Argos’s Risk Scores: Scientific Accountability or Author Shaming?

Following up on the previous post about a study from the University of Bern tracking errors in academic papers, it’s worth highlighting a recent article in Nature that offers an in-depth look at Argos, a newly launched science-integrity platform. Argos aims to identify potentially problematic research papers by assigning risk scores based on factors such as the authors’ publication history and the extent to which the work cites previously retracted studies.  https://www.nature.com/articles/d41586-024-03427-w  

However, Argos raises several concerns despite its intention to flag high-risk papers. A high-risk score does not automatically indicate that a paper is of poor quality or fraudulent. Its heavy reliance on retraction history can result in false positives, potentially penalizing authors for past associations rather than reflecting the actual quality of their current work. Furthermore, the use of open data sources, such as Retraction Watch, increases the risk of misidentifications, particularly with common author names. Labeling papers as high-risk without thorough investigation may lead to misguided actions. Additionally, Argos’s commercial interests could present a conflict of interest, fostering excessive retractions to protect reputations rather than ensuring genuine integrity.

Declaration of Competing Interests – In 2019, I authored a critique of Retraction Watch in a post entitled ‘Public Shaming in Academia or Sharia Law in Academia?‘  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/public-shaming-in-academia.html

German-Swiss study shows that 2 million European homes could abandon the electrical grid

Following up on my previous post, available at the link above, where I discussed an interesting article by two researchers from the University of Cambridge, I would like to highlight another study conducted by researchers from universities in Germany and Switzerland.

This study investigates the potential for energy self-sufficiency in 41 million homes across Europe and concludes that 53% of these homes could achieve this using photovoltaic panels and battery storage systems. Furthermore, the article estimates that by 2050, approximately 2 million homes could fully disconnect from the electrical grid. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2542435123004026

Paradoxically, these scenarios may not be as ambitious as they initially appear. A home that disconnects from the grid and becomes energy self-sufficient does not necessarily yield substantial benefits, particularly when considering not only the financial costs but, more critically, the urgent need for the decarbonization of the building sector.

Decarbonization extends beyond energy production to include the materials used in construction—an essential factor that is often neglected. Unfortunately, this oversight is shared by several individuals, even those with significant academic credentials, as I have previously critiqued.

PS – It is essential to emphasize that the recent Draghi report highlights decarbonization as a pivotal element in bolstering EU competitiveness 

Será que desligar de forma definitiva 2 (dois) milhões de habitações da rede elétrica é uma meta ambiciosa ?

Na sequência do post anterior, acessível no link supra, onde comentei um interessante artigo, de dois investigadores da universidade de Cambridge sobre a descarbonização do ambiente contruído, aproveito agora para divulgar um outro artigo, de investigadores de universidades Alemãs e Suiças, que analisou a autossuficiência energética para 41 milhões de casas na Europa, tendo concluído que 53% poderão conseguir atingir essa condição com a utilização de painéis fotovoltaicos e baterias. O referido artigo menciona ainda que 2 milhões de habitações poderão desligar-se da rede elétrica até 2050. https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S2542435123004026

Paradoxalmente, os cenários referidos não são assim tão ambiciosos, quanto parecem à primeira vista, porque uma habitação desligada da rede e que produz a sua própria energia não constitui por si só um beneficio assim tão evidente, não só em termos de custos, mas principalmente em termos da necessidade imperiosa de descarbonização do parque edificado, que implica descarbonizar os próprios materiais de construção. Trata-se de um tema importante, que infelizmente muitos esquecem, como por exemplo o “adiantado mental” que há alguns tempos atrás eu critiquei aqui https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/03/addressing-euronews-oversight-essential.html

A professora da UCoimbra que ensina aos catedráticos que eles não estão acima da lei

O jornal Público dá hoje conta da luta de uma corajosa professora da Universidade de Coimbra, que já levou 5 (cinco) concursos a tribunal e em dois deles já teve ganho de causa em virtude de sentenças do Supremo Tribunal Administrativo que lhe foram favoráveis. https://www.publico.pt/2024/10/20/sociedade/noticia/professora-luta-ha-14-anos-tribunais-concursos-justos-universidade-coimbra-2108664

No referido artigo a parte escandalosa é aquela onde se pode ler: “um dos membros do júri defendeu a exclusão do candidato vencedor, considerando que este mencionara factos falsos no seu currículo, mas o júri acabou por não colher a proposta”, facto esse que aliado a uma noticia de 2020, quando se ficou a saber que numa outra universidade pública, uma professora foi acusada de ganhar um concurso com um currículo contendo falsas declarações, torna obrigatória a interrogação, afinal quantos professores universitários ganharam concursos em universidades públicas, com um currículo contendo factos falsos ?

