Uma análise mais fina e devidamente contextualizada sobre um intrigante desempenho universitário

Ao contrário do que parecia sugerir o post acessível no link supra, onde mencionei (sem contexto) uma queda de 44%, da universidade do Minho, no ranking Shanghai por áreas, convém porém proceder a uma análise desse desempenho num período temporal maior (2019-2024) e comparar o mesmo com o desempenho de ouras universidades Portuguesas. Entre essas merece destaque, pela negativa, a Universidade Nova de Lisboa, que caiu mais de 60% e a Universidade de Coimbra que caiu quase 60%.

O comportamento decrescente da UMinho, pode ser parcialmente explicado, por aquela ser uma das universidades a quem os Governos PS todos os anos mais subfinanciaram, pois esse é um facto incontraditável, essa condição não explica porém o comportamento da universidade Nova de Lisboa, que é uma universidade que recebe do Orçamento de Estado muito mais dinheiro que recebe a Universidade do Minho. A universidade Nova é tão rica ou tão pouco, que o seu Reitor até recebe dois salários e uma das suas unidades orgânicas até planeia contratar professores estrangeiros, com salários de quase 30.000 euros/mês.

Coisa diferente mas não menos relevante no presente contexto, porque diz respeito a todas as instituições de ensino superior públicas, é a vertida no comentário “…da forma igualmente desprezível como este Governo tem andado a subfinanciar o ensino superior…o orçamento universitário de 2023, foi inferior ao de 2010, e se os valores forem analisados em percentagem do PIB, então o resultado é ainda mais vergonhoso, pois constata-se que o valor do orçamento das universidades públicas em 2023 é metade do valor de 2010…”

PS – Porque será que a (rica) Universidade Nova, a campeã das descidas no ranking Shanghai por áreas, foi a universidade que mais lugares arrecadou no programa FCT tenure, mais até (!!!) do que receberam no conjunto as universidades de Coimbra, Minho e Aveiro ?  https://www.publico.pt/2024/08/29/ciencia/noticia/cinco-universidades-90-vagas-docentes-novo-fcttenure-2101918

Clarivate Analytics revela que tão cedo a ciência Portuguesa não receberá um prémio Nobel

No passado dia 1 de Setembro, expressei a minha desilusão (que estou certo será também a de milhões de Portugueses) pelo facto dos 50 anos de democracia não terem conseguido, aquilo que conseguiu a ditadura de Salazar, ganhar um Nobel por conta de importantes descobertas científicas.

Neste mesmo post, escrevi também, que no dia 19 de Setembro a conhecida firma Clarivate Analytics iria revelar os nomes dos cientistas, altamente citados, que este ano se irão juntar ao prestigiado clube, dos potenciais vencedores de um prémio Nobel, clube esse onde existem 75 galardoados com esse prémio.  Infelizmente, ficou-se a saber nesse dia, que entre os novos nomeados este ano, há cientistas do Canada, da Croácia, da Espanha, da Africa do Sul, do Quénia, da India, da Itália, de Israel, do Japão, do Reino Unido e dos EUA, já de Portugal não há nenhum, zero virgula zero. Mais uma desilusãohttps://clarivate.com/citation-laureates/winners/

PS – E como não há prémios Nobel sem cientistas altamente citados, e como esta semana também se ficou a conhecer a actualização do ranking mundial de investigadores Elsevier/Stanford,  reproduzo abaixo uma lista de 25 países ordenados pelo rácio do número de cientistas constantes do referido ranking por milhão de habitantes, mas apenas para o grupo dos 0.5% mais citados. Os resultados constituem uma autêntica desilusão

  1. Switzerland………108 cientistas no grupo Top 0.5% por milhão de habitantes
  2. Denmark…………. 84
  3. UK……………………77
  4. USA………………….75
  5. Sweden…………….70
  6. Australia……………65
  7. Netherlands……….63
  8. Canada……………..60
  9. Finland………………53
  10. Israel…………………45
  11. Norway………………41
  12. New Zealand………41
  13. Singapore………….39
  14. Belgium……………..35
  15. Germany……………33
  16. Ireland……………….32
  17. Austria……………….31
  18. Iceland………………27
  19. France……………….19
  20. Italy…………………..15
  21. Luxembourg………13
  22. Greece………………12
  23. Slovenia……………..9
  24. Cyprus………………..9
  25. Portugal………….8

Catedrático da U.Minho apelida de tolos os professores que tem medo que os alunos façam trabalhos usando o ChatGPT

