O milionário novo emprego de António Costa

https://expresso.pt/politica/2024-03-01-Antonio-Costa-e-o-futuro-na-arbitragem-em-que-consiste–E-uma-funcao-lucrativa–Quais-os-requisitos-para-se-ser-arbitro–584ac3a8?n=1

O semanário Expresso informou que a nova ocupação de António Costa será a justiça arbitral, vide artigo no link supra, infelizmente o referido artigo não informa que um dos padrinhos de António Costa, para aquele poder entrar na Associação da Justiça Arbitral, foi nada menos do que o famoso José Miguel Júdice, e mais importante do que isso o que é que a dita justiça arbitral tem andado a fazer a este país. 

Talvez no Expresso já não se lembrem da reportagem choque que em 2021 aquele mesmo semanário publicou com o título “O negócio milionário da justiça arbitral do Estado“,  onde se ficou a saber que o Estado Português anda a ser julgado em tribunais privados, que ocorrem “nos luxuosos escritórios das maiores sociedades de advogados” onde de forma regular tem vindo a ser condenado a pagar indemnizações milionárias, sendo que os honorários dos árbitros dos tribunais privados são da ordem de centenas de milhares de euros. Vide post que se tornou o campeão absoluto de visualizações do meu primeiro blogue https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/o-escandalo-milionario-na-justica.html

E em 2022 o mesmo semanário Expresso fez um outro artigo sobre a justiça arbitral onde se ficou a saber que por conta da dita houve um árbitro que ganhou milhões de euros

Haverá alguma diferença entre aquilo que vai fazer António Costa e aquilo que fez Durão Barroso na Goldman Sachs ? Recorde-se que António Costa, foi o mesmo que exerceu o cargo de Presidente da Câmara Muncipal de Lisboa, em exclusividade de funções, mas ao mesmo tempo recebia 7700 euros por mês da SIC, por conta da sua participação como comentador no programa Quadratura do Circulo, por conta do qual recebeu um total de 95.000 euros, um posicionamento ético radicalmente diferente da decisão do Ex-Presidente Ramalho Eanes quando decidiu prescindir de 1 milhão de euros de retroactivos a que tinha direito. 

PS – Sobre a milionária justiça arbitral, recordo que em 2011 já Marinho e Pinto afirmava publicamente que os tribunais arbitrais roubavam o Estado, mas mesmo que se admita que essa afirmação era exagerada (até porque juridicamente a tipificação de roubo exige o uso de violência), ainda assim é evidente que se os tribunais arbitrais apareceram para conseguirem obter sentenças de forma muito mais rápida dos que os tribunais comuns, é óbvio que aqueles (os do tal grupo poderoso que o catedrático Vital Moreira acusou de terem capturado o Estado) que conseguiram atrasar a justiça dos tribunais comuns (sendo que esses atrasos são 900% superiores aos da Alemanha), aprovando leis que permitem desde logo que os ricos possam submeter centenas de recursos, nunca farão nada que possa reduzir esses atrasos pois arriscavam-se assim a arruinar o argumento da lentidão da justiça, que é a única razão da existência dos (milionários) tribunais arbitrais.

Distinguished professor gives important advice to ambitious young researchers

In a compelling article published several months ago in the Journal of Informetrics, a distinguished professor from the universities of Sussex and Amsterdam unveiled the “formula” for maximizing the likelihood of winning a Nobel Prize in Economics. The insightful piece can be found at https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/12/how-to-win-nobel-prize-in-economics.html.

Recently, in another noteworthy article featured in Scientometrics, the same esteemed professor presented the findings of a new study focusing on 727 Nobel Prize winners across diverse scientific domains. Of particular interest is the valuable advice he imparts to ambitious young researchers, as revealed in the following advice:

“For aspiring young researchers, the takeaway is clear: seek out an outstanding mentor, preferably one who is a Nobel laureate, possesses strong prospects for winning, or boasts a robust Nobel lineage.” https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-024-04936-1#Sec11

Recognizing that not all researchers can secure mentors meeting the aforementioned criteria, I also offer an alternative suggestion. Young researchers may consider collaborating with scientists who fulfill a fourth condition—having their scientific work cited by Nobel Prize winners, as this pool is considerably larger. In the event, this proves challenging, another viable option is to look for scientists whose work has received a minimum number of citations from researchers affiliated with Stanford-MIT-Harvard, institutions associated with over 300 Nobel Prizes. This low-cost metric serves as a means to identify innovative research, as proposed in my 2021 post: https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/using-stanford-mit-harvard-citations-as.html.