PS – No contexto supra, convém recordar aquilo que um corajoso Professor Associado com Agregação, escreveu num artigo que foi publicado na revista do Sindicato do Ensino Superior, que todos aqueles que se atrevem a contestar concursos académicos em tribunal, estão a atacar os catedráticos jurados nesse concurso e que por essa afronta devem ser punidos.  

Declaração de interesses – Declaro que já coloquei vários concursos académicos em tribunal e que pelo menos um dele foi anulado por violação da lei, estando outros há mais de uma década ainda à espera de sentença.

Uma nova e pertinente dúvida sobre o maior centro de investigação na área de ciência e engenharia dos materiais da Univ. de Aveiro

Na mesma página onde revela com indisfarçável orgulho que até ao momento já gerou 8 spin-offs, o referido maior centro de investigação na área de ciência e engenharia dos materiais (CICECO), revela também que tem um “portfólio de mais de 250 patentes“. Contudo esse número, aparentemente “excelente”, tem que ser contextualizado no depauperado contexto nacional, em que ao contrário que acontece lá fora, as empresas nacionais fazem muito pouca ou práticamente nenhuma investigação, https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/a-prova-inequivoca-da-fraca.html  

Mas muito mais importante do que o número total, é saber qual é efectivamente o valor dessas patentes, sobre o qual nada é dito na referida página do CICECO. Nem sobre o eventual valor económico, nem sequer sobre o seu valor científico, aferido pelas citações que essas patentes possam ter recebido, que são dois indicadores relevantes, para avaliar o valor de uma patente, vide artigo cujos autores, pertencentes a instituições de vários países, analisaram quase 2,5 milhões de patentes: Xu, S., et al. Citations or dollars? Early signals of a firm’s research success. Technological Forecasting and Social Change, 2024, 201: 123208. 

Mas se nada é dito sobre o valor das patentes produzidas no centro CICECO, das duas uma, ou não o conseguem quantificar, o que é difícil de acreditar, até porque há empresas que se dedicam a apurar esse valor, como por exemplo a mediatizada Patent Vector ou então esse valor é reduzido e é por isso que evitam divulgar essa deslustrosa informação. 

PS – Segundo um artigo muito esclarecedor que foi publicado na prestigiada revista The Economist, a maioria das patentes não tem qualquer valor, sendo apenas lixo intelectual. E foi também por essa ponderosa razão que responsáveis da Comissão Europeia mandaram dizer que é muito mais importante criar valor e muito menos patentear propriedade intelectual, relativamente à qual até dizem que há uma obsessão que não é saudável (leia-se doentia) https://sciencebusiness.net/news/start-ups/ecosystem-forget-patent-protection-think-value-creation

“A academia em Portugal é muito atrasada, contrária ao mérito e medíocre”

A frase que dá título a este texto é de um catedrático Português e consta da capa de um semanário que foi publicado hoje. É verdade que ele se limita a dizer o que já disseram muitos outros catedráticos antes dele, cujos testemunhos não por acaso compilei aqui.

E o facto da Academia Portuguesa aparecer desgraçadamente abaixo da Grécia e do Chipre num recente ranking não deixa de lhe dar bastante razão. E mais ainda lhe dá razão o facto de na Academia Portuguesa haver catedráticos cuja mediocridade anda a prejudicar de forma irreversível a carreira de jovens doutorados.

Ainda assim é bom que se corrija a sua frase, na parte em que ele de forma pouco rigorosa, mete no mesmo saco áreas cuja mediocridade é mais do que evidente e áreas cientificamente muito competitivas. As áreas que aparecem a vermelho na lista infra correspondem ao retrato feito pelo referido catedrático, já aquelas que aparecem realçadas a amarelo e a verde, que conseguem competir de igual para igual e nalguns casos até conseguem ultrapassar o desempenho das suas congéneres das melhores universidades Alemãs, só por distracção ou erro grosseiro se podem meter no mesmo saco https://pacheco-torgal.blogspot.com/2023/11/lista-das-areas-cientificas-portuguesas.html

Report on Research and Innovation: An Enigmatic Mystery and a Compelling Doubt

Yesterday, the independent expert report titled ‘Align, Act, Accelerate: Research, Technology, and Innovation to Boost European Competitiveness’ was officially released. This comprehensive report outlines 12 strategic recommendations (detailed below) aimed at optimizing the future impact of EU Research and Innovation programs.  Drawing on evaluations from Horizon Europe and Horizon 2020, it calls for a transformative agenda to be implemented in the short term (2025-2027) and integrated into future EU support initiatives. 

