Catedrático jubilado denúncia a captura do poder político por uma corporação profissional extremamente poderosa

Sobre o caso do juiz mencionado no post anterior, que há vários anos está suspenso de funções, acusado de cometer crimes e que até já foi condenado pelo Tribunal da Relação, mas que há vários anos recebe o vencimento a 100% acrescido do subsidio de residência de quase 900 euros por mês, vale a pena divulgar a recente critica demolidora do catedrático Jubilado Vital Moreira, contra o facto dos magistrados depois que se aposentam conseguirem algo absolutamente impensável, em qualquer país do primeiro mundo, uma pensão de valor superior ao vencimento,  que ele critica como sendo um escandaloso privilégio, que faz prova da captura do poder politico https://causa-nossa.blogspot.com/2024/10/privilegios-22-as-pensoes-dos.html

Uma petição para “convidar” os catedráticos de Direito Penal Portugueses a irem aprender com os catedráticos Alemães

No inicio de Dezembro critiquei os catedráticos de Direito Portugueses, por serem os “país” de um Código Penal, que se preocupa muito mais com os criminosos do que com as suas vitimas, que impediu a extradição do famoso assassino Rodolf Lohrmann, para a Argentina, onde foi condenado a prisão perpétua.

Por uma estranha coincidência o semanário Expresso acaba de publicar um artigo sobre um outro homicida miserável, que há anos vive descansadamente no nosso país e que Portugal se recusa a extraditar para os Estados Unidos, alegando que no Código Penal Português esse crime já se encontra prescrito. https://www.fbi.gov/wanted/dt/george-edward-wright 

Aquilo de que o Expresso não falou, é que o homicídio em que ele esteve envolvido aconteceu, durante o assalto a uma bomba de gasolina, e foi precedido do espancamento brutal de Walter Patterson. Roubá-lo e matá-lo não foram suficientes, foi necessário ainda espancá-lo até ele acabar por ficar totalmente irreconhecível https://www.cbsnews.com/news/the-hunt-for-mr-wright-a-daughters-questions-for-her-fathers-killer-on-48-hours/

A razão porque esse facínora e outros canalhas do mesmo calibre não vão viver para a Alemanha é simplesmente porque os catedráticos de Direito Penal daquele país não são ingénuos e se lá pusessem os pés eram automaticamente extraditados, para os países onde cometeram esses crimes. E pena é que não haja uma petição para obrigar os catedráticos de Direito Penal Portugueses a irem aprender com os catedráticos Alemães, como é que não se fazem leis penais que garantem a impunidade de homicidas.  

Declaração de interesses – Declaro que não quero, e aposto que muitos Portugueses também não querem, que Portugal tenha um Código Penal, que faça com que os assassinos deste Planeta olhem para o nosso país como um refúgio 100% seguro contra a extradição.

PS – Sobre a ingenuidade (leia-se perversidade) do Código Penal Português vale a pena revisitar o post de Dezembro de 2023 de título “Porque é que o nosso código penal, ao contrário do da França, não manda para a cadeia os políticos que “arranjam” empregos para familiares e amigos ?” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/12/socialista-sem-pingo-de-vergonha-na-cara.html 

Definição de “Outstanding Achievement” segundo o maior centro de investigação na área de ciência e engenharia dos materiais

Relativamente ao post anterior sobre os 100 investigadores melhor classificados no ranking Stanford, ontem um Colega de uma universidade do Norte do país, que esclareço não é aquela onde sou investigador, sugeriu-me uma análise mais fina por sub-áreas, vide email abaixo, onde apaguei a sua identidade, porém na resposta expliquei-lhe que não o poderia fazer por falta de tempo, mas disse-lhe que esse deveria ser um trabalho a ser feito pela DGEEC ou por cada uma das universidades, como forma de avaliarem o grau de influência internacional dos seus investigadores, que é uma forma expedita de avaliar a capacidade dessas universidades serem capazes de gerar, reter ou atrair talento, que Portugal precisa desesperadamente, vide noticia de 5 de Agosto no site do AICEP “Fuga de talento mina desenvolvimento no Norte de Portugal”, mas que todos os anos se limita passivamente a ver sair com destino a países que são altamente competitivos a atrair talento, vide Global Talent Competitiveness Index 2023, https://www.insead.edu/system/files/2023-11/gtci-2023-report.pdf

E de facto uma conhecida unidade de investigação da universidade de Aveiro, que se descreve como sendo o maior centro de investigação português na área de ciência e engenharia dos materiais fez precisamente isso mesmo contabilizando quantos dos seus investigadores apareciam nos 5 (cinco) primeiros lugares de cada sub-área, classificando esse desempenho como sendo um “Outstanding Achievement“. 

