Catedrático queixa-se que os alunos querem colinho

Ainda na sequência do post anterior, sobre as dificuldades académicas de alunos que entraram com média de 20 valores no Instituto Superior Técnico (IST), e pérolas pedagógicas inovadoras do gênero:

“não vou explicar porque não vai perceber” 

“Quem não teve mais de 15…pode sair e trabalhar no Pingo Doce” 

o catedrático Arlindo Oliveira, ex-Presidente daquela unidade orgânica, vem hoje num artigo do jornal Público com o provocador título de  Mimar ou não mimar, eis a questão”  defender a tese que o que está em causa se resume apenas a “metodologias de ensino exigentes” que segundo ele também se praticam em instituições estrangeiras de referência. https://www.publico.pt/2022/06/06/opiniao/opiniao/mimar-nao-mimar-eis-questao-2009037

Obviamente não vou comentar a esdrúxula tese do catedrático Arlindo Oliveira, porque ela se comenta (de forma pouco elogiosa) a si própria, mas vou pelo menos aproveitar para lhe lembrar três coisas básicas, que pelos vistos ele não percebe ou não quer perceber, em primeiro lugar, que há professores universitários cuja vocação para o ensino é absolutamente nula e não se percebe porque ainda lhes é permitido continuarem a ter funções docentes, em segundo lugar que o assédio (envolvendo ou não ameaças de represálias, leia-se reprovações) é crime e não deve ser confundido com ensino alegadamente exigente e em terceiro lugar que lá fora, em instituições de topo, despedem catedráticos por causa de assédio a alunos https://www.swissinfo.ch/eng/in-the-spotlight_eth-zurich-acts-over-bullying/44823874   ao contrário de Portugal, o país da impunidade catedrática, onde há catedráticos condenados em tribunal por terem cometido crimes e não consta que algum deles algum dia tenha sido expulso de uma universidade pública. E se nem sequer são despedidos depois de terem cometido crimes, com sentença transitada em julgado, muito menos serão despedidos por conta de situações de assédio que ainda por cima tem o atrevimento de desvalorizar como sendo apenas “ensino exigente”.  

Declaração de interesses – Declaro que esta não é a primeira vez que critico o catedrático Arlindo Oliveira, ex-Presidente do IST, como por exemplo num post que teve mais de 1000 visualizações https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/presidente-do-ist-mais-um-que-acredita.html

PS – Paradoxalmente há nas universidade Portuguesas professores que até gostavam e continuam a gostar (se tal lhes for permitido) de dar colinho a alunas, inclusive no Técnico, instituição onde foram reportadas 100 queixas de assédio sexual   https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/05/assedio-sexual-o-dia-5-de-maio-de-2022.html 

Unraveling the enigma of success: The Intersection of Decision-Making, Personality, and Psychopathy

“Are you confident enough to act? Individual differences in action control are associated with post-decisional metacognitive bias.” While the findings shed light on the nuances of confidence and decision-making, it prompts contemplation on potential future research avenues. It would be intriguing for future studies to explore the correlation between confidence levels and psychopathy. Unlike empathetic individuals, psychopaths possess a notable ability to make difficult decisions even when the outcomes carry severe repercussions for others. Investigating what proportion of confident individuals exhibit traits associated with psychopathy could offer valuable insights into the interplay between personality characteristics, decision-making processes, and ethical considerations. https://www.cnbc.com/2016/11/18/why-psychopaths-are-so-good-at-getting-ahead.html

The following excerpt comes from the conclusions of a recent PLOS ONE study titled “Are You Confident Enough to Act? Individual Differences in Action Control Are Associated with Post-Decisional Metacognitive Bias.” While the findings provide valuable insight into the relationship between confidence and decision-making, they also open the door to intriguing avenues for future research. One particularly compelling question is the potential correlation between confidence and psychopathy

Unlike empathetic individuals, psychopaths often display a remarkable ability to make difficult decisions, even when those choices have severe consequences for others. Examining what proportion of highly confident individuals exhibit traits associated with psychopathy could shed light on the complex interplay between personality, decision-making processes, and ethical considerations. 

