Inteligência artificial: Portugal ultrapassa a produção científica da Dinamarca, da Bélgica, da Noruega e da Finlândia

Uma pesquisa efectuada ontem na conhecida base de dados Scopus, que é de acesso reservado apenas à comunidade científica, revela que em termos globais nos últimos 3 anos o nosso pequeno país conseguiu produzir mais publicações indexadas na área da Inteligência artificial, do que a Rússia, país que segundo a OCDE tem quase 17 vezes mais investigadores do que Portugal, e também mais publicações do que as produzidas pela Bélgica, Dinamarca, Noruega e Finlândia, que segundo dados do EUROSTAT, e sem qualquer surpresa também possuem mais investigadores do que o nosso pobre país. 

Quando se calcula o rácio de publicações por milhão de habitantes, constata-se que Portugal aparece em 8º lugar a nível mundial, o que significa uma subida de duas posições relativamente ao seu desempenho de há um ano atrás, vide final do post acessível no link https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/11/instituicoes-de-ensino-superior-que.html

As explicações para essa elevada produção poderão ser várias, mas é possível que uma delas seja a inspiração que foi trazida pelo jovem doutorado da U.Aveiro, que na minha opinião vale infinitamente mais do que o Ronaldo, e cujas investigações na área da IA permitiram o aparecimento de uma empresa extremamente valiosa, a todos os níveis. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/11/o-jovem-doutorado-portugues-que-vale.html

E mesmo que da referida obsessão não nasçam novos unicórnios na área da IA, quem sabe se finalmente Portugal deixa de ser conhecido apenas como um país que exporta especialistas do pontapé e da cabeçada, campeonato liderado por países pobres da África e da América do Sul e consegue subir na cadeia de valor, passando também ser conhecido como um país exportador de talento na área da IA, até porque é mais do que evidente que Portugal nunca conseguirá reter esse talento, já que no nosso país um investigador, doutorado, no nível inicial, recebe muito menos do que recebem os pouco talentosos boys (e girls) que “trabalham” nas altamente deficitárias empresas públicas e a nível mundial, como revela a revista The Economist, a procura por esse talento está cada vez mais feroz https://www.economist.com/finance-and-economics/2025/09/25/the-ai-talent-war-is-becoming-fiercer

Relativamente ao desempenho das universidades e politécnicos nacionais, que mais contribuíram para o superior desempenho internacional do nosso país, apresenta-se abaixo uma lista que fornece a referida informação. Quando se compara o teor da mesma, com aquela outra que divulguei há um ano atrás, constata-se, por exemplo, que entre as primeiras posições a Univ.Minho e a Univ.Aveiro conseguiram ultrapassar a Univ.Coimbra. 

Já relativamente às instituições politécnicas, não surpreende o resultado do Instituto Politécnico do Porto, que não só apresenta um desempenho superior ao de várias universidades, de maior dimensão e com mais financiamento, mas é ainda aquela a que pertence uma publicação sobre IA e imagens biomédicas, a mais citada produzida nos últimos 3 anos em Portugal, pois esta instituição é um caso sério de competitividade a nível nacional, sendo tão ou mais surpreendente o resultado do Politécnico de Leiria, pela sua pequena dimensão, que fiquei recentemente a saber, conta até com a colaboração de investigadores estrangeiros que se doutoraram em universidades reputadas, como por exemplo o Geoffrey Robert Mitchell, que trabalhou na universidade Cambridge, com qual partilho o facto de ambos integrarmos o Editorial Board de uma revista científica na área da engenharia. 

