Primeiro edifício de construção híbrida em Guimarães vence categoria Sustentabilidade

A secção de Economia do semanário Expresso deu este fim de semana conta da sexta edição dos prémios Imobiliário, onde o edifício The First, construído pela firma Casais, junto ao campus de Azurém da Universidade do Minho, venceu na categoria Sustentabilidade

Trata-se de um edifício de seis pisos, com um custo de 11 milhões de euros, que é o primeiro edifício de construção híbrida (madeira + betão) em toda a Península Ibérica. O edifício em causa baseado na tecnologia BIM, utilizou módulos pré-fabricados, permitindo uma execução muito mais rápida, apenas 16 dias úteis para a montagem dos elementos CREE nos dois blocos, 8 dias para cada bloco, necessitando assim de menos mão de obra, consumindo um menor volume betão e que no futuro facilitarão a desmontagem e reutilização de materiais, assim contribuindo para reduzir a quantidade de resíduos e acelerando a economia circular.

Há duas formas de encarar esta noticia. A pessimista, que critica o facto de só agora, passados tantos anos, após se terem iniciado as primeiras investigações nesta área – as publicações sobre projecto para a desconstrução e reciclagem de materiais tem mais de 20 anos – é que elas começam finalmente a ser levadas à prática e a optimista, de que mais vale tarde do que nunca, e fazendo votos que tais práticas passem a ser o novo normal da indústria da construção, pois está a esgotar-se o tempo para que este sector consiga reduzir em mais de 50% as suas emissões de GEE e seja capaz de reciclar 70% dos seus resíduos.

PS – Coincidentemente, terminei de editar no final do mês passado, com alguns catedráticos estrangeiros, a terceira edição de um livro sobre reciclagem de resíduos de construção e demolição, contendo também capítulos sobre BIM e sobre projecto para desmontagem posterior, que será publicado no inicio de 2025. A primeira edição desse livro, contendo 24 capítulos, foi publicada há mais de uma década e tornou-se, entre aqueles que foram selecionados para indexação na Scopus, de longe, o mais citado a nível mundial, nessa área.  https://shop.elsevier.com/books/handbook-of-recycled-concrete-and-demolition-waste/pacheco-torgal/978-0-85709-682-1

Revisitar a imparável epidemia de corrupção

Em 2019 o impoluto Ex-Presidente Ramalho Eanes afirmou que havia uma epidemia de corrupção em Portugal, e eis que agora, cinco anos passados o referido ex-presidente reafirma aquilo que disse nessa altura, apontando o dedo ao PSD e ao PS, que corajosamente acusa de terem colonizado a Administração Pública https://www.rtp.pt/noticias/politica/ramalho-eanes-em-livro-apos-entrevista-de-fatima-campos-ferreira_v1612059 

Quem não se lembra aliás daquela laranjinha que foi apanhada numa escuta a exigir ser Administradora de uma “merda” qualquer ou daquele outro boy que também foi apanhado numa outra escuta a dizer que queria ser presidente de uma empresa (pública) qualquer. E foi exactamente isso em que o PS e o PSD conseguiram transformar a Administração Pública, basicamente e acima de tudo numa fonte de rendimento para boys e girls, que é aquilo que se extrai das muitas escutas onde foram apanhados muitos dos parasitas que os contribuintes deste país são obrigados a sustentar e que as corajosas palavras do Ex-Presidente Ramalho Eanes também confirmam.

Declaração de interesses – Declaro que tendo iniciado o meu primeiro blogue há cinco anos atrás, que desde essa altura fiz dezenas de post sobre corrupção, tendo o último deles sido publicado no passado dia 5 de Outubro sob o título Mais um prego no caixão da justiça e desta coisa a que chamam democracia mas que se deveria chamar corruptocracia” 

Director da F.C. da Universidade de Lisboa critica doutoramentos nos Politécnicos

Ainda sobre o post anterior, onde se deu conta que o ensino superior Politécnico tem no seu todo apenas um valor residual de 3% dos 633 investigadores mais citados de Portugal (e muitos Politécnicos nem sequer possuem um único desses investigadores) não deixa de ser uma curiosa coincidência que o Director da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o catedrático Luís Carriço, tenha dado uma entrevista ao semanário Nascer do Sol, onde tece criticas várias sobre o ensino superior, como por exemplo quando critica o desnorte que pautou a acção da antiga Ministra Elvira Fortunato, tendo acabando a entrevista a criticar o facto dos Institutos Politécnicos poderem atribuir o grau de Doutor. 