1 – Create momentum through a whole-of-government approach, aligning a transformative research and innovation policy with the EU strategic agenda and recent high-level policy recommendations

2 – Make Europe globally competitive, secure, sustainable and resilient through a stronger Framework Programme.
3 – Deliver European added value through a portfolio focused on four main interrelated and interdependent “spheres” of action
4 – Establish an experimental unit to test new programmes, evaluation procedures and instruments
5 – Strengthen competitive excellence in Research and Innovation
6 – Stimulate industrial RD&I investment in Europe by creating an Industrial Competitiveness and Technology Council
7 – Address societal challenges more effectively by creating a Societal Challenges Council
8 – Foster an attractive and inclusive RD&I ecosystem in the EU
9 –  Drive radical simplification, user orientation and efficiency
10 – Unleash the power of demand by developing an innovation procurement programmes
11 – Adopt a nuanced, granular and purpose-driven approach to international cooperation
12 – Embrace dual use as inevitable by exploiting it both ways

The report critiques the slow pace of innovation, yet it overlooks crucial societal, cultural, and economic factors—such as market dynamics, education, and the collaboration between academia and industry—that drive significant paradigm shifts. Although it identifies systemic funding issues, its proposed solutions, which focus primarily on restructuring, fail to address the deeper cultural barriers hindering disruptive innovation. To truly support transformative research, the EU must implement more than just structural changes; it needs to fundamentally alter its perception of risk, tolerance for failure, and emphasis on speed.

However, it remains a mystery how European policymakers plan to establish their own equivalent of DARPA—or at least create an innovation agency inspired by DARPA’s model—when a significant portion of the European population tends to shy away from high-risk ventures. This presents a substantial challenge, especially in fostering a culture of innovation and technological breakthroughs that often rely on embracing uncertainty and bold experimentation. In this context, it’s worth revisiting a thought-provoking article published in The Economist, where a Senior Project Manager at the Bertelsmann Foundation remarked, “Germans are averse to self-employment.” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/11/the-economistmigrants-are-likelier-than_23.html  

In the introduction to the second edition of a book I edited in 2020 (excerpt below), I examined the divergent approaches to startup failure in Germany and the United States, noting the comparatively harsher treatment in Germany. “More recently, on January 7, I made a recommendation urging universities to significantly enhance and broaden their efforts in cultivating the essential and multifaceted skill of resilience, particularly in the context of overcoming failure.
“Matthias (2018) compared media reporting about failure of start-ups in Germany and the United States, noticing that US media reports more positively about failed start-ups, than the German media does. This is also confirmed by Gellman (2018), which may help to explain why in Germany entrepreneurship and disruptive innovation are consistently low, whereas the United States performs very well in these areas (Richter et al., 2018)”  https://shop.elsevier.com/books/start-up-creation/pacheco-torgal/978-0-12-819946-6

PS – Lastly, Europe faces a critical dilemma in shaping its future economic strategy, particularly regarding the perceived drivers of business success in the United States. Robert Reich of UC Berkeley asserts that America’s business success is grounded in what he describes as a cutthroat, psychopathic “culture” where ruthless competition and self-interest frequently overshadow ethical considerations. This raises an essential question: Is Europe prepared to adopt a similarly ruthless business ethos in its quest for economic success? 

Uma métrica pouco excelente por parte do maior centro de investigação na área de ciência e engenharia dos materiais

Num post anterior, divulguei o facto do maior centro de investigação na área de ciência e engenharia dos materiais (CICECO), ter (em boa hora) decidido contabilizar quantos dos seus investigadores apareciam nos 5 (cinco) primeiros lugares de cada sub-área, no ranking Elsevier-Stanford, e tendo classificado esse desempenho como sendo um Outstanding Achievement, hoje porém dou conta de uma métrica onde o referido centro não se pode dizer que tenha tido um desempenho Outstanding.