Ranking de publicações científicas indexadas sobre IA produzidas nos últimos 3 anos:

Univ. do Porto…………….244   publicações

Univ. de Lisboa…………..182    

Univ. do Minho……………148        

Univ. de Aveiro……………113           

Univ. de Coimbra………..108          

Univ. Nova…………………102          

ISCTE………………………….87              

UTAD…………………………84            

Inst. Pol. do Porto………..75             

Univ.  Beira Interior………53        

Inst. Pol. de Leiria………..35                

Inst.Pol. de Bragança…..34            

UALG………………..…….….27      

Inst. Pol. de Lisboa………22             

Inst. Pol. de Coimbra…….25          

IPCA…………………………..22            

U.de Évora………………….16              

Inst. Pol. de Portalegre….15              

Inst. Pol. Santarém……….14           

Inst. Pol. de Setúbal……..13              

Univ. da Madeira………….13           

Inst. Pol. de V.Castelo…..11          

Univ. Aberta…………………11         

Inst. Pol. da Guarda………9           

Inst. Pol. de Viseu…………8              

Inst. Pol. de Tomar………..7                 

Inst. Pol. de C.Branco……3          

Univ. dos Açores……………2              

Inst. Pol. de Beja……………2          

The Portuguese Paradox: Achieving Superior Performance to Germany’s Top Universities with Minimal Resources

The recent 2025 Shanghai Ranking by subject area reveals striking patterns. In several disciplines, Portuguese institutions outperform multiple top German universities. In Civil Engineering, three Portuguese universities surpass the highest-ranked German institutions; in Food Science & Technology, three Portuguese universities again exceed their top German counterparts; and in Textile Science & Engineering, one Portuguese university ranks within the global top 25, while no German institution appears. These examples are not isolated—Portugal surpasses Germany in several other scientific fields as well.

These findings reveal a striking and thought-provoking paradox: Portugal ranks among the countries investing the least in research—public spending per capita is 600% lower than in Germany, according to EUROSTAT—yet its universities, operating with far fewer financial, infrastructural, and human resources than even Germany’s top institutions, achieve markedly higher efficiency and impact in these fields. How can such exceptional research performance emerge under such severe and enduring resource constraints?

PS – Particularly striking is the performance in Textile Science & Engineering, where the University of Minho, through the work of its research centre 2C2T, has established itself as the leading institution in Europe.

Update after 7 days —The top 7 countries showing the highest foreign interest in this post are the USA, Japan, the Netherlands, Ireland, Germany, Canada and the UK.

Quais as áreas cientificas onde Portugal em 2025 conseguiu ficar à frente da Alemanha ?

https://pachecotorgal.com/2025/11/19/a-universidade-de-coimbra-e-a-campea-nacional-de-perda-de-competitividade-cientifica-no-ranking-shanghai-por-areas/

Na sequência do post anterior, acessível no link supra, sobre o ranking Shanghai por áreas de 2025, post esse em cuja parte final revelei o nome de uma área científica, onde a melhor Universidade Alemã tem uma classificação inferior à de três instituições nacionais, apresenta-se abaixo a lista de todas as áreas científicas e bem assim as instituições a que pertencem essas áreas. Nessa lista é possível constatar que as instituições com mais mérito são a universidade do Minho e a Universidade do Porto, que aparecem cada uma com três áreas científicas. 

Engenharia Civil…………………….ULisboa, UMinho e UPorto

Ciência e Tec. Alimentar………….UPorto, Pol. Bragança, UMinho

Engenharia Oceânica……………..ULisboa, UPorto

Engenharia Têxtil…………………..UMinho

Gestão Hoteleira…………………….UALG

E qual será a receita do sucesso das supracitadas áreas científicas nacionais, que foram capazes de alcançar aquilo que prestigiadas universidades alemãs não conseguiram, mesmo dispondo estas últimas de recursos financeiros muito superiores?

Mas se a resposta residir na presença de elevado talento nas supracitadas áreas científicas, como poderá Portugal conseguir reter esse talento, tendo em conta a “guerra” internacional que existe por esse mesmo talento, a qual e ao que tudo indica está cada vez mais feroz ? 

Não é por acaso que o último número da revista da Ordem dos Engenheiros (OE), Nº190, que foi publicado ontem, é dedicado precisamente ao talento, no qual se pode ler, seja no artigo do Bastonário da OE, seja no artigo do presidente da Comissão Nacional de Acompanhamento do Plano de Recuperação e Resiliência, que o grande desafio de Portugal é, e continuará a ser, a retenção de talento.

