O Drama da Ciência em Portugal – Cobardia para o Bem e Coragem para o Mal

Na sequência do meu post anterior do passado dia 24 de Dezembro, o sugestivo título A pífia proposta deste Governo, a incluir no RJIES, que na melhor das hipóteses, levará 18 anos a atingir o resultado pretendido“, devo dizer que achei de bastante desencorajador e até deprimente, um artigo de um catedrático da universidade Nova, publicado há poucos dias num certo semanário, que mesmo depois de ter reconhecido no mesmo a gravidade do tema, escrevendo “O inbreeding é um cancro nas instituições pois conduz à perpetuação de relações de poder feudais“, acha que neste país não há coragem politica nem sequer para aprovar a referida pífia proposta do Governo. 

Evidentemente, não partilho da sua opinião, até porque se este Governo teve tanta coragem para praticar maldades contra a ciência, como quando se aliou ao CDS e ao CHEGA para chumbar uma proposta que visava compensar o corte de quase 70 milhões de euros que o Governo de Luís Montenegro inscreveu no Orçamento de Estado para 2025, relativamente ao financiamento da FCT, porque é que agora não teria coragem para conseguir aprovar uma proposta (pífia), quando a mesma até poderia contribuir para minorar os efeitos do referido cancro que é responsável pelo subdesempenho científico das universidades Portuguesas ?

PS – Em 2022 divulguei um artigo de um conhecido investigador Português, o qual possui mais de uma dezena de publicações conjuntas com o anterior Ministro Manuel Heitor, no qual escreve preto no branco, sobre catedráticos que se comportam como Lordes Feudais.

Ajudar Portugal com a triplamente virtuosa receita TNN que um conhecido catedrático não foi capaz de enxergar

Na sequência do post anterior, sobre os quase 1 milhão de Portugueses em teletrabalho, faz todo o sentido divulgar que no caderno de economia do Expresso, um conhecido catedrático Português da London School of Economics-LSE, analisou o tema quente do momento, a quebra de natalidade e sobre esse tema mencionou um estudo que mostrou que o teletrabalho é uma das formas msis eficazes de inverter essa quebra, escreveu ele, mencionando aquilo que classifica como “um dos estudos mais promissores neste campo“, que nos casais que podem estar em teletrabalho a  “fertilidade dispara”.

Aquilo que esse catedrático não foi capaz de enxergar, foi de acrescentar que o teletrabalho não contribui somente para o aumento da natalidade, mas também para melhorar a situação económica de Portugal, por conta da possibilidade da transferência de muitos milhares de urbanitas para o Interior do país. Ao permitir que esses urbanitas possam beneficiar de uma vida perto da natureza, isso não só os beneficia a eles próprios, como mostrou um estudo baseado em quase 8000 pessoas, também permite beneficiar Portugal, permitindo poupar milhares de milhões de euros em despesas de saúde https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/12/telomeros-estudo-recente-mostra-como.html e essa transferência contribui também para reduzir as gravíssimas assimetrias regionais do nosso país, permitindo assim dar cumprimento à obrigação Constitucional de ordenamento harmonioso do território nacional (alínea b do nº 2 do Artº 66 da CRP), o que significa assim que é triplamente virtuosa a receita Teletrabalho, Natalidade e Natureza-TNN.

PS – Sobre poupanças de milhões de euros com gastos em saúde, faz sentido relembrar o estudo que foi publicado na revista científica Journal of Epidemiology and Community Health, que mostrou que a Finlândia consegue poupar anualmente milhares de milhões de euros, por conta de se ter tornado o país com a população menos sedentária da Europa, em posição radicalmente oposta à de Portugal, que é campeão europeu do sedentarismo e que por conta disso desperdiça assim todos os anos milhares de milhões de euros.

The Economist__The Twin Forces Leaving Many Universities Struggling to Remain Relevant—or Even Facing Financial Ruin

The latest edition of the prestigious The Economist features the headline, ‘Hard Truths About MBAs,’ highlighting troubling insights for those investing heavily in MBA programs, traditionally seen as a pathway to career advancement and lucrative roles. The article reveals that even graduates from top-ranked universities—where tuition fees alone can surpass €5,000 per month—are increasingly facing delays in securing employment after graduation. https://www.economist.com/business/2025/01/14/why-elite-mba-graduates-are-struggling-to-find-jobs 

Edtechs are uniquely positioned to capitalize on the challenges facing traditional MBA programs. These platforms deliver education at a fraction of the cost while addressing many of the shortcomings of in-person classes. In traditional lecture halls, dozens—or even hundreds—of students often compete for limited interaction with instructors, resulting in a diminished learning experience.  

