As patentes que são apenas lixo intelectual, as patentes que valem biliões e o improvável campeão mundial das patentes

Um artigo publicado na conhecida revista The Economist começava da seguinte forma: “É uma prova da inventividade humana que 50 milhões de patentes tenham sido concedidas a nível mundial. Mas, em conjunto, a maior parte assemelha-se a lixo intelectual. Nele se podem encontrar  ideias plausíveis pelas quais no entanto nenhuma empresa jamais quis pagar um cêntimo que fosse, ideias plausíveis falhadas e até ideias absurdas…Reduza a lista somente aquelas com um módico de racionalidade e legalmente em vigor, através do pagamento da taxa necessária para as manter vivas e sobram somente 16 milhões…” https://www.economist.com/business/2021/12/04/a-new-way-of-understanding-the-high-but-elusive-worth-of-intellectual-property

O referido artigo analisou as tentativas falhadas para estimar o valor de uma patente até que chega ao caso da startup PatentVector, que utiliza um método (já patenteado e comprado por diversas empresas e instituições) baseado em citações de patentes. De acordo com a PatentVector, a empresa fabricante de dispositivos médicos Ethicon (que é uma subsidiária da Johnson & Johnson) detém 95 das 200 patentes mais valiosas do mundo, sendo que aquelas que levam o nome do Frederick Shelton se estima valerem 15 biliões de dólares. O inventor mais valioso do Planeta. O artigo refere ainda que a PatentVector encontrou mais 65 inventores, que pertencem ao clube das patentes avaliadas num valor superior a 1 bilião de dólares. 

PS – E porque será que o referido Frederick Shelton é muito menos conhecido do que o Ronaldo (e até menos conhecido do que jogadores de segunda e terceira linha) se aquilo que ele faz é muito mais importante ? Será que é porque na nossa civilização se faz a apologia da ignorância ? https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/attenborough-versus-ronaldo-or.html

The Economist – Millions of patents that are just intellectual junk and the 65 inventors whose patents are worth billions

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/new-evidence-shows-that-abolishment-of.html

Still following a previous post about the tragic consequences of the abolishment of the professor’s privilege check an article published in The Economist that began as follows:

“It is testament to human inventiveness that 50m patents are estimated to have been granted globally. But in aggregate much of the collection resembles an intellectual junkyard. Included are plausible ideas that no firm ever wanted to pay for, plausible ideas that fell short, and absurdities…Pare the list to those that are both sensible and in force legally, meaning a fee is paid to a patent office to keep them alive, and there are 16m patents that count...” https://www.economist.com/business/2021/12/04/a-new-way-of-understanding-the-high-but-elusive-worth-of-intellectual-property

This article in The Economist analyzed the failed attempts to estimate the value of a patent until PatentVector came along. This startup uses a method (already patented and purchased by several companies and institutions) based on patent citations. The aforementioned startup “…uses artificial intelligence to comb through 132 million patent documents held by the European Patent Office in Munich (the largest collection in the world). Then, it assesses, on the one hand, the frequency with which a patent is cited and, on the other hand, the frequency with which it is cited by patents themselves frequently cited. This gives an indication of importance which is then multiplied by an average patent value”.

According to PatentVector, medical device maker Ethicon (which is a subsidiary of Johnson & Johnson) holds 95 of the 200 most valuable patents in the world. Among these, those attributed to the eccentric Frederick Shelton are estimated to have a collective value of US$15 billion. The report further highlights that PatentVector has identified an additional 65 inventors who are part of the exclusive group of patent holders with inventions valued at over 1 billion dollars.

PS – Why is the aforementioned Frederick Shelton much less known than Ronaldo (and even less known than second and third-line soccer players) if what he does is much more important? Is it because our civilization promotes the cult of ignorance? https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/attenborough-versus-ronaldo-or.html

O acesso ao ensino superior e uma imperdível e crucial vantagem competitiva

Se não é fácil saber quais as universidades onde abundam os catedráticos com uma obra científica muito pouco citada, vide lista incompleta onde aparecem quase 60, então em alternativa, os estudantes que agora se candidatam ao ensino superior, podem optar por dar preferência às universidades onde haja mais investigadores altamente citados, para assim poderem vir a beneficiar de uma eventual e futura associação com os mesmos, que a ciência já demonstrou ser crucial para o sucesso de uma carreira científica 