PS – It is worth mentioning that the aforementioned professor failed once again to cite the study titled “Early coauthorship with top scientists predicts success in academic careers”

Catedrático ilustre dá conselho importante a jovens investigadores ambiciosos

Num interessante artigo publicado há vários meses atrás na revista Journal of informetrics, um ilustre catedrático das universidade de Sussex e de Amsterdam, divulgou a receita para maximizar a probabilidade de ganhar um Nobel de Economia https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/12/how-to-win-nobel-prize-in-economics.html

Agora num artigo publicado há poucas semanas na revista Scientometrics o mesmo catedrático mostra o resultado do seu novo estudo que incidiu sobre 727 prémios Nobel das várias áreas científicas. A parte interessante do artigo, é o valioso conselho, que em face dos resultados do estudo, ele dirige a jovens investigadores ambiciosos, que se reproduz: 

“For ambitious young researchers, the lesson is clear: Find an excellent mentor, preferably one who won the Nobel Prize, who has a good chance of winning one, or who has a strong Nobel descent.” 

Para os muitos jovens investigadores que não conseguirem arranjar orientadores (ou estabelecer colaborações com cientistas) que cumpram alguma das três condições acima mencionadas, dou eu (também) um conselho, que em alternativa aqueles, procurem cientistas que consigam preencher uma quarta condição, a da sua obra científica ter sido citada por vencedores de prémios Nobel, pois o número desses é muito maior. E se mesmo assim não o conseguirem sugiro então uma última condição, a de procurarem cientistas cuja obra tenha recebido um mínimo de citações de investigadores de Stanford-MITHarvard (instituições associadas a mais de 300 prémios Nobel), métrica (de baixo custo) para detectar investigação inovadora, que foi por mim proposta num post de 2021  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/using-stanford-mit-harvard-citations-as.html

Para conhecer o número de citações recebidas em publicações das instituições Stanford-MIT-Harvard, basta procurar na plataforma Scopus o perfil do investigador a analisar, clicar em “Cited by”, selecionar a opção “View list in search results format”, no menu vertical esquerdo entrar em “Country”, selecionar United States e clicar em “Limit to” e finalmente no menu vertical esquerdo entrar em “Affiliation”, selecionar “View all” e procurar o número das citações das instituições Stanford-MIT-Harvard.

PS – Tenho de criticar o referido catedrático por mais uma vez não ter citado o estudo de título Early coauthorship with top scientists predicts success in academic careers  

Chat GPT – Os 4 triliões de dólares de valor e o ranking dos países com mais publicações

https://www.economist.com/business/2024/02/29/how-businesses-are-actually-using-generative-ai

Sobre o artigo que hoje aparece na secção de tecnologia, da última edição da conhecida revista The Economist, link acima, onde se dá conta que desde o aparecimento do chat GPT-4, há aproximadamente um ano atrás, houve uma criação de valor de 4 triliões de dólares, é pertinente actualizar o ranking dos países com mais publicaçóes científicas sobre esta tecnologia revolucionária. 

De lá para cá e em apenas dois meses, foram produzidas quase 5000 novas publicações indexadas sobre a IA generativa, apresentando-se abaixo o novo rácio de publicações por milhão de habitantes dos 20 países com o maior rácio. No mesmo pode constatar-se que Singapura não quer largar a primeira posição e que a Suiça subiu para o segundo lugar. Quando a análise incide somente sobre a produção das instituições nacionais, constata-se que a Universidade do Minho, ainda continua a ser a universidade que mais consegue contribuir para o bom desempenho de Portugal no ranking infra. 

Singapore……………52 publicações por milhão de habitantes

Switzerland…………32

Ireland………………..30

New Zealand……….21

Australia……………..21 

UAE…………………..19 

Finland……………….18 

Netherlands…………18 

Sweden……………….16 

Austria………………..17

Denmark……………..17 

United Kingdom…..16 

Norway……………….16

Canada……………….13

United States……….11

Israel…………………..11

Greece………………..11

Belgium………………10

Germany……………..10

Portugal………………..9

Italy………………………8

Spain……………………8

Um improvável livro que está em vias de se tornar o mais citado de todas as áreas

Num post anterior divulguei em Junho de 2023 os livros (mais citados) indexados na Scopus, com afiliação Portuguesa produzidos na última década, para aquelas áreas científicas que tivessem produzido pelo menos 90 livros indexados. No final desse post foram apresentados os três campeões absolutos para todas as áreas, independentemente da sua produção:

1º lugar absoluto- Visible light communications: Theory and applications (UAveiro) 

2º lugar absoluto- An Introduction to Graphene Plasmonics (UMinho) 

3º lugar absoluto – Handbook of Alkali-Activated Cements, Mortars and Concretes (UMinho)

Uma análise agora efectuada ao padrão de citações desses três livros, mostra que as citações recebidas recentemente, desde 2022, são respectivamente 69 para o primeiro livro, 72 para o segundo, e 106 citações para o terceiro, o que mostra que esse livro tem todas as condições para poder ascender ao primeiro lugar. 

