Deve a Europa sentir-se “grata” pelas acções altamente criminosas de Putin ?

Inicio este post com uma declaração de interesses, a qual publiquei quase um mês antes de Putin ter ordenado a invasão da Ucrânia, segundo a qual, fazer a apologia da guerra constitui de longe a pior infracção que um académico pode cometer https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2022/01/a-mais-grave-infraccao-academica-que.html

Feita que está essa ressalva e depois de todos os muitos posts anteriores onde ficou bem patente o meu profundo desprezo pelo dito Putin, posts esses que permitem por exemplo explicar a diminuição dos visitantes Russos que comentei em 25 de Dezembro aqui, é chegada a altura (em face de noticias muito recentes) de olhar para as acções altamente criminosas de Putin a partir de um outro prisma. 

Há poucos dias, Bettina Stark-Watzinger, Ministra Alemã da Educação, disse que as escolas daquele país devem preparar as crianças para a guerra. O contexto é a possibilidade de uma guerra com a Rússia, e de facto hoje mesmo, o Presidente do Conselho Europeu, explicou que só haverá paz na Europa se e só se os europeus estiverem preparados para a guerra https://www.consilium.europa.eu/en/press/press-releases/2024/03/19/if-we-want-peace-we-must-prepare-for-war/

Pessoalmente, não acredito que haja guerra entre a Alemanha e a Rússia, mas ainda assim, entendo como importante a preparação psicológica para uma guerra, porque na verdade haverá uma guerra, pelo que quanto mais cedo as novas gerações forem preparadas para ela tanto “melhor”. E quando um alto responsável da Comissão Europeia, Frans Timmermans, admite publicamente, como sendo provável que o seu neto, que fará 31 anos em 2050, poderá ter de lutar por recursos básicos, é de facto de uma guerra que estamos a falar. Uma guerra entre este Planeta e toda a espécie humana. 

Se metade deste Planeta vai acabar por se tornar inabitável (palavras de um conhecido catedrático de Oxford) então estamos a falar de largas centenas de milhões de humanos que terão de ser deslocados. Na verdade, o conservador Zurich Insurance Group apontou recentemente para o valor de 1200 milhões em 2050. 

Tendo em conta os cálculos feitos num artigo publicado no International Journal of Climate Change Strategies and Management, que analisou para os 20 países mais poluidores, quantos refugiados climáticos terão aqueles a obrigação moral de receber, facilmente se conclui que um único país europeu, a Alemanha, terá em tese a obrigação de receber qualquer coisa como 72 milhões (os EUA tem a obrigação de receber 120 milhões refugiados climáticos). 

É verdade, que ninguém irá obrigar os países poluidores a receberem esses refugiados climáticos, porém não é menos verdade que alguns académicos afirmam que as consequências das alterações climáticas são equivalentes a actos guerra dos países ricos contra os países pobres, pelo que estes últimos, podem em legitima defesa, levar a cabo ataques terroristas contra as indústrias poluentes dos primeiros. Pelo que resta assim aos primeiros uma única opção, ou terem a dignidade de assumir as responsabilidades morais por acções próprias ou suportarem as consequências de ataques terroristas legítimos. 

PS – O contexto supra, ajuda a perceber melhor aquilo que no mês passado foi mencionado aqui

A urgente reorientação da equivocada estratégia da Academia Portuguesa

Em Janeiro de 2021, analisei as publicações indexadas na base Scopus, ao longo de 20 anos, produzidas por Portugal, pela Itália, pela França e pela Alemanha, tendo mostrado que o nosso país ultrapassou a Itália em 2009, ultrapassou França em 2010, e ultrapassou a Alemanha em 2012 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/publicacoes-cientificasem-2009-portugal.html

Uma nova pesquisa hoje efectuada na referida base Scopus mostra que em 2021 a produção científica de Portugal foi 82% superior à produção da Coreia do Sul, em 2022 foi 83% superior à daquele país e em 2023 a vantagem do nosso país subiu para 87%. Acontece que a Coreia do Sul, é nada mais nada menos o país que acaba de saber-se, através de um relatório da Clarivate Analytics, irá tornar-se em 2025, 2026, 2027 e 2028, aquele com mais empresas inovadoras deste Planeta, ao contrário de Portugal, que nunca teve, não tem e provavelmente nunca terá uma única empresa nesse ranking. 