PS – Sobre a retenção de talento científico no nosso país, recordo novamente a proposta que fiz há vários anos atrás, e que mencionei há pouco tempo neste post aqui https://pachecotorgal.com/2025/11/16/desta-vez-nao-me-resta-outra-alternativa-senao-defender-a-catedratica-fortunato/

Ranking Shanghai por áreas 2025 – Univ. do Porto é campeã do crescimento e a Univ. de Coimbra é a campeã do afundamento

O prestigiado ranking Shanghai por áreas, divulgado ontem, revela que apenas as universidades de Lisboa, Porto, Minho e Algarve, bem como o Politécnico de Bragança, conseguem a proeza extraordinária de possuir áreas científicas entre as 100 mais competitivas a nível mundial: https://www.shanghairanking.com/rankings/gras/2025

U.Lisboa………….5 (perdeu três áreas no top 100 face a 2003)

U.Porto……………4 (quadriplicou o número de áreas no top 100 face a 2023)

U.Minho………….3 (aumentou uma área no top 100 face a 2023)

UALG……………..1 (manteve o número de áreas no top 100 de 2023)

Pol. Bragança…..1 (manteve o número de áreas no top 100 de 2023)

Para lá dos parabéns que são devidos à universidade do Porto, pelo seu elevado desempenho, é lamentável que a Universidade de Aveiro, que no ano passado estava representada no Top 100, tenha perdido essa presença; e é também lamentável que várias universidades públicas não tenham conseguido igualar o feito do Politécnico de Bragança. A Universidade de Aveiro tem ainda mais razões para se lamentar, pois foi a instituição nacional que, face a 2024, perdeu mais áreas no top 500 deste ranking. Seja como for, em termos de quebra de competitividade, a campeã nacional é a Universidade de Coimbra, que desde 2019 perdeu quase 60% das suas áreas científicas neste prestigiado ranking.

Declaração de interesses – Declaro que nada tenho contra a universidade de Coimbra, instituição onde estive matriculado (1987-1992) na licenciatura em engenharia civil (que na altura tinha uma impressionante duração média de 14,8 anos) e depois disso também no mestrado (pré-Bolonha). Felizmente, que posso constatar que a referida área da engenharia civil é em 2025 uma das duas mais competitivas da universidade de Coimbra no ranking Shanghai. 

PS – O ranking Shanghai por áreas é extremamente importante, porque mostra que existem áreas científicas nas universidades nacionais (e no Politécnico de Bragança) que são tão competitivas a nível mundial que, só por pura ignorância, alguém pode optar por estudar no estrangeiro em áreas onde algumas instituições portuguesas apresentam uma competitividade científica muitíssimo superior. Por exemplo, quem escolha qualquer universidade alemã para ir frequentar um curso na área de Ciência e Tecnologia Alimentar fá-lo apenas e tão somente por ignorar que, nessa área, nenhuma universidade alemã conseguiu entrar no Top 100 do ranking mundial — feito que, em Portugal, é alcançado pela Universidade do Porto, pelo Politécnico de Bragança e pela Universidade do Minho.

Quem são os investigadores que mais contribuíram para o sucesso da universidade acelerada a esteroides

https://pachecotorgal.com/2025/09/09/a-universidade-acelerada-por-esteroides/

Há poucos meses atrás, ficou-se a saber que, pela primeira vez na sua história, a Universidade da Beira Interior conseguiu entrar no Top 1000 do prestigiado ranking Shanghai Global — o único a nível mundial que contabiliza prémios Nobel. E, no passado mês de setembro, após uma análise ás publicações indexadas mais citadas daquela instituição, produzidas durante os últimos cinco anos, escrevi que esse resultado se devia, em primeiro lugar, aos investigadores da área de Economia e Gestão, com o triplo do impacto das engenharias e, acima de tudo, aos investigadores (acelerados a esteroides) da área da Medicina, com um impacto dez vezes superior ao das engenharias. Vide post no link supra.

