Should the Scientific Community Ostracize Scientists Serving in Anti-Science Governments?

More than 70 million Americans have just voted to elect a man widely recognized as a liar and fraudster (found guilty on 34 felony counts) to the highest office in the nation. For some, this decision reflects a deep-seated resentment, with accusations that ‘America hates women’, while others attribute the support to widespread economic struggles. Regardless of the underlying reasons, one undeniable fact remains: in many other countries, someone with a legal and ethical record as controversial as his would-be disqualified from even running for office, let alone winning it. The fact that such a disgraceful figure could not only run but actually win in the United States (becoming the first former president convicted of felony crimes) is a gift to dictators worldwide, providing potent evidence to dismiss democracy as weak and deeply flawed.

In my opinion, the election of Donald Trump raises several troubling and pressing questions:

1- Since the majority of U.S. voters elected a liar, a fraudster, and a rapist as president, does that mean they have no minimum standard of decency?

2 – With Trump widely condemned as an enemy of science, are U.S. government scientists not merely complicit but active enablers in advancing his anti-science agenda?

3 – And as the global race for top talent accelerates—illustrated by France’s recent loss of a Nobel laureate to China—how many of the world’s leading scientists would still consider squandering their efforts to advance such a notorious agenda, all while upholding the facade of a decaying empire now led by a shameless fraud and unapologetic xenophobe?

PS – A few highlights from Trump’s “remarkable” resume include:

  1. Trump University was accused of fraud for misleading students about the value of its courses. In 2016, Trump settled this civil case for $25 million, admitting no wrongdoing.
  2. In 2018, the Trump Foundation was dissolved after the New York Attorney General’s office found that it had engaged in a “shocking pattern of illegality,”. Trump was ordered to pay $2 million in damages.
  3. In a civil fraud trial in New York (2023), a judge ruled that Trump repeatedly committed fraud by inflating property values on financial statements. 
  4. Journalist E. Jean Carroll sued Trump for defamation after he denied her claims of sexual assault, calling her a liar. In 2023, a jury found Trump liable for sexual abuse and defamation.
  5. Trump was indicted for mishandling classified documents. Federal prosecutors alleged that he took classified materials from the White House to his Mar-a-Lago residence, then obstructed efforts by the government to recover them. 
  6. Trump faces federal charges for his role in the events leading up to the January 6, 2021, attack on the U.S. Capitol, where he was accused of conspiring to obstruct the electoral vote certification and inciting violence among his supporters.
  7. In Georgia, Trump was indicted for allegedly attempting to overturn the state’s 2020 election results. This case includes the infamous phone call where he asked Georgia’s Secretary of State to “find” enough votes to change the outcome. He faces racketeering (RICO) charges and other related accusations.

Faz algum sentido que os contribuintes Portugueses tenham que financiar as universidades do país do Sr. Trump ?

Acaba de saber-se que este Governo decidiu que entre as suas prioridades não se inclui a de reduzir o subfinanciamento crónico da ciência, aliás, por incrível que pareça, pretende até mesmo agravar esse subfinanciamento, cortando quase 70 milhões de euros no orçamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Vide noticia acessível no link supra. 

O Ministro Fernando Alexandre, veio depois tentar “explicar” o referido corte, alegando mudanças na aplicação dos fundos europeus, mas na noticia onde se deu conta dessa fraca “explicação” há algo que a mim me parece que não tem qualquer explicação. Nela se pode ler que este Governo pretende “manter as parcerias com universidades norte-americanas e até a vontade de as reforçar https://www.publico.pt/2024/11/05/ciencia/noticia/ministro-ciencia-explica-corte-fct-mudanca-aplicacao-fundos-europeus-2110599

Ou seja no contexto de um inesperado e impensável corte de verbas no financiamento da ciência Portuguesa, a principal preocupação do Governo Português é a de manter o financiamento a Universidades do país do Sr. Trump ! Será que isso faz algum sentido? 

