Tendo em conta que o investigador Alemão Ottmar Edenhofer, catedrático na universidade técnica de Berlin e presidente do conselho científico consultivo europeu sobre alterações climáticas, acaba de afirmar que a Europa tem de começar a preparar-se para um cenário de catástrofe (permanente) associado a um aquecimento de 4º C, acima dos níveis pré-industriais, sublinhando que o “princípio da precaução” exige que a UE se prepare para esse cenário e também que submeta os seus planos a testes de stress face a cenários ainda mais gravosos, que responsabilidades inadiáveis recaem sobre as universidades europeias e em particular sobre as universidades do nosso país, que acabou de sofrer, de forma particularmente trágica, os efeitos de fenómenos climáticos extremos, associados a um aquecimento global que ainda só ronda os 1.5º C?
Como é que é possível que a Academia esteja em alvoroço total com a inteligência artificial, mas permaneça totalmente indiferente à catástrofe climática anunciada há vários anos?
E será que a universidade do Porto não deveria pedir desculpas públicas aos Portugueses pelo facto de vários dos seus professores catedráticos, terem andado a difundir ideias negacionistas, que desinformam a sociedade e prejudicam o superior interesse público?
Há dezanove (19) anos atrás, o Regime Jurídico das Instituições de Ensino Superior (RJIES) estabelecia, no n.º 1 do artigo 2.º, que a missão do ensino superior consistia na “qualificação de alto nível dos portugueses, na produção e difusão do conhecimento, bem como na formação cultural, artística, tecnológica e científica dos seus estudantes, num quadro de referência internacional”. Contudo, perante a necessidade de acautelar prováveis cenários de catastrofe climática, torna-se não apenas pertinente, mas urgente e inadiável, que a revisão do RJIES actualmente em curso profundamente e inequivocamente reconheça explicitamente essa nova condição civilizacional, permitindo que a sua redação evolua para: “O ensino superior tem como objetivo a qualificação de alto nível dos portugueses, a produção e difusão do conhecimento e a formação cultural, artística, tecnológica e científica dos seus estudantes, num quadro de referência internacional, assumindo igualmente a missão estratégica de preparar indivíduos intelectual e eticamente capacitados para compreender, prevenir e gerir crises globais, incluindo emergências climáticas — e promover a resiliência da sociedade e a sustentabilidade civilizacional.”
PS – É impressionante que tenham sido necessários 7 anos, desde que um investigador diplomado por Harvard, doutorado pelo MIT e actualmente catedrático na universidade de Oxford, advertiu que no respeitante às alterações climáticas, tinha chegado a hora de entrar em pânico, para que essa urgência comece finalmente a ser interiorizada de forma institucional. Isto já para não falar, que também passaram 7 anos desde que o tal professor “apocalíptico”, esteve a fazer uma apresentaçáo num evento promovido na Comissão Europeia e que eu mencionei naquele que foi o primeiro post do meu primeiro blogue https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/09/facing-disaster-great-challenges.html
Deverá estar ligado para publicar um comentário.