The Gene of Scientific Success

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/03/finding-star-inventors.html

Building on our earlier discussion of innovative methods for identifying star inventors (linked above), consider exploring “The Gene of Scientific Success”—a groundbreaking paper by researchers from China, the USA, and Australia. This study presents a robust framework that breaks down scientific impact into five key factors and leverages state-of-the-art machine learning techniques to assess their influence. Remarkably, the findings underscore that author- and article-centered factors are the primary drivers of academic success, reaffirming that individual brilliance and the inherent quality of research are the cornerstones of scientific achievement:

This paper elaborates how to identify and evaluate causal factors to improve scientific impact. Currently, analyzing scientific impact can be beneficial to various academic activities including funding application, mentor recommendation, and discovering potential cooperators etc. It is universally acknowledged that high-impact scholars often have more opportunities to receive awards as an encouragement for their hard-working. Therefore, scholars spend great efforts in making scientific achievements and improving scientific impact during their academic life. However, what are the determinate factors that control scholars’ academic success? The answer to this question can help scholars conduct their research more efficiently. Under this consideration, our paper presents and analyzes the causal factors that are crucial for scholars’ academic success. We first propose five major factors including article-centered factors, author-centered factors, venue-centered factors, institution-centered factors, and temporal factors. Then, we apply recent advanced machine learning algorithms and jackknife method to assess the importance of each causal factor. Our empirical results show that author-centered and article-centered factors have the highest relevancy to scholars’ future success…” 

“Vile in the meanest and rottenest possible sense of the word”

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/03/russia-and-most-infectious-country-of.html

Still following the post above about the most famous Portuguese writer (1988-1935), who once wrote that “No empire justifies breaking a child’s doll” see below one of its poems (in fact a poem by Alvaro de Campos, one of his many heteronymous, 72 according to Richard Zenith):

Poem in a Straight Line

(Translation by Edwin Honig and Susan M. Brown)

I never knew a soul who ever took a licking.
My friends have all been champions at everything.

And I, so often vulgar, so often obscene, so often vile,
I, so deliberately parasitical,
Unforgivably filthy,
I, so often without patience to take a bath,
I, who’ve been so ridiculous, so absurd,
Tripping up in public on the carpet of etiquette,
I, so grotesque and mean, submissive and insolent,
Who’ve been insulted and not said a word,
And when putting a word in growing still more ridiculous,
I who strike chambermaids as laughable,
I who feel porters wink sarcastically,
I who’ve been scandalous about money, borrowing and not paying it back,
I, who when the time came to fight, ducked
As far as I could out of punching range,
I who go into a sweat over the slightest thing —
I’m convinced no one’s better than I at this sort of game.

No one I know, none of my speaking acquaintances,
Ever acted ridiculous, ever took insults,
Was ever anything but noble — yes, all of them princes, living their lives,
How I’d love to hear a human voice, from any one of them.
Confessing not to sins but to infamies,
Speaking not of violent but of cowardly acts!
But no, each one’s a Paragon, to hear them tell it.
Is there no one in this world who’d confess to me he’s been vile just once?
All you princes, my brothers,
Enough — I’m fed up with demigods!
Where are the real people in this world?

Am I the only scoundrel and bungler alive?

Maybe women don’t always fall for them.
Maybe they’ve been betrayed.  But ridiculous?  Never!
And I, who’ve been ridiculous but never betrayed,
How do I speak before their Highnesses without stammering?
I, who’ve been vile, literally vile,
Vile in the meanest and rottenest possible sense of the word.

Ilustre catedrático malha forte na vergonha

Ontem aquele catedrático Português (doutorado por Harvard) que trabalha na conhecida LSE, decidiu também não perder a oportunidade para atacar aquela inominável vergonha que comentei neste blogue no passado dia 29 de Maio.