Pela parte que me diz respeito, desde 2019, que estive todos os anos, entre os 3 (três) primeiros classificados da minha área científica no ranking Stanford.


_______________________________________________________

De: AAA
Enviado: 9 de outubro de 2024 10:01
Para: F. Pacheco Torgal 
Assunto: A propósito do Ranking Stanford/Scopus

Caro Fernando,

Olhando para os indicadores Stanford/Scopus pergunto-me se não seria interessante um post relativo à posição dos investigadores portugueses no ranking sub-field, uma vez que é talvez aquele que melhor mostra a relevância individual? 

Cumprimentos,

Arrasar a ciência Portuguesa “premiando” a produção científica irrelevante

Ainda na sequência do post anterior, quando se ficou a saber que Portugal, uma vez mais não foi capaz de ter um representante no tal clube de prováveis vencedores de um prémio Nobel (Hall of Citation Laureates), importa frisar que a firma Clarivate Analytics, acaba de “arrecadar” para esse clube, na edição de 2024, mais 5 vencedores de um prémio Nobel, dois na área da Medicina (V.Ambros e G.Ruvkun) e três na área da Química (D.Hassabis, D.Baker e J.Jumper), o que significa que a metodologia utilizada pela Clarivate, baseada em citações, já foi validada num total de 80 prémios Nobel. 

Surpreendentemente porém, e em sentido radicalmente oposto, na Academia Portuguesa as citações valem pouco ou nada, como o prova o facto de haver neste país, quem chegue à Agregação e à cátedra com um h-index=0 (zero citações) e também o prova, o facto do regulamento que define as regras da avaliação de unidades de investigação, ter decidido “premiar” as unidades especialistas em produzir artigos pouco ou nada citados, ao proibir que esse aspecto crucial seja considerado na sua avaliação. 

A indecente formulação jurídica que permite a um Reitor receber simultaneamente dois salários

Num artigo com um título deveras jocoso, a revista Sábado desta semana, informa que há novos e incriveis desenvolvimentos no caso do Reitor da Universidade Nova, que acumula o salário de Reitor (quase 6500 euros) com o salário de professor catedrático. Afinal e contrariando a opinião de conhecidos especialistas, como o Paulo Veiga e Moura, especialista em Direito Administrativo, que garantiu que essa acumulação era manifestamente ilegal, fica-se agora a saber através da referida revista, que um novo douto parecer, veio “salvar” a face do dito Reitor, aconselhando que basta afinal, alterar o contrato, de forma a que no mesmo conste a autorização do Conselho Geral daquela universidade. É claro que se esse dinheiro tivesse que sair do bolso dos senhores conselheiros, ao invés de sair do bolso dos contribuintes, de certeza que essa autorização nunca veria a luz do dia. 

Irónica e desgraçadamente, na mesma universidade, em particular na mesma Faculdade a que pertence o Reitor  João Sáàgua, aqueles muitos doutorados, que asseguram actividade lectiva, recebendo zero, a esses não há parecer nem autorização do Conselho Geral que os salve. Terão que continuar a trabalhar sem nada receber, o que mostra bem a imoralidade e a perversão das leis que tem andado a ser aprovadas na Assembleia da República. 

Um catedrático de filosofia, como é o senhor Reitor da universidade Nova, tem obrigação de saber que nem tudo aquilo que é legal é ético, porém parece que ele está afinal muitíssimo mais preocupado com a primeira e muito menos com a segunda e isso apenas para poder embolsar um total de algumas poucas dezenas de milhares de euros. 

