“Why a meaningful life is impossible without suffering?”

Still about the article published several months ago in Scientific American, titled “A New Dimension to a Meaningful Life“, note that a much more problematic definition of what a meaningful life is, was mentioned in a post published a few days ago, about how suffering (chosen rather than the random one usually associated with serious illness) is essential to a meaningful life, as per the book of a professor at the universities of Toronto and Yale https://bigthink.com/the-well/paul-bloom-meaning-suffering/

In 2015, the well-known director Terrence Malick “gave birth” to an interesting film called “Knight of Cups“, whose main protagonist (the actor Christian Bale) seeks meaning for his existence. In a scene from the aforementioned film, another well-known German actor (who was born in a territory that today belongs to Russia), Armin Mueller-Stahl, explains to Christian Bale that there is another, less “rational” way of understanding suffering and which is even more comprehensive, not excluding, as above, that suffering of a random nature: “suffer binds you to something higher than yourself…it takes you from the world to find what lies beyond it”

Catedráticos Franceses dão uma lição aos virginais Catedráticos Portugueses, sobre como é que se punem terroristas, vigaristas, corruptos e demais fauna do crime

O terrorista  Salah Abdeslam, que esteve envolvido nos atentados de Paris, acaba de ser considerado co-autor de 130 homicídios e por conta disso condenado a prisão “perpétua”.  A lei Francesa prevê que:  “o condenado deve cumprir 30 anos de pena antes de poder pedir uma revisão da sentença, mas para esta ser concedida é preciso o aval das vítimas, de magistrados e médicos que atestem que a sua libertação não põe em causa a ordem pública” 

O grande azar do referido terrorista, ligado ao Estado Islâmico, foi ter escolhido a França para palco da sua acção altamente criminosa, porque se o país escolhido fosse Portugal, nunca poderia ser condenado a mais de 25 anos e poderia ainda ser solto ao fim de 21 anos, por bom comportamento prisional. Generosíssimas gentilezas que temos de agradecer aos inteligentes catedráticos de Direito de Portugal. 

Infelizmente os problemas associados a um aberrante Cúmulo Jurídico de apenas 25 anos, que em má hora passou a existir no Código Penal Português, não se esgotam somente na impossibilidade de punir como realmente merecem aqueles que praticam atentados terroristas, também infelizmente se reflectem em penas bastante mais leves para todos os restantes crimes. Pois como é evidente, se a pena para os crimes mais abjectos é de apenas 25 anos, então não é possível condenar um corrupto a uma pena de dezenas de anos, como acontece na Espanha, país onde um cabecilha de uma rede de corrupção foi condenado a uma pena de 51 anos e um politico foi condenado a uma pena de 33 anos  https://www.publico.pt/2018/05/24/mundo/noticia/justica-espanhola-condena-barcenas-a-33-anos-de-prisao-e-pp-por-beneficios-no-caso-gurtel-1831942

Tenha-se também presente que o admirável Código Penal da França, permitiu condenar o Ex-Primeiro Ministro François Fillon, a uma pena de prisão efectiva, por ter criado um falso emprego de assistente parlamentar para a sua mulher (a que acresce uma multa de quase meio milhão de euros e ainda a proibição de exercer cargos públicos durante 10 anos). E o tribunal explicou que a pena se ficou a dever ao facto do Ex-Primeiro-Ministro ter colocado o seu interesse pessoal à frente dos interesses do povo que foi eleito para servir: “En faisant «prévaloir son intérêt personnel sur l’intérêt commun» dans un but d’«enrichissement personnel », François Fillon, 66 ans, «a contribué à éroder la confiance» des citoyens, a souligné la présidente du tribunal”  

Compare-se esse caso com o caso do ex-Primeiro Ministro Sócrates que anda por aí soltinho da silva a gozar com o pagode, viajando por onde muito bem lhe apetece, metendo recurso atrás de recurso, a um ritmo quase industrial (outra generosíssima gentileza dos catedráticos de Direito Portugueses), até que todos os crimes de que está acusado acabem finalmente por prescrever https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/06/presidente-do-sindicato-dos-juizes.html

Para se perceber melhor a generosa (e impune) realidade penal Portuguesa (inspirada por catedráticos de Direito que parece que vivem num universo alternativo imaculado) atente-se no facto do conhecido Pedro Dias, culpado de vários crimes, incluindo 4 homicídios, que no total ultrapassavam um total de mais de 100 anos e que por conta do cúmulo jurídico (leia-se cúmulo da impunidade) viu a sua pena passar a ter um valor muito inferior e atente-se também no conteúdo de um Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça, onde se pode ler que um certo individuo, praticou nada menos do que 44 crimes (lista abaixo), cujas penas também totalizavam mais de 100 de anos, mas que em cúmulo jurídico originaram uma pena de 18 anos, dos quais irá cumprir um máximo de 15 anos, o que significa que na prática e em média ele passará na cadeia 4 meses por cada crime.


– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de prisão (falência EE);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al.  c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de prisão (falência FF);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de prisão (falência GG);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de prisão (falência HH);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de prisão (falência II);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de prisão (falência JJ);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de prisão (falência LL);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 3 (três) anos e 6 (seis) meses de prisão (falência MM);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos de prisão (falência NN);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses prisão (falência OO);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos de prisão (falência PP);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 3 (três) meses de prisão (falência QQ);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 3 (três) meses de prisão (falência RR);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 3 (três) meses de prisão (falência SS);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 3 (três) meses de prisão (falência TT);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 6 (seis) meses de prisão (falência UU);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos de prisão (falência VV);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) e 3 (três) meses de prisão (falência XX);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) e 3 (três) meses de prisão (falência YY);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) e 3 (três) meses de prisão (falência ZZ);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) e 3 (três) meses de prisão (falência AAA);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) e 3 (três) meses de prisão (falência BBB);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) e 3 (três) meses de prisão (falência CCC);

– De um crime de peculato de uso, p. e p. no art. 376º nº 1 e 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 3 (três) meses de prisão (falência CCC);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) e 3 (três) meses de prisão (falência DDD);

– De um crime de peculato de uso, p. e p. no art. 376º nº 1 e 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) meses de prisão (falência DDD);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 3 (três) meses de prisão (falência EEE);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) e 3 (três) meses de prisão (falência FFF);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos de prisão (falência GGG);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos de prisão (falência HHH);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos de prisão (falência III);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos de prisão (falência JJJ);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos de prisão (falência LLL);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos de prisão (falência MMM e esposa);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 3 (três) meses de prisão (falência NNN);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 3 (três) meses de prisão (falência OOO Ldª);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 3 (três) meses de prisão (falência PPP);

– De um crime de corrupção passiva para acto ilícito, p. e p. no art. 372º nº 1, 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) anos e 3 (três) meses de prisão (falência QQQ);

– Em co-autoria com o arguido RRR, pela prática,

– De um crime de peculato de uso, p. e p. no art. 376º nº 1 e 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 7 (sete) meses de prisão (falência MM);

– De um crime de peculato de uso, p. e p. no art. 376º nº 1 e 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) meses de prisão (falência SSS);

– De um crime de peculato de uso, p. e p. no art. 376º nº 1 e artº 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 2 (dois) meses de prisão (falência BBB);

– De um crime de peculato de uso, p. e p. no art. 376º nº 1 e 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 9 (nove) meses de prisão (falência CCC);

– De um crime de peculato de uso, p. e p. no art. 376º nº 1 e 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 6 (seis) meses de prisão (falência DDD);
– De um crime de peculato de uso, p. e p. no art. 376º nº 1 e 386º, nº 1, al. c), do Código Penal, na pena de 3 (três) meses de prisão (falência NNN);

http://www.dgsi.pt/jstj.nsf/-/9208ED97398DDB018025825E0044A304

As culpas dos humanos “carnívoros” no bloqueio Russo dos cereais da Ucrânia

Ainda relativamente ao criminoso bloqueio Russo à exportação de cereais por parte da Ucrânia, convém ter presente que como se pode ler no último na revista The Economist, quase metade (43%) da produção mundial de cereais é utilizada para alimentar animais (987 milhões ton) ou queimada como biocombustíveis (265 milhões ton) trata-se uma percentagem que é 600% superior à produção de cereais combinada da Ucrânia e da Rússia, o que significa que bastava que desde há uns anos a esta parte os países ricos tivessem diminuído o seu consumo de carne, para um valor próximo daquilo que é valor recomendado pela OMS de 135 gramas por dia (50 kg/ano) para que a actual crise de fornecimento de cereais (e também de preços) fosse puramente residual. 

Acresce que como refere o artigo da revista The Economist, a utilização de cereais para alimentar animais é um processo extremamente ineficiente, pois por cada 100 calorias de cereais, isso acaba no final por resultar apenas em 3 calorias de carne para consumo humano. 

