Sai mais um título de Agregado para outro professor com um notável h-index=0

Ainda na sequência do post anterior sobre aqueles que chegam á Cátedra (e antes disso à Agregação) com um h-index=0, aproveito para divulgar que muito recentemente, uma instituição de ensino superior pública, publicitou o facto de um dos seus docentes ter sido aprovado em provas de Agregação, nas quais esteve presente um portentoso catedrático da universidade de Lisboa. 

O currículo académico, do novo Agregado, como consta da página da universidade de Lisboa, está acessível no link abaixo, onde se fica a saber muitas coisas, inclusive que ele tem “Gosto pela leitura, pela actividade desportiva, pelo cinema e pela música“. Aquilo que infelizmente lá não se fica a saber, sendo necessário para o efeito recorrer à conhecida plataforma de literatura científica Scopus, é que o novo Agregado possui um h-index=0.  https://www.iseg.ulisboa.pt/aquila/getFile.do?method=getFile&fileId=613462

É claro que a referida instituição de ensino superior pública, não iria divulgar que o tal portentoso catedrático da universidade de Lisboa, que integrou esse júri, ainda não teve tempo de colocar uma única publicação no seu currículo na plataforma Ciência Vitae, https://www.cienciavitae.pt/portal/BE11-3184-2A3, embora ele garanta na página da sua unidade de investigação, CIDP, que tem “dezenas de obras e artigos publicados“. 

Tão pouco iria essa instituição divulgar, que na última avaliação de unidades de investigação, a unidade CIDP, a que pertence esse catedrático, foi classificada com a notação de Weak, o que significa que não conseguiu sequer atingir o patamar mínimo, para poder atribuir o grau de Doutor. 

E será que faz algum sentido, pelo menos num país europeu (pois talvez se entenda em países do terceiro mundo) que os membros de uma unidade que não pode atribuir o grau de Doutor, possam andar alegremente em júris de provas que atribuem o título de Agregado ?  Não é evidente que esse facto bizarro desvaloriza o título de Agregado ?

E o que é que Portugal está à espera para proibir de vez esta aberração, própria de um país do terceiro mundo e passar a exigir em letra de lei, que somente os professores que nos últimos 5 anos tenham produzido um mínimo de 3 publicações indexadas que tenham recebido 3 citações (h-index=3) podem fazer parte de júris académicos ?

Declaração de interesses – Declaro que em 10 de Janeiro de 2020, sugeri uma medida radical, para poupar vários milhões de euros, que seriam utilizados para contratar jovens investigadores de elevado potencial (desempregados, que sem dúvida irão trabalhar para enriquecer outros países que não o nosso), e que passaria pelo despedimento dos Associados e Catedráticos com um h-índex inferior a 10 (e também de todos os professores-coordenadores com um h-index inferior a 5) por violação grave do dever de investigar, consagrado no ECDU e no ECDESP, leia-se do dever de produzir um mínimo de outputs cientificamente relevantes a nível internacional. Curiosamente no final de 2021 a universidade do Porto despediu um professor pelo facto daquele não conseguir produzir publicações indexadas https://www.publico.pt/2021/10/07/sociedade/noticia/professor-universidade-porto-despedido-curriculo-artigos-credibilidade-cientifica-1979552

Portugal – Os 100 investigadores mais citados segundo o ranking Elsevier/Stanford

Relativamente à lista dos investigadores mais citados, que resultou da ordenação efectuada em 2022 pelo ranking Elsevier-Stanford (ficheiro carreira), reproduzo abaixo uma actualização da referida lista, baseada em todos os cientistas afiliados a instituições Portuguesas (agora também incluindo cientistas estrangeiros) e bem assim também alguns conhecidos investigadores Portugueses que trabalham em universidades estrangeiras, constantes do recente ranking Elsevier-Stanford de 2024:

A lista permite pelo menos duas importantes observações. A primeira é que o facto da catedrática Elvira Fortunato aparecer na centésima posição, mostra que era risível a noticia do Expresso que deu conta que ela tinha hipóteses de ganhar o Nobel da Física. E a segunda é que sendo o conhecido António Damásio, o incontestado primeiro classificado, tal é a diferença para o segundo, que ele será aquele, pelo menos actualmente, com mais hipóteses de vir a ser escolhido para entrar no tal clube de potenciais vencedores de prémios Nobel, onde infelizmente Portugal ainda não tem nenhum representante.

