Top full professors teach how to draft a research proposal for the ERC million-euro grants

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/the-european-research-council-and.html

As a continuation of my previous post, “Grant Winners Are More Than Four Times More Likely to Become Associate or Full Professors,” (linked above) I am sharing a 20-page Synergy grant application (link below) that may be of interest to those involved in academic research and funding. The document is especially notable due to the profile of its authors: three established full professors from universities in Sweden, the Netherlands, and Germany. Their Scopus h-indices—73, 85, and 110—serve as strong indicators of their sustained scholarly influence and the high level of expertise informing the proposal. 

https://indico.uu.se/event/1592/sessions/998/attachments/1628/2440/B2.pdf

Uma proposta de melhoria inequívoca do rigor da qualificação catedrática

“…Mais valia por isso que não perdessem tempo com esses vergonhosos pseudoconcursos e nomeassem logo os tais candidatos, com mais de 10 anos, na categoria superior, como foi feito há algumas dezenas de anos atrás com os famosos catedráticos decretinos” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/ensino-superiorconcursos-revelia-da-lei.html

O trecho supra foi retirado de um post de Outubro de 2019, e nele se faz referência a professores que transitaram para o lugar de catedrático por decreto. Quem o recordou em 2018, foi um corajoso catedrático de engenharia da universidade de Lisboa, num texto de titulo “Os bolseiros e os seus donos“, que na altura me foi enviado por um Catedrático do Técnico, que divulguei por milhares de Colegas e o qual ainda hoje está acessível no link  https://www.docdroid.net/k7CnX4E/bolseiros-e-os-seus-donos.pdf

Pessoalmente acho que a designação “catedráticos decretinos” não só é nitidamente maliciosa como ainda por cima se presta a enorme confusão, desde logo porque entre os tais catedráticos nomeados por decreto, há muitos com um currículo muitíssimo superior, aqueles outros que chegaram a catedráticos em concursos correntes (na esmagadora maioria com jurados amigos). Faz por isso todo o sentido perguntar, que valor tem o facto de alguém chegar a catedrático, através de um concurso que respeitou a 100% toda a legislação aplicável, se essa pessoa possui afinal um h-index=0?

Assim, a presente proposta, passa por acompanhar sempre a palavra catedrático, do valor do seu h-index Scopus, à data do provimento nesse lugar, independentemente de isso ter acontecido por concurso público ou por decreto, o que permite alcançar aquilo que realmente interessa, distinguir, aqueles possuidores de uma obra científica de elevado valor, dos outros com uma obra científica inexistente ou irrelevante, os tais que a ciência já mostrou devem ser evitados, a todo o custo, por jovens investigadores e também por aspirantes a essa carreira, sob pena de comprometerem essa carreira de forma irreversível.

PS – É claro que até isso ocorrer, o que obviamente será no dia de S.Nunca, esses catedráticos (de h-index nulo ou quase nulo) serão denominados à boca pequena por outros termos, inequivocamente jocosos, como CatedráNicos ou CatedráXicos. 

Professores catedráticos de topo ensinam a redigir uma proposta de investigação ao concurso de bolsas milionárias da ERC

Em 2021 manifestei a minha surpresa pelo facto de Portugal submeter anualmente um número muito reduzido de candidaturas ás bolsas milionárias do European Research Council, num post onde então comparei o fraco desempenho do nosso país com o desempenho da Suécia, da Suiça, da Finlândia e da Holanda. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/02/sera-que-os-investigadores-portugueses.html

Neste contexto aproveito o presente post para divulgar um link relativo a um interessante ficheiro com 20 pags, contendo uma candidatura às bolsas Synergy. A referida candidatura é especialmente valiosa, pelo facto de envolver três professores catedráticos, de universidades da Suécia, da Holanda e da Alemanha, todos eles titulares de elevados valores de h-index na base Scopus, respectivamente, 73, 85 e 110 https://indico.uu.se/event/1592/sessions/998/attachments/1628/2440/B2.pdf

Declaração de interesses – Há vários anos atrás, mais precisamente num post de Novembro de 2019, sugeri que os candidatos ao título de Agregado deveriam ser obrigados a respeitar um requisito básico: “o de terem submetido uma candidatura às bolsas milionárias do European Research Council, sendo rejeitados todos aqueles, cuja candidatura não tivesse recebido pelo menos 3 notações de Excelente ou 5 notações de Muito Bom. Como é evidente as universidades “menos exigentes” poderiam satisfazer-se apenas com uma única notação de Excelente…”

PS – E será que não seria importante saber, quantos catedráticos da Academia Portuguesa nunca submeteram uma única candidatura aos concursos de bolsas milionárias do ERC ?

