A crise do Estreito de Ormuz que se agrava a cada dia que passa e o estranho silêncio do Governo

https://pachecotorgal.com/2022/09/28/a-resolucao-do-conselho-de-ministros-e-a-magnifica-medida-triplamente-virtuosa/

Quem acompanhou a forma displicente como o Governo de António Costa respondeu tardiamente à criminosa invasão russa da Ucrânia, necessitando de nada menos de 90 dias para publicar no Diário da República a Resolução do Conselho de Ministros n.º 82/2022 (vide post acessível no link acima), não pode deixar de olhar para o que se passa actualmente com uma mistura de incredulidade e indignação. Fica-se com a sensação de que, neste país, mudam os governos, mas a inércia permanece a mesma.

Desgraçadamente, a situação atual é muito mais grave do que a de 2022, como se depreende aliás do grave aviso bem explícito nas palavras do Diretor da Agência Internacional de Energia-IEA. Tenha-se presente que em 2022, a ameaça era o gás russo, do qual Portugal era quase inteiramente independente, o que tornava a Resolução do Conselho de Ministros n.º 82/2022 num exercício de solidariedade europeia com alguns laivos de dramatização política para consumo interno. Em 2026, porém, a ameaça é o petróleo de que a economia Portuguesa é altamente dependente.

Perante este cenário, o Governo atual não conseguiu até ao momento produzir um documento integrador, que estabeleça prioridades claras de segurança energética e de redução de vulnerabilidades, limitando-se a algumas medidas avulsas centradas quase exclusivamente em mecanismos de alívio fiscal e descontos artificiais no preço dos combustíveis. Medidas essas que não passam de expedientes de curto prazo, que mascaram o problema sem o resolver, que distorcem preços, que adiam ajustamentos necessários e que transferem para o Orçamento do Estado, ou seja, para todos os contribuintes, o custo de uma política energética sem visão estratégica.

Esta abordagem não é apenas insuficiente, é também enganosa. Cria a ilusão de ação governativa onde existe apenas gestão de imagem. Substitui estratégia por improviso e cosmética política, planeamento por reação e visão por gestão manhosa do ciclo mediático. Consegue assim o milagre de ficar aquém do que fez o Governo de António Costa que, mesmo tardiamente, aprovou, ao abrigo da supracitada Resolução do Conselho de Ministros n.º 82/2022, um plano de poupança de energia que, entre dezenas de medidas, mencionava o teletrabalho mais de uma dezena de vezes.