  1. Damásio, A…………………………………………USouth Calif.
  2. Hespanha, J. P……………………………………UCalifornia
  3. Davim, J. P…………………………………………UAveiro
  4. Domingos, P………………………………………UWashington
  5. Mano, João F……………………………………..UAveiro
  6. Araújo, M.B………………………………………..CSIC
  7. Liddle, Andrew R………………………………..ULisboa
  8. Guedes Soares, C……………………………….ULisboa
  9. Reis e Sousa, C…………………………………..Francis Crick Inst.
  10. Damásio, Hanna………………………………..USouth Calif.
  11. Ferro, José M…………………………………….ULisboa
  12. Tenreiro Machado, J. A………………………Pol. Porto
  13. Bioucas-Dias, José M…………………………ULisboa
  14. Heald, Richard J………………………………..Champalimaud F.
  15. Coutinho, João A.P……………………………UAveiro
  16. Figueiredo, Mário A.T……………………….ULisboa
  17. Barros, Carlos……………………………………ULisboa
  18. Chaves, Maria Manuela…………………….ULisboa
  19. Figueiredo, José L……………………………..UPorto
  20. Cunha, Rodrigo A……………………………..UCoimbra
  21. Montemor, M. F…………………………………ULisboa
  22. Ferreira, S………………………………………….UPorto
  23. Rodrigues, Alírio E…………………………….UPorto
  24. Lobo, Francisco S.N…………………………..ULisboa
  25. Bakermans-Kranenburg, M. J……………ISPA
  26. Lourenço, Paulo B…………………………….UMinho
  27. Ferreira, A. J.M…………………………………UPorto
  28. Reis, Rui L………………………………………..UMinho
  29. Brett, Christopher M.A……………………..UCoimbra
  30. Gama, João……………………………………….UPorto
  31. Carso, Vitor……………………………………….ULisboa
  32. Malcata, Francisco Xavier…………………UPorto
  33. Catalão, João P.S………………………………..UPorto
  34. Lindman, Björn…………………………………..UCoimbra
  35. Moreira, Paula I…………………………………..UCoimbra
  36. Silveirinha, Mário G……………………………ULisboa
  37. Pereira, Helena……………………………………ULisboa
  38. Bertolami, Orfeu…………………………………UPorto
  39. Cardoso, Fatima………………………………..Champalimaud F.
  40. Pacheco-Torgal, Fernando………………..UMinho
  41. Rocha, Joao…………………………………………UAveiro
  42. Brito, Jorge…………………………………………..ULisboa
  43. Falcão, A. F.O……………………………………….ULisboa
  44. Rouane, E. G………………………………………..UAlgarve
  45. Rodrigues, Joel J.P.C…………………………..ULusófona
  46. Pombeiro, Arman………………………………..ULisboa
  47. Ferreira, Mario G.S………………………………UAveiro
  48. Oliveira, Rui F……………………………………..Inst. Gulbenkian
  49. Varandas, António J.C…………………………UCoimbra
  50. Pereira, Luis S………………………………………ULisboa
  51. Veldhoen, Marc…………………………………..ULisboa
  52. Carmo-Fonseca, Maria……………………….ULisboa
  53. Sousa, Nuno………………………………………..UMinho
  54. Santos, Nuno C……………………………………UPorto
  55. Peças Lopes, João A…………………………….UPorto
  56. Kamel Boulos, Maged N……………………..ULisboa
  57. Souto, Eliana B……………………………………..UPorto
  58. Rocha-Santos, Teresa…………………………..UAveiro
  59. Schütz, Gunter M………………………………….ULisboa
  60. Carvalho, F. P………………………………………..ULisboa
  61. Cavaco-Paulo, Artur……………………………..UMinho
  62. Rodrigues, Lígia R…………………………………UMinho
  63. Lemos, José P.S…………………………………….ULisboa
  64. Sarmento, Bruno…………………………………..UPorto
  65. Gash, John H…………………………………………ULisboa
  66. Oliva-Teles, Aires…………………………………..UPorto
  67. Vasconcelos, Vítor…………………………………UPorto
  68. Miguel, Maria Graça……………………………..UAlgarve
  69. Saraiva, Maria João………………………………UPorto
  70. McGregor, Peter K…………………………………ISPA
  71. Graça, Manuel A.S…………………………………UCoimbra
  72. Schmitt, Fernan C………………………………….UPorto
  73. Loureiro, Sandra M. C…………………………..Iscte
  74. Herdeiro, Carlos A.R…………………………….UAveiro
  75. Simões, Manuel……………………………………..UPorto
  76. Flores, Paulo…………………………………………..UMinho
  77. Sousa Santos, B………………………………………UCoimbra
  78. Paterson, Robert R.M…………………………….UMinho
  79. Ferreira, Isabel C.F.R………………………………Pol. Bragança
  80. Carlos, L. D………………………………………………UAveiro
  81. Ens, John F……………………………………………….Texas A&M
  82. Phillips, Alan J.L……………………………………….ULisboa
  83. Semin, Gün R…………………………………………..ISPA
  84. Kundu, Subhas C…………………………………….UMinho
  85. Konotop, Vladimir V………………………………ULisboa
  86. Barros, Lillian………………………………………….Pol. Bragança
  87. Vilar, Rui………………………………………………….ULisboa
  88. Carvalho, M…………………………………………….ULisboa
  89. Kholkin, Andrei……………………………………….UAveiro
  90. Zilhão, João……………………………………………..ULisboa
  91. Marques, Rui C……………………………………….ULusófona
  92. Sobrinho-Simões, M………………………………UPorto
  93. Martins, Rodrigo…………………………………….UNova
  94. Órfão, José J.M……………………………………….UPorto
  95. Antunes, Manuel J………………………………….UCoimbra
  96. Leitão, Paulo……………………………………………Pol. Bragança
  97. Fernández-Rossier, J……………………………….INL
  98. Manaia, Célia M………………………………………UCatólica
  99. Camarinha-Matos, Luis………………………….UNova
  100. Fortunato, Elvira………………………………………UNova