Será que os factos acima referidos não são prova suficiente que a Academia Portuguesa deve com urgência reorientar a sua estratégia, reduzindo as elevadas energias que deposita a produzir um elevado número de publicações avulsas, para tentar produzir menos publicações mas com elevado impacto científico ?

Mas como será possível levar a efeito essa reorientação se os regulamentos de avaliação de desempenho dão muito mais valor ao facto de um investigador se produzir um elevado número de publicações avulsas do que a produzir um pequeno número de publicações com elevado impacto, leia-se altamente citados ? 

Mas como será possível levar a efeito essa reorientação, se a avaliação das unidades de investigação actuamente em curso, nem sequer cumpre um requisito essencial (vide denúncia do catedrático jubilado Ferreira Gomes) pois não é baseada num estudo bibliométrico robusto, realizado por uma entidade independente, que mostre de forma inequívoca qual é o verdadeiro impacto de todas as unidades de investigação, o que significa que os avaliadores irão basear-se no número de publicações e no IF (como sucedeu profusamente na última avaliação, tendo eu detectado nos relatórios a sua menção mais de 500 vezes), que são inequivocamente as piores métricas que existem (Vladlen Koltun dixit) ?

PS – Tenha-se presente que a Clarivate Analytics, utilizando uma métrica baseada em artigos altamente citados,  já conseguiu acertar no nome de mais de 70 cientistas vencedores do prémio Nobel.

Analyzing 60 million inventions to forecast the most innovative countries until 2028

Clarivate Analytics has unveiled the Top 100 Global Innovators 2024. The Top 100 Global Innovators methodology uses a complete comparative analysis of 60 million inventions. On page 19, an especially compelling image awaits, projecting the most innovative countries for the years 2025, 2026, 2027, and 2028. A concerning trend emerges: all six top European countries are poised to decline in this forecasted ranking https://clarivate.com/blog/top-100-global-innovators-for-2024-revealed-report/

In 2021, I highlighted a paper revealing that research expenditure isn’t the primary predictor of a country’s scientific impact. Rather, good governance, assessed through six indicators, including the absence of corruption, emerged as the most influential factor https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/04/is-culture-related-to-strong-science.html In light of the observed and undeniable decline in European innovation, this prompts a deeper reflection: What underlying factors are contributing to this worrying trend ?

Although there may be various reasons why European top companies lag behind their counterparts in South Korea, Japan, and China in terms of innovation I sincerely hope that the officials of the European Commission refrain from echoing the misguided statement published in The Economist, which I have criticized here.   

When it comes to nurturing innovation in European universities, the most effective approach is to emulate Sweden’s model and reinstate the professor’s privilege. The evidence overwhelmingly indicates that abolishing this privilege is not only harmful but also counterproductive. Furthermore, replacing the founder, the professor, with a professional CEO significantly undermines innovation.

PS – Check also the content of the previous post-which delves into practical advice for reversing the decline in scientific disruption-It opens with a mention of a paper by researchers from South Korea who analyzed the “Asians´ self-deprecating belief that they are not as creative as Westerners”

Portugal mais uma vez abaixo da Grécia em estudo que usa o h-index para avaliar o desempenho de 140 países

Na sequência de posts anteriores sobre o h-index, nomeadamente um post de 19 de Setembro de 2023 sobre um catedrático de economia com um h-index=0, e um post anterior de 5 de Agosto de 2023, sobre um concurso para um lugar de catedrático, e tendo em conta que estudos anteriores demonstraram que existe uma ligação entre a educação e o crescimento económico, que mostraram que quanto maior o PIB, o Individualismo e o número de investigadores, maior é o valor do h-index, atente-se no estudo muito recente que pretendeu responder à pergunta: Que correlações podem ser identificadas entre o h-index e as variáveis da influente teoria das dimensões culturais (do falecido catedrático) Gerard Hendrik Hofstede?, desgraçadamente e como se pode ver na figura 1 desse estudo, Portugal aparece mais uma vez, abaixo da Grécia  https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-024-04965-w#Sec9