E depois ainda há quem se admire e revele estar muitíssimo preocupado, que neste momento o Português que está melhor posicionado para vir a ser o próximo Presidente da República, seja um militar. Dizem que isso seria uma anormalidade num país europeu e que a única coisa que ele fez foi coordenar o processo de vacinação contra a Covid-19. https://www.publico.pt/2024/10/06/politica/noticia/castro-almeida-militar-presidencia-anormalidade-2106726

Porém muito oportuna e hipocritamente esses se esquecem que nos últimos 50 anos, entre os milhares de políticos eleitos neste país, muitos deles conhecidos pela sua ganância extrema e alguns até por terem conseguido enriquecer do dia para a noite e que andam por aí a rir-se de todos nós (Presidente da ASJP dixit), houve apenas um único, que não quis receber aquilo que a lei lhe permitia, e preferiu deixar de receber mais de 1 milhão de euros. Era um militar. https://poligrafo.sapo.pt/fact-check/ramalho-eanes-recusou-pagamento-de-13-milhoes-de-euros-em-retroativos-a-que-tinha-direito/ E o pior que pode acontecer a um país europeu, não é de todo, a hipótese de ter um militar como Presidente da República, é antes a de ter um militar a dar lições de ética aos catedráticos de filosofia desse país. 

PS – O mesmo número da revista Sábado, contém um outro interessante artigo, sobre algo que a maioria dos Portugueses acha  um tema muito grave, a corrupção. A revista Sábado enviou a todos os 230 deputados um inquérito com 13 perguntas, sobre corrupção, contudo apenas 4 deputados responderam a esse inquérito, o que mostra o muito pouco que eles se preocupam com esse tema e ajuda também a perceber aquilo que se escreveu aqui.

Nature paper_How Carbon Revenues Can Save Us from Climate-Induced Chaos

In a previous post, I explored the moral obligations of university professors and researchers to adopt sustainable practices, which are crucial in persuading society to assume its share of collective responsibility for the planet. I also referenced Thomas Piketty’s latest book on economic inequality as a barrier to achieving harmony between humanity and nature. Building on that, I’d now like to highlight a recent study published in Nature Climate Change.

The study, led by Johannes Emmerling, a senior scientist at the Euro-Mediterranean Center on Climate Change, examines how climate change is expected to exacerbate inequality within countries. It projects that, without intervention, the Gini index—a key measure of income inequality—could rise sharply in the coming years.

However, the study offers a promising solution: redistributing carbon revenues equally among citizens. This approach not only offsets the short-term economic costs of climate policies but also reduces inequality https://www.nature.com/articles/s41558-024-02151-7#Sec7

PS – In this context, it is essential to highlight that Kriege & Meierrieks (2019) provided compelling evidence that income inequality significantly contributes to the rise of terrorism https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/09/2019-paper-by-german-researchersincome.html

Mais um prego no caixão da justiça e desta coisa a que chamam democracia mas que se deveria chamar corruptocracia

Hoje na página 17 da edição impressa do jornal Público pode ler-se que o Tribunal de Relação de Coimbra, condenou um juiz de nome João Evangelista Fonseca, na pena de ficar inibido de exercer a profissão durante 4 anos, pelo facto de durante muitos anos, mais de uma década, esse juiz ter trabalhado “…de forma oculta para as várias firmas do empresário”. E ainda por ter acedido ao sistema informático dos tribunais para obter informação privilegiada sobre o desenrolar dos processos judiciais envolvendo esse empresário, como contrapartida por uma “vida de luxo”.

Sem surpresa, seu advogado, de nome Duarte Santana Lopes, afirmou logo, que o seu cliente irá recorrer da condenação e portanto isso significa que durante muitos anos, como sucedeu por exemplo com aquele médico que deixou morrer uma paciente por negligência grosseira em 2008 e 16 (dezasseis) anos depois ainda anda a recorrer da sentença, que também este juiz tão cedo não verá a sua condenação transitada em julgado e mesmo quando daqui a muitos anos ela ocorrer, ainda poderá continuar a recorrer, como anda a fazer aquele conhecido magistrado que foi condenado por corrupção em 2018 e que ainda continua a meter atrás de recurso, alegando que os crimes que cometeu já prescreveram. 

O que significa que o tal referido juiz João Evangelista, poderá assim durante os próximos anos (quinze ou vinte), continuar a receber o seu elevado ordenado, sem precisar de trabalhar, o que já acontece desde 2021, quando foi suspenso de funções. Mas será que faz algum sentido que alguém que está doente receba apenas uma parte do seu vencimento mas um juiz suspenso de funções por ter sido acusado de cometer crimes possa receber o vencimento a 100% e ainda subsidio de residência de quase 900 euros por mês, pago 14 vezes por ano ?

