risco de redundância

Não foi certamente por divertimento que em Junho de 2023 perguntei ao ChaGPT pela receita para fazer um betão que fosse capaz de durar 1000 anos. Na verdade, o betão pode até, pelo menos nas mentes de muitos leigos, não ter uma imagem de grande sofisticação tecnológica, mas o facto é que faz muito mais falta à “comodidade” civilizacional do que por exemplo a altamente sofisticada Inteligência Artificial. https://www.nature.com/articles/d41586-021-02612-5

Apresentando uma excelente relação desempenho-custo (e com uma pegada carbónica cada vez menor) o material betão ainda continua a ser em pleno século XXI um material primordial, em inúmeros projectos de engenharia civil, como por exemplo num invulgar edifício, construído na India, ou na impressionante ponte Chinesa em Shuiluohe, que utilizou 1 milhão de metros cúbicos daquele material https://www.tiktok.com/@oks2qsa5/video/7376589762351648043?q=Shuiluohe%20Bridge&t=1727787687271 ou no túnel subaquático com quase 20 quilómetros de extensão, que ligará a Alemanha à Dinamarca, no qual serão utilizados 3 milhões de metros cúbicos de betão e que este fim de semana foi objecto de um artigo no semanário Expresso. O que na verdade e bem vistas as coisas constitui apenas uma gota de água entre os 14.000 milhões de metros cúbicos consumidos anualmente, valor que continuará a crescer nas próximas décadas. Recorde-se que o volume de betão produzido somente no século XXI, é tão impressionante, que daria por exemplo para cobrir toda a Alemanha ou para construir um pilar com 10 metros de diâmetro que ligasse a Terra à Lua. 

Também a essa importância não será alheio, por exemplo, o facto bastante significativo de um livro que editei em 2014, ser o mais citado, entre quase 1500 (mil e quinhentos) livros que foram produzidos em Portugal ao longo da última década e indexados na plataforma Scopus, tenha afinal que ver com os betões e materiais de construção ligantes. 

PS – No passado dia 25 de Agosto, ao comentar os resultados, muito positivos, da primeira fase de acesso ao ensino superior, para o curso de engenharia civil, terminei esse post avançando duas simples explicações para esse resultado “inesperado”. É claro que há uma terceira explicação, que pode até não ter estado na mente da maioria daqueles que escolheram aquele curso, mas que no futuro estará cada vez mais, que a engenharia civil não é uma profissão em risco de ser tornada redundante pela Inteligência Artificial, ao contrário do que irá suceder por exemplo ao curso de medicina, ou numa primeira fase, pelo menos a várias especialidades dessa profissão, onde não será somente a radiologia a ser afectada, como já em 2020 noticiava a conhecida revista The Economist, num interessante artigo para o qual foi escolhido um título nada simpático para a classe médica https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/the-economistartificial-intelligence.html

A evidente falta de ética de um catedrático

https://www.science.org/content/article/spanish-university-head-accused-inflating-citations-his-own-work

A conhecida revista Science acaba de publicar um artigo sobre o catedrático e também Reitor da Universidade de Salamanca (foto supra), que ficará na história daquela universidade e também na história da ciência, por conta de factos muito pouco éticos, visando inflacionar o seu número de citações, não só através do recurso a perfis falsos na plataforma Researgate: “Corchado had cited himself excessively in documents posted…on allegedly fake profiles on the social network ResearchGate, in one case including 100 references to past work in a four-paragraph paper”, mas também através de 50 artigos publicados em 30 (trinta) conferências organizadas pelo seu grupo de investigação. Nalguns desses artigos 90% das referências citavam os artigos do agora novo Reitor.

Entretanto a editora que publicou esses artigos já avisou os seus autores que os irá despublicar. O artigo termina citando um catedrático de medicina da Universidade de Salamanca, que afirma ser terrível aquilo que agora está acontecer aquela universidade.

A referida e lamentável falta de ética (e outras de muitos outros investigadores) evidenciam bem a importância do tal projecto da Universidade de Berna, que paga aqueles que conseguem descobrir erros em artigos, chegando esse valor quase a 3000 euros, no caso da descoberta de erros graves que levem à despublicação desses artigos.

PS – Em Portugal, a U.Lisboa é a campeã absoluta de artigos despublicados e não é expectável que venha a perder esse título, tal é a diferença que a separa do segundo lugar.