As noted in a previous post referencing an article from The Economist, Edtech companies are already generating billions in revenue, at the expense of traditional universities. This trend is set to accelerate with the rise of generative AI and personalized tutoring technologies, which have the potential to revolutionize education leaving many universities struggling to remain relevant—or even facing financial ruin.

Update on January 21 – A global study on public trust in science, published yesterday in Nature Human Behaviour, surveyed 71,922 respondents across 68 countries. While scientists are widely regarded as qualified and concerned about public well-being, only 57% of respondents believe they are honest, with 31% expressing ambivalence and 11% considering them dishonest. This stark divide serves as a critical warning: universities must rigorously safeguard their most valuable asset—integrity—as any misstep risks further eroding public trust at a time when it remains precarious.  https://www.nature.com/articles/s41562-024-02090-5#Sec7

Verdades duras ou como desperdiçar muito dinheiro num diploma que não vale isso

No cabeçalho da capa da última edição da conhecida e prestigiada revista The Economist, no mesmo é visivel um título (Hard Truths about MBAs) que definitivamente não traz boas noticias para aqueles que andam a pagar o elevado custo de um MBA. No artigo em questão fica-se a saber que até mesmo aqueles que tiraram um MBA num universidade de elevado prestigio mundial, onde só as propinas custam mais de 5000 euros por mês (em Portugal há MBA com custos entre 1000 e 4000 euros por mês), começam a ter de esperar mais tempo até conseguirem encontrar emprego.  

Quem sem dúvida ficará bastante contente com as referidas dificuldades, são as plataformas de ensino online (Edtech), cujos custos constituem apenas uma pequena fracção do custo dos MBA e as quais não possuem as desvantagens associadas ás aulas em contexto presencial, onde largas dezenas ou até mesmo centenas de alunos tentam ouvir a lição de um professor, sem conseguir ter uma unica interacção com ele, vide descrição feita por uma docente estrangeira, num post anterior, onde comentei um artigo da mesma revista The Economist, que deu conta que as referidas Edtech já andam a facturar milhares de milhões (leia-se a retirar essa receita às universidades) situação essa que a IA generativa irá agravar ainda mais de forma muito substancial.

PS – Sobre as dificuldades mencionadas no referido artigo, aproveito para relembrar que há 7 anos atrás (muito antes do Elon Musk ter dito publica e provocatóriamente que qualquer curso era preferível a um MBA) enviei a vários milhares de Colegas alguns emails bastante criticos desses diplomas e dos rankings das universidades que os atribuem, que abaixo novamente reproduzo. 


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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 10 de Dezembro de 2018 7:28
Assunto: Prof. Martin Parker___”Why we should bulldoze the business schools”

“ There are 13,000 business schools on Earth. That’s 13,000 too many. And I should know – I’ve taught in them for 20 years… schools have huge influence, yet they are also widely regarded to be intellectually fraudulent places, fostering a culture of short-termism and greed. (There is a whole genre of jokes about what MBA – Master of Business Administration – really stands for: “Mediocre But Arrogant”, “Management by Accident”, “More Bad Advice”, “Master Bullshit Artist” and so on.) Critics of business schools come in many shapes and sizes…Since 2008, many commentators have also suggested that business schools were complicit in producing the crash…If we want to be able to respond to the challenges that face human life on this planet, then we need to research and teach about as many different forms of organising as we are able to collectively imagine. For us to assume that global capitalism can continue as it is means to assume a path to destruction…”

https://www.theguardian.com/news/2018/apr/27/bulldoze-the-business-school

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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 4 de Dezembro de 2018 6:35
Assunto: O ranking da treta sobre Escolas de gestão que a imprensa Portuguesa adora

A mesma imprensa que solenemente desprezou o facto de recentemente se ter sabido que Portugal tem um elevado número de highly cited researchers e do que isso significa no próximo e prestigiado ranking Shanghai de universidades mostrou-se ontem embasbacada e quase hipnotizada pelo desempenho das escolas de gestão no ranking Financial Times, assunto que acho só não foi abordado nos jornais da bola.