No contexto supra, recordo que os livros adquiriram nas últimos anos uma importância acrescida, pois a Ciência tornou-se refém de um dilúvio de publicações avulsas (e irrelevantes), havendo por isso necessidade de “parar” para analisar o que é que a Ciência efectivamente já produziu, condição fundamental para evitar que haja quem ande a perder tempo (e dinheiro) a tentar inventar a roda: “…science has become stifled by a publication deluge destabilizing the balance between production and consumption….” vide artigo “The memory of science: Inflation, myopia, and the knowledge network” Acresce a esta circunstância, o facto de Portugal padecer de um défice de produção de livros, pois quando se compara Portugal e o Reino Unido, descontadas as diferenças populacionais, isto é em termos de publicações por milhão de habitantes, chega-se à conclusão que aquele leva uma vantagem mínima de 2,2% para o universo de todas as publicações indexadas, mas essa diferença salta para 240% quando se analisam somente os livros indexados.  Note-se que a pequena Universidade de Oxford, sozinha, consegue produzir, a cada ano, mais livros indexados, do que todas as instituições de ensino superior Portuguesas juntas.

Catedrática da Universidade de Utrecht defende limite ético de riqueza de 10 milhões de euros

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/can-190-million-usd-threshold-be.html

Num post de 18 de dezembro de 2019 (link acima), defendi um limite de riqueza individual de 190 milhões de dólares, que se obtinha multiplicando por 10.000 o valor do PIB/capita a nível mundial. Para minha surpresa, Ingrid Robeyns, catedrática de Ética da Universidade de Utrecht, acaba de propor um limite bastante mais baixo num livro publicado recentemente https://www.amazon.com/Limitarianism-Case-Against-Extreme-Wealth/dp/1662601840

Ela propõe um limite máximo de riqueza individual absoluto de 10 milhões de euros, e a sua argumentação que liga a riqueza excessiva a ameaças à democracia e à colisão com princípios da justiça climática, foi submetida a escrutínio num debate organizado pela conhecida London School of Economics https://www.lse.ac.uk/Events/2024/01/202401311830AUD/wealth

PS – Sobre a forma como os super-ricos andam a dar cabo deste Planeta vale a pena revisitar um post anterior de Janeiro de 2023, onde foi mencionada uma proposta do catedrático Thomas Piketty no sentido de criar impostos extraordinários sobre os super-ricos, cuja receita reverteria directamente para as pessoas com rendimentos baixos e médios.

The Ethics of Extreme Wealth: Utrecht University’s 10-Million-Euro Hypothesis

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/can-190-million-usd-threshold-be.html

In a blog post (link above) dated December 18, 2019, I advocated for an individual wealth cap of 190 million USD, a figure equivalent to 10,000 times the annual world GDP per capita. At the time, this seemed like a bold yet reasonable proposal. However, to my surprise, Ingrid Robeyns, Professor of Ethics at Utrecht University, has recently put forward an even more stringent limit in her newly published book, Limitarianism: The Case Against Extreme Wealth. ‘Limitarianism: The Case Against Extreme Wealth,’. 

She suggests a maximum political accumulation of 10 million euros and, on a personal ethical level, she proposes an even lower limit of 1 million euros. This proposition is grounded in the belief that excessive wealth poses threats to democracy and conflicts with the principles of climate justice. The viability of this thesis was subjected to scrutiny in a lively debate hosted by the London School of Economics https://www.lse.ac.uk/Events/2024/01/202401311830AUD/wealth

The study on the quality of graduates from 48 countries and the rebellion hypothesis

Still following the previous post titled “Scientific Rebellion: The Moral Imperative for Innovation Resurgence and Safeguard Our Planet“ I invite you to explore a recent post on the blog of the prestigious London School of Economics- LSE (an institution that proudly boasts 18 Nobel Prize winners among its professors and alumni) unveiling a comprehensive study that has evaluated the quality of graduates from 2,873 universities spanning 48 countries around the world. https://blogs.lse.ac.uk/businessreview/2024/02/21/in-the-global-race-for-talent-graduates-from-high-ranked-universities-come-out-on-top/

The findings suggest that graduates from top-tier universities exhibit a significantly higher inclination toward entrepreneurial endeavors.  Given this context, a pertinent question arises: Do the best universities harbor a greater number of rebellious professors ?