Pois bem, hoje que foram revelados os importantes resultados do ranking Shanghai relativo às 500 áreas científicas, mais competitivas do mundo, fica-se a saber que a minha análise expedita revelou-se bastante premonitória pois aquela universidade consegue colocar duas áreas entre as mais competitivas do mundo, precisamente nas áreas da Gestão e da  Medicina Clínica. Esta última consegue aliás algo que nem a Universidade do Minho nem a Universidade de Aveiro conseguiram  https://www.shanghairanking.com/rankings/gras/2025

Infelizmente, ainda não foi desta que alguma área de engenharia daquela universidade tenha conseguido a proeza de estar representada entre as 500 áreas mais competitivas do mundo. Uma panorama que é radicalmente diferente de outras instituições, como por exemplo a Universidade do Minho, onde as áreas das engenharias são absolutamente dominantes e representam 75% das áreas científicas daquela universidade no referido ranking. 

PS – Faço notar que a metodologia utilizada pelo supracitado ranking Shanghai por áreas sofreu alterações desde o ano passado face aos anos anteriores, quando era baseado apenas em 5 critérios relacionados com publicações e citações, pois agora há novos critérios que contabilizam inclusive o número de investigadores altamente citados e também os lugares de Editor Chefe em revistas científicas internacionais.

Desta vez não me resta outra alternativa senão defender a catedrática Fortunato

Depois de, por várias vezes, ter criticado a catedrática Elvira Fortunato durante o seu mandato como Ministra da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, devo agora, por uma questão de justiça e coerência, defendê-la do ataque de que foi alvo na capa do semanário Nascer do Sol, onde foi acusada de receber dezenas de milhares de euros de forma ilegal. 

Divulgo, assim, uma parte do texto que ela enviou a título de direito de resposta ao mesmo semanário: “Existe um protocolo formal…que autoriza expressamente a atribuição de subsídios ou compensações a docentes em regime de dedicação exclusiva, quando provenientes de fundos de projectos de investigação…As verbas recebidas…provêm de financiamentos internacionais competitivos…Essa é uma prática comum em diversas instituições de ensino superior nacionais e europeias, consolidada pelo Regulamento referente ás remunerações adicionais de docentes e investigadores da universidade Nova de Lisboa (DR 879/2019)”. 

Recordo que, há vários anos atrás, sugeri que os coordenadores de projetos internacionais recebessem 5% (exactamente a mesma percentagem que é recebida a título de bónus pelos trabalhadores do fisco na cobrança coerciva de impostos) do valor desses projetos, valor esse a deduzir da percentagem de 25% dos encargos gerais que as universidades extraem desses projectos. Este mecanismo não seria apenas um incentivo para aumentar significativamente as candidaturas internacionais — área em que Portugal apresenta um desempenho sofrível, vide imagem que compara o nosso país à Suécia, Suíça, Finlândia e Holanda https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/02/sera-que-os-investigadores-portugueses.html —, mas também uma medida vital para reter os investigadores nacionais mais talentosos, tentando assim que conseguissem resistir à tentação de irem trabalhar para universidades que pagam salários muito mais elevados, pois em Portugal um catedrático no 1º escalão recebe menos do que uma bolsa de pós-doutorado em certas universidades do Norte da Europa, pois ignorar esta realidade e persistir em regras anacrónicas e miserabilistas é perpetuar um círculo de mediocridade e de empobrecimento do nosso país.

Recordo também que, há quase um ano atrás, mais precisamente no dia 30 de Dezembro, recebi um email da FCT notificando-me que um projecto do qual fui investigador responsável, não tinha executado 524,56 euros, exigindo a devolução urgentíssima dessa pequena verba, sob pena da universidade do Minho ter de pagar a totalidade do valor do projecto. Compare-se esse comportamento contraproducente, que desincentiva os investigadores de tentarem poupar na gestão dos seus projectos, com aquilo que sucede na França, onde um cientista galardoado com o prémio Nobel, que visitou a universidade do Minho, revelou que naquele país, os investigadores tem total autonomia para poderem utilizar verbas de projectos que não foram executadas em despesas científicas que achem pertinentes. E compare-se isso com a autonomia que atinge níveis verdadeiramente audaciosos no caso da Agência Alemã que financia a inovação naquele país (Sprind), onde a vontade de cortar na burocracia vai ao ponto de dispensar as equipas que atingiram os objectos a que se propuseram de explicarem como gastaram o financiamento recebido “Successful teams are also not asked to offer any proof of how they spend their money. “The bureaucracy needs to be as minimal as possible,” said Costard” https://sciencebusiness.net/news/r-d-funding/inside-germanys-sprind-innovation-agency-anti-horizon-europe