Declaração de interesses – Declaro que há quase uma década que tenho consistentemente criticado a decisão de gastar centenas de milhões de euros com parcerias com universidades Norte Americanas, pois que a meu ver os benefícios que daí resultaram são muito escassos face a esse elevado montante. Aproveito aliás para recordar aquilo que há vários anos atrás me foi confessado por um catedrático, da Universidade Nova de Lisboa: “as universidades daquele país só aceitaram as colaborações propostas pelo Ministro Heitor porque viram nelas uma maneira de ganharem dinheiro fácil”   https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/tres-singelas-perguntas-ao-ministro.html

PS – Incompreensivelmente (ou talvez não !), o Ministério dos policias teve um aumento bastante significativo, de quase 20%, atingindo agora mais de 3000 milhões de euros, o que mostra bem quais são as verdadeiras prioridades deste Governo https://www.jn.pt/7711471417/seguranca-interna-com-mais-de-3-mil-milhoes-euros-maior-fatia-vai-para-o-pessoal/

Primeiro edifício de construção híbrida em Guimarães vence categoria Sustentabilidade

A secção de Economia do semanário Expresso deu este fim de semana conta da sexta edição dos prémios Imobiliário, onde o edifício The First, construído pela firma Casais, junto ao campus de Azurém da Universidade do Minho, venceu na categoria Sustentabilidade

Trata-se de um edifício de seis pisos, com um custo de 11 milhões de euros, que é o primeiro edifício de construção híbrida (madeira + betão) em toda a Península Ibérica. O edifício em causa baseado na tecnologia BIM, utilizou módulos pré-fabricados, permitindo uma execução muito mais rápida, apenas 16 dias úteis para a montagem dos elementos CREE nos dois blocos, 8 dias para cada bloco, necessitando assim de menos mão de obra, consumindo um menor volume betão e que no futuro facilitarão a desmontagem e reutilização de materiais, assim contribuindo para reduzir a quantidade de resíduos e acelerando a economia circular.

Há duas formas de encarar esta noticia. A pessimista, que critica o facto de só agora, passados tantos anos, após se terem iniciado as primeiras investigações nesta área – as publicações sobre projecto para a desconstrução e reciclagem de materiais tem mais de 20 anos – é que elas começam finalmente a ser levadas à prática e a optimista, de que mais vale tarde do que nunca, e fazendo votos que tais práticas passem a ser o novo normal da indústria da construção, pois está a esgotar-se o tempo para que este sector consiga reduzir em mais de 50% as suas emissões de GEE e seja capaz de reciclar 70% dos seus resíduos.

PS – Coincidentemente, terminei de editar no final do mês passado, com alguns catedráticos estrangeiros, a terceira edição de um livro sobre reciclagem de resíduos de construção e demolição, contendo também capítulos sobre BIM e sobre projecto para desmontagem posterior, que será publicado no inicio de 2025. A primeira edição desse livro, contendo 24 capítulos, foi publicada há mais de uma década e tornou-se, entre aqueles que foram selecionados para indexação na Scopus, de longe, o mais citado a nível mundial, nessa área.  https://shop.elsevier.com/books/handbook-of-recycled-concrete-and-demolition-waste/pacheco-torgal/978-0-85709-682-1

Revisitar a imparável epidemia de corrupção

Em 2019 o impoluto Ex-Presidente Ramalho Eanes afirmou que havia uma epidemia de corrupção em Portugal, e eis que agora, cinco anos passados o referido ex-presidente reafirma aquilo que disse nessa altura, apontando o dedo ao PSD e ao PS, que corajosamente acusa de terem colonizado a Administração Pública https://www.rtp.pt/noticias/politica/ramalho-eanes-em-livro-apos-entrevista-de-fatima-campos-ferreira_v1612059 

Quem não se lembra aliás daquela laranjinha que foi apanhada numa escuta a exigir ser Administradora de uma “merda” qualquer ou daquele outro boy que também foi apanhado numa outra escuta a dizer que queria ser presidente de uma empresa (pública) qualquer. E foi exactamente isso em que o PS e o PSD conseguiram transformar a Administração Pública, basicamente e acima de tudo numa fonte de rendimento para boys e girls, que é aquilo que se extrai das muitas escutas onde foram apanhados muitos dos parasitas que os contribuintes deste país são obrigados a sustentar e que as corajosas palavras do Ex-Presidente Ramalho Eanes também confirmam.

Declaração de interesses – Declaro que tendo iniciado o meu primeiro blogue há cinco anos atrás, que desde essa altura fiz dezenas de post sobre corrupção, tendo o último deles sido publicado no passado dia 5 de Outubro sob o título Mais um prego no caixão da justiça e desta coisa a que chamam democracia mas que se deveria chamar corruptocracia” 

Director da F.C. da Universidade de Lisboa critica doutoramentos nos Politécnicos

Ainda sobre o post anterior, onde se deu conta que o ensino superior Politécnico tem no seu todo apenas um valor residual de 3% dos 633 investigadores mais citados de Portugal (e muitos Politécnicos nem sequer possuem um único desses investigadores) não deixa de ser uma curiosa coincidência que o Director da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o catedrático Luís Carriço, tenha dado uma entrevista ao semanário Nascer do Sol, onde tece criticas várias sobre o ensino superior, como por exemplo quando critica o desnorte que pautou a acção da antiga Ministra Elvira Fortunato, tendo acabando a entrevista a criticar o facto dos Institutos Politécnicos poderem atribuir o grau de Doutor. 