Sabendo-se que o único ranking internacional decente de investigadores (o único que cumpre três condições fundamentais, a da desambiguação, a da remoção de auto-citações e da utilização da contagem fraccionada) é este aqui  https://tecnico.ulisboa.pt/pt/noticias/mais-de-uma-centena-de-investigadores-do-tecnico-no-top-mundial/ então reproduzem-se abaixo os links para os dois ficheiros mencionados na noticia supra, o ficheiro sobre o impacto ao longo da carreira e o ficheiro sobre o impacto no último ano: 

Ficheiro – Impacto na carreira – https://www.docdroid.net/OTOBCto/ficheiro-carreira-pdf

Ficheiro – Impacto no último ano – https://www.docdroid.net/orhhLYA/ficheiro-ultimo-ano-pdf

Nos mesmos é notório que há várias universidades que possuem largas dezenas de investigadores altamente citados, mas é também evidente que há muitas instituições de ensino superior que não possuem sequer um único.  As primeiras localizam-se, sem surpresa, na sua esmagadora maioria no Litoral do nosso país, razão pela qual há 2 anos atrás fiz duas propostas para tentar reduzir essa grave assimetria científica. 

PS – Também sem surpresa se fica a saber que aquele Politécnico que recentemente e de forma totalmente injustificada (mas bastante descarada) se auto-intitulou como sendo um dos melhores Politécnicos de Portugal tem afinal zero professores e ou investigadores altamente citados. O que basicamente significa que não consegue estar à altura de vários Politécnicos, como o do Porto, o de Bragança, o de Coimbra, o de Viseu, o de Setúbal, o de Viana de Castelo ou o de Portalegre. 

Porcos, prepotentes e canalhas

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/07/ppps-porcos-politicos-psicopatas.html

Ainda na sequência do post acima, sobre alguns porcos deste país, e tendo em conta que como na Finlândia, os ricos daquele país Nórdico, são obrigados a pagar multas de trânsito muitíssimo mais altas do que aqueles que auferem menores salários, faz sentido perguntar se o facto de em Portugal isso não acontecer e as multas por excesso de velocidade, terem sido concebidas de forma absolutamente prepotente por deputados canalhas, para não causarem grave incómodo aqueles que mais ganham (ao contrário do que acontece na Finlândia em que um individuo de nome Anssi Vanjoki, que auferiu 19 milhões teve de pagar uma multa de trânsito de 116.000 euros, o que corresponde a 0.6% do rendimento anual e também na Suiça onde condutores ricos pagaram multas de dezenas de milhares de euros), se isso não é uma forma de descriminar e até utilizar a lei para perseguir os Portugueses que auferem menores salários ?  

Tenha-se presente que em Portugal a coima máxima, para quem for apanhado a circular 40 km/h acima do limite dentro de localidades, corresponde a quase dois salários mínimos, o equivalente a 6% do rendimento anual, de quem ganhe o ordenado mínimo (que é o que recebem nada menos do que 1 milhão de Portugueses). Porém se estivermos a falar de qualquer um dos banqueiros Portugueses (ou aqueles outros milionários que existem em Portugal), a referida coima máxima representa apenas 0.06% do seu rendimento anual, uma percentagem que é 100 vezes inferior à percentagem paga por quem recebe o salário minimo. Por outras palavras isso representa uma espécie de perdão automático, de largas dezenas de milhares de euros, sempre que um banqueiro ou qualquer outro milionário Português (mesmo daqueles que pagam menos impostos do que professores universitários e investigadores) é apanhado a infringir o Código da Estrada, que o mesmo é dizer que existe no nosso país uma inadmissível e afrontosa consagração da desigualdade de tratamento perante a lei.

PS – A referência que foi feita no texto acima aos senhores banqueiros não aconteceu por mero acaso e serve para agora poder chamar à colação um interessante artigo que na última Sexta-Feita foi publicado na revista do Expresso, e no qual se analisou o histórico das malfeitorias dos banqueiros Portugueses e onde por exemplo se ficou a saber que a famosa fraude do Alves dos Reis, representaria aos dias de hoje um valor a rondar 100 milhões de euros, o que é bem vistas as coisas e muito irónicamente um valor muito inferior aos quase 22000 milhões de euros que os senhores banqueiros fizeram desaparecer entre 2008 e 2020. É quase como se nesse período tivesse havido duas centenas de Alves dos Reis à solta em Portugal.