Concordo com a opinião dele, especialmente na parte em que ele disse que em Portugal há universidades a mais e politécnicos a mais e que é necessário avaliar de forma rigorosa para se conseguir separar o trigo do joio, que não é muito diferente daquilo que já tinha sido escrito por um conhecido catedrático da universidade do Minho, que criticou a asfixia financeira das universidades mais dinâmicas,  levada a cabo pelo anterior Governo, processo a que ele na altura apelidou de mexicanização do ensino superior.

Paper__How 100 Top U.S. Universities Are Navigating Generative AI in Education

Building upon the insights presented in the recent post, Advancing Tutor Training Through GPT-4: A Breakthrough Study from Carnegie Mellon, it is pertinent to draw attention to a newly published paper in Computers & Education: Artificial Intelligence.

This research investigates the landscape of Generative AI policies, statements, guidelines, and resources across the leading 100 universities in the United States. Through meticulous analysis, the study finds that a substantial 81.7% of these institutions have curated resources offering foundational technical knowledge on Generative AI. These resources are crafted to facilitate instructors’ comprehension and exploration of the potential applications of Generative AI within educational settings. Furthermore, the study reveals that 53.8% of the surveyed institutions actively promote the pedagogical advantages associated with Generative AI. Additionally, 54.8% of these universities empower instructors to autonomously define and implement classroom policies related to Generative AI usage, underscoring a flexible approach toward integrating AI in instructional practices. 

PS – In the concluding phrase of a prior post, I raised the question of whether Europe is prepared to adopt a ruthless American-style business ethos in its quest for economic success. Now, in the context above, I must ask: should Europe—and the rest of the world—uncritically follow America’s hasty and imprudent push to adopt generative AI in education?

IA Generativa na Educação: Uma análise sobre a sua utilização nas 100 melhores universidades dos EUA

Ainda na sequência do post anterior, sobre o Catedrático da Universidade do Minho que apelidou de tolos os professores que tem medo que os alunos façam trabalhos usando o ChatGPT, faz todo o sentido divulgar um artigo muito recente publicado na revista Computers & Education: Artificial Intelligence,  que examina a forma como é utilizada a IA Generativa nas 100 melhores universidades dos EUA https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S2666920X24001292#se0170

PS – Quando se pergunta ao ChatGPT quais são as maiores desvantagens que podem advir da utilização da IA na educação a resposta é aquela bastante instrutiva que abaixo se reproduz: 

  1. Reduced Human Connection: AI lacks the empathy and intuition that human educators provide. Building motivation, fostering curiosity, and responding to students’ emotional needs often require a human touch that AI can’t replicate.
  2. Over-Reliance and Decline in Critical Thinking: Excessive reliance on AI for answers can reduce students’ critical thinking skills. Instead of analyzing problems themselves, students might default to AI-generated responses without fully understanding the underlying concepts.
  3. Privacy and Ethical Issues: AI systems often collect significant amounts of student data, raising concerns around privacy, data security, and potential misuse of personal information, especially in educational contexts involving minors.
  4. Access and Equity Challenges: Not all students have equal access to the technology needed for AI-based learning, potentially widening the gap between students of different socioeconomic backgrounds.
  5. Potential for Bias and Inaccuracy: AI models can inherit biases from their training data, which can lead to biased or incorrect outputs. If unmonitored, these inaccuracies can misinform students and introduce unfairness in automated assessments.
  6. Risk of Teacher Displacement and Curriculum Narrowing: AI could be seen as a cost-saving substitute for human teachers, potentially diminishing the quality of education. Additionally, over-reliance on AI tools may push curricula toward standardized approaches, limiting space for creative and critical thinking.
  7. Algorithm Dependence: AI-driven learning can create dependence on standardization, which may discourage unique, non-standard approaches that showcase deep, creative understanding of complex material.

O vírus da irrelevância científica que atacou forte nas instituições de ensino superior localizadas abaixo do rio Mondego

No conhecido ranking de investigadores altamente citados Elsevier/Stanford de 2024, há 633 investigadores no ficheiro carreira, que trabalham em instituições Portuguesas. Nos primeiros 78 lugares, não há actualmente um único investigador de um instituto politécnico, porque aquele que lá aparece nomeado já faleceu. 

Entre esses 633 investigadores, há apenas duas dezenas pertencentes a institutos politécnicos, o que representa apenas 3 (três)% do total, mas o mais estranho é que 90% dos investigadores dos politécnicos que aparecem nesse ranking, pertencem a instituições localizadas acima do Rio Mondego, o que diz bastante sobre a baixa relevância, das investigações, produzidas nos institutos Politécnicos localizados abaixo do Rio Mondego.  