Concordo com a opinião dele, especialmente na parte em que ele disse que em Portugal há universidades a mais e politécnicos a mais e que é necessário avaliar de forma rigorosa para se conseguir separar o trigo do joio, que não é muito diferente daquilo que já tinha sido escrito por um conhecido catedrático da universidade do Minho, que criticou a asfixia financeira das universidades mais dinâmicas,  levada a cabo pelo anterior Governo, processo a que ele na altura apelidou de mexicanização do ensino superior.

Paper__How 100 Top U.S. Universities Are Navigating Generative AI in Education

Building upon the insights presented in the recent post, Advancing Tutor Training Through GPT-4: A Breakthrough Study from Carnegie Mellon, it is pertinent to draw attention to a newly published paper in Computers & Education: Artificial Intelligence.

This research investigates the landscape of Generative AI policies, statements, guidelines, and resources across the leading 100 universities in the United States. Through meticulous analysis, the study finds that a substantial 81.7% of these institutions have curated resources offering foundational technical knowledge on Generative AI. These resources are crafted to facilitate instructors’ comprehension and exploration of the potential applications of Generative AI within educational settings. Furthermore, the study reveals that 53.8% of the surveyed institutions actively promote the pedagogical advantages associated with Generative AI. Additionally, 54.8% of these universities empower instructors to autonomously define and implement classroom policies related to Generative AI usage, underscoring a flexible approach toward integrating AI in instructional practices. 

PS – In the concluding phrase of a prior post, I raised the question of whether Europe is prepared to adopt a ruthless American-style business ethos in its quest for economic success. Now, in the context above, I must ask: should Europe—and the rest of the world—uncritically follow America’s hasty and imprudent push to adopt generative AI in education?

IA Generativa na Educação: Uma análise sobre a sua utilização nas 100 melhores universidades dos EUA

Ainda na sequência do post anterior, sobre o Catedrático da Universidade do Minho que apelidou de tolos os professores que tem medo que os alunos façam trabalhos usando o ChatGPT, faz todo o sentido divulgar um artigo muito recente publicado na revista Computers & Education: Artificial Intelligence,  que examina a forma como é utilizada a IA Generativa nas 100 melhores universidades dos EUA https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2666920X24001292#se0170

PS – Quando se pergunta ao ChatGPT quais são as maiores desvantagens que podem advir da utilização da IA na educação a resposta é aquela bastante instrutiva que abaixo se reproduz: 

  1. Reduced Human Connection: AI lacks the empathy and intuition that human educators provide. Building motivation, fostering curiosity, and responding to students’ emotional needs often require a human touch that AI can’t replicate.
  2. Over-Reliance and Decline in Critical Thinking: Excessive reliance on AI for answers can reduce students’ critical thinking skills. Instead of analyzing problems themselves, students might default to AI-generated responses without fully understanding the underlying concepts.
  3. Privacy and Ethical Issues: AI systems often collect significant amounts of student data, raising concerns around privacy, data security, and potential misuse of personal information, especially in educational contexts involving minors.
  4. Access and Equity Challenges: Not all students have equal access to the technology needed for AI-based learning, potentially widening the gap between students of different socioeconomic backgrounds.
  5. Potential for Bias and Inaccuracy: AI models can inherit biases from their training data, which can lead to biased or incorrect outputs. If unmonitored, these inaccuracies can misinform students and introduce unfairness in automated assessments.
  6. Risk of Teacher Displacement and Curriculum Narrowing: AI could be seen as a cost-saving substitute for human teachers, potentially diminishing the quality of education. Additionally, over-reliance on AI tools may push curricula toward standardized approaches, limiting space for creative and critical thinking.
  7. Algorithm Dependence: AI-driven learning can create dependence on standardization, which may discourage unique, non-standard approaches that showcase deep, creative understanding of complex material.

O vírus da irrelevância científica que atacou forte nas instituições de ensino superior localizadas abaixo do rio Mondego

No conhecido ranking de investigadores altamente citados Elsevier/Stanford de 2024, há 633 investigadores no ficheiro carreira, que trabalham em instituições Portuguesas. Nos primeiros 78 lugares, não há actualmente um único investigador de um instituto politécnico, porque aquele que lá aparece nomeado já faleceu. 