Transformar um péssimo resultado obtido num ranking da treta num auto-elogio que merece o Óscar da falta de vergonha

Já se sabia que neste país, talvez para não destoar do optimismo radical e não raras vezes alucinado dos membros deste Governo (que até conseguem o milagre de descobrir aspectos positivos em desgraças, como foi a desgraça do incêndio no Parque Natural da Serra da Estrela) havia jornalistas que evitavam olhar para os aspectos negativos da classificação de universidades Portuguesas em rankings de elevado prestigio, o que eu não sabia era que até havia jornalistas que acriticamente (e de modo quase acéfalo) se limitavam a fazer copy/paste de comunicados de instituições de ensino superior (de cujo Conselho Geral faz parte o catedrático Taborda Barata da UBI, o Catedrático José Tribolet do Técnico mas também gente deste calibre), as quais tentam fazer passar como sendo coisa altamente meritória, um resultado péssimo obtido num ranking da treta, como ontem mesmo deu conta a “notícia” publicada aqui. https://www.reconquista.pt/articles/unirank-ipcb-entre-os-melhores-classificados-do-pais

Comentários sobre o referido ranking da treta podem encontrar-se no final deste post, porém mesmo que no limite se admitisse que este ranking valia mais do que um caracol, então uma simples ordenação das instituições de ensino superior Portuguesas, por ordem decrescente do  número daquelas que obtiveram classificações máximas num maior número de critérios, a partir do ficheiro onde se encontram 1140 instituições (e onde bizarramente até foram colocadas universidades sem quaisquer dados, o que mostra bem o “rigor” do Multirank) permitiria estabelecer o muito esclarecedor ranking que abaixo se apresenta, onde, pasme-se, a Universidade do Porto aparece ao mesmo nível do Politécnico de Viana do Castelo e da Escola de Educação Paula Frassinetti (o que prova sem qualquer margem para dúvida que se trata de um ranking da treta, para não dizer coisa pior) e onde curiosa e espantosamente a tal instituição que foi mencionada no parágrafo anterior (e que merece o Óscar da falta de vergonha) aparece com um desempenho nulo, mas que ainda assim conseguiu descobrir elevado mérito no zero.  

ULisboa………………………………….5 classificações de nível A

IPBragança…………………………….4

UNova……………………………………4

UMinho………………………………….4

ISCTE……………………………………3

UAveiro………………………………….3

UCoimbra……………………………….2

UCatólica………………………………..2

UALG…………………………………….2

UFPessoa……………………………….2

UMaia…………………………………….2

IPolViana Castelo…………………..2

UPorto……………………………………2

E. Sup. Edu.Paula Frassinetti ……2

ULusofona……………………………….2

UTAD……………………………………..1

IPolPortalegre…………………………1

UAberta…………………………………..1

ULusofona Porto………………………1

IPolCoimbra…………………………….1

IPolLisboa……………………………….1

ISAG ……………………………………..1

IPolit Maia ……………………………..1

ISMAT……………………………………1

UBI………………………………………..0

IPol Leiria……………………………….0

IPolCBranco…………………………..0

Para quem não saiba, convém esclarecer que o Multirank, é uma iniciativa de chico-espertos (leia-se gente com excesso do gene da mediocridade), que acharam ser boa ideia inventar um ranking, baseado em critérios da treta, que devem muito pouco e em muitos casos mesmo nada ao mérito (onde os prémios Nobel, valem rigorosamente zero) para dessa forma tentar diminuir a incontestada supremacia Americana na área da ciência e do ensino superior. Quem o afirmou, sem papas na língua, foi um antigo Ministro do Ensino Superior e da Ciência do Reino Unido, que é actualmente responsável pela Agência Espacial daquele país. 

Como resultado dessa chico-espertice, vemos no ranking de 2022 instituições como a universidade Taras Shevchenko ou a universidade de Kharkiv em posição superior às conhecidas universidades de Maastricht e de Amesterdão, vemos também que a universidade de Toulouse e a escola superior Telecom Paris Tech aparecem com um maior número de classificações máximas do que a universidade de Oxford, o Imperial College ou a universidade de Cambridge, que é algo que até pode ser adorado por Franceses medíocres e também sem dúvida por igualmente medíocres Portugueses responsáveis por instituições de ensino superior públicas, mas que em nada contribuirá para ajudar Portugal a fugir da mediocridade e da pobreza a que foi condenado por uma classe politica parasita, que é de longe a primeira responsável pelo facto de na última década quase 1 milhão de Portugueses terem sido forçados a deixarem o país onde nasceram (quase 500.000 desde que António Costa se tornou Primeiro-Ministro), para irem contribuir para a riqueza de países onde não se promove a mediocridade e onde o lugar de políticos parasitas é na cadeia.