O intrigante mistério dos 600% e a hipótese da mexicanização do ensino superior

Ainda na sequência do post anterior onde foi analisado o desempenho das seis melhores universidades públicas Portuguesas, e onde se constatou que ironicamente, aquela de pior desempenho, foi precisamente aquela que foi mais beneficiada no programa FCT tenure, faz todo o sentido analisar o desempenho das referidas seis universidades, no que respeita a ajudar Portugal a não fazer má figura no ranking dos países com maior número de investigadores altamente citados, que foi divulgado no final do post.

A lista infra diz respeito ao rácio de investigadores altamente citados (Top 0.5%) por milhar de docentes ETI, sendo que o número de ETIs de cada instituição foi recolhido no ficheiro de 2023 da DGEEC sobre endogamia académica.

Univ. de Aveiro………..16 investigadores altamente citados por milhar de docentes ETI

Univ. do Porto………….13

Univ. de Lisboa…………13

Univ. do Minho ………..10

Univ. de Coimbra……….8

Univ. Nova…………………4

Os resultados mostram, uma vez mais, que a universidade Nova é aquela com o pior desempenho, muito longe da universidade líder, pelo que faz sentido questionar, porque é que a universidade Nova recebeu 600% mais bolsas no programa FCT tenure do que a mencionada universidade de Aveiro ?

PS – Em 2022 um conhecido catedrático da universidade do Minho, acusou o Governo do PS de asfixiar as universidades mais dinâmicas, classificou esse fenómeno espúrio de mexicanização do ensino superior, que é aquilo que parece poder explicar os resultados divulgados neste post e no outro anterior, sobre as quedas no ranking Shanghai por áreas.   