Entre esses 633 investigadores, há apenas duas dezenas pertencentes a institutos politécnicos, o que representa apenas 3 (três)% do total, mas o mais estranho é que 90% dos investigadores dos politécnicos que aparecem nesse ranking, pertencem a instituições localizadas acima do Rio Mondego, o que diz bastante sobre a baixa relevância, das investigações, produzidas nos institutos Politécnicos localizados abaixo do Rio Mondego.  

E agora que os Politécnicos passaram a estar habilitados a atribuir o grau de Doutor (Lei nº 16/2023 do Governo de António Costa), deveria pelo menos limitar-se essa possibilidade somente aos professores desse subsistema, com uma obra científica minimamente relevante, para evitar que aqueles possuidores de uma obra irrelevante, leia-se de esterilidade científica comprovada, prejudiquem de forma irreversível a carreira dos futuros doutorados, como foi demonstrado num estudo de 2019 de investigadores da UCLondon https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/junior-researchers-who-coauthor-work.html e foi novamente demonstrado num outro estudo publicado este ano, que foi mencionado na prestigiada revista Science https://www.science.org/content/article/budding-scientists-inherit-career-success-or-lack-it-their-mentors

PS – Sobre os politécnicos onde a irrelevância científica parece ser “tradição“, sendo incapazes de produzir um único artigo que receba mais de 300 citações Scopus revisite-se o post https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/ranking-da-irrelevancia-cientifica.html

Pode a genética explicar que Portugal seja campeão do consumo de ansiolíticos ?

Na sequência do post de 25 de Dezembro de 2019 (acessível no link supra) onde se fez referência ao facto de haver um gene que só é encontrado em Portugal, e tendo em conta o contexto do nosso país, ser o campeão do consumo de ansiolíticos entre os 34 países da OCDE, faz sentido divulgar o vídeo, onde participa um médico especialista e investigador da universidade de Lisboa, que uma pesquisa Scopus revela que o seu artigo mais citado se foca na ansiedade, sob o título “Reliability and validity of the Portuguese version of the Generalized Anxiety Disorder (GAD-7) scale“, vídeo esse no qual se sugere uma causa de natureza genética para a referida ansiedade. https://www.youtube.com/watch?v=50-Gc320CNo 

O novo artigo do catedrático (das lacunas cognitivas) e os conselhos de dois investigadores da U.Cambridge sobre o GPT

O tal catedrático que critiquei no post anterior, por conta de um artigo pouco feliz, mas que apesar desse lapso merece consideração, pelo menos sobre temas da sua área científica, pois uma pesquisa na plataforma Scopus revela que ele possui seis artigos que receberam mais de 150 citações, o que o coloca muito à frente de muitas dezenas de catedráticos Portugueses, vide lista no link https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/ranking-de-investigadores.html escreve esta semana sobre a hipótese formulada pelo Luis Garicano (que foi catedrático de economia na U.Chicago e agora é catedrático na London School of Economics) da inteligência artificial poder ter um impacto na prosperidade “tão grande quanto o das máquinas na revolução industrial”, e que ele designa por tecno-optimismo. 

Curiosamente, nesse artigo ele não faz qualquer referência aos benefícios potenciais da utilização da inteligência artificial para detectar esquemas fraudulentos associados às criptomoedas, como foi o recente escândalo FTX, que se estima que até hoje já tenham provocado prejuizos de aproximadamente 100.000 milhões de euros. A este respeito vale a pena ler o artigo que foi publicado na semana passada, precisamente sobre a referida utilização, com o esclarecedor título “ChatGPT: a Canary in the Coal Mine or a Parrot in the Echo Chamber? Detecting Fraud with LLM: the Case of FTX”  https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1544612324013783#sec0006

PS – Ainda sobre o ChatGPT, faz sentido revisitar a conversa entre Vaughan Connolly e Steve Watson,  dois investigadores da Faculdade de Educação da prestigiada Universidade de Cambridge, que oferece uma visão detalhada sobre as oportunidades, desafios e possibilidades do ChatGPT. https://news.educ.cam.ac.uk/230403-chat-gpt-education  Nela se defende que o valor real do ChatGPT não está tanto na criação de conteúdos, mas mais na possibilidade do GPT ser utilizado como uma ferramenta que pode ajudar os alunos a apurar ideias e organizar argumentos, permitindo que o foco seja dirigido a questões mais profundas. Nela também se sugere que os professores podem (e devem) incentivar os alunos a examinar criticamente os vieses que podem estar presentes nos conteúdos gerados por esse modelo de IA generativa, o que por sua vez pode promover uma compreensão mais rigorosa do GPT, como sendo uma ferramenta muito valiosa, mas imperfeita, por vezes necessitando de validação humana.