Num artigo ontem publicado, no primeiro caderno do semanário Expresso, o conhecido catedrático Aguiar-Conraria da universidade do Minho, revela que encara a IA generativa como uma ferramenta indispensável, que o ajuda na sua comunicação, também a escrever código de software ou ainda a preparar exames, escrevendo a este respeito que “quase sempre os dou ao ChatGPT para resolver“, aproveitando logo de seguida para criticar os professores que tem medo que os alunos façam trabalhos usando o ChatGPT

Na parte final do referido artigo alude a algo, a diferença de capacidade dos modelos de IA generativa pagos e gratuitos, sugerindo que “as escolas, universidades e politécnicos, devem comprar estes serviços e pô-los à disposição da comunidade escolar”, facto esse que não por acaso eu já tinha mencionado num post de Novembro do ano passado, de título “Universidades que pagam o acesso dos seus estudantes ao GPT-4 ou como lixar a vida dos estudantes de famílias pobres“. 

Declaração de interesses – Declaro que já por diversas vezes mencionei o supracitado catedrático Aguiar-Conraria, que é agora o novo Presidente da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, como quando por exemplo mencionei que ele escreveu sobre alguns Portugueses que foram galardoados pela Presidência da República, como sendo um grupo de malfeitores e que até comparou ao mafioso assassino Michael Corleone https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/os-amigos-e-conhecidos-do-presidente.html

PS – Certamente por falta de espaço, o catedrático Aguiar-Conraria, não teve oportunidade de mencionar no supracitado artigo, a importância do ChatGPT na educação personalizada, a qualquer hora e em qualquer lugar, vide post de 7 de Abril mas principalmente o post de 25 de Agosto.

Provedor do jornal Público analisa hoje as críticas sobre o péssimo trabalho da imprensa a esconder a incompetência de algumas universidades

No passado dia 26 de Agosto, critiquei de forma incisiva, um artigo sobre rankings universitários do jornal Público, cujo seu autor mostrou não saber distinguir rankings rigorosos de rankings da treta, que só servem para desinformar. Hoje o Provedor daquele jornal analisa essas criticas no artigo acessível no link https://www.publico.pt/2024/09/21/opiniao/opiniao/rankings-descontentamento-2104887 

Infelizmente a análise do Provedor do jornal Público não é brilhante, o que porém nem sequer constitui motivo de admiração, porque ele, como o jornalista autor da peça em questão, também não sabe muito de rankings universitários, mas a prova evidente dessa falta de brilhantismo, está no final do artigo quando escreve “investiguem-se as razões sistémicas do fraco desempenho universitário português“. Essas razões são sobejamente conhecidas e tem origem num sistema de contratação de professores universitários viciado (Reitor dixit), que permite todo o género de cunhas (familiares, politicas e maçónicas) cuja consequência é a existência no topo da carreira de catedráticos com um h-index=0. 

Declaração de interesses – Declaro que no final de 2015 fui o primeiro subscritor de uma petição “contra as elevadíssimas percentagens de endogamia académica, próprias de um país do terceiro-mundo” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/endogamia-academica-e-viciacao-concursal.html

Ranking de investigadores Elsevier/Stanford 2024

O unico ranking mundial de investigadores, que consegue cumprir três condições fundamentais, acaba de divulgar a actualização referente ao ano de 2024, que está acessível no link aqui https://elsevier.digitalcommonsdata.com/datasets/btchxktzyw/7

Na Universidade do Minho, o primeiro classificado da lista anual, é o catedrático Paulo Barbosa Lourenço, que recorde-se, foi o primeiro Professor na área da Engenharia Civil, em Portugal, a conseguir ganhar uma bolsa milionária do European Research Council, o segundo classificado é um investigador-Principal, também da área de Engenharia Civil, dono deste blogue, e o terceiro lugar pertence ao catedrático Rui L.Reis,  CEO do European Institute of Excellence on Tissue Engineering and Regenerative Medicine.

A deprimente incapacidade Portuguesa, a eficácia de Oxford, a liderança de Stanford e a rápida evolução da IA generativa

Ainda na sequência do post anterior, onde se avaliou a deprimente produção científica na área da inteligência artificial de quase 30 Universidades e Politécnicos Portugueses, é pertinente divulgar um recente e interessante estudo de dois investigadores da prestigiada universidade de Stanford sobre as capacidades de modelos de IA generativa. 