Egoísmo e Ignorância: Estudo internacional revela como é que Portugal se compara com a Austrália, a França e a Espanha

No passado mês de Março do corrente ano, divulguei um estudo, no qual participaram cientistas de universidades de 15 países, incluindo dos EUA, Reino Unido e Alemanha, os quais propuseram três linhas estratégicas de combate ás alterações climáticas, sendo que a primeira, delas passa por uma “transição gradual para uma dieta à base de plantas e a eliminação progressiva da pecuária industrializada”. 

No referido contexto aproveito para divulgar um outro estudo, muito mais recente, levado a cabo por investigadores Espanhóis e Australianos, que foi publicado no passado mês de Junho na revista científica Food, Culture and Society.

Nesse estudo, foram analisados os comportamentos de quatro países, Austrália, França, Espanha e Portugal, entre 2004 e 2023, relativamente à forma como as populações daqueles países mostram maior ou menor apetência pela procura de informações online sobre uma alimentação à base de plantas. O estudo em causa mostra, vide fig. 1, que Portugal fica abaixo da Austrália, mas ainda assim acima da Espanha e da França, em termos de revelar um interesse superior pela referida dieta.  https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/15528014.2024.2351661#abstract

Declaração de interesses – Declaro que tenho um interesse particular no tema supra, pelo menos desde há quase uma década e meia, que posteriormente se traduziu em dezenas de posts, dos quais seleciono apenas três, um de 2019, outro de 2020, e um outro de 2022. 

PS – Quem não se pode dar ao luxo de ficar apenas pela pesquisa desse tipo de alimentação, são os membros da Academia, que tem especiais responsabilidades na adopção de comportamentos que minimizem as suas emissões de carbono

Universidade de Aarhus – Como reverter o declínio da inovação na investigação ?

Dando continuidade ao meu post anterior de 2 de Fevereiro, sobre a criatividade e as estratégias para inverter o declínio da inovação científica, aproveito para divulgar um recente artigo de investigadores da Universidade de Aarhus (Top 80 no ranking de Shanghai), o qual investiga os principais conceitos, antecedentes e implicações da criatividade na investigação. 

É porém lamentável que os autores não tenham citado o livro “Creativity in Science: Chance, Logic, Genius, and Zeitgeist“, do Dean Simonton (membro do restrito grupo dos Scopus Highly Cited Scientists, h-index=56), livro esse que, não certamente por acaso, divulguei há dois anos atrás e que entretanto já conta com quase 500 citações na Scopus. O livro do Simonton desafia a noção simplista de que o progresso científico é impulsionado exclusivamente pela lógica ou pelo génio individual. Nele se defende a tese que a criatividade na ciência é moldada pela interação do acaso, pela lógica, pelo brilhantismo pessoal e também pelo contexto cultural. 

Para compensar a referida omissão é salutar encontrar, entre as obras referenciadas no tal estudo dos investigadores da Universidade de Aarhus, um interessante artigo altamente citado, com coautoria de Christoph Riedl, das conhecidas Univ Northeastern e Univ de Harvard, intitulado Looking Across and Looking Beyond the Knowledge Frontier: Intellectual Distance, Novelty, and Resource Allocation in Science. 

Há 50 anos a desiludir os Portugueses

Por cada ano que passa sem que a ciência Portuguesa consiga ganhar um prémio Nobel é mais um ano de pura desilusão, quase de vergonha, e entretanto já lá vão 50 anos desde que Portugal se tornou uma democracia, e as áreas responsáveis por essa profunda desilusão nacional são a Física, a Química, a Medicina e a Economia. 

Desgraçadamente, não há actualmente em Portugal, um único cientista dessas áreas, com uma obra científica que tenha recebido dezenas de milhares de citações, que lhe permitisse a entrada no clube (Citation Laureates) dos prováveis vencedores de um prémio Nobel, onde aparece o nome de várias centenas e onde consta o nome de sete dezenas que receberam o prémio Nobel. Note-se que no próximo dia 19 de Setembro a Clarivate Analytics irá revelar quem são os cientistas que este ano passam a integrar esse clube de cientistas notáveis.

Quando se olha para o ranking mundial de cientistas elaborado por investigadores da universidade de Stanford, o único a nível mundial que é capaz de cumprir três requisitos fundamentais, constata-se que entre os 10 (dez) investigadores Portugueses melhor posicionados, que trabalham em universidades Portuguesas, 7 (sete) pertencem à Engenharia, há dois de Medicina, e um de Física, Nuno Peres, catedrático da Universidade do Minho.