PS – É importante realçar que nem todos os Franceses são medíocres e se renderam à auto-satisfação (masturbatória) que é o deplorável Multirank, felizmente que houve naquele país quem percebesse que o combate à supremacia das melhores universidades Americanas, se faz no ranking Shanghai, o único, que tem como um dos seus critérios, os prémios Nobel, que são apenas a mais importante distinção científica a nível mundial https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/the-economistcomo-franca-criou-uma.html

Non-random findings and the £1 million “spiritual” prize that has lately been awarded to scientists

Still following a previous post of July 11, in which i mentioned the name of Bernard d´Espagnat, the 2009 recipient of the 1 million pound Templeton prize which is now concerned with harnessing “the power of the sciences to explore the deepest questions of the universe and humankind’s place and purpose within it” (in its inception this prize was less about the power of science but much more about contributions to affirming life’s spiritual dimension) its somehow ironic that at the beginning of August, another recipient of the Templeton Prize, M.Gleiser, Professor of Physics and Astronomy at Dartmouth College state that Humans are merely a product of randomness (which is the same as saying, as Hawking did, that God is an inveterate gambler).

More interesting however is a recent study published in Nature by Monroe et al. that challenges the prevailing paradigm of the evolutionary theory according to which “mutations occur randomly”. And building on it a researcher at the University of Portsmouth just formulated a governing law of genetic mutations that he claims also challenges the Darwinian paradigm. It seems that Monroe could be on the right track to becoming a future recipient of the Templeton prize!

PS – Yesterday, in a non-peer-reviewed paper Monroe et al. dismissed recent claims about the lack of robustness of its non-random mutations findings https://www.biorxiv.org/content/10.1101/2022.08.21.504682v1.full.pdf

Quais são as universidades e Politécnicos públicos com mais culpas pela irrelevância científica de Portugal

Na sequência do post anterior, da primeira semana de Agosto, onde aparece o nome de quase 60 catedráticos, que ao longo de toda a sua carreira foram incapazes de produzir um único artigo que recebesse pelo menos 150 citações na base Scopus e na sequência também do post da semana passada sobre o fraco desempenho de Portugal, no período 2012-2020, em termos de publicações que tenham recebido pelo menos 300 citações, apresenta-se abaixo o desempenho das instituições de ensino superior públicas, relativamente a essa métrica. 


1 – ULisboa……………. 222 pub. que receberam mais de 300 citações na Scopus (2012-2020)

2 – UPorto……………..220

3 – UCoimbra…………..87   

4 – UMinho………………68   

5 – UAveiro……………..59

6 – UNova……………….57  

7 – UÉvora………………17    

8 – UBI……………………16       

9 – UAberta……………..13     

10 – UALG……………….11  

11 – IPol.Porto………….10   

12 – UTAD……………….10           

13 – IPol.Bragança……..8   

14 – UMadeira……………8

15 – UAçores……………..4 

16 – ISCTE………………..4  

17 – IPol.Beja…………….2

18 – IPol.Viana C……….2 

19 – IPol.Setubal………..2

20 – IPol.Leiria…………..2 

21 – IPol.Coimbra………2 

22 – IPol.Lisboa…………2   

23 – IPol.Guarda……….1       

24 – IPol.Santarém…….1  

25 – IPCA…………………..1

26 – IPol.Viseu…………..1

27 – IPol.Tomar………….0

28 – IPolPortalegre……0  

29 – IPol.C.Branco……..0

A primeira conclusão que se pode extrair da lista supra é a relativa à existência de três instituições de ensino superior, que no seu conjunto representam centenas de docentes, que entre 2012 e 2020 não foram capaz de produzir uma única publicação que tivesse recebido 300 citações. Relativamente às outras instituições, que contribuíram para evitar que a irrelevância científica de Portugal fosse pior do que já é, muito mais importante do que calcular o rácio de publicações por docente ETI, seria calcular o rácio de publicações pelos milhões de euros que cada uma delas recebeu do orçamento de estado. 

Desde logo porque é manifestamente evidente que houve algumas, no topo da lista, que produziram bastante menos do que seria expectável, tendo em conta que receberam bastante mais dinheiro da FCT do que outras universidades, como é por exemplo o caso da universidade a que pertence a Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, que tem 16 unidades de investigação que recebem cada uma mais de 1,5 milhões de euros, um número que representa o dobro das unidades da Universidade de Coimbra nas mesmas condições, quase o triplo das existentes na Universidade do Minho e mais do triplo das que existem na Universidade de Aveiro.