Univ. de Lisboa – Uma notícia sobre um 1º lugar que afinal é apenas o 8º lugar nacional

https://www.ulisboa.pt/noticia/ulisboa-no-1o-lugar-do-ranking-das-universidades-empreendedoras-da-startup-portugal

A U.Lisboa divulga no seu site que é hoje “a universidade mais empreendedora de Portugal”, (vide notícia acessível no link supra) baseando essa afirmação no facto de aquela ter gerado mais de 1000 startups. Mas se levarmos em linha de conta que a maioria das startups não passam de iniciativas falhadas que desaparecem ao fim de poucos anos, pois não conseguem gerar receitas suficientes nem muito menos captar qualquer investimento, aquilo que realmente pode aferir da capacidade empreendedora de uma instituição é antes o valor médio do montante de investimento efectivamente captado pelas suas startups, que dessa forma demonstram uma capacidade bastante maior de transformar conhecimento em valor económico, revelando processos de incubação, mentoria e transferência de tecnologia mais robustos e eficientes.

Assim apresenta-se abaixo o rácio do maior investimento médio captado por startups, de 10 instituições de ensino superior, onde a ULisboa só consegue aparecer em 8º lugar, com um desempenho apenas ligeiramente melhor do que o Politécnico de Leiria. Na lista merece destaque pela positiva o Politécnico do Porto, cujo desempenho envergonha várias universidades, incluindo a própria universidade de Lisboa. Os rácios foram calculados utilizando os valores que recentemente foram apresentados no ficheiro disponibilizado aqui https://startupportugal.com/wp-content/uploads/2025/11/Portugals-Entrepreneurial-Universities-Ranking25.pdf

1º – U.Nova…………..22 milhões € de investimento médio captado por cada startup

2º – U.Coimbra………20

3º – Pol. Porto……….19

4º – ISCTE……………17

5º – U.Minho…………14

6º – U.Porto…………..12

7º – U.Católica………12

8º – U.Lisboa………..11

9º – Pol. Leiria………..8

10º – U.Aveiro………..8

Talvez seja chegada a hora das universidades e politécnicos nacionais mais competitivos, copiarem o que se faz numa das melhores universidade europeias, que integra o pódio juntamente com a Univ.de Oxford e a Univ. de Cambridge, no ranking de produçáo das startups mais valiosas (vide relatório Deep Tech 2025), universidade essa que concede licenças sabáticas de 1 ano, aos seus professores e investigadores, que se queiram dedicar à criação de startups https://pachecotorgal.com/2025/04/19/sera-que-os-estudantes-de-engenharia-da-universidade-do-minho-pretendem-tornar-se-empreendedores-um-caso-de-estudo/

PS – O contexto supra revela-se particularmente oportuno para evocar o artigo de título “Investimento em Ciência e Prosperidade”, da Directora do novel e ambicioso centro de investigação GIMM, que conta com mais de 700 colaboradores, onde aquela afirmou que “a ciência é o melhor investimento que uma sociedade pode fazer” https://expresso.pt/opiniao/2025-11-06-investimento-em-ciencia-e-prosperidade-464085e6

Aditamento em 14 de Novembro – A Vice-Reitora da Universidade do Porto para o empreendedorismo, revelou ao semanário Expresso que naquela universidade há alguns professores que já criaram mais de uma dezena de empresas. E embora não tenha revelado o nome deles, acho muito provável que um desses professores seja o catedrático nada modesto que mencionei aqui https://pachecotorgal.com/2024/01/25/catedratico-nada-modesto-classifica-de-mediocre-a-estrategia-do-governo/

Uma hipótese explicativa relacionada com o livro mais citado da Academia Portuguesa

No inicio do ano de 2023, o humilde dono deste blogue foi convidado para integrar o conselho editorial da revista científica Case Studies in Construction Materials, que é publicada pela editora Elsevier. A maioria dos membros do referido conselho pertence à China, aos EUA e ao Reino Unido, sendo o único conselheiro a representar o nosso país. 