Sobre a trágica sina que é ver Portugal repetidamente abaixo da Grécia revisite-se o post de 15 de Outubro de 2023 Uma solução expedita para tentar solucionar o mau desempenho de Portugal, passa irónicamente pela utilização do h-index. De facto, se agora são exigidos valores de h-index mínimo para o simples acesso a um concurso de professor universitário (como já há muito fazem noutros países), como aquele concurso referido no inicio deste post, então é incontroverso e no respeito pelo principio da igualdade, que os professores universitários nomeados definitivamente também devem ter de cumprir valores mínimos de h-index, ainda que se possa admitir que esses valores mínimos possam ser inferiores aos do acesso aos concursos, vide proposta que fiz em Janeiro de 2020, quando defendi o despedimento dos professores Associados e Catedráticos com um h-índex inferior a 10 (e também de todos os professores-coordenadores e coordenadores-principais, com um h-index inferior a 5) por violação grave do dever de investigar consagrado no ECDU e no ECDESP, leia-se produzir um mínimo de outputs cientificamente relevantes no contexto internacional. A verba assim poupada permitiria contratar jovens investigadores de elevado potencial, que de outro modo não tem outra solução que não seja a de irem trabalhar para países ricos do Norte da Europa, ironicamente ajudando esses países a ficarem ainda mais ricos.

PS – Recorde-se que em 2021 a universidade do Porto despediu um professor que não tinha publicaçóes indexadas, o que é o mesmo que ter um h-index=0 https://www.publico.pt/2021/10/07/sociedade/noticia/professor-universidade-porto-despedido-curriculo-artigos-credibilidade-cientifica-1979552

Um curso muito inovador que ensina a receita para obter lucros superiores a 500%

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/deputada-do-ps-ensina-como-ter-um-lucro.html

Para imenso prejuízo deste país, aquele ilustríssimo senhor que foi mencionado no post supra, ainda não se disponibilizou para dar (leia-se vender) umas aulinhas onde fizesse o favor de explicar, de forma científica, e com mais ou menos pedagogia, qual é afinal a receita que permite (aos políticos espertalhaços deste país) fazerem negócios obtendo lucros superiores a 500%

Ainda assim, felizmente porém, que hoje mesmo, um Português altruísta e bastante corajoso, achou boa ideia suprir essa carência, detalhando com elevado pormenor como é que isso se consegue. O extenso artigo, que por gentileza uma alma caridosa trouxe ao meu conhecimento, leva o esclarecedor título “Um negócio das Arábias”  https://www.reconquista.pt/articles/leitores-um-negocio-das-arabias-

No Reino Unido, a posse de bens cuja origem não se consegue explicar às autoridades de forma razoável, obriga a que o destino das mesmas seja o de reverterem para a posse do Estado, como sucedeu por exemplo com um canalha, a quem a Coroa Inglesa desapossou de bens no valor de muitos milhões de libras e que eu mencionei aqui.

Já em Portugal, o país onde a corrupção beneficia da protecção da própria lei (Maria José Morgado dixit) é perfeitamente legal fazer negócios em que espertalhaços consigam obter lucros de mais de 500%, como se fosse a coisa mais natural deste mundo. Neste contexto há quem ache que a única solução está em votar no Chega e de facto mais de 20.000 eleitores do distrito de Castelo Branco decidiram votar naquele partido, permitindo a eleição de um deputado, restando somente saber quantos votaram nele por conta do tal negócio das Arabias ?

No seu programa, o Chega defende a prisão perpétua e só não defende a pena de morte por um módico de vergonha, porque na verdade há naquele partido (e também noutros) muitos que a defendem e que gostariam de ver políticos espertalhaços pendurados na ponta de uma corda. Assim sendo, faço votos que o novo Governo da República Portuguesa, rapidamente altere o Código Penal, para que seja possível meter na cadeia, aqueles que como referiu o Presidente do Sindicato dos Juízes, enriqueceram na politica e se andam a rir de todos nós, pois se isso não suceder ninguém se pode admirar que o Chega, nas próximas eleições, ao invés de lhe acontecer o que sucedeu ao PRD ainda consiga (como conseguiu a Frente Nacional na França) aumentar o seu número de deputados

Studying scientists’ productivity through the AK principle

On March 1st, an intriguing paper authored by Lutz Bornmann, a distinguished recipient of the Solla Prize Medal, was published in the journal Scientometrics.  This study unveils a research program focused on examining productivity variances within the realm of science. Central to this program is the AK principle, which posits that success in research is contingent upon a constellation of interrelated prerequisites. According to the AKP, significant achievements arise when all necessary conditions are met synergistically. Conversely, the absence of even one prerequisite inevitably leads to failurehttps://link.springer.com/article/10.1007/s11192-024-04962-z#Sec5    

While acknowledging Lutz Bornmann’s contributions, it’s essential to note that his focus on lauding “high producers” may be somewhat misplaced given the current deluge of research papers. As I emphasized in my communication dated January 21st, “the scientific community must undertake a pivotal shift—an overdue course of action, underscored by the esteemed researcher Vladen Koltun. This shift entails moving away from the current norm of excessively prioritizing the quantity of publications…the Science that this vulnerable world needs is certainly not that which simply translates into a (harmful) deluge of absolutely irrelevant publications (which very few read and which no one takes the time to cite) but rather that Science which causes an impact and which (positively) transform people’s lives.”

