Na sequência do relatório que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, solicitou ao antigo primeiro-ministro, Enrico Letta, que entretanto passou a dirigir o Instituto Jacques Delors, no sentido de fazer um diagnóstico sobre o estado do mercado único europeu, incluindo a elaboração de recomendações para recuperar a competitividade da economia europeia, o qual divulguei em 19 de Maio, faz todo o sentido agora comentar telegráficamente o Relatório Draghi, hoje divulgado, que também incide sobre a competitividade da economia europeia, Vide artigo no jornal Público, onde se fica saber que a Europa terá de investir um valor adicional de mais de 800.000 milhões de euros por ano, com destaque para três áreas de intervenção prioritárias.
1ª – inovação.
2ª – “todas as políticas têm de estar sintonizadas com os objectivos climáticos”.
3ª – redução das dependências, sejam económicas…de segurança e geopolíticas
Sobre a primeira, que não por acaso, também foi bastante mencionada no supracitado relatório do Enrico Letta, já sabemos como está a situação de Portugal, o desgraçado país que há poucos anos sofreu um violento trambolhão no ranking europeu da inovação, o mesmo país cujo o anterior Governo preferiu meter mais de 3000 milhões de euros na TAP, deixando um buraco de 100 milhões de euros na FCT.
Aquilo porém a que o artigo do jornal Público não fez qualquer referência, foi ao facto do relatório Draghi mencionar várias vezes as palavras “red tape“, o que significa que o referido relatório apela a um corte bastante substancial na burocracia. Mas também aqui a situação de Portugal é péssima, pelo menos na área da ciência, como se pode perceber através de vários posts que publiquei, como por exemplo os dois abaixo:
24 de Abril – Os truques e subterfúgios da FCT que infernizam a vida aos investigadores
26 de Julho – Sobre Ciência_A estupidez Portuguesa, a inteligência Alemã, o bom senso Francês e o princípio da confiança
Curiosamente na página 241 do Relatório Draghi (Parte B-Politicas Sectoriais) é afirmado que na Europa os investigadores não tem incentivos para criarem empresas geradoras de riqueza. É uma afirmação genericamente verdadeira, porém muito mais nuns países do que noutros, é desde logo especialmente verdadeira em Portugal, vide post de 8 de Agosto de 2021, com o sugestivo título “Quanto é que Portugal perde com um sistema (comunista a todos os títulos) que premeia a inércia e incentiva a preguiça ?”
PS – Sobre a criação de empresas, revisite-se o post de 26 de Fevereiro, onde foi divulgado um estudo que concluiu que os diplomados saídos das melhores universidades, mostram uma predisposição muito maior para criarem empresas.