E agora que os Politécnicos passaram a estar habilitados a atribuir o grau de Doutor (Lei nº 16/2023 do Governo de António Costa), deveria pelo menos limitar-se essa possibilidade somente aos professores desse subsistema, com uma obra científica minimamente relevante, para evitar que aqueles possuidores de uma obra irrelevante, leia-se de esterilidade científica comprovada, prejudiquem de forma irreversível a carreira dos futuros doutorados, como foi demonstrado num estudo de 2019 de investigadores da UCLondon https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/09/junior-researchers-who-coauthor-work.html e foi novamente demonstrado num outro estudo publicado este ano, que foi mencionado na prestigiada revista Science https://www.science.org/content/article/budding-scientists-inherit-career-success-or-lack-it-their-mentors

PS – Sobre os politécnicos onde a irrelevância científica parece ser “tradição“, sendo incapazes de produzir um único artigo que receba mais de 300 citações Scopus revisite-se o post https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/ranking-da-irrelevancia-cientifica.html

Pode a genética explicar que Portugal seja campeão do consumo de ansiolíticos ?

Na sequência do post de 25 de Dezembro de 2019 (acessível no link supra) onde se fez referência ao facto de haver um gene que só é encontrado em Portugal, e tendo em conta o contexto do nosso país, ser o campeão do consumo de ansiolíticos entre os 34 países da OCDE, faz sentido divulgar o vídeo, onde participa um médico especialista e investigador da universidade de Lisboa, que uma pesquisa Scopus revela que o seu artigo mais citado se foca na ansiedade, sob o título “Reliability and validity of the Portuguese version of the Generalized Anxiety Disorder (GAD-7) scale“, vídeo esse no qual se sugere uma causa de natureza genética para a referida ansiedade. https://www.youtube.com/watch?v=50-Gc320CNo 

O novo artigo do catedrático (das lacunas cognitivas) e os conselhos de dois investigadores da U.Cambridge sobre o GPT

O tal catedrático que critiquei no post anterior, por conta de um artigo pouco feliz, mas que apesar desse lapso merece consideração, pelo menos sobre temas da sua área científica, pois uma pesquisa na plataforma Scopus revela que ele possui seis artigos que receberam mais de 150 citações, o que o coloca muito à frente de muitas dezenas de catedráticos Portugueses, vide lista no link https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/05/ranking-de-investigadores.html escreve esta semana sobre a hipótese formulada pelo Luis Garicano (que foi catedrático de economia na U.Chicago e agora é catedrático na London School of Economics) da inteligência artificial poder ter um impacto na prosperidade “tão grande quanto o das máquinas na revolução industrial”, e que ele designa por tecno-optimismo. 

Curiosamente, nesse artigo ele não faz qualquer referência aos benefícios potenciais da utilização da inteligência artificial para detectar esquemas fraudulentos associados às criptomoedas, como foi o recente escândalo FTX, que se estima que até hoje já tenham provocado prejuizos de aproximadamente 100.000 milhões de euros. A este respeito vale a pena ler o artigo que foi publicado na semana passada, precisamente sobre a referida utilização, com o esclarecedor título “ChatGPT: a Canary in the Coal Mine or a Parrot in the Echo Chamber? Detecting Fraud with LLM: the Case of FTX”  https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1544612324013783#sec0006

PS – Ainda sobre o ChatGPT, faz sentido revisitar a conversa entre Vaughan Connolly e Steve Watson,  dois investigadores da Faculdade de Educação da prestigiada Universidade de Cambridge, que oferece uma visão detalhada sobre as oportunidades, desafios e possibilidades do ChatGPT. https://news.educ.cam.ac.uk/230403-chat-gpt-education  Nela se defende que o valor real do ChatGPT não está tanto na criação de conteúdos, mas mais na possibilidade do GPT ser utilizado como uma ferramenta que pode ajudar os alunos a apurar ideias e organizar argumentos, permitindo que o foco seja dirigido a questões mais profundas. Nela também se sugere que os professores podem (e devem) incentivar os alunos a examinar criticamente os vieses que podem estar presentes nos conteúdos gerados por esse modelo de IA generativa, o que por sua vez pode promover uma compreensão mais rigorosa do GPT, como sendo uma ferramenta muito valiosa, mas imperfeita, por vezes necessitando de validação humana.