PS – Muito pior do que isso, nenhuma das referidas áreas, da Física, da Química, da Medicina e da Economia, consegue sequer integrar o Top 100 do conhecido ranking Shanghai por áreas, como felizmente sucede com várias outras, como por exemplo a área da Engenharia Civil. https://www.docdroid.net/KfZvpEt/2023-shanghai-ranking-tabela-top-500-pdf

Governo Russo ajuda a concretizar as previsões de um investigador Português

No passado mês de Maio, escrevi que a Rússia caminhava a passos largos para ser ultrapassada por Portugal, em 2025, no número de publicações cientificas indexadas. E no final desse post previ até, que no final desse fatídico caminho, estava a elevada hipótese da Rússia poder retornar ao final da década de 90, quando o salário dos professores daquele país eram pagos com garrafas de vodka. Uma hipótese que poderia (ou não) vir a revelar-se excessivamente pessimista. 

Eis senão quando, revela hoje a conhecida revista Science, que o Governo do Sr. Putin, apesar da queda da produção científica já em curso, decidiu ainda cortar, de forma radical, as verbas para a ciência, nos próximos dois anos, o que bem vistas as coisas ajudará bastante à concretização da minha previsão  https://www.science.org/content/article/russia-set-cut-research-spending-25  Para se ter uma ideia daquilo que passará a ser o miserável investimento público em ciência, uma ponderação dos valores referidos nesse artigo, face à população daquele país mostra que o investimento por pessoa passará a ser 41 euros em 2025 e 37 euros em 2026.  Comparem-se esses valores, com os quase 800 euros/pessoa da Suiça, os 700 euros/pessoa da Noruega, os 500 euros/pessoa da Suécia ou os 400 euros/pessoa da Finlândia. 

Pela parte que me diz respeito, tenho de agradecer ao Governo Russo na pessoa do Sr. Putin, a inesperada ajuda, para a concretização da minha referida previsão. Agradeço também ao Sr. Putin, a generosa ajuda que ele agora decidiu dar a muitos outros países, que assim irão poder contratar excelentes investigadores Russos, que serão obrigados a abandonar aquele país. Infelizmente, entre esses países não estará Portugal, que não tem (e nunca teve) estratégia alguma para atrair talentos estrangeiros, pois nem sequer consegue reter os talentos nacionais, como o prova do factos dos cientistas Portugueses mais credenciados estarem todos a trabalhar em universidades estrangeiras, o António Damásio, o João Hespanha, o Pedro Domingos, o Miguel B. Araújo, o Caetano Reis e Sousa  https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/10/october-2023-update-of-stanford.html

PS – Como não há regra sem excepção, também na Academia Portuguesa, há alguns (poucos) investigadores excepcionais, que só não estão a trabalhar em universidades estrangeiras, simplesmente porque não querem, pois aquilo que os atrai não é um vencimento mensal bastante elevado, como sucede por exemplo com este catedrático.

O contributo de investigadores da Noruega para ajudar os investigadores Portugueses

Sobre o post anterior no qual critiquei a horrenda burocracia que existe na ciência Portuguesa, o mesmo post onde lembrei boas práticas levadas a efeito na França e na Alemanha, aproveito agora para divulgar um artigo de investigadores da Noruega, que mostra ser possível reduzir em quase 40% o tempo que os investigadores perdem com a preparação de candidaturas de projectos de investigação. 

Recordo que nas candidaturas de projectos de investigação em Portugal são submetidas quase 2000 candidaturas, representando um total de mais de 2 milhões de horas de trabalho, pelo que uma poupança de 40% desse tempo representa algo muito substancial, que só por negligente teimosia haverá quem não queira aproveitar. No presente contexto vale a pena questionar,  qual será a magna razão porque o sistema científico ineficiente de países pobres, como Portugal, resistem tão teimosamente a copiar as boas práticas levadas a efeito pelos sistemas científicos eficientes de países ricos ? Será que essa ineficiência interessa á tal “mediocridade instalada“, de que falou o investigador Prémio Pessoa 2018 ?

PS – Sobre o efeito contraproducente dos projectos na redução da serendipidade, ocorrência de importantes descobertas por puro acaso, recorde-se o artigo publicado há dois anos atrás na revista científica Higher Education, que divulguei nessa altura e sobre métodos eficientes de financiamento da ciência, para maximizar o impacto, vale a pena recordar o artigo publicado na edição ‘The World Ahead 2024‘ da conhecida revista The Economist.” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/the-economist-world-ahead-2024what-is.html

Boosting Efficiency in Research Funding: New Insights from Norway

Authored by a team of researchers from Norway, the study reveals that a two-stage evaluation process—starting with a short proposal—reduces the time spent by both applicants (by 38%) and reviewers (by 28%). Moreover, this approach improves the reliability and consistency of proposal evaluations, indicating that it can boost efficiency without sacrificing review quality. https://academic.oup.com/rev/advance-article/doi/10.1093/reseval/rvae020/7674904