Escreveu ele, na sua coluna da secção de economia do Expresso, que a tal vergonha é causa para “muita preocupação” pois diz o sentimento de injustiça provocado pela referida vergonha é um forte mobilizador de protesto e também de raiva https://expresso.pt/opiniao/2022-06-02-Uma-vergonha-a-acabar-96ebf3f3

Sábias palavras, pouco comuns em catedráticos ilustres, que usualmente vivem ensimesmados em torres de marfim ou pior do que isso divorciados/alienados de sentimentos profundos, que depois são sublimados em “abalos tectónicos” (movidos a ódio) de consequências imprevisíveis https://pachecotorgal.com/2022/02/08/como-os-milionarios-devoraram-o-mundo/

“A grande máquina de queimar milhões” e o subsídio para Ferraris e Lamborghinis

Depois de ontem a revista Sábado ter publicado um artigo escandaloso com o esclarecedor título “A grande máquina de queimar milhões” onde se ficou a saber que existe em Portugal um regabofe de benefícios fiscais (um beneficio fiscal é um subsídio) para empresas e bancos, que custam ao orçamento de Estado mais de 3000 milhões de euros a cada ano, alguém do Governo incomodado com esse artigo mandou o recado para um jornal hoje publicado, que o fisco não dorme e anda a controlar 3062 sociedades colectivas para saber se andam de facto a pagar os impostos todos.

Fraca consolação essa, se é a própria lei que permite que as empresas e também os bancos (que conseguiram torrar tanto dinheiro público como aquele que Portugal receberá da bazuca Europeia) possam pagar poucos impostos por conta de um número infindável de benefícios fiscais (leia-se subsídios).

Recordo-me que em 2019, já eu tinha questionado a aberração da existência de um beneficio fiscal (subsídio) que permite a um qualquer empresário poder abater no montante do imposto a pagar as despesas com Ferraris ou outros carros de luxo, que o mesmo é dizer que os contribuintes deste país andam a subsidiar Ferraris, Lamborghinis e outros luxos sobre rodas. A continuação desse beneficio fiscal só deveria ser permitida se essas viaturas de luxo fossem obrigadas a circular com um dístico amarelo na traseira (como aquele que existiu até 1988 para as viaturas dos condutores recém-encartados) onde se pudesse ler a palavra “subsidiado“.

Recordo também, que por diversas vezes sugeri que a máquina fiscal Portuguesa devia ir receber lições da máquina fiscal espanhola, sobre como lidar com os grandes evasores fiscais, nomeadamente num post com um título bastante provocador, post esse que curiosamente até foi citado numa publicação de uma professora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/juro-que-nao-conheco-professora.html 

PS1 – Sobre desperdício do dinheiro dos contribuintes e sobre Ferrari homeless revisite-se o post https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/acabou-se-paciencia-para-com-os.html

As graves contradições de um Administrador e as lamentáveis omissões de uma jornalista

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/quando-e-que-os-abatimentos-das-minas.html

Num post anterior de Janeiro de 2020 (link acima) formulei uma grave questão que acho importante revisitar agora, tendo em conta a entrevista hoje publicada que foi feita ao Administrador da empresa que explora as Minas da Panasqueira, que recorde-se é diplomado em engenharia pela universidade de Lisboa e que portanto está obrigado a um dever de rigor.

Na mesma ele faz questão de dizer que é falso que a referida mina tenha 11-12 mil quilómetros de galerias mas “apenas” quase 4000 quilómetros, como se esse número fosse pouca coisa, embora essa seja curiosamente a distância que separa as Minas da Panasqueira de Moscovo. Infelizmente na longa entrevista e entre as muitas perguntas que a jornalista Catarina Canotilho fez ao senhor Administrador não houve uma única pergunta sobre o risco de abatimentos, uma estranha e grave omissão, se tivermos em conta que esse risco será uma realidade futura praticamente inevitável naquela zona.