Na última vez que os magistrados foram aumentados e durante os últimos 50 anos já foram aumentados tantas vezes, que passaram de ganhar, antes do 25 de Abril, o que ganhava um professor do secundário, para passarem a ganhar muito mais do que ganha um professor universitário e agora até mais do que ganha um catedrático, o argumento era então que um juiz mal pago se deixaria corromper mais facilmente. Porém os factos ainda estão para desmentir essa esdrúxula tese. 

Há dois anos atrás um inquérito feito aos magistrados Portugueses, revelou que 26% dos quase 500 magistrados inquiridos disseram acreditar que, durante os últimos três anos, houve juízes a aceitar, a título individual, subornos ou a envolverem-se em outras formas de corrupção. E depois ainda há quem se admire que o Chega tenha obtido 50 deputados nas últimas eleições e que a noticia sobre esse inquérito feito aos juízes, ainda hoje esteja visível no site desse partido  https://partidochega.pt/index.php/2022/11/02/14-dos-juizes-portugueses-sabem-que-os-seus-colegas-sao-corruptos/

PS – Coisa diferente mas não menos importante, é o facto da justiça deste país ter condenado a uma pena de cadeia efectiva de três anos, uma conhecida bolseira, por crimes de injúria e difamação, enquanto que o juiz supracitado foi apenas condenado a uma suave inibição de exercício de profissão de 4 anos, que quando transitar em julgado, se não prescrever antes, já esse juiz, que agora já tem quase 60 anos, há muito que estará aposentado. Pode até suceder que ele morra antes disso acontecer, o que significará que o seu crime fica sem punição, sendo premiado com férias permanentes, nos últimos anos da sua vida, recebendo salário 14 meses por ano sem ter de trabalhar.

As “lacunas cognitivas” de um conhecido catedrático

“Fabricar um carro convencional consome cerca de 30 quilogramas (kg) de minérios: cerca de 20kg de cobre e 10 de peróxido de manganês. Já produzir um carro elétrico consome mais de 200 kg de minérios, com cerca de 70kg de grafite e 55 kg de cobre à cabeça.”

A estranha contabilidade “mineral” acima reproduzida diz respeito a um artigo do conhecido catedrático de economia Ricardo Reis,  que foi publicado no Expresso. Porém como lá faltam muitos metais nomeadamente e desde logo o aço e o alumínio, pode admitir-se que ele pretendia contabilizar somente aqueles de maior custo, mas mesmo nessa hipótese, ainda ficam a faltar na referida contabilidade vários minerais, seja no fabrico dos carros convencionais, seja também para os carros elétricos. 

O objectivo do artigo desse artigo era mostrar que a China domina a nível mundial o mercado de minerais necessários à descarbonização, por conta de ter passado as ultimas décadas a abrir minas, naquele país e na África e nele lamenta-se o catedrático, que na Europa é quase impossível abrir uma mina e demora pelo menos dez a quinze anos a fazê-lo. 

Mas também aqui o catedrático Ricardo Reis falha, pois parece que ignora a razão porque a Europa dificulta a abertura de minas. Talvez ele desconheça que a industria mineira deixa atrás de si um rasto de destruição e contaminação e em Portugal há provas bem evidentes disso mesmo, vide estudo sobre uma localidade Portuguesa localizada próxima de uma mina com níveis de contaminação 2000% superiores aos admissíveis https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/contaminacao-de-mina-excede-em-2000.html 

Acresce ainda que um estudo recente provou que a perigosidade dos resíduos de minas pode afectar não só localidades próximas mas também aquelas localizadas a dezenas de quilómetros de distância. 

Lamentável é também que sendo ele catedrático de economia não tenha escrito, certamente porque se esqueceu (ou talvez porque ignora) que a descarbonização por via da reabilitação energética de edificios é muitíssimo mais barata do que a descarbonização, por via da electrificação, do sector rodoviário. Vide artigo publicado na revista The Economist. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/the-economistwhats-cheapest-way-to-cut_8.html

Declaração de interesses – Declaro que sou o primeiro editor de um livro, conjuntamente com vários catedráticos estrangeiros, sobre materiais para a reabilitação energética de edificios, cuja segunda edição será publicada no inicio de 2025 https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/06/cambridge-university-how-to-achieve-net.html

A inversão de um ciclo: A engenharia civil como uma profissão essencial e a medicina como profissão em risco de redundância