Isto já para nem falar que, a bem ou à força, é isso que irá acontecer inevitavelmente no médio prazo, pois se é verdade que há quem não seja sensível às emissões associadas à produção de carne, acabarão ainda assim por ter de engolir uma realidade da qual não é possível fugir, que é a dos constrangimentos associados à necessidade de alimentar 10.000 milhões de pessoas, contexto para o qual são mencionados valores de consumo de carne de no máximo 85 gramas por dia (31 kg/anohttps://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/como-alimentar-10000-milhoes-de-pessoas.html 

PS – De acordo com o INE, em 2021, o consumo médio de carne, por habitante em Portugal foi de 315 gramas por dia (115 kg/ano).

A estratégia (saloia) para aumentar o factor de impacto de uma revista científica

Foi ontem tornado pública a lista actualizada de revistas científicas indexadas na Web of Science, com o respetivo factor de impacto, onde se verifica que a revista The Lancet (por conta dos artigos sobre o Covid-19) mais do que duplicou o seu factor de impacto para 202. E que também foram os artigos sobre o Covid-19, que contribuiram para que 7 revistas da área da medicina vissem o seu factor de impacto ultrapassar o valor de 100.

Ficou-se igualmente saber que três revistas foram “expulsas” da lista indexada actualizada e ainda que seis revistas receberam uma “advertência”, por conta de terem utilizado uma “nova” forma de manipulação do factor de impacto, através de uma estratégia que a Clarivate define como “self stacking”: “this year the editorial integrity team at Clarivate identified a new type of anomalous citation behavior: self-stacking. This is where the journal contains one or more documents with citations that are highly concentrated to the JIF numerator of the title itself. This is the first year we have formally defined the criteria for self-stacking suppression, and as such we have made the decision to issue a warning to six journals rather than suppress the journal’s JIF. Going forward, continued journal self-stacking will result in suppression of JIF”

No entanto e ao contrário do que agora diz a Clarivate, não é uma novidade, pois já tinha sido identificada em 2016 pelo investigador Petr Heneberg e ele na altura até escreveu que a Thomson Reuters (a firma que depois foi comprada pela Clarivate) não tinha forma de detectar essa manipulação: “Thomson Reuters currently does not have any algorithm to detect citation stacking”

É pertinente recordar que o “factor de impacto” é uma marca registada da Clarivate Analytics, que tem sido repetidamente denunciada pelos muitos prejuízos que trouxe à ciência. E é por isso que há quem tenha escrito, como o reputado investigador Vladen Koltun, que se trata de uma métrica que nunca deve ser usada na avaliação de investigadores (ou de unidades de investigação).

Convém ter presente que, basta que uma revista tenha uma elevada taxa de rejeições, dando preferência a artigos de autores bastante citados, de universidades de topo, mesmo que esses artigos sejam medianos, para que esse facto só por si contribua para um aumento do factor de impacto. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/desk-rejectionthe-editor-manuscript-game.html

Tenha-se também presente que é a própria Clarivate Analytics, proprietária da marca “factor de impacto” que adverte contra o seu uso na avaliação de investigadores: “In the case of academic evaluation for tenure, it is inappropriate to use the impact of the source journal to estimate the expected frequency of a recently published article”

PS – Profundamente irónico é o facto de na última avaliação das unidades de investigação, a proibição radical (em sede regulamentar) do uso de qualquer métrica (rejeitando inclusive aquela métrica que já conseguiu “adivinhar” o nome de várias dezenas de prémios Nobel), ter levado os avaliadores (que obviamente não iriam passar o tempo a ler os artigos das diferentes unidades) a socorrerem-se das únicas métricas que “tinham à mão“, precisamente as duas piores que existem, o número de artigos e o factor de impacto das revistas, e que por isso mesmo apareceram profusamente mencionadas nos relatórios de avaliação, mais de 500 (quinhentas) vezes.

Human “carnivores” are also to blame for the Russian grain blockade in Ukraine

Still, following the criminal Russian blockade on the export of grain by Ukraine, one should not forget that, as we can read in the latest number of The Economist, almost half of the world’s grain production is used as animal feed (987 Mt) or burned as biofuels (265Mt), this is a percentage that is 600% higher than the combined production of grain by Ukraine and Russia, which means that it was enough for the rich countries to have reduced their meat consumption, to the value recommended by the WHO of 135 grams per day so that now the grain supply crisis didn´t exist.