O estudo sobre a qualidade dos diplomados de 48 países e a hipótese da rebeldia

Num post do mês passado, divulguei algumas declarações de um catedrático de engenharia da universidade do Porto, (nada modesto e até saudavelmente rebelde atenta a forma feroz como publicamente criticou a estratégia “mineradora” deste Governo)  relativamente à elevada capacidade do seu grupo de investigação para fomentar a criação de empresas tecnológicas  lideradas pelos seus antigos alunos, que são essenciais para o crescimento económico do nosso “pobre” país.

Nessa sequência é pertinente referir que há poucos dias atrás foi colocado um post no blog da prestigiada London School of Economics- LSE (uma instituição nada modesta que na sua página se vangloria de ter 18 prémios Nobel entre professores e antigos alunos) que divulgou um estudo recente sobre qualidade dos diplomados de 2873 universidades distribuídas por 48 países, estudo esse que concluiu que os diplomados saídos das melhores universidades mostram uma predisposição muito maior para criarem empresas  https://blogs.lse.ac.uk/businessreview/2024/02/21/in-the-global-race-for-talent-graduates-from-high-ranked-universities-come-out-on-top/

No contexto supra faz sentido perguntar, será que as melhores universidades deste Planeta são também aquelas que possuem um maior número de professores rebeldes ?

PS – Sobre a referida hipótese revisite-se o post “O imperativo e urgente dever moral de fomentar a rebeldia científica” 

A adiada criminalização do enriquecimento ilícito e os juízes preguiçosos

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/first-unexplained-wealth-order-in.html

Foi no feriado do dia 1-11-2019, que pela primeira vez mencionei num post do meu primeiro blogue (acessível no link acima) a nova ferramenta jurídica Britânica para esvaziar os bolsos dos burlões, vigaristas e corruptos, designada por “Unexplained Wealth Orders“. 

Depois disso voltei a fazê-lo várias vezes, como por exemplo em Outubro de 2020 citando um artigo da prestigiada revista The Economist onde se ficava a saber sobre o caso de um refinado malandro, que não conseguiu explicar de onde lhe veio a gorda fortuna imobiliária e por conta das  “Unexplained Wealth Orders” não teve outro remédio senão entregar às autoridades Britânicas, 45 propriedades no valor de 12.9 milhões de libras. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/a-nova-ferramenta-juridica-britanica.html

Porém e apesar de Portugal ser desgraçadamente um país fértil em malandros que ficam ricos do dia para a noite, sendo que muitos deles se dedicam à politica, vide post de título “Presidente do sindicato dos juízes escreve sobre os que enriqueceram na política e se andam a rir de todos nós” nunca li nada na imprensa Portuguesa a respeito dessa eficaz ferramenta jurídica Britânica.

Eis porém que esta Sexta-Feira, o semanário Expresso publicou um artigo da nada meiga constitucionalista Teresa Violante, onde (finalmente) aquela escreve sobre a criminalização do enriquecimento ilícito e menciona as tais Unexplained Wealth Orders. Como se costuma dizer mais vale tarde do que nunca. Resta agora saber quantos anos faltarão para que Portugal consiga aprovar uma lei que consiga produzir os mesmas resultados da tal ferramenta jurídica Britânica ?

Pessoalmente não tenho grandes esperanças na aprovação dessa lei, pois como escrevi recentemente “leis que permitiriam tornar a justiça eficaz e dissuasória nunca serão aprovadas pelo Parlamento Português, pela mesma razão que aquele também nunca aprovou uma lei contra o enriquecimento ilícito, porque o nosso país tem um sistema de justiça (Romano-Germânico) que favorece a epidemia de corrupção (que há muito nos empobrece) ao mesmo tempo que vai enchendo o bolso aos catedráticos de Direito”

É claro que também pode suceder que eu esteja a ser muito pessimista e que haja um milagre e um futuro Governo decida aprovar, não só essa lei, como também uma outra, não menos necessária, sobre a delação premiada, o que a suceder nos aproximaria da Suécia, vide post scriptum do post  anterior.

PS – A supracitada constitucionalista (e também investigadora), Teresa Violante, é a mesma que num artigo do jornal Público apelidou de preguiçosos os juízes do Tribunal Constitucional