Sai mais um título de Agregado para outro professor com um notável h-index=0

Ainda na sequência do post anterior sobre aqueles que chegam á Cátedra (e antes disso à Agregação) com um h-index=0, aproveito para divulgar que muito recentemente, uma instituição de ensino superior pública, publicitou o facto de um dos seus docentes ter sido aprovado em provas de Agregação, nas quais esteve presente um portentoso catedrático da universidade de Lisboa. 

O currículo académico, do novo Agregado, como consta da página da universidade de Lisboa, está acessível no link abaixo, onde se fica a saber muitas coisas, inclusive que ele tem “Gosto pela leitura, pela actividade desportiva, pelo cinema e pela música“. Aquilo que infelizmente lá não se fica a saber, sendo necessário para o efeito recorrer à conhecida plataforma de literatura científica Scopus, é que o novo Agregado possui um h-index=0.  https://www.iseg.ulisboa.pt/aquila/getFile.do?method=getFile&fileId=613462

É claro que a referida instituição de ensino superior pública, não iria divulgar que o tal portentoso catedrático da universidade de Lisboa, que integrou esse júri, ainda não teve tempo de colocar uma única publicação no seu currículo na plataforma Ciência Vitae, https://www.cienciavitae.pt/portal/BE11-3184-2A3, embora ele garanta na página da sua unidade de investigação, CIDP, que tem “dezenas de obras e artigos publicados“. 

Tão pouco iria essa instituição divulgar, que na última avaliação de unidades de investigação, a unidade CIDP, a que pertence esse catedrático, foi classificada com a notação de Weak, o que significa que não conseguiu sequer atingir o patamar mínimo, para poder atribuir o grau de Doutor. 

E será que faz algum sentido, pelo menos num país europeu (pois talvez se entenda em países do terceiro mundo) que os membros de uma unidade que não pode atribuir o grau de Doutor, possam andar alegremente em júris de provas que atribuem o título de Agregado ?  Não é evidente que esse facto bizarro desvaloriza o título de Agregado ?

E o que é que Portugal está à espera para proibir de vez esta aberração, própria de um país do terceiro mundo e passar a exigir em letra de lei, que somente os professores que nos últimos 5 anos tenham produzido um mínimo de 3 publicações indexadas que tenham recebido 3 citações (h-index=3) podem fazer parte de júris académicos ?

Declaração de interesses – Declaro que em 10 de Janeiro de 2020, sugeri uma medida radical, para poupar vários milhões de euros, que seriam utilizados para contratar jovens investigadores de elevado potencial (desempregados, que sem dúvida irão trabalhar para enriquecer outros países que não o nosso), e que passaria pelo despedimento dos Associados e Catedráticos com um h-índex inferior a 10 (e também de todos os professores-coordenadores com um h-index inferior a 5) por violação grave do dever de investigar, consagrado no ECDU e no ECDESP, leia-se do dever de produzir um mínimo de outputs cientificamente relevantes a nível internacional. Curiosamente no final de 2021 a universidade do Porto despediu um professor pelo facto daquele não conseguir produzir publicações indexadas https://www.publico.pt/2021/10/07/sociedade/noticia/professor-universidade-porto-despedido-curriculo-artigos-credibilidade-cientifica-1979552

Portugal – Os 100 investigadores mais citados segundo o ranking Elsevier/Stanford

Relativamente à lista dos investigadores mais citados, que resultou da ordenação efectuada em 2022 pelo ranking Elsevier-Stanford (ficheiro carreira), reproduzo abaixo uma actualização da referida lista, baseada em todos os cientistas afiliados a instituições Portuguesas (agora também incluindo cientistas estrangeiros) e bem assim também alguns conhecidos investigadores Portugueses que trabalham em universidades estrangeiras, constantes do recente ranking Elsevier-Stanford de 2024:

A lista permite pelo menos duas importantes observações. A primeira é que o facto da catedrática Elvira Fortunato aparecer na centésima posição, mostra que era risível a noticia do Expresso que deu conta que ela tinha hipóteses de ganhar o Nobel da Física. E a segunda é que sendo o conhecido António Damásio, o incontestado primeiro classificado, tal é a diferença para o segundo, que ele será aquele, pelo menos actualmente, com mais hipóteses de vir a ser escolhido para entrar no tal clube de potenciais vencedores de prémios Nobel, onde infelizmente Portugal ainda não tem nenhum representante.