Não foi certamente por divertimento que em Junho de 2023 perguntei ao ChaGPT pela receita para fazer um betão que fosse capaz de durar 1000 anos. Na verdade, o betão pode até, pelo menos nas mentes de muitos leigos, não ter uma imagem de grande sofisticação tecnológica, mas o facto é que faz muito mais falta à “comodidade” civilizacional do que por exemplo a altamente sofisticada Inteligência Artificial. https://www.nature.com/articles/d41586-021-02612-5

Apresentando uma excelente relação desempenho-custo (e com uma pegada carbónica cada vez menor) o material betão ainda continua a ser em pleno século XXI um material primordial, em inúmeros projectos de engenharia civil, como por exemplo num invulgar edifício, construído na India, ou na impressionante ponte Chinesa em Shuiluohe, que utilizou 1 milhão de metros cúbicos daquele material https://www.tiktok.com/@oks2qsa5/video/7376589762351648043?q=Shuiluohe%20Bridge&t=1727787687271 ou no túnel subaquático com quase 20 quilómetros de extensão, que ligará a Alemanha à Dinamarca, no qual serão utilizados 3 milhões de metros cúbicos de betão e que este fim de semana foi objecto de um artigo no semanário Expresso. O que na verdade e bem vistas as coisas constitui apenas uma gota de água entre os 14.000 milhões de metros cúbicos consumidos anualmente, valor que continuará a crescer nas próximas décadas. Recorde-se que o volume de betão produzido somente no século XXI, é tão impressionante, que daria por exemplo para cobrir toda a Alemanha ou para construir um pilar com 10 metros de diâmetro que ligasse a Terra à Lua. 

Também a essa importância não será alheio, por exemplo, o facto bastante significativo de um livro que editei em 2014, ser o mais citado, entre quase 1500 (mil e quinhentos) livros que foram produzidos em Portugal ao longo da última década e indexados na plataforma Scopus, tenha afinal que ver com os betões e materiais de construção ligantes. 

PS – No passado dia 25 de Agosto, ao comentar os resultados, muito positivos, da primeira fase de acesso ao ensino superior, para o curso de engenharia civil, terminei esse post avançando duas simples explicações para esse resultado “inesperado”. É claro que há uma terceira explicação, que pode até não ter estado na mente da maioria daqueles que escolheram aquele curso, mas que no futuro estará cada vez mais, que a engenharia civil não é uma profissão em risco de ser tornada redundante pela Inteligência Artificial, ao contrário do que irá suceder por exemplo ao curso de medicina, ou numa primeira fase, pelo menos a várias especialidades dessa profissão, onde não será somente a radiologia a ser afectada, como já em 2020 noticiava a conhecida revista The Economist, num interessante artigo para o qual foi escolhido um título nada simpático para a classe médica https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/the-economistartificial-intelligence.html

A evidente falta de ética de um catedrático

https://www.science.org/content/article/spanish-university-head-accused-inflating-citations-his-own-work

A conhecida revista Science acaba de publicar um artigo sobre o catedrático e também Reitor da Universidade de Salamanca (foto supra), que ficará na história daquela universidade e também na história da ciência, por conta de factos muito pouco éticos, visando inflacionar o seu número de citações, não só através do recurso a perfis falsos na plataforma Researgate: “Corchado had cited himself excessively in documents posted…on allegedly fake profiles on the social network ResearchGate, in one case including 100 references to past work in a four-paragraph paper”, mas também através de 50 artigos publicados em 30 (trinta) conferências organizadas pelo seu grupo de investigação. Nalguns desses artigos 90% das referências citavam os artigos do agora novo Reitor.

Entretanto a editora que publicou esses artigos já avisou os seus autores que os irá despublicar. O artigo termina citando um catedrático de medicina da Universidade de Salamanca, que afirma ser terrível aquilo que agora está acontecer aquela universidade.

A referida e lamentável falta de ética (e outras de muitos outros investigadores) evidenciam bem a importância do tal projecto da Universidade de Berna, que paga aqueles que conseguem descobrir erros em artigos, chegando esse valor quase a 3000 euros, no caso da descoberta de erros graves que levem à despublicação desses artigos.

PS – Em Portugal, a U.Lisboa é a campeã absoluta de artigos despublicados e não é expectável que venha a perder esse título, tal é a diferença que a separa do segundo lugar.