PS – É importante ter presente, para efeitos comparativos, que por exemplo a Universidade de Atenas, que possui uma dimensão similar à universidade de Lisboa, e pertence a um país indiscutivelmente mais pobre do que Portugal, que entre 2012 e 2020, foi capaz de produzir 270 publicações, que receberam pelo menos 300 citações na base Scopus, o que desde logo significa, que se a comparação fosse feita relativamente a uma universidade de um país mais rico do que o nosso o resultado seria ainda mais desfavorável para Portugal. Como bem se percebe, por exemplo, pelas 462 publicações da universidade de Barcelona, as 727 do ETH Zurich ou as 1824 publicações (altamente citadas) da universidade de Stanford. É evidente porém que naquelas universidades, ao contrário do que abundantemente sucede em Portugal, não há catedráticos que ao longo da sua carreira, tenham sido incapazes sequer de produzir um único artigo que tivesse recebido 150 citações na base Scopus. 

A grande prioridade do socialismo Português é enriquecer socialistas, especialmente aqueles que têm diplomas académicos anulados

Aquele que é sem dúvida o jornalista mais odiado pelos socialistas deste país (José António Cerejo, um jornalista que não faz fretes, como o fazem muitos jornalistas cujo sonho é serem convidados para assessores do Governo) acaba de fazer mais um artigo, que sem dúvida irá aumentar ainda mais o ódio de que já é alvo, artigo esse onde revela que o felizardo Português que acaba de ser nomeado para um lugar de Administrador num Hospital, é alguém cuja licenciatura foi anulada, porque a mesma tinha sido obtida, com aproveitamento automático a nada menos do que 32 disciplinas, sem necessitar de fazer prova dos seus conhecimentos relativamente aos conteúdos dessas disciplinas. 

E se o critério de nomeação não foram as habilitações académicas, porque nesse caso a escolha teria recaído num candidato doutorado ou no mínimo habilitado com o grau de mestre, até porque há bastantes inscritos nos centros de emprego, então deve ter sido um outro, que mais nenhum outro candidato neste país possui. E pela leitura do conteúdo do artigo do jornal Público, só me ocorre um critério, aquele relativo ao facto do nomeado ter sido secretário pessoal do famoso dinossauro socialista, Joaquim Morão, quando aquele esteve à frente da Câmara de Idanha-a-Nova, trata-se do mesmo Morão que há 30 anos está à frente da Misericórdia de Idanha-a-Nova, que em Abril deste ano teve direito a um interessante artigo pelo mesmo jornalista José António Cerejo https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/04/a-mulher-de-um-famoso-ex-presidente-de.html

Por uma estranha coincidência, durante o anterior Governo socialista também acharam boa ideia escolher para um lugar de assessor, com direito a um vencimento de quase 4000 euros/mês, um socialista cujo doutoramento foi anulado por plágio https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/3700-eurosmes-para-o-assessor-que.html

E porque é que será que na França, criar um emprego fictício para um familiar, dá direito a uma pena de cadeia efectiva, como aconteceu recentemente com o ex-Primeiro-Ministro daquele país, François Fillon, que arranjou um emprego para a mulher e em Portugal nomear alguém com uma licenciatura ou um doutoramento anulado é perfeitamente legal ? Será que a explicação para a diferença de tratamento se prende com o facto da França ser uma democracia, onde metem políticos na cadeia, mesmo aqueles que ocuparam o cargo de Primeiro-Ministro, e Portugal ser uma cleptocracia (segundo o catedrático Nuno Garoupa) ou mesmo uma corruptocracia ?

Jornalismo incompetente que trata os maus resultados de algumas universidades como se fossem boas notícias

Ainda sobre um post anterior, de Agosto do ano passado, onde se escreveu sobre a influência do Nobel Egas Moniz na classificação da universidade de Lisboa no conhecido ranking Shanghai, o único ranking a nível mundial, que convém realçar, contabiliza prémios Nobel (e também o único que um documento da União Europeia associa à excelência científica), é pertinente analisar a evolução, desde 2018, dos critérios do referido ranking para a universidade de Lisboa. Na mesma o 1º critério (Alumni) não é apresentado porque o valor é nulo em todos os anos. 