PS – Find below the email I sent to scientist Lutz Bornmann:

Estemeed Lutz Bornmann,

I recently delved into your paper titled ‘Skewed Distributions of Scientists’ Productivity: A Research Program for Empirical Analysis,’ which I highlighted in one of my blog posts. It sparked a crucial inquiry for me. In today’s landscape of overwhelming publication volumes (that is obstructing the rise of new ideas), with thousands of ‘super-scientists’ generating an average of one paper daily, and with the assertion from a Clarivate Analytics director that ‘publishing 2 or 3 articles per week is indicative of poor scientific ethics,’ do you not worry that your recognition of ‘high producers’ might inadvertently exacerbate this situation ?

Quais os concelhos onde vivem os Portugueses que suspiram pelo capitalismo selvagem e que acreditam no pai Natal ?

A edição do jornal Público de hoje contém vários mapas de Portugal sobre as preferências politicas dos Portugueses. Acho particularmente interessante dois desses mapas.

O primeiro deles diz respeito à localização dos concelhos onde o Partido Iniciativa Liberal, teve uma maior percentagem de votos, são os concelhos onde parece existir um elevado número de Portugueses, que ao contrário das evidências, que mostram que o problema do  nosso país não é de falta de liberalismo, mas antes pelo contrário de excesso de liberalismo, (que até permite, pasme-se, que as empresas possam poluir muito à vontadinha) pelos vistos parece que não se incomodam nada com o maravilhoso liberalismo, que através de um número infindável de cartéis empresariais os rouba todos os dias, nem muito menos se importarão de contribuir para aumentar os lucros estratosféricos dos grupos privados de saúde, como aquele conhecido grupo que tem como Presidente uma infeliz senhora que admirava (admira ?) Ricardo Salgado, quem sabe se esses Portugueses só ficarão contentes quando puderem usufruir de todas as muitas vantagens do capitalismo selvagem.

Já o segundo mapa, mostra os concelhos onde o Chega teve a sua maior percentagem. São os concelhos onde vivem os Portugueses que acreditam que o André Ventura irá (por artes mágicas) aumentar as reformas menores para o valor do salário mínimo. Quero porém acreditar que nem mesmo eles acreditam que o André Ventura irá acabar com a corrupção, desde logo porque ele convidou para deputados 7 (sete) condenados pela justiça, também porque é muito difícil (e incoerente) levar a sério a vontade de Ventura combater a corrupção, por um lado, porque o programa do seu partido, muito estranhamente (ou talvez não) não contém uma única medida para combater os off-shores, onde os corruptos escondem o dinheiro que roubam a este país e por outro lado, porque paradoxalmente, André Ventura até é apoiado pelo Governante mais corrupto de toda a União Europeia  https://observador.pt/2024/03/03/partido-e-uma-farsa-na-politica-portuguesa-livre-ataca-chega-pela-tentativa-de-desvirtuar-o-resultado-e-critica-apoio-de-orban/

PS – Sobre as empresas que aproveitam do excesso de liberalismo para poluirem à vontadinha, basta atentar neste caso aqui ou neste outro muitíssimo mais grave. Já sobre os off-shores, onde Portugal ocupa um lugar vergonhoso no Top10 mundial, revisite-se o post de 13 de Outubro de 2019 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/pilhagem-evasao-fiscal-bombas-bosta-e.html

Sobre a decência e a coragem

Declaro que votei no Partido Livre. Isso não pode constituir surpresa depois de ter escrito anteriormente que aquele Partido “é liderado por uma pessoa decente e corajosa, por quem tenho respeito e consideração, e com o qual tenho algo importante em comum (e também com o complexo escritor Jorge Luís Borges) pois se há algo que o Parlamento Português necessita desesperadamente é de ter muito mais deputados decentes e corajosos. 