A humilhação do imenso orgulho Francês e a antevisão de um futuro muito pouco brilhante para Portugal

Ainda sobre o email de 11 de Outubro, abaixo, na parte sobre “gerar, reter ou atrair talento”, faz sentido divulgar o impressionante facto de uma universidade Chinesa ter acabado de contratar um cientista Francês que ganhou o Nobel da Física.  https://www.scmp.com/news/china/science/article/3283624/french-nobel-winning-laser-scientist-gerard-mourou-joins-chinas-top-university

Ou seja, já não bastava aquele país asiático, ter aparecido este ano, na capa da revista The Economist, num artigo que na altura divulguei e comentei onde foi possível ler que: “China is now a leading scientific power. Its scientists produce some of the world’s best research…They contribute to more papers in prestigious journals than their colleagues from America and the European Union and they produce more work that is highly cited”

E como se isso já não fosse suficientemente mau para o futuro da Europa, como o mostrou recentemente o relatório Draghi, divulgado no dia 9 de Outubro, onde até se fala de uma ameaça existencial, agora fica-se a saber que a Europa, ou melhor, um país rico e orgulhoso como é a França, já nem sequer consegue reter os seus melhores cientistas. E se assim é na França, imagine-se então qual será no futuro a capacidade de Portugal conseguir reter os seus talentos ! 

PS – No passado dia 15 de Outubro, o catedrático jubilado Vital Moreira, reproduziu no seu blogue, uma frase de um ex-Primeiro Ministro Italiano, que resume o futuro da Europa da seguinte forma, ou a Europa acorda e faz pela vida ou então só lhe sobrará a “escolha” entre ser uma colónia, Americana ou Chinesa.


De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 11 de outubro de 2024 07:06
Para: eng-todos; eng-investigadores
Assunto: A definição de “Outstanding Achievement” segundo o maior centro de investigação na área de ciência e engenharia dos materiais

Relativamente ao post anterior, sobre os 100 investigadores melhor classificados no ranking Stanford, há 2 dias um Colega de uma universidade do Norte do país, que não é aquela onde exerço funções, sugeriu-me uma análise mais fina por sub-área, vide email abaixo, onde apaguei a sua identidade, porém na resposta expliquei-lhe que não o poderia fazer por falta de tempo, mas disse-lhe que esse deveria ser um trabalho a ser feito pela DGEEC ou por cada uma das universidades, como forma de avaliarem o grau de influência internacional dos seus investigadores, que é uma forma expedita de avaliar a capacidade dessas universidades serem capazes de gerar, reter ou atrair talento, que Portugal precisa desesperadamente, vide noticia de 5 de Agosto no site do AICEP “Fuga de talento mina desenvolvimento no Norte de Portugal”, mas que todos os anos se limita passivamente a ver sair, com destino a países que são altamente competitivos a atrair talento, vide Global Talent Competitiveness Index 2023, https://www.insead.edu/system/files/2023-11/gtci-2023-report.pdf

E de facto uma conhecida unidade de investigação da universidade de Aveiro, que se descreve como sendo o maior centro de investigação português na área de ciência e engenharia dos materiais fez isso mesmo e contabilizou quantos dos seus investigadores apareciam nos 5 (cinco) primeiros lugares de cada sub-área, classificando esse desempenho como sendo um Outstanding Achievement https://www.ciceco.ua.pt/?tabela=geral_article&menu=255&language=eng&id_article=2281

PS – Pela parte que me diz respeito, desde 2019, que estive todos os anos, entre os 3 (três) primeiros lugares da minha área científica no ranking Stanford.


Para: F. Pacheco Torgal 

De: AAA
Enviado: 9 de outubro de 2024 10:01

Assunto: A propósito do Ranking Stanford/Scopus

Caro Fernando,

Olhando para os indicadores Stanford/Scopus pergunto-me se não seria interessante um post relativo à posição dos investigadores portugueses no ranking sub-field, uma vez que é talvez aquele que melhor mostra a relevância individual? 

Cumprimentos,

Argos’s Risk Scores: Scientific Accountability or Author Shaming?

Following up on the previous post about a study from the University of Bern tracking errors in academic papers, it’s worth highlighting a recent article in Nature that offers an in-depth look at Argos, a newly launched science-integrity platform. Argos aims to identify potentially problematic research papers by assigning risk scores based on factors such as the authors’ publication history and the extent to which the work cites previously retracted studies.  https://www.nature.com/articles/d41586-024-03427-w  

However, Argos raises several concerns despite its intention to flag high-risk papers. A high-risk score does not automatically indicate that a paper is of poor quality or fraudulent. Its heavy reliance on retraction history can result in false positives, potentially penalizing authors for past associations rather than reflecting the actual quality of their current work. Furthermore, the use of open data sources, such as Retraction Watch, increases the risk of misidentifications, particularly with common author names. Labeling papers as high-risk without thorough investigation may lead to misguided actions. Additionally, Argos’s commercial interests could present a conflict of interest, fostering excessive retractions to protect reputations rather than ensuring genuine integrity.

Declaration of Competing Interests – In 2019, I authored a critique of Retraction Watch in a post entitled ‘Public Shaming in Academia or Sharia Law in Academia?‘  https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/public-shaming-in-academia.html