O estudo envolveu várias fases, incluindo ideias produzidas por dezenas de especialistas humanos, ideias geradas por IA e uma abordagem híbrida, na qual as ideias geradas por IA foram reavaliadas por humanos. Um total de 79 especialistas avaliou essas ideias quanto à novidade, eficácia e viabilidade.  o estudo concluiu que os modelos de IA generativa podem gerar ideias mais inovadoras, do que as propostas por especialistas humanos  https://arxiv.org/abs/2409.04109 

No inicio do passado mês de Agosto um artigo publicado na conhecida revista The Economist informava que os modelos de IA generativa se estavam a tornar mais inteligentes https://www.economist.com/schools-brief/2024/08/06/how-ai-models-are-getting-smarter e esse facto permite perspectivar que essa evolução irá continuar nos próximos anos, de tal forma que as capacidades futuras desses modelos serão muito superiores aquelas que agora conhecemos. O limite dessa evolução é aquele sobre o qual escreveu há alguns anos o cientista Alemão Jürgen Schmidhuber, Scopus Highly Cited Scientist (h-index=78) https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/2040o-ano-da-singularidade.html

Declaração de interesses – Não gostei de ler que os investigadores da Universidade de Stanford utilizaram a base Scholar Google, em vez da Scopus ou da Web of Science, para escolher os especialistas, pois a primeira, é passível de manipulação fraudulenta, como foi demonstrado há poucos meses num estudo de investigadores da universidade de Nova York. 

PS – A universidade de Stanford é a mais produtiva a nível mundial em termos do número de publicações indexadas sobre IA e a melhor europeia é a universidade de Oxford, que sozinha consegue produzir mais do que todas as universidades e Politécnicos Portugueses. 

U.Stanford: Generative AI Surpasses Humans in Producing Novel Research Ideas

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/08/the-list-of-companies-that-are.html

Following up on the previous post about the list of companies producing the most highly cited research and patents in AI (linked above), it’s worth highlighting a recent study by Stanford University researchers on the capabilities of generative AI models in generating novel research ideas.

In the study, over 100 NLP researchers were recruited to generate novel ideas, with blind reviews comparing ideas from both large language models (LLMs) and human experts. The findings showed that LLM-generated ideas were judged to be more novel than those from human experts, though slightly weaker in terms of feasibility https://arxiv.org/abs/2409.04109 

In early August of this year, an article published in the well-known The Economist reported that generative AI models are becoming smarter. This observation allows us to anticipate that this evolution will continue in the coming years, such that the future capabilities of these models will far exceed those we are familiar with today. The limit of this evolution was discussed several years ago by the German scientist Jürgen Schmidhuber, a Scopus Highly Cited Scientist (h-index = 78) https://arxiv.org/pdf/cs/0606081

Declaration of Competing Interests – I am concerned about the reliance on Google Scholar as a primary tool for selecting human experts, Section 4.2, ‘Expert Qualifications.’ A recent study conducted by researchers at New York University has highlighted significant vulnerabilities in Google Scholar’s database, indicating that it is vulnerable to manipulation 

Do sonho à realidade: A fraca produtividade científica nas Faculdades de Direito

Ainda na sequência do post anterior, sobre os bizarros sonhos de uma professora da universidade Nova, que não gosta de revistas científicas, talvez porque não consegue publicar nas mesmas, aproveito para recordar que eu sei alguma coisa sobre a produtividade científica das escolas de Direito Portuguesas, a que dediquei o meu tempo em Agosto de 2018. Informação essa que então partilhei com alguns milhares de Colegas, e um dos que me respondeu, foi um catedrático de Direito da Universidade Nova de Lisboa, António Manuel Hespanha, entretanto já falecido. Vide email no final deste post.

Acresce que eu nem preciso desse facto para sustentar as minhas criticas, basta atentar no teor dos relatórios dos revisores internacionais, que levaram a cabo a última avaliação de todas as unidades de investigação. O painél de revisores que avaliou as unidades da área de Direito, mencionou dezenas de vezes, a importância da publicação em revistas internacionais indexadas e não em revistas caseiras. Mas pelos vistos, mesmo assim, parece que houve quem não tenha percebido essa mensagem, quem sabe talvez na próxima avaliação, eles tenham de chegar ao extremo de fazer um desenho.

PS – O catedrático António Manuel Hespanha, foi um dos investigadores Portugueses da área do Direito, com uma obra altamente citada, o seu perfil no Google Scholar, revela um total de citações superior a 15.000. Em termos comparativos, os catedráticos Jorge Reis Novais, da Universidade de Lisboa e o Paulo Mota Pinto, da Universidade de Coimbra, possuem menos de 4000 citações, e muitos outros professores catedráticos e professores associados daquela área (como a tal supracitada) possuem um desempenho muitíssimo inferior aqueles.