E porém nenhum jornalista achou por bem questionar-se por que carga de água tão excelente desempenho das Portuguesas escolas de gestão não se reflecte no desempenho da área científica que lhe está associada no ranking Shanghai Top 500, como se percebe pelo link https://www.docdroid.net/RX2xh1G/portugal-top-500-shanghai-ranking-pdf onde a mesma não se conta entre as áreas com melhor desempenho, realçadas a azul e principalmente a amarelo.

Aliás não deixa de ser paradoxal e até caricato que havendo em Portugal tantas excelentes escolas de gestão que já formaram milhares de excelentíssimos gestores, que hoje no Público haja artigo que se inicie da seguinte forma:  “Ano após ano, continuamos na cauda da Europa em termos de produtividade do trabalho por hora trabalhada, sendo que em 2017 ainda piorámos o desempenho…” restando por isso concluir que a excelência das nossas escolas de gestão ainda não chegou às empresas e nem se sabe se algum dia lá chegará. E já agora como explicar que em muitas empresas a remuneração dos excelentes gestores não seja afectada pelo desempenho da empresa ? Havendo até muitos gestores que muito recebem mesmo que o desempenho da empresa seja mediano ou até medíocre como ontem foi reportado no jornal Público https://www.publico.pt/2018/12/02/economia/noticia/salario-gestores-nao-afectado-desempenho-empresa-1853049

Faz por isso todo o sentido perguntar, o que mede um ranking de escolas baseado nos salários dos diplomados ? Será mesmo a excelência do ensino que por lá se pratica ? E se alguém se lembrasse de fazer ranking similar para escolas de engenharia e tendo em conta os miseráveis salários de muitos jovens engenheiros, incluindo muitos diplomados pelo IST (o Bastonário da Ordem dos Engenheiros fala mesmo em salários indignos) qual seria a posição do IST e de outras escolas de engenharia Portuguesas no referido ranking ?

É claro que muitos colegas das referidas excelentes escolas de gestão que agora andam muito ufanos com a posição da sua escola no referido ranking ficarão ressentidos com o facto de o ter designado como ranking da treta. A esses Colegas deixo apenas seis singelas e académicas perguntinhas:

1 – Como é que as escolas de gestão de um país pobre podem aparecer destacadas num ranking baseados em salários dos diplomados ?

2 – Será que os únicos alunos Portugueses que responderam aos inquéritos estão todos a trabalhar no estrangeiro ?

3 – Porque é que o Financial Times não revela quantos inquéritos recebeu de cada uma das escolas que aparecem no tal ranking ?

4 – Quem é que garante ou confirma a veracidade daquilo que está nos inquéritos ?

5 – Alguém pode garantir que nenhuma escola eliminou inquéritos associados a menores remunerações de alunos ?

6 – O Financial Times diz que aceita a candidatura daquelas escolas, onde mais de 20% dos diplomados responderam aos inquéritos, com um mínimo de 20 inquéritos. Ainda admitindo que todo o processo é transparente e integro e que nenhum aluno mentiu no inquérito (deixa-me rir) será que estes valores são representativos do que quer que seja ?

The Double-Edged Sword of Industry Ties: 11,992 Scientists Can’t Be Wrong—Or Can They?

A team of scientists from Norway, Spain, Sweden, and Hungary conducted a study using data from a survey of 11,992 scientists, measuring scientific impact through the top 10% most cited papers. The research explores the relationship between academic engagement—scientists’ interactions with non-academic actors—and scientific impact, revealing a positive association between the two.

The analysis shows that scientists who actively collaborate with non-academic partners tend to produce more high-impact research. The study further highlights that joint research collaborations are more strongly linked to scientific impact than response-mode interactions. Additionally, scientists with a strong track record of previous achievements and higher academic rank are more likely to benefit from these collaborations. https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0166497224001627#sec5

In my view, the study overlooks a critical issue: the risks of university-industry collaborations that can go disastrously wrong. The University of California’s $25 million deal with Novartis gave the company partial influence over faculty research, becoming a cautionary tale of prioritizing funding over academic independence. The Theranos scandal, where Stanford researchers helped validate fraudulent blood-testing technology, tarnished the university’s reputation when the fraud was exposed. Similarly, Volkswagen’s emissions test cheating implicated the University of West Virginia, damaging both parties. Apple’s partnership with the University of California also drew criticism over allegations of unfair exploitation of university research. These examples raise a key question: How much should universities risk in partnerships that could compromise their most valuable asset—their hard-earned reputation?