The Dark Side of ERC: How Stratification is Undermining European Science

Continuing from my previous post regarding the Draghi report, I believe it is essential to critically examine the report’s overly enthusiastic praise of the European Research Grants program. While the program is undoubtedly impactful, I would argue that its current structure, which heavily concentrates resources on a limited number of recipients, has some notable shortcomings. This perspective is supported by an insightful study published in the Elsevier journal Research Policy, which highlights significant challenges associated with highly stratified programs (see the extracted section below). Why not reduce the value of individual ERC grants by half, allowing the program to support twice as many grantees?

“stratification creates higher levels of inequality which eventually induce disadvantaged participants to exit the market. Relatively high exit rates are common in highly competitive fields. Science, for example, has been described as a “a primitive village with maximum fecundity and horrible mortality” (Desolla Price, 1965). Back in the 1960s, the scientific population grew by 7% each year, with a 17% “birth rate” and a 10% “death rate.” However, now up to 84% of new PhD recipients in biology are expected to exit academia due to the lack of tenure track positions (Larson et al., 2014). Furthermore, “quitting” among those who succeed to stay in academia can come in the form of reduced willingness to compete for funding opportunities (Bol et al., 2018), fueling rich-get-richer dynamics. Given this high exit rate, we should take opportunities to explore new mechanisms to reduce—but by no means eliminate—competitive pressure: the objective is rebalancing the current high levels of reward stratification towards a more sustainable equilibrium” https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048733321000160?via%3Dihub#sec0022

PS – The aforementioned paper is co-authored by Christoph Riedl, who is affiliated with both Northeastern University and Harvard University. I previously mentioned Riedl in a post discussing creativity in research.

Uma análise mais fina e devidamente contextualizada sobre um intrigante desempenho universitário

Ao contrário do que parecia sugerir o post acessível no link supra, onde mencionei (sem contexto) uma queda de 44%, da universidade do Minho, no ranking Shanghai por áreas, convém porém proceder a uma análise desse desempenho num período temporal maior (2019-2024) e comparar o mesmo com o desempenho de ouras universidades Portuguesas. Entre essas merece destaque, pela negativa, a Universidade Nova de Lisboa, que caiu mais de 60% e a Universidade de Coimbra que caiu quase 60%.

O comportamento decrescente da UMinho, pode ser parcialmente explicado, por aquela ser uma das universidades a quem os Governos PS todos os anos mais subfinanciaram, pois esse é um facto incontraditável, essa condição não explica porém o comportamento da universidade Nova de Lisboa, que é uma universidade que recebe do Orçamento de Estado muito mais dinheiro que recebe a Universidade do Minho. A universidade Nova é tão rica ou tão pouco, que o seu Reitor até recebe dois salários e uma das suas unidades orgânicas até planeia contratar professores estrangeiros, com salários de quase 30.000 euros/mês.

Coisa diferente mas não menos relevante no presente contexto, porque diz respeito a todas as instituições de ensino superior públicas, é a vertida no comentário “…da forma igualmente desprezível como este Governo tem andado a subfinanciar o ensino superior…o orçamento universitário de 2023, foi inferior ao de 2010, e se os valores forem analisados em percentagem do PIB, então o resultado é ainda mais vergonhoso, pois constata-se que o valor do orçamento das universidades públicas em 2023 é metade do valor de 2010…”

PS – Porque será que a (rica) Universidade Nova, a campeã das descidas no ranking Shanghai por áreas, foi a universidade que mais lugares arrecadou no programa FCT tenure, mais até (!!!) do que receberam no conjunto as universidades de Coimbra, Minho e Aveiro ?  https://www.publico.pt/2024/08/29/ciencia/noticia/cinco-universidades-90-vagas-docentes-novo-fcttenure-2101918

Clarivate Analytics revela que tão cedo a ciência Portuguesa não receberá um prémio Nobel

No passado dia 1 de Setembro, expressei a minha desilusão (que estou certo será também a de milhões de Portugueses) pelo facto dos 50 anos de democracia não terem conseguido, aquilo que conseguiu a ditadura de Salazar, ganhar um Nobel por conta de importantes descobertas científicas.