De: António Manuel Hespanha 
Enviado: 23 de Agosto de 2018 21:59
Para: F. Pacheco Torgal
Assunto: Produtividade das Faculdades de Direito

Caro Colega.

Muito interessantes estes números. Isto confirma justamente a minha ideia sobre a pobre produção científica das FDs, que conheço muito bem. Gostava muito de ter os mesmos relativos a Espanha, Itália, França e Alemanha, para testar a hipótese sobre as virtualidades explicativas dos modelos continental e anglo-saxónico do Direito. Não creio que as coisas vão por aí. Embora, nos países que conheço, as FDs não primem pela produção científica, pelo menos nos moldes em que a avaliamos hoje, suspeito que as nossas FDs estejam muito abaixo das suas congéneres de países de referência no continente. Seria possível colher esses números para os países que indico ? 

Muto obrigado.

António Manuel Hespanha

O sonho de uma professora de Direito da Universidade Nova: Elevar uma cadela a catedrática

Uma professora Associada com Agregação, da Universidade Nova de Lisboa, de nome Helena Pereira de Melo, achou boa ideia ser hoje autora de um triste e deplorável artigo no jornal Público, de título “Vanessa Lucrécia publica numa revista jurídica internacional“, onde fala de sonhos, alegadamente ficcionais (acredita quem quer), inclusive do sonho de elevar uma cadela a professora catedrática. Tenho muitas dúvidas que muitos leitores do Público consigam ler sem desagrado o seu infeliz artigo e tenho a certeza que muitos deles, que contribuem para lhe pagar o salário, achem que de uma académica, ainda por cima uma que está quase no topo da carreira, se pode e deve esperar algo menos dissimulado, menos rasteiro, mais edificante e mais instrutivo.

O referido e muito lamentável artigo, evidencia notórias frustrações pessoais da sua autora, com a conhecida base de literatura científica indexada a nível mundial, Scopus, que bem se percebem pelo facto dela só lá possuir uma única solitária publicação. É pena que nenhuma alminha caridosa, lhe tenha explicado a importância crucial daquela base de dados, em especial no contexto do crescimento de revistas “científicas” predadoras, que como informou a revista The Economist em 2020, conseguiram em apenas duas décadas ultrapassar mais de 10.000 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/the-economistin-just-20-years-predatory.html

Declaração de interesses – Declaro que já por diversas vezes critiquei a Universidade Nova, pelo facto daquela, de ano para ano, cada vez mais se afundar no prestigiado ranking Shanghai, ficando abaixo inclusive de universidades de países do terceiro mundo. Recordo também que há apenas dois cursos de Direito em Portugal, que por conta da sua produção científica conseguiram aparecer no último ranking Shanghai por áreas, e como é evidente, entre eles não está o curso da Universidade Nova de Lisboa.

PS – Admito que poderá haver um grupo de pessoas que gostaram bastante do reprovável artigo da professora Associada com Agregação, Helena Pereira de Melo. É um grupo constituído por uma amálgama de três subgrupos, o subgrupo daqueles que nunca foram capazes de publicar em revistas científicas (não predadoras), como aquele professor que foi despedido da universidade do Porto, o danoso subgrupo daqueles que negam evidências científicas (sobre vacinas ou alterações climáticas), e que defendem pseudociências, que não seguem o método científico e finalmente o subgrupo daqueles que defendem que, as opiniões pessoais tem o mesmo valor que o conhecimento cientifico. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/phd-thesis-my-ignorance-is-just-as-good.html

Univ. of Bern’s project rewards close to 3000 euros for finding important errors in papers

Building on previous posts addressing scientific integrity, it is timely to spotlight a project (called ERROR) led by the University of Bern that offers financial rewards to individuals who successfully identify errors in scientific publications. 

Reviewers can earn up to one thousand euros per article, with additional bonuses depending on the severity of the errors uncovered—significant errors result in higher bonuses. In cases involving fraudulent errors that lead to an article’s retraction, the total compensation can reach nearly 3000 euros.

It is both surprising and ironic that this project focuses on psychology papers, even though a Scopus search reveals that Medicine tops the list of fields with the most retracted papers, followed by Biochemistry, Genetics, and Molecular Biology—together accounting for over 50% of all retractions. In stark contrast, psychology ranks 23rd, accounting for only 1.4% of retracted papers

It is worth noting that the issue of scientific integrity and the necessity for rigorous curation have become increasingly urgent, given the rising threat of misinformation and manipulation enabled by Artificial Intelligence, as highlighted in an article by The Economist

PS – In this context, the foresight of Professor Terry Young, which I had previously discussed, is now much clearer. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/universities-should-stop-producing.html