Declaration of Competing Interests – On January 25, 2020, I argued that blindly trusting corporate research is deeply problematic, in my post titled “The University of the Future: From Knowledge Hubs to Guardians of Truth” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/the-university-of-future.html

Catedrático reafirma que Reitor lhe terá dito que todos os concursos para professores universitários são combinados

“…jamais esquecerei o que uma vez me disse o reitor… de uma universidade pública …: “Não sabe V. Ex.ª que os júris estão todos combinados?”

O extrato supra foi retirado da página 3 do jornal Público, da edição do sábado passado, de um artigo com autoria de um catedrático da universidade Nova de Lisboa. O mais inacreditável é que já não é a primeira vez que ele fez essa confissão, já a tinha feito em 2021, e nessa altura não apareceu nenhum Reitor ou responsável Governativo para o desmentir. E agora também não, pelo que só resta concluir que o silêncio daqueles constitui uma admissão tácita. 

O que é irónico é que desde que o Ministro Manuel Heitor, durante o mandato do Governo socialista de António Costa, autorizou que as universidades pudessem abrir concursos internos (leia-se aconchegados) a que só podem concorrer os da casa, os jurados catedráticos agora já não precisam de viciar o concurso, para conseguir que o vencedor seja sempre um candidato caseiro. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/ensino-superiorconcursos-revelia-da-lei.html

E agora que as universidades conseguiram, pela mão da Ministra Elvira Fortunato, também num inqualificável Governo socialista, algo absolutamente impensável, o de alcançar uma velha e mal disfarçada ambição (que em 2020 critiquei no post de título “Supino descaramento catedrático“), a de poder selecionar os investigadores dos programas FCT-tenure, é muito provável que também nesses concursos as regras passem a ser as das combinações prévias, ao contrário do que acontecia nos concursos investigador-FCT e CEEC, onde os catedrático Portugueses estavam proibidos de participar e de favorecer qualquer candidato, sendo os jurados desses concursos constituídos a 100% por peritos estrangeiros, vide denúncia feita no final do post.

PS – Sobre concursos combinados reproduzo abaixo três questões que coloquei no final de um post de 2020: 

1 – será que um Professor que participa activamente na viciação de um procedimento concursal, ou que seja o beneficiário directo dessa viciação, reúne suficientes condições de ética, isenção e imparcialidade, para poder avaliar os seus alunos de forma rigorosa, sem que se corra o risco de favorecer alguns ou algumas, em troca de contrapartidas ?
2 – será que um Professor que participa activamente na viciação de um procedimento concursal, ou que seja o beneficiário directo dessa viciação, reúne suficientes condições de ética, isenção e imparcialidade, que minimizem o risco de no futuro se dedicar à pratica ilícitos, como plagiar o trabalho de colegas ou falsificar resultados de investigações ?
3 – e será que quando se acaba de saber que um projecto de investigação financiado pela FCT, que envolveu 180 cursos, 7.292 alunos e cerca de 2.700 docentes com o título “A ética dos alunos e a tolerância de professores e instituições perante a fraude académica no Ensino Superior” confirma a existência de uma elevada incidência de fraude académica em Portugal, num país onde muitos daqueles que deviam constituir-se como modelos de comportamento, se pautam afinal por uma relatividade ética, permanente e generalizada, não deveria a contratação de Professores Universitários merecer neste contexto redobradas preocupações, por forma a ser feita de forma transparente, rigorosa e no respeito pelos princípios da justiça, da imparcialidade e do mérito, consagrados na Constituição da Republica Portuguesa ?
 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/06/endogamia-academica-e-viciacao-concursal.html

Hypocrisy Unmasked: Western Academics Criticize the South’s Rising Publication Metrics

Expanding upon the earlier discussion (linked above) concerning a mathematician’s paper that identified distinct patterns in papermilling—where potentially dubious behaviors were flagged by examining the publication records of two Highly Cited Researchers as illustrative examples—it is now essential to address a new study revealing substantial inflation of publication metrics across several universities.

This study, using data from Scopus and Web of Science, identified 80 universities whose research output grew by over 100% from 2019 to 2023. Notably, one university in Iraq saw a 1,500% increase, while another in Egypt experienced a nearly 1,000% rise in published papers. 

While many in Western academic circles have leveraged these findings to critique institutions in Iraq and Egypt, such criticism demonstrates a striking hypocrisy. It conveniently sidesteps the fact that the professor responsible for an extraordinary 336 Scopus-indexed publications in a single year was based in Denmark, rather than Iraq or Egypt.