Neste mesmo post, escrevi também, que no dia 19 de Setembro a conhecida firma Clarivate Analytics iria revelar os nomes dos cientistas, altamente citados, que este ano se irão juntar ao prestigiado clube, dos potenciais vencedores de um prémio Nobel, clube esse onde existem 75 galardoados com esse prémio.  Infelizmente, ficou-se a saber nesse dia, que entre os novos nomeados este ano, há cientistas do Canada, da Croácia, da Espanha, da Africa do Sul, do Quénia, da India, da Itália, de Israel, do Japão, do Reino Unido e dos EUA, já de Portugal não há nenhum, zero virgula zero. Mais uma desilusãohttps://clarivate.com/citation-laureates/winners/

PS – E como não há prémios Nobel sem cientistas altamente citados, e como esta semana também se ficou a conhecer a actualização do ranking mundial de investigadores Elsevier/Stanford,  reproduzo abaixo uma lista de 25 países ordenados pelo rácio do número de cientistas constantes do referido ranking por milhão de habitantes, mas apenas para o grupo dos 0.5% mais citados. Os resultados constituem uma autêntica desilusão

  1. Switzerland………108 cientistas no grupo Top 0.5% por milhão de habitantes
  2. Denmark…………. 84
  3. UK……………………77
  4. USA………………….75
  5. Sweden…………….70
  6. Australia……………65
  7. Netherlands……….63
  8. Canada……………..60
  9. Finland………………53
  10. Israel…………………45
  11. Norway………………41
  12. New Zealand………41
  13. Singapore………….39
  14. Belgium……………..35
  15. Germany……………33
  16. Ireland……………….32
  17. Austria……………….31
  18. Iceland………………27
  19. France……………….19
  20. Italy…………………..15
  21. Luxembourg………13
  22. Greece………………12
  23. Slovenia……………..9
  24. Cyprus………………..9
  25. Portugal………….8

Catedrático da U.Minho apelida de tolos os professores que tem medo que os alunos façam trabalhos usando o ChatGPT

Num artigo ontem publicado, no primeiro caderno do semanário Expresso, o conhecido catedrático Aguiar-Conraria da universidade do Minho, revela que encara a IA generativa como uma ferramenta indispensável, que o ajuda na sua comunicação, também a escrever código de software ou ainda a preparar exames, escrevendo a este respeito que “quase sempre os dou ao ChatGPT para resolver“, aproveitando logo de seguida para criticar os professores que tem medo que os alunos façam trabalhos usando o ChatGPT

Na parte final do referido artigo alude a algo, a diferença de capacidade dos modelos de IA generativa pagos e gratuitos, sugerindo que “as escolas, universidades e politécnicos, devem comprar estes serviços e pô-los à disposição da comunidade escolar”, facto esse que não por acaso eu já tinha mencionado num post de Novembro do ano passado, de título “Universidades que pagam o acesso dos seus estudantes ao GPT-4 ou como lixar a vida dos estudantes de famílias pobres“. 

Declaração de interesses – Declaro que já por diversas vezes mencionei o supracitado catedrático Aguiar-Conraria, que é agora o novo Presidente da Escola de Economia e Gestão da Universidade do Minho, como quando por exemplo mencionei que ele escreveu sobre alguns Portugueses que foram galardoados pela Presidência da República, como sendo um grupo de malfeitores e que até comparou ao mafioso assassino Michael Corleone https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/os-amigos-e-conhecidos-do-presidente.html

PS – Certamente por falta de espaço, o catedrático Aguiar-Conraria, não teve oportunidade de mencionar no supracitado artigo, a importância do ChatGPT na educação personalizada, a qualquer hora e em qualquer lugar, vide post de 7 de Abril mas principalmente o post de 25 de Agosto.