A decência porque constitui um minimo civilizacional  e a coragem porque é a meu ver uma virtude humana absolutamente fundamental, vide citação que no reproduzi no post de 19-11-2023: “If you’ve lost your money, you’ve lost nothing, for with astute business dealings, it can be regained; if you lost your honor, much is forfeited, yet through heroic actions, it can be reclaimed; but if you lost your courage, you lost everything.”

Infelizmente nesta legislatura ainda não haverá muitos deputados decentes e corajosos, e parte da razão para esse estado de coisas, tem que ver com a opção de quase 20% daqueles que ontem decidiram confiar o seu voto ao partido do André Ventura, partido esse que critiquei de forma pouco suave neste blogue, no passado dia 3 de Fevereiro. 

O resultado da análise de 60 milhões de invenções e as previsões até 2028

A conhecida firma Clarivate Analytics (a mesma que já conseguiu acertar no nome de mais de 70 prémios Nobel) acaba de revelar, após uma análise exaustiva de mais de 60 milhões de invenções, a lista das 100 empresas mais inovadoras do Planeta, o relatório pode ser descarregado a partir do link https://clarivate.com/blog/top-100-global-innovators-for-2024-revealed-report/

No referido relatório, entendo como especialmente relevante a imagem da página 19 e que diz respeito a uma previsão do comportamento dos países mais inovadores para os anos 2025, 2026, 2027 e 2028. Atente-se no extraordinário desempenho da Coreia do Sul, país que a partir do próximo ano vai passar a liderar a referida lista e aí permanecerá.

Recorde-se que se trata da mesma Coreia do Sul que em 1974 tinha um PIB/capita miserável de 563 dólares, quando o PIB de Portugal era quase 400% superior, mas que entretanto foi ultrapassado pelo da Coreia do Sul e um dia destes, a continuar a este imparável “ritmo”, será apenas metade daquele, e depois apenas um terço. A isto, passar de uma vantagem de quase 400% para um valor negativo, mesmo depois de Portugal ter recebido da Europa mais de 150.000 milhões de euros, só pode apelidar-se de incompetência atroz.

Note-se que uma única empresa da Coreia do Sul, a Samsung, gasta em investigação muito mais do que o Governo Português e todas as empresas Portuguesas juntas. Aquilo que temos no nosso país é muitas empresas que alegam que fazem investigação, unicamente para poderem pagar menos impostos, com abatimentos no IRC que chegaram a mais de 80% da matéria colectável e que até incluíram fundos de capital de risco.

No presente contexto, volto a repetir a questão que formulei em 18 de Agosto de 2021, “faz algum sentido que o Governo ande a empobrecer a Academia (palavras do Reitor da ULisboa) para com esse dinheiro subsidiar com centenas de milhões de euros, todos os anos, alegadas investigações levadas a cabo em empresas, e pasme-se até mesmo em bancos ?”

Ao invés de se andar a ofertar avultados subsídios a empresas, a pretexto das mesmas levarem a cabo alegadas actividades de investigação (cujo valor acrescentado até pode ser nulo), fará muito mais sentido que essas verbas sejam muito melhor aproveitadas a financiar grupos de investigação, com provas dadas em termos de criação de empresas tecnológicas internacionalmente competitivas.

PS – Sobre as lamentações de um conhecido catedrático jubilado, no respeitante ao mau desempenho de Portugal no ranking da inovação mundial e sobre a lição (divulgada pela conhecida The Economist) que os Governos Portugueses, desgraçadamente, ainda não conseguiram aprender vale a pena revisitar o post anterior.

ChatGPT’s shortcomings in addressing the ongoing struggle between academic conservatism and the dynamic forces of rebellion, anarchy, and chaos

In revisiting the previous post where I outlined 10 criteria recommended by ChatGPT for the recruitment of researchers, aimed at fostering rebellion, anarchy, and chaos within the academic realm, I overlooked, the glaring omission in ChatGPT’s recommendations. Strikingly, there was no mention of the crucial imperative to combat endogamy. This oversight indicates that ChatGPT may not have been privy to a comprehensive study encompassing over 7000 researchers from over 140 countries, spanning diverse fields of knowledge. The findings of this study concluded that academicians engaged in endogamous practices exhibit diminished potential for groundbreaking discoveries, which typically demand greater risk-taking and courage  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/study-on-academic-inbreeding-involving.html