When comparing the ratio of retracted papers per million people, the United States has twice the ratio of Egypt, while the United Kingdom’s ratio is three times higher. If Iraq were included in the comparison, the figures for both the United States and the United Kingdom would look even worse. Moreover, it is worth highlighting the case of American scientists who remarkably continued to have papers published even after their deaths https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/necroauthorship-dead-scientists-who.html

PS –  It is worth recalling a warning I wrote a few years ago: “…if this becomes the norm in Western countries, third-world nations may be inclined to replicate these “successful” practices, cultivating their own super-scientists. Consequently, if an African super-scientist were to emerge with 10,000 or 20,000 publications at the summit of the publishing rankings, there would be little ground for criticism…” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/how-many-papers-can-superscientist.html

1 milhão de Portugueses em teletrabalho, coloca-nos mais perto da realidade da Finlândia ou da Bulgária ?

Na secção de economia do Expresso, um artigo sobre o teletrabalho dá conta que em Portugal existe quase 1 milhão de trabalhadores que continuam a utilizar esse regime. Informa também que algumas empresas Portuguesas que tentaram arranjar candidatos (com talento) para trabalho presencial e simplesmente não os conseguem encontrar porque no nosso país o talento é escasso e esse talento prefere a modalidade do teletrabalho. 

Aliás se de acordo com as estatísticas do Eurostat, a pobre Bulgária é o país europeu que possui a menor percentagem de teletrabalho e são precisamente os ricos países nórdicos, com a Finlândia à cabeça, que possui a mais alta percentagem de teletrabalho, aquilo que faz sentido é que as empresas Portuguesas se tentem aproximar das práticas dos países nórdicos e afastar-se das da Bulgária, pois na verdade o nosso país ainda está longe da percentagem de teletrabalho da Finlândia, país esse que possui um PIB/capita que é mais do dobro do de Portugal, a não ser que Portugal prefira antes ter o PIB/capita da Bulgária.   

Para desgraça já basta o facto, da actual percentagem de teletrabalho dos Portugueses não se dever a nenhuma estratégia inteligente das empresas, no sentido de copiarem o que se faz nos ricos países nórdicos, mas apenas às obrigações associadas ao confinamento por conta do Covid-19, e posteriormente aquela, por conta da infame invasão Russa da Ucrânia e da consequente Resolução do Conselho de Ministros n.º 82/2022 que definiu o conteúdo Plano de Poupança de Energia que incentivou o recurso ao teletrabalho. 

É claro que o artigo em causa também refere, que algumas empresas, não estão minimamente interessadas em trazer os trabalhadores para o trabalho presencial, porque entretanto aumentaram o número de trabalhadores das suas empresas e isso significaria terem de pagar pela ampliação do espaço de escritório, que é extremamente caro, especialmente nos grandes centros urbanos e também porque concluiram que o teletrabalho não se tem reflectido de forma negativa na produtividade dessas empresas. 

Ainda sobre o teletrabalho, e as diferentes expectativas dos trabalhadores de 16 países, revisite-se o post anterior de título “Intrigante comportamento mimético entre Italianos e Chineses” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2023/12/o-quinto-artigo-um-diluvio-de-milhoes.html

PS – Tendo em conta que o quase 1 milhão de trabalhadores que em Portugal está em teletrabalho, não está a entupir as estradas deste país, agravando problemas de trânsito e provocando acidentes, que tem elevados custos humanos e materiais, nem a consumir combustíveis que Portugal tem de importar, nem a emitir gases com efeito de estufa, que Portugal se obrigou a reduzir no âmbito de compromissos internacionais, já para não falar dos seus efeitos na saúde, vide a informação sobre as cidades com maior poluição atmosférica https://noctula.pt/poluicao-do-ar-os-15-locais-mais-poluidos-de-portugal/ aquilo que faz sentido é que as empresas onde eles trabalham possam ser beneficiadas em sede fiscal, ao contrário de outras que recebem benefícios fiscais sem o merecerem, como por exemplo aquelas que tem benefícios fiscais por conta da aquisição de viaturas de luxo, e que ajuda a perceber porque é que há tantas viaturas de luxo em Portugal, até mesmo em concelhos pobres https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/a-riqueza-escondida-nos-concelhos-mais.html