Provedor do jornal Público analisa hoje as críticas sobre o péssimo trabalho da imprensa a esconder a incompetência de algumas universidades

No passado dia 26 de Agosto, critiquei de forma incisiva, um artigo sobre rankings universitários do jornal Público, cujo seu autor mostrou não saber distinguir rankings rigorosos de rankings da treta, que só servem para desinformar. Hoje o Provedor daquele jornal analisa essas criticas no artigo acessível no link https://www.publico.pt/2024/09/21/opiniao/opiniao/rankings-descontentamento-2104887 

Infelizmente a análise do Provedor do jornal Público não é brilhante, o que porém nem sequer constitui motivo de admiração, porque ele, como o jornalista autor da peça em questão, também não sabe muito de rankings universitários, mas a prova evidente dessa falta de brilhantismo, está no final do artigo quando escreve “investiguem-se as razões sistémicas do fraco desempenho universitário português“. Essas razões são sobejamente conhecidas e tem origem num sistema de contratação de professores universitários viciado (Reitor dixit), que permite todo o género de cunhas (familiares, politicas e maçónicas) cuja consequência é a existência no topo da carreira de catedráticos com um h-index=0. 

Declaração de interesses – Declaro que no final de 2015 fui o primeiro subscritor de uma petição “contra as elevadíssimas percentagens de endogamia académica, próprias de um país do terceiro-mundo” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/endogamia-academica-e-viciacao-concursal.html

Ranking de investigadores Elsevier/Stanford 2024

O unico ranking mundial de investigadores, que consegue cumprir três condições fundamentais, acaba de divulgar a actualização referente ao ano de 2024, que está acessível no link aqui https://elsevier.digitalcommonsdata.com/datasets/btchxktzyw/7

Na Universidade do Minho, o primeiro classificado da lista anual, é o catedrático Paulo Barbosa Lourenço, que recorde-se, foi o primeiro Professor na área da Engenharia Civil, em Portugal, a conseguir ganhar uma bolsa milionária do European Research Council, o segundo classificado é um investigador-Principal, também da área de Engenharia Civil, dono deste blogue, e o terceiro lugar pertence ao catedrático Rui L.Reis,  CEO do European Institute of Excellence on Tissue Engineering and Regenerative Medicine.

A deprimente incapacidade Portuguesa, a eficácia de Oxford, a liderança de Stanford e a rápida evolução da IA generativa

Ainda na sequência do post anterior, onde se avaliou a deprimente produção científica na área da inteligência artificial de quase 30 Universidades e Politécnicos Portugueses, é pertinente divulgar um recente e interessante estudo de dois investigadores da prestigiada universidade de Stanford sobre as capacidades de modelos de IA generativa. 

O estudo envolveu várias fases, incluindo ideias produzidas por dezenas de especialistas humanos, ideias geradas por IA e uma abordagem híbrida, na qual as ideias geradas por IA foram reavaliadas por humanos. Um total de 79 especialistas avaliou essas ideias quanto à novidade, eficácia e viabilidade.  o estudo concluiu que os modelos de IA generativa podem gerar ideias mais inovadoras, do que as propostas por especialistas humanos  https://arxiv.org/abs/2409.04109 

No inicio do passado mês de Agosto um artigo publicado na conhecida revista The Economist informava que os modelos de IA generativa se estavam a tornar mais inteligentes https://www.economist.com/schools-brief/2024/08/06/how-ai-models-are-getting-smarter e esse facto permite perspectivar que essa evolução irá continuar nos próximos anos, de tal forma que as capacidades futuras desses modelos serão muito superiores aquelas que agora conhecemos. O limite dessa evolução é aquele sobre o qual escreveu há alguns anos o cientista Alemão Jürgen Schmidhuber, Scopus Highly Cited Scientist (h-index=78) https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/2040o-ano-da-singularidade.html

Declaração de interesses – Não gostei de ler que os investigadores da Universidade de Stanford utilizaram a base Scholar Google, em vez da Scopus ou da Web of Science, para escolher os especialistas, pois a primeira, é passível de manipulação fraudulenta, como foi demonstrado há poucos meses num estudo de investigadores da universidade de Nova York. 

PS – A universidade de Stanford é a mais produtiva a nível mundial em termos do número de publicações indexadas sobre IA e a melhor europeia é a universidade de Oxford, que sozinha consegue produzir mais do que todas as universidades e Politécnicos Portugueses.