In addition, as was mentioned in the article by The Economist, using grain to produce meat is a highly wasteful process, for every 100 calories of grain used in animal feed, this results in only 3 calories of meat for human consumption.

Not to mention that, willingly or not, this is what will happen in the medium term, because if it is true that there are those who are not sensitive to the emissions associated with the production of red meat, they will end up having to swallow a reality of the which it is impossible to escape, which is the constraints associated with the need to feed 10,000 million people, a context for which meat consumption values ​​of a maximum of 85 grams per day (14 grams for red meat) are mentioned in a Lancet report.

The Lancet report also noted that among all countries on the planet the US is the country with the biggest gap (638%) between red meat consumption and a planetary health diet. https://eatforum.org/content/uploads/2019/07/EAT-Lancet_Commission_Summary_Report.pdf

Clarivate reports a new type of anomalous citation behavior

“this year the editorial integrity team at Clarivate identified a new type of anomalous citation behavior: self-stacking. This is where the journal contains one or more documents with citations that are highly concentrated to the JIF numerator of the title itself. This is the first year we have formally defined the criteria for self-stacking suppression, and as such we have made the decision to issue a warning to six journals rather than suppress the journal’s JIF. Going forward, continued journal self-stacking will result in suppression of JIF”

However, contrary to what Clarivate now says, it is not a new anomalous citation, as it had already been identified in 2016 by Heneberg and he even wrote at the time that Thomson Reuters (the firm that was later bought by Clarivate) had no way of detecting this manipulation: “Thomson Reuters currently does not have any algorithm to detect citation stacking”

The impact factor is a registered trademark of Clarivate Analytics that has been denounced for the damage it has brought to science. And that is why many scientists have written that it is a metric that should never be used in the evaluation of researchers (or research units). It should be borne in mind that it is sufficient for a journal to have a high rejection rate, giving preference to articles by highly-cited authors in top universities for this fact alone to contribute to an increase in the impact factor. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/desk-rejectionthe-editor-manuscript-game.html

PS – Clarivate Analytics itself warns against the use of the impact factor in the evaluation of researchers: “In the case of academic evaluation for tenure, it is inappropriate to use the impact of the source journal to estimate the expected frequency of a recently published article”

The Economist – A imparável ascensão do doutor Google

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/06/a-academia-as-portas-da-irelevancia.html

Ainda na sequência do post anterior, onde foi mencionado o facto de já nem sequer as universidades mais ricas do Planeta Terra conseguirem fazer investigação competitiva face a certas empresas, é sem grande surpresa que no último número da revista The Economist se pode ler acerca da vontade da empresa proprietária da Google em investir somas astronómicas (15.000 milhões nos últimos 5 anos) em investigação somente na área da saúde https://www.economist.com/business/2022/06/20/alphabet-is-spending-billions-to-become-a-force-in-health-care

O montante supracitado é mais de 400% superior ao que Portugal investe em todas as áreas de investigação, através da FCT, que este ano até desgraçadamente tem menos 32 milhões face ao orçamento do ano passado, o que significa que a estratégia deste Governo para a investigação é andar de cavalo para burro e talvez seja por isso que os investigadores foram a carreira da função pública que mais perdeu rendimentos durante a última década, e isso ao mesmo tempo que no mesmo período esses conhecidos parasitas que são os deputados (os mesmos que sem qualquer vergonha tem andado a aprovar leis que fazem a felicidade dos vigaristas e dos corruptos) conseguiram ser a segunda categoria profissional que mais viu aumentados os seus rendimentos. 

E mesmo com maioria absoluta, de certeza que não será este Governo que irá eliminar as vergonhosas subvenções vitalícias dos políticos, as quais permitem que por exemplo o cadastrado Dr. Vara usufrua de uma reforma de nada menos do que 8551 euros/mês !