  1. Damásio, A…………………………………………USouth Calif.
  2. Hespanha, J. P……………………………………UCalifornia
  3. Davim, J. P…………………………………………UAveiro
  4. Domingos, P………………………………………UWashington
  5. Mano, João F……………………………………..UAveiro
  6. Araújo, M.B………………………………………..CSIC
  7. Liddle, Andrew R………………………………..ULisboa
  8. Guedes Soares, C……………………………….ULisboa
  9. Reis e Sousa, C…………………………………..Francis Crick Inst.
  10. Damásio, Hanna………………………………..USouth Calif.
  11. Ferro, José M…………………………………….ULisboa
  12. Tenreiro Machado, J. A………………………Pol. Porto
  13. Bioucas-Dias, José M…………………………ULisboa
  14. Heald, Richard J………………………………..Champalimaud F.
  15. Coutinho, João A.P……………………………UAveiro
  16. Figueiredo, Mário A.T……………………….ULisboa
  17. Barros, Carlos……………………………………ULisboa
  18. Chaves, Maria Manuela…………………….ULisboa
  19. Figueiredo, José L……………………………..UPorto
  20. Cunha, Rodrigo A……………………………..UCoimbra
  21. Montemor, M. F…………………………………ULisboa
  22. Ferreira, S………………………………………….UPorto
  23. Rodrigues, Alírio E…………………………….UPorto
  24. Lobo, Francisco S.N…………………………..ULisboa
  25. Bakermans-Kranenburg, M. J……………ISPA
  26. Lourenço, Paulo B…………………………….UMinho
  27. Ferreira, A. J.M…………………………………UPorto
  28. Reis, Rui L………………………………………..UMinho
  29. Brett, Christopher M.A……………………..UCoimbra
  30. Gama, João……………………………………….UPorto
  31. Carso, Vitor……………………………………….ULisboa
  32. Malcata, Francisco Xavier…………………UPorto
  33. Catalão, João P.S………………………………..UPorto
  34. Lindman, Björn…………………………………..UCoimbra
  35. Moreira, Paula I…………………………………..UCoimbra
  36. Silveirinha, Mário G……………………………ULisboa
  37. Pereira, Helena……………………………………ULisboa
  38. Bertolami, Orfeu…………………………………UPorto
  39. Cardoso, Fatima………………………………..Champalimaud F.
  40. Pacheco-Torgal, Fernando………………..UMinho
  41. Rocha, Joao…………………………………………UAveiro
  42. Brito, Jorge…………………………………………..ULisboa
  43. Falcão, A. F.O……………………………………….ULisboa
  44. Rouane, E. G………………………………………..UAlgarve
  45. Rodrigues, Joel J.P.C…………………………..ULusófona
  46. Pombeiro, Arman………………………………..ULisboa
  47. Ferreira, Mario G.S………………………………UAveiro
  48. Oliveira, Rui F……………………………………..Inst. Gulbenkian
  49. Varandas, António J.C…………………………UCoimbra
  50. Pereira, Luis S………………………………………ULisboa
  51. Veldhoen, Marc…………………………………..ULisboa
  52. Carmo-Fonseca, Maria……………………….ULisboa
  53. Sousa, Nuno………………………………………..UMinho
  54. Santos, Nuno C……………………………………UPorto
  55. Peças Lopes, João A…………………………….UPorto
  56. Kamel Boulos, Maged N……………………..ULisboa
  57. Souto, Eliana B……………………………………..UPorto
  58. Rocha-Santos, Teresa…………………………..UAveiro
  59. Schütz, Gunter M………………………………….ULisboa
  60. Carvalho, F. P………………………………………..ULisboa
  61. Cavaco-Paulo, Artur……………………………..UMinho
  62. Rodrigues, Lígia R…………………………………UMinho
  63. Lemos, José P.S…………………………………….ULisboa
  64. Sarmento, Bruno…………………………………..UPorto
  65. Gash, John H…………………………………………ULisboa
  66. Oliva-Teles, Aires…………………………………..UPorto
  67. Vasconcelos, Vítor…………………………………UPorto
  68. Miguel, Maria Graça……………………………..UAlgarve
  69. Saraiva, Maria João………………………………UPorto
  70. McGregor, Peter K…………………………………ISPA
  71. Graça, Manuel A.S…………………………………UCoimbra
  72. Schmitt, Fernan C………………………………….UPorto
  73. Loureiro, Sandra M. C…………………………..Iscte
  74. Herdeiro, Carlos A.R…………………………….UAveiro
  75. Simões, Manuel……………………………………..UPorto
  76. Flores, Paulo…………………………………………..UMinho
  77. Sousa Santos, B………………………………………UCoimbra
  78. Paterson, Robert R.M…………………………….UMinho
  79. Ferreira, Isabel C.F.R………………………………Pol. Bragança
  80. Carlos, L. D………………………………………………UAveiro
  81. Ens, John F……………………………………………….Texas A&M
  82. Phillips, Alan J.L……………………………………….ULisboa
  83. Semin, Gün R…………………………………………..ISPA
  84. Kundu, Subhas C…………………………………….UMinho
  85. Konotop, Vladimir V………………………………ULisboa
  86. Barros, Lillian………………………………………….Pol. Bragança
  87. Vilar, Rui………………………………………………….ULisboa
  88. Carvalho, M…………………………………………….ULisboa
  89. Kholkin, Andrei……………………………………….UAveiro
  90. Zilhão, João……………………………………………..ULisboa
  91. Marques, Rui C……………………………………….ULusófona
  92. Sobrinho-Simões, M………………………………UPorto
  93. Martins, Rodrigo…………………………………….UNova
  94. Órfão, José J.M……………………………………….UPorto
  95. Antunes, Manuel J………………………………….UCoimbra
  96. Leitão, Paulo……………………………………………Pol. Bragança
  97. Fernández-Rossier, J……………………………….INL
  98. Manaia, Célia M………………………………………UCatólica
  99. Camarinha-Matos, Luis………………………….UNova
  100. Fortunato, Elvira………………………………………UNova