Na rubrica “Dados e Valores” pode ler-se que o CICECO produziu 42 livros no período 2002-2022, porém uma pesquisa na Scopus, mostra que nesse período aquela unidade produziu 15 livros indexados, entre 8175 publicações indexadas, o que dá um rácio livros/publicações de 0.18%, que note-se é menos de metade do rácio médio de Portugal, que é de 0.40%, o que mostra que o centro CICECO apesar de ter um desempenho global muito Excelente, não tem infelizmente contribuído muito para ajudar Portugal a ganhar um mínimo de dignidade na métrica dos livros indexados, já que todas as universidades e politécnicos Portugueses juntos produzem menos livros indexados do que a pequena Universidade de Oxford.

PS – Também não se pode dizer que ter gerado até ao momento um total de 8 (oito) spin-offs possa ser considerada uma métrica excelente, porque na verdade um certo catedrático de engenharia, nada modesto, da Universidade do Porto, diz que no grupo dele já nasceram 10 (dez) e que esse número cresce à razão de duas novas a cada ano. Tenha-se presente a este respeito, que em termos comparativos, a Universidade de Oxford gera entre 15 a 20 empresas tecnológicas a cada ano ! https://innovation.ox.ac.uk/portfolio/companies-formed/

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Research shows that ChatGPT offers a low-cost alternative to identify disruptive papers

In a recent publication in the journal Scientometrics, a team of researchers led by Lutz Bornmann (Scopus h-index=64), the esteemed recipient of the 2019 Derek John de Solla Price Medal, demonstrates that ChatGPT provides a low-cost alternative for identifying disruptive academic papers. However, the authors emphasize a crucial caveat: “it should only be used by someone who can assess the quality of its replies” https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-024-05176-z

In a related context, Clarivate Analytics, has long employed a methodology that leverages highly cited papers to forecast future Nobel Laureates. To date, this approach has been remarkably successful, with 75 accurate predictions of Nobel Prize winners. In the 2024 Nobel Prize announcements, this methodology proved its efficacy once again by predicting 8 (eight) additional laureates. Two in Medicine (V. Ambros and G. Ruvkun), three in Chemistry (D. Hassabis, D. Baker, and J. Jumper), and three in Economics (D. Acemoglu, S. Johnson, and J. Robinson). 

PS – Citations serve not only as a measure of academic impact but also as a tool for distinguishing those who genuinely contribute to the scientific community from those who may hold academic titles without true merit. In many instances, such titles may have been acquired through questionable or corrupt practices, further undermining the integrity of the academic system.

A previsão do médico Português, que andou no Imperial College e em Harvard, sobre o funesto futuro do SNS

“Qualquer projecção matemática permite perceber que, com a combinação diabólica entre a tendência de envelhecimento, os estilos de vida e a prevalência de doenças crónicas desde a infância em Portugal, não haverá sistema que aguente. Não haverá SNS que aguente a pressão de uma população com mais de 60% de pessoas idosas, doentes e a precisar de cuidados crónicos. Se nada for feito, vamos mesmo acabar por ser um país de velhos, gordos e doentes…” 

O extracto supra diz respeito a um artigo que ontem apareceu no jornal Público, e teve como autor um médico Português, que andou no Imperial College e em Harvard, que diz o óbvio, que as despesas de saúde no nosso país, se irão tornar absolutamente incomportáveis, se não houver uma aposta na promoção de actividades que reduzam a sedentariedade e os maus hábitos de vida. Revisite-se a este respeito o post sobre a forma como na Finlândia levam a sério este assunto e como aquele país se conseguiu tornar um dos países com menores taxas de sedentarismo em todo o mundo, conseguindo poupar milhares de milhões de euros em despesas de saúde. 

Desgraçadamente porém, mesmo que se concretizem as piores previsões do referido médico, não é de todo verdade que o pior que pode acontecer a Portugal no futuro é ser  “um país de velhos, gordos e doentes”, o pior que efectivamente pode acontecer a Portugal é ser um país onde milhões se babam pelo Ronaldo e pelos restantes especialistas da cabeçada e do pontapé, e onde não se valorizam e muitas vezes até se ignoram aqueles que os deveriam orgulhar, como por exemplo um conhecido e inspirador médico, autor de um corajoso artigo hoje publicado  aqui https://www.publico.pt/2024/10/14/opiniao/opiniao/genocidio-hipocrisia-portugal-2107843

Declaração de interesses – Declaro que em Julho de 2023 já tinha elogiado o referido médico, tendo na altura escrito que ele valia mais do que 500 Ronaldos.