A prova da estupidez e da prepotência com que a FCT maltrata os investigadores

“….numa recente entrevista de um investigador Francês, recente vencedor do Nobel que visitou a universidade do Minho, ele falou sobre a utilização de verbas que sobram dos projectos de investigação. Algo que releva do mais elementar bom senso, pois se um investigador não esgotou a verba de um projecto deveria poder utilizá-la, noutras experiências científicas ou no pagamento de viagens a conferências ou em qualquer outra despesa cientifica”

O pequeno extracto supra, foi retirado de um post escrito há poucos meses atrás, com um título bastante elucidativo “Sobre Ciência_A estupidez Portuguesa, a inteligência Alemã, o bom senso Francês e o princípio da confiança“, e no referido post critiquei a estupidez monumental das regras que regem a ciência em Portugal e que são nada mais do que um hino à burocracia mais rasteira e mais soez. Nesse post esqueci-me porém de mencionar que por vezes  essa estupidez se transforma em prepotência

No passado dia 30 de Dezembro, recebi um email inqualificável da Fundação para Ciência e Tecnologia-.FCT, que relativamente a um projecto que cordenei há poucos anos e onde ficou por executar um valor inferior a 600 euros, se pode ler algo que transpira prepotência por todos os lados, que ou o investigador responsável pelo projecto, transfere para a FCT o valor não executado, no prazo máximo de 20 dias úteis, ou a universidade do Minho terá de pagar na integra todo o dinheiro do projecto, no valor de dezenas de milhares de euros !!!! 

Como é evidente, a reduzida verba que foi não executada no projecto que eu coordenei, está numa conta bancária da Universidade do Minho e é preciso agora proceder internamente a uma tramitação especifica, com diversas autorizações, para que a universidade do Minho possa efectuar a sua devolução à FCT, tramitação essa que se torna ainda mais demorada no período actual de transição entre anos fiscais, sendo por isso ridículas e até afrontosas as “ameaças” da FCT,  que se não receber os tais menos de 600 euros no prazo de 20 dias irá exigir o pagamento de dezenas de milhares de euros de todo o projecto. E logo à universidade do Minho, a quem os Governos desta desgraçada República devem dezenas de milhões de euros, como foi publicamente denunciado pelo próprio Reitor, que nessa denúncia até utilizou a palavra calote.  

Resumindo e concluindo, enquanto que a França, o país que mete na cadeia, políticos Franceses que andaram a desbaratar dinheiros públicos a contratar familiares e amigos, permite que os cientistas Franceses possam gastar noutras despesas científicas as verbas que não foram executadas num determinado projecto, o que até serve de incentivo para que eles tentem poupar na gestão dos projectos, já em Portugal, de forma radicalmente oposta, exige-se aos investigadores que rapidamente devolvam qualquer sobra financeira dos projectos, ameaçando até com a cobrança do montante de todo o projecto, mas ao mesmo tempo permite-se que os políticos Portugueses gastem dezenas de milhares de euros em almoçaradas e se eles gastarem verbas públicas a contratar familiares e amigos nada lhes acontece. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/vicio-das-raspadinhas-utilizado-para.html Hoje mesmo num artigo do jornal Público, ficou-se a saber que na referida Santa Casa, uma única família, conseguiu arranjar emprego para mais de 20 familiares.  E alguns deles até recebem salários superiores ao de um professor catedrático.

Declaração de interesses – Declaro que ao longo dos últimos anos critiquei por diversas vezes a FCT, como por exemplo em 2017, quando critiquei a absoluta descriminação financeira das pequenas unidades de investigação, ou como quando em 2019, critiquei o facto dos contratos de investigadores CEEC chegarem a demorar vários meses para serem realizados, num post onde aproveitei para divulgar que uma conceituada investigadora (hoje Presidente do famoso GIMM) tinha publicamente qualificado a FCT como sendo uma instituição incompetente ou como quando em 2024 divulguei criticas da comunidade científica num post de título “Os truques e subterfúgios da FCT que infernizam a vida aos investigadores” 

Muito provavelmente este é o melhor artigo do jornal Público desta semana e deste mês

https://www.publico.pt/2025/01/06/opiniao/opiniao/podemos-obrigar-portugal-exigir-fim-genocidio-gaza-2117738

Declaração de interesses – Declaro que em Julho de 2023 elogiei um outro artigo do mesmo médico, cuja bondade, a ironia do destino, “recompensou” com uma tragédia pessoal !

PS – Sobre a referida tragédia vale a pena revisitar um post de Julho de 2022 de título Porque é que uma vida com significado é impossível sem sofrimento?