As várias razões para esse convite só quem o fez as pode saber, mas talvez entre elas se inclua o facto de uma pesquisa na conhecida plataforma Scopus, mostrar que no Top 10 dos artigos mais citados dessa revista, que foram produzidos nos últimos 5 anos, a maioria deles pertencer a uma área, relativamente à qual eu sou o primeiro editor de um livro, que se tornou o mais citado dessa área a nível mundial e também o mais citado, de todas as áreas em Portugal, entre os muitos livros que foram produzidos ao longo da última década. https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/02/o-livro-mais-citado-de-portugal.html

Um Português com uma fortuna máxima mas com uma estatura moral bastante mínima

“…que no currículo já tinha a desonrosa medalha da fuga ao fisco e de ter feito um acordo para evitar uma acusação de violação, conseguiu ainda a proeza de aceitar receber dinheiro sujo, para ajudar a lavar a imagem de um regime inominável, vide as criticas que na altura lhe foram feitas pela Amnistia Internacional e também as acusações de hipocrisia, que lhe foram feitas cá dentro, por um conhecido médico” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/03/a-ligacao-entre-um-portugues-hipocrita.html

O trecho supra foi retirado de um post do passado mês de Março e elenca o passado pouco brilhante de um famoso artista do pontapé e da cabeçada. Mas como se esse currículo não fosse já suficientemente mau, o referido artista fez o impensável, tendo ontem sido noticia por conta de ter afirmado publicamente que admira um traste de nome Donald Trump https://sicnoticias.pt/especiais/cristiano-ronaldo/2025-11-07-video-os-elogios-de-ronaldo-a-trump-quero-conhece-lo-gosto-de-pessoas-assim-f87d98c2

Que tipo de pessoa é que pode elogiar e admirar alguém que tem no currículo 91 acusações, incluindo de falsificação, de extorsão e de abuso sexual ? Que tipo de pessoa é que pode elogiar e admirar alguém que está envolvido num escândalo de pedofilia ? Que tipo de pessoa é que pode elogiar e admirar quem se recusa a cumprir uma ordem do tribunal, deixando que crianças americanas passem fome ? Que tipo de pessoa é que pode elogiar e admirar alguém, obcecado em perseguir imigrantes honestos, que ao contrário do famigerado Donal Trump, nunca cometeram qualquer crime? E que tipo de Português, de moral mínima, traindo princípios de solidariedade nacional, pode elogiar e admirar alguém que mandou deportar centenas dos seus próprios compatriotas, que viviam há dezenas de anos no país de Trump, como por exemplo aquela Portuguesa que lá viveu ao longo de quase 60 anos ? https://www.rtp.pt/noticias/mundo/vivia-nos-eua-ha-57-anos-a-historia-de-uma-portuguesa-deportada_v1695582

Declaração de interesses – https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/ronaldo-versus-attenborough.html

PS – Em 2019 o supracitado artista de moral mínima foi condenado por um tribunal Espanhol a quase 2 anos de prisão por fraude fiscal e condenado também ao pagamento de uma multa de quase 20 milhões de euros. Infelizmente essa pesada condenação não foi considerada como motivo suficiente para que lhe fosse retirada a condecoração que recebeu da Presidência da República, muito embora a Lei das Ordens Honoríficas Portuguesas, refira expressamente, que os condecorados devem manter uma conduta irrepreensível que não “atente contra valores éticos” e que não envolva a prática de crimes ! 