A mencionada imagem síntese, comprova que a universidade de Lisboa têm melhorado ligeiramente a produção de artigos científicos, porém isso não tem sido suficiente para compensar a descida noutros critérios e é isso que explica que em 2021 a referida universidade tenha caído do grupo 151/200 para o grupo 201/300.  Uma despromoção evidente a que a imprensa curiosamente evitou dar destaque, como era aliás o seu dever, muito provavelmente porque este Governo não gosta de ler más notícias. Não só não gosta de ler sobre más noticias como por vezes até chega ao extremo vergonhoso de negar estatísticas oficiais.  

Ainda sobre o referido ranking Shanghai, é impressionante a forma omissa e até mesmo bastante incompetente, como há dois dias atrás a imprensa Portuguesa noticiou a classificação das universidades Portuguesas naquele ranking. Em boa verdade porém a realidade é bastante diferente do lindo cenário cor de rosa que foi “noticiado” aqui https://www.publico.pt/2022/08/15/sociedade/noticia/seis-universidades-portuguesas-mil-melhores-mundo-2017234

Interessa por isso muito pouco saber que há 6 universidades Portuguesas no top 1000 do ranking Shanghai deste ano, como deu conta a imprensa, pela simples razão que há países como a Nigéria, o Paquistão ou a Etiópia, que também tem universidades no grupo das mil melhores e Portugal, que eu saiba, não ambiciona ter o mesmo nível de desenvolvimento (científico ou outro) daqueles pobres países.

A única realidade que interessa é por isso somente aquela que faz uma avaliação temporal do desempenho das universidades Portuguesas no referido ranking, para se perceber se há aumento ou há diminuição da competitividade científica das nossas universidades, e assim se conseguir saber se estamos mais próximos ou mais longe do desempenho das universidades de países mais ricos, realidade essa através da qual se consegue perceber aquilo que imprensa não revelou:

 – Que a universidade do Porto conseguiu ter melhor resultado de sempre, entrando no grupo 201-300

 – Que a universidade do Minho conseguiu manter-se no Top 500. 

 – Que a universidade de Aveiro conseguiu voltar a entrar no Top 500, onde tinha saído em 2019 

 – Que a universidade de Lisboa não conseguiu voltar ao lugar que teve naquele ranking até 2020.  

 – Que a universidade de Coimbra e a Universidade Nova (a Universidade da Ministra Elvira Fortunato) mais uma vez, não conseguiram, o objectivo de voltarem a entrar no Top 500. 

 – Que a Alemanha tem três dezenas de universidades no Top 500 (já para nem falar das 4 no Top 100) e a própria Espanha (e também a Coreia do Sul) têm lá 11 universidades e Portugal têm apenas 4 ! 

Será que os Portugueses não merecem um jornalismo que não os trate como se fossem semi-analfabetos ? E porque é que os senhores jornalistas não foram perguntar aos Reitores das Universidades de Coimbra e da Nova, qual o motivo porque essas universidades não foram capazes de voltar a fazer parte do grupo das 500 melhores do mundo ? E porque é que a Coreia do Sul, que em 1974 era um país muito mais pobre do que Portugal, consegue ter uma universidade entre as 100 melhores do mundo e a melhor universidade Portuguesa nunca conseguiu entrar sequer no grupo das 150 melhores ? Será que é porque em Portugal, ao contrário da Coreia do Sul, e como afirmou um dos melhores cientistas Portugueses, existe uma “burocracia cuidadosamente arquitetada para defender os interesses da mediocridade instalada” ?

Germany produces almost twice the top cited papers as Japan

In August of 2021, we came to know that China has overtaken the United States for the first time in the number of top 10% most cited scientific papers (in the period 2017-2019), while Japan has dropped to 10th. And now the updated period for the years 2018-2020 shows that Japan was unable to secure the 10th position. It is now in the 12th below Spain.

Twenty years ago Japan had more than 4000 papers in the group of the top 10% most cited, almost the same number as Germany. However, in the latest period, Japan has less than 4000 top cited papers and Germany has more than 7000. Even Italy has more than 6000 top cited papers. What is happening with Japan ?

Back in 2017 in a paper published in Nature the scientists Wagner and Jonkers found a clear correlation between a nation’s “scientific influence” (top cited papers) and the links it fosters with foreign researchers. That paper has a most interesting image that explains what is happening with the citations of Japan´s papers https://www.nature.com/articles/550032a

PS – The fact that France dropped from the 5th position 20 years ago to the current 9th position also helps to understand why this country “hates” citation-based metrics.

August 17 update – The journal Science prefers to focus on Chinese performance https://www.science.org/content/article/china-rises-first-place-most-cited-papers