A prova da estupidez e da prepotência com que a FCT maltrata os investigadores

“….numa recente entrevista de um investigador Francês, recente vencedor do Nobel que visitou a universidade do Minho, ele falou sobre a utilização de verbas que sobram dos projectos de investigação. Algo que releva do mais elementar bom senso, pois se um investigador não esgotou a verba de um projecto deveria poder utilizá-la, noutras experiências científicas ou no pagamento de viagens a conferências ou em qualquer outra despesa cientifica”

O pequeno extracto supra, foi retirado de um post escrito há poucos meses atrás, com um título bastante elucidativo “Sobre Ciência_A estupidez Portuguesa, a inteligência Alemã, o bom senso Francês e o princípio da confiança“, e no referido post critiquei a estupidez monumental das regras que regem a ciência em Portugal e que são nada mais do que um hino à burocracia mais rasteira e mais soez. Nesse post esqueci-me porém de mencionar que por vezes  essa estupidez se transforma em prepotência

No passado dia 30 de Dezembro, recebi um email inqualificável da Fundação para Ciência e Tecnologia-.FCT, que relativamente a um projecto que cordenei há poucos anos e onde ficou por executar um valor inferior a 600 euros, se pode ler algo que transpira prepotência por todos os lados, que ou o investigador responsável pelo projecto, transfere para a FCT o valor não executado, no prazo máximo de 20 dias úteis, ou a universidade do Minho terá de pagar na integra todo o dinheiro do projecto, no valor de dezenas de milhares de euros !!!! 

Como é evidente, a reduzida verba que foi não executada no projecto que eu coordenei, está numa conta bancária da Universidade do Minho e é preciso agora proceder internamente a uma tramitação especifica, com diversas autorizações, para que a universidade do Minho possa efectuar a sua devolução à FCT, tramitação essa que se torna ainda mais demorada no período actual de transição entre anos fiscais, sendo por isso ridículas e até afrontosas as “ameaças” da FCT,  que se não receber os tais menos de 600 euros no prazo de 20 dias irá exigir o pagamento de dezenas de milhares de euros de todo o projecto. E logo à universidade do Minho, a quem os Governos desta desgraçada República devem dezenas de milhões de euros, como foi publicamente denunciado pelo próprio Reitor, que nessa denúncia até utilizou a palavra calote.  

Resumindo e concluindo, enquanto que a França, o país que mete na cadeia, políticos Franceses que andaram a desbaratar dinheiros públicos a contratar familiares e amigos, permite que os cientistas Franceses possam gastar noutras despesas científicas as verbas que não foram executadas num determinado projecto, o que até serve de incentivo para que eles tentem poupar na gestão dos projectos, já em Portugal, de forma radicalmente oposta, exige-se aos investigadores que rapidamente devolvam qualquer sobra financeira dos projectos, ameaçando até com a cobrança do montante de todo o projecto, mas ao mesmo tempo permite-se que os políticos Portugueses gastem dezenas de milhares de euros em almoçaradas e se eles gastarem verbas públicas a contratar familiares e amigos nada lhes acontece. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/vicio-das-raspadinhas-utilizado-para.html Hoje mesmo num artigo do jornal Público, ficou-se a saber que na referida Santa Casa, uma única família, conseguiu arranjar emprego para mais de 20 familiares.  E alguns deles até recebem salários superiores ao de um professor catedrático.

Declaração de interesses – Declaro que ao longo dos últimos anos critiquei por diversas vezes a FCT, como por exemplo em 2017, quando critiquei a absoluta descriminação financeira das pequenas unidades de investigação, ou como quando em 2019, critiquei o facto dos contratos de investigadores CEEC chegarem a demorar vários meses para serem realizados, num post onde aproveitei para divulgar que uma conceituada investigadora (hoje Presidente do famoso GIMM) tinha publicamente qualificado a FCT como sendo uma instituição incompetente ou como quando em 2024 divulguei criticas da comunidade científica num post de título “Os truques e subterfúgios da FCT que infernizam a vida aos investigadores”