PS – A meio da entrevista o senhor Administrador foi ao extremo de dizer “podemos dormir descansados que não há poluição”. E isto é dito pelo Administrador de uma mina que provoca níveis de contaminação 2000% acima de limites aceitáveis. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/contaminacao-de-mina-excede-em-2000.html

Russia is a warmongering, marauding, slave-holding racist tyranny

As I belong to one of the countries that hate Bloodymir Putin the most, I can’t help but praise the recent and sharp-witted article by the German Leonid Schneider: https://forbetterscience.com/2022/06/01/empire-of-slaves-thoughts-on-russias-war-on-ukraine/

PS – Russian Lieutenant Colonel Vladimirovich Vlasov just called General Alexander Dvornikov, Russia’s top commander in Ukraine, a brainless fucking idiot and also that the Russian Colonel Vitaliy Kovtun, has called both Sergei Shoigu and Putin as “fucking cunt“. This proves (beyond any doubt) that there is indeed freedom of speech in Russia!

Quando é que a Academia deixa de se concentrar naquilo que a indústria já faz e passa a concentrar os seus esforços naquilo que a indústria não quer ou não pode fazer ?

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/universities-should-stop-producing.html

Ainda sobre as declarações polémicas do catedrático jubilado Terry Young, em Outubro do ano passado, que foram comentadas no post acima, é sem grande surpresa que ontem no jornal Público foi possível ler o cientista (altamente citado), e catedrático Mário Figueiredo do IST afirmar que “o valor mudou do acesso à informação para a procura e curadoria” 

É por isso mais que evidente que se a indústria não faz revisão de artigos então a academia deve passar a valorizar essa actividade, para tentar resolver um problema que nos últimos anos se tem vindo a agravarpara evitar que o crescente dilúvio de publicações esteja na origem de investigações redundantes (e também aquele grave problema que foi mencionado na revista The Economist em 30 de Maio de 2020). É por isso também mais que evidente que se a indústria não produz livros científicos que isso deve ser mais valorizado na Academia, até mais do que a produção de artigos relativos a estudos experimentais, em que a indústria mostra não só grande dinamismo como ainda crescente preponderância, pois recorde-se que há três anos atrás apenas 200 empresas já eram responsáveis por 40% da investigação a nível mundial o que significa que a médio prazo as empresas acabarão inevitavelmente por dominar a investigação tecnológica neste Planeta, ou pelo menos aquela investigação de onde se podem retirar elevados lucros. 

Há alguns anos atrás já tinha criticado a acefalia da Academia se concentrar (cada vez mais) em querer fazer o que se faz na indústria, o que no mínimo dos mínimos revela grave desorientação estratégica e no máximo pode até contribuir para encolher de forma substancial (e grave) o prestigio intrínseco da Academia e da sua natural e superior missão: “…Universities will not be able to fulfill their mission as long as they keep trying to replicate corporate practices. Corporate live by the motto “show me the money” a motto very different from the ethical ones that universities around the world say they live by…That´s why Academia must be a repository of the moral values that sustain Western societies...And if they continue to follow that misleading path they risk ending up not being Universities nor corporations. In my vision Universities have a special role in inspiring, giving hope, and forming the sustainable citizens needed to build that new (type one) civilization, multicultural, tolerant, and scientific society…”

PS – Indirectamente sobre este tema revisite-se também o post publicado no passado dia 25 de Abril do corrente ano e um outro (bastante mais explicito) de 19 de Novembro de 2019. 

A anarquia como estratégia de organização da ciência no século XXI

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/academia-portuguesa-necessita-de.html

Ainda na sequência do post anterior, onde se comentou o facto de um Professor catedrático na Universidade do Minho (também Membro Conselheiro da Ordem dos Engenheiros) ter escrito sobre a necessidade de um mínimo de rebeldia e caos como condição para o sucesso das organizações nos tempos que correm, é refrescante ler no recente post abaixo publicado na Times Higher Education, sobre a importância da anarquia na organização da ciência, desde logo pela simples razão que a ciência não é um exército, os cientistas não são soldados que marcham sempre da mesma maneira e de quem se espera que cumpram cegamente as ordens da hierarquia militar e ao contrário do que sucede no exército, os actos de rebeldia (leia-se o gérmen da inovação) devem ser estimulados e não reprimidos 

https://www.timeshighereducation.com/news/organised-anarchy-ucl-research-supremo-steering-science-giant