O intrigante mistério dos 600% e a hipótese da mexicanização do ensino superior

Ainda na sequência do post anterior onde foi analisado o desempenho das seis melhores universidades públicas Portuguesas, e onde se constatou que ironicamente, aquela de pior desempenho, foi precisamente aquela que foi mais beneficiada no programa FCT tenure, faz todo o sentido analisar o desempenho das referidas seis universidades, no que respeita a ajudar Portugal a não fazer má figura no ranking dos países com maior número de investigadores altamente citados, que foi divulgado no final do post.

A lista infra diz respeito ao rácio de investigadores altamente citados (Top 0.5%) por milhar de docentes ETI, sendo que o número de ETIs de cada instituição foi recolhido no ficheiro de 2023 da DGEEC sobre endogamia académica.

Univ. de Aveiro………..16 investigadores altamente citados por milhar de docentes ETI

Univ. do Porto………….13

Univ. de Lisboa…………13

Univ. do Minho ………..10

Univ. de Coimbra……….8

Univ. Nova…………………4

Os resultados mostram, uma vez mais, que a universidade Nova é aquela com o pior desempenho, muito longe da universidade líder, pelo que faz sentido questionar, porque é que a universidade Nova recebeu 600% mais bolsas no programa FCT tenure do que a mencionada universidade de Aveiro ?

PS – Em 2022 um conhecido catedrático da universidade do Minho, acusou o Governo do PS de asfixiar as universidades mais dinâmicas, classificou esse fenómeno espúrio de mexicanização do ensino superior, que é aquilo que parece poder explicar os resultados divulgados neste post e no outro anterior, sobre as quedas no ranking Shanghai por áreas.   

The Dark Side of ERC: How Stratification is Undermining European Science

Continuing from my previous post regarding the Draghi report, I believe it is essential to critically examine the report’s overly enthusiastic praise of the European Research Grants program. While the program is undoubtedly impactful, I would argue that its current structure, which heavily concentrates resources on a limited number of recipients, has some notable shortcomings. This perspective is supported by an insightful study published in the Elsevier journal Research Policy, which highlights significant challenges associated with highly stratified programs (see the extracted section below). Why not reduce the value of individual ERC grants by half, allowing the program to support twice as many grantees?

“stratification creates higher levels of inequality which eventually induce disadvantaged participants to exit the market. Relatively high exit rates are common in highly competitive fields. Science, for example, has been described as a “a primitive village with maximum fecundity and horrible mortality” (Desolla Price, 1965). Back in the 1960s, the scientific population grew by 7% each year, with a 17% “birth rate” and a 10% “death rate.” However, now up to 84% of new PhD recipients in biology are expected to exit academia due to the lack of tenure track positions (Larson et al., 2014). Furthermore, “quitting” among those who succeed to stay in academia can come in the form of reduced willingness to compete for funding opportunities (Bol et al., 2018), fueling rich-get-richer dynamics. Given this high exit rate, we should take opportunities to explore new mechanisms to reduce—but by no means eliminate—competitive pressure: the objective is rebalancing the current high levels of reward stratification towards a more sustainable equilibrium” https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048733321000160?via%3Dihub#sec0022

PS – The aforementioned paper is co-authored by Christoph Riedl, who is affiliated with both Northeastern University and Harvard University. I previously mentioned Riedl in a post discussing creativity in research.