O sistema científico nacional está viciado em publicações e isso está a prejudicar as universidades nacionais e a ciência mundial

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/11/o-sistema-cientifico-nacional-esta.html

Como divulguei no post acessível no link supra, em termos de publicações indexadas na base Scopus por milhão de habitantes, em 2009 Portugal ultrapassou a Itália, em 2010 ultrapassou a França, e em 2012 ultrapassou a Alemanha. Logo o país cuja ciência ganhou dezenas de prémios Nobel enquanto Portugal só ganhou um único Nobel há mais de 70 anos. E porém não ficou por aí, em 2021 a vantagem de Portugal sobre a Alemanha subiu para 34% e entretanto essa superioridade alcançou em 2024 uns inacreditáveis 44%. 

Porém e em sentido inverso o número total de publicações indexadas produzidas por investigadores Alemães tem vindo a descer todos os anos desde 2021. E a razão para isso não será certamente falta de competência nem muito menos preguiça. Mais provavelmente estará ligada à denúncia feita por muitos cientistas que o excesso de publicações  a nível mundial está a prejudicar a ciência, vide por exemplo Hanson et al. (2024) ou também o artigo de Horta e Jung (2024)  que constatou não haver investigadores séniores em número suficiente para conseguirem rever tantas publicações, o que leva a que na maior parte das vezes os Editores tenham de convidar jovens investigadores inexperientes, com uma produção cientifica incipiente, que nem sequer chega a meia dúzia de publicações, para fazerem essas revisões. Aliás, se recuarmos ainda mais no tempo, em 2021, Chu & Evans, analisaram 90 milhões de publicações tendo concluído que o referido excesso publicativo é francamente prejudicial à ciência. E nesse mesmo ano um investigador brilhante, Vladen Koltun, titular de um Scopus h-index=87, defendeu até que os investigadores que publicassem em excesso fossem penalizados por isso.

E a supracitada inflação de publicações indexadas ajuda a explicar a queda, ano após ano, no ranking Shanghai por áreas científicas, de todas as universidades Portuguesas, porque só por manifesta ingenuidade científica se poderia esperar que um aumento anormal da quantidade das publicações não levaria inevitavelmente a uma diminuição da sua qualidade (leia-se impacto) e é também por isso que os Alemães optaram por reduzir o número total das suas publicações, apostando antes em conseguir aumentar a “qualidade” das mesmas, ao mesmo tempo que também assim mostram ao mundo a sua vontade de deixar de contribuir para a muito danosa inflação mundial de publicações.  

É claro que como os investigadores nacionais adaptam o seu desempenho aos incentivos institucionais, enquanto não houver mudanças na avaliação de desempenho, que reduzam o anormalmente elevado valor das publicações, e passem a valorizar actividades de revisão e também o impacto científico (o verdadeiro calcanhar de Aquiles da ciência nacional), irão continuar a bater tristes recordes de publicações, mesmo que isso prejudique a competitividade internacional das universidades Portuguesas e a própria ciência mundial. 

Ainda no que respeita ao impacto científico, é pouco rigoroso, pouco científico e até perverso, que nos regulamentos nacionais de avaliação de desempenho, o mesmo seja estimado, de forma indirecta, atrás dos quartis das revistas (leia-se através do seu factor de impacto), pois trata-se de uma opção que foi fortemente desaconselhada por muitos conhecidos investigadores, que denunciaram as manipulações sistemáticas de que o mesmo é alvo, como por exemplo o fizeram os catedráticos Larivière e Sugimoto (2019) ou o supracitado Vladen Koltun, ao invés de ser calculado de forma directa, seja através de citações ou através do h-index, aliás se de há vários anos a esta parte, se tornou prática corrente publicar em Diário da República, editais de concursos públicos para lugares de professores catedráticos, em várias universidades incluindo na UMinho, exigindo valores mínimos de h-index  isso significa que os mesmos já abriram o precedente legal para que a sua utilização se possa também estender aos regulamentos de avaliação de desempenho. 

PS – Curiosamente, há um tipo particular de publicações académicas em relação ao qual Portugal não tem sido capaz de evidenciar um desempenho acima da média: os livros. A pequena Universidade de Oxford consegue produzir, todos os anos, mais livros indexados do que todas as universidades e politécnicos portugueses juntos, públicos e privados.