Os catedráticos endogâmicos que em Portugal se comportam como lordes feudais

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/estudo-sobre-endogamia-envolvendo.html

Ainda na sequência do estudo, mencionado no post acima, sobre a endogamia envolvendo milhares de académicos em 140 países, é pertinente divulgar o recente e interessante artigo, de que abaixo se reproduz um pequeno extracto: 

“The process by which academic inbreeding enables the formation and perpetuation of an academic oligarchy is explained in this paper, but it is perhaps surprising to observe how much it resembles the social and political organization and structures of the Middle Ages. Full professors assume the role of “feudal lords,” guiding others and shaping strategy at various levels. Their domain is established based on particular characteristics, such as seniority, and given institutional knowledge control, granting them respect and power akin to those of real feudal lords. Their domain power is based on the number of other academics who are part of their network, similar to subjects in the feudal lord–subject relationship; and they pass their power to someone in the “hereditary” line when they retire, and in some extreme cases to others with whom they share consanguinity bonds…” https://link.springer.com/article/10.1007/s11024-022-09469-6#Sec3

PS – O autor do artigo, o investigador Hugo Horta, deveria ter dito que os laços de consanguinidade com catedráticos, podem ser raros nas universidades de alguns países, mas não o são, de todo, nas universidades Portuguesas  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/em-portugal-ser-filho-de-alguem.html

O Engenheiro mais esperto de Portugal ensina os Portugueses burros

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/06/os-catedraticos-que-tem-fortes-culpas.html

O tal jornal mencionado na parte final do post acima, não continha somente o tal artigo hipócrita de um não menos hipócrita Ex-Ministro do PS, trazia também um interessante artigo sobre aquele que é sem dúvida o Engenheiro mais esperto de Portugal. Não contente em ter pago uma ninharia em termos de IRS por conta  dos vários milhões de euros que recebeu da FPF, com a alegação de ser um empresário, ainda acaba também por pagar zero, rigorosamente zero, de IRC por conta de uma venda de 30 milhões de euros. 

Ou seja já não bastavam os ricos estrangeiros que andam neste país a pagar impostos reduzidos e agora ainda temos engenheiros/treinadores/empresários que mostram como é que se ganham milhões e se pagam ninharias. Faz por isso todo o sentido relembrar uma proposta do catedrático e economista Ricardo Cabral, no sentido de reduzir o nível de impostos que existem em Portugal, redução essa que seria depois equilibrada com três medidas, com um aumento do IVA, com um imposto sobre o carbono e principalmente com  “uma melhoria do sistema de cobrança de impostos “especialmente ao nível dos mais ricos, que têm formas (mais ou menos legais) de evitar o Fisco”. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/uma-proposta-radical-para-acabar-com-o.html

PS – Hoje o JN traz uma capa “linda” onde se pode ler que na última década, os magistrados e deputados (que recorde-se ganham mais do que os deputados da França e do Reino Unido), foram as profissões que tiveram os maiores aumentos da função pública, respectivamente 31% e 23%, já aqueles que mais perderam no mesmo período foram os médicos (1.8%) e os investigadores (13%). https://www.jn.pt/nacional/magistrados-e-deputados-com-mais-aumentos-medicos-ganham-menos-14968666.html Porém enquanto que os médicos podem fazer horas extraordinárias para compensar essa perda, o mesmo já não sucede com os investigadores.  Não sei por isso o que é que os investigadores ainda estão à espera para fazer uma greve (de zelo) às candidaturas de projectos europeus, por conta das quais o Governo espera arrecadar centenas de milhões de euros. No mínimo dos mínimos, os investigadores deviam exigir o pagamento de um prémio de produtividade por cada projecto internacional ganho, no valor de 5% do valor projecto, que é a mesma percentagem que também é paga aos trabalhadores do fisco. https://observador.pt/2022/06/22/financas-mantem-premio-de-produtividade-maximo-aos-funcionarios-do-fisco/

An Editor strongly against second rounds of peer review

See below an extract from a recent post by Stephen Heard, Professor at the University of New Brunswick making a case against the second rounds of peer review:

“…But there’s one big consideration that swings the balance strongly against second rounds of peer review, and that’s the limited capacity of the reviewer pool. Editors these days struggle to find willing reviewers. It’s not uncommon to hear of someone needing to ask 10 or 15 or even 30 people to secure two willing reviewers. We’re all busy, and the impacts on academia of the pandemic have left people burnt out and exhausted. With willing reviewers in short supply, it just doesn’t make sense to draw down that pool for a round of review that (usually) isn’t necessary.

So as an editor I’ve changed the way I operate. No matter how major the revisions are, I send out a manuscript for a second round of review only if I genuinely can’t judge whether the new version satisfies the suggestions from the first round of review. That may be true if, for instance, there are major new experiments, lots of new data, or an analysis so qualitatively different that I’m essentially dealing with a whole new manuscript. But these cases are rare. Ninety percent of the time (at least), I should be able to make the call without calling on reviewers again…” https://scientistseessquirrel.wordpress.com/2022/06/21/lets-stop-usually-with-the-second-round-of-review/