In this context, it’s worth noting the paper “Talent vs Luck: The Role of Randomness in Success and Failure,” which argues that to better reward talent and boost success, it’s more effective to distribute equal, modest amounts of capital to everyone periodically rather than giving larger sums to a small, already successful group. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/new-study-suggest-that-prestigious.html

PS – On the counterproductive effect of research projects in reducing serendipity in science, it’s worth recalling the article published two years ago in Higher Education. Additionally, when considering efficient methods for financing scientific endeavors to achieve maximum impact, it’s worth recalling the article published in The Economist’s ‘The World Ahead 2024‘ edition.” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/11/the-economist-world-ahead-2024what-is.html

O péssimo trabalho da imprensa a esconder a incompetência de algumas universidades

No passado dia 15 de Agosto, quando se ficou a conhecer os maus resultados de algumas universidades Portuguesas no prestigiado no ranking Shanghai, onde Portugal agora já só tem três universidades entre as 500 melhores e onde uma rica universidade Lisboeta, mais uma vez se afundou estando agora abaixo de várias universidades de países de terceiro mundo, a imprensa Portuguesa, não cumpriu o seu dever de procurar saber junto dos responsáveis universitários as causas e os culpados desse péssimo resultado.

Em vez disso, hoje, o jovem jornalista Tiago Ramalho do jornal Público, optou por fazer algo absolutamente impensável (pelo menos para mim), tentar descredibilizar os rankings universitários. E se de facto há rankings da pura treta, que eu denunciei repetidamente, porque se baseiam em critérios da treta, mas que ironicamente até foram promovidos pelo mesmo jornal onde trabalha o referido jornalista https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/06/jornal-publico-volta-dar-destaque-um.html há porém outros como o referido ranking Shanghai, que são rigorosos e respeitados e é por isso que esse é o único ranking que aparece num documento da Comissão Europeia sobre a excelência na investigação. https://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/STUD/2019/631062/IPOL_STU%282019%29631062_EN.pdf  Infelizmente a lamentável peça jornalística, optou por juntar tudo no mesmo saco, misturando alhos, com bugalhos, assim contribuindo, muito oportunamente, para esconder o mau desempenho de algumas universidades Portuguesas.

Eu, assinante do jornal Público, há vários, que pago para ler artigos rigorosos não fiquei nada contente em saber que paguei para ler aquela pouco rigorosa peça jornalística. A única parte positiva da mesma é quando recorda o conteúdo do  estudo “Do Made in ao Created in — Um Novo Paradigma para a Economia Portuguesa“, coordenado por um professor da Universidade do Minho, Fernando Alexandre, o novo ministro da Educação, Ciência e Inovação, onde está inscrita uma proposta para  criar contratos entre o ministério e as universidades, tendo como objectivo para até 2030 ter “pelo menos uma universidade entre as 100 melhores do mundo e cinco áreas científicas entre as 75 melhores do mundo no ranking de Xangai” https://ffms.pt/pt-pt/estudos/do-made-ao-created-um-novo-paradigma-para-economia-portuguesa 

Porém o jornalista Tiago Ramalho mostrou que não sabe, porque nada disse sobre isso, que o segundo objectivo já é cumprido actualmente, vide quatro síntese, já o primeiro objectivo, nunca foi, não é, e garantidamente nunca será cumprido, nem que Cristo desça à terra, pela simples razão que há até mesmo nas melhores universidades Portuguesas, várias áreas cientificas, nada, absolutamente nada competitivas. E esse problema não se resolve simplesmente com mais dinheiro, mas com uma exigência muito superior na contratação de professores, exactamente como decidiu fazer a Itália, há vários anos atrás.  

Faço notar que a inexistência nas universidades Portuguesas, de uma qualificação cientifica mínima, como aquela que existe em Itália, é especialmente prejudicial para o futuro dos jovens investigadores, que forem Orientados por professores com uma obra científica irrelevante, como o prova o estudo publicado em 14 de Agosto que foi divulgado aqui. 

PS – Uma prova inequívoca do péssimo resultado de várias universidades Portuguesas no referido ranking, pode também aferir-se pela ausência de comentários do Ministro Educação, Ciência e Inovação sobre esse resultado, um posicionamento muito diferente do Ministro Francês do Ensino Superior, que afirmou que os resultados das universidades Francesas no ranking Shanghai constituem um motivo de orgulho para a França “This year’s ranking is excellent for us…it is a source of pride“ https://www.campusfrance.org/en/actu/classement-de-shanghai-2024-une-fierte-pour-la-france