O professor Português que se doutorou numa prestigiada universidade da Dinamarca e que acabou despedido de uma universidade Portuguesa

A academia Portuguesa está cheia de casos absolutamente inacreditáveis, que incluem como escrevi em posts anteriores, até mesmo casos de catedráticos que cometeram crimes e que continuam em funções, ao contrário do que sucede em universidades estrangeiras, onde tais crimes são motivo para a sua expulsão definitiva, vide post acessível no link supra, mas também situações verdadeiramente kafkianas, como a de um professor que se doutorou na prestigiada universidade de Aarhus (Top 100 do ranking Shanghai) e que por conta de uma deslocaçáo posterior a essa mesma universidade, para conduzir actividades de investigação, que até tinham sido aprovadas pelo seu departamento, acabou despedido. Abaixo reproduzo um pequeno extracto desse “processo” inominável:

“…0 processo disciplinar recebido no Ministério foi, coerentemente, enviado à respectiva Auditoria Jurídica…e recebeu, nessa mesma data, a concordância do Auditor Jurídico, nele se concluindo que se não justificava a aplicação de uma “pena expulsiva”, pelo que…deveria o processo ser devolvido ao Reitor, com essa indicação…Este parecer foi “homologado” , por despacho do Secretário de Estado do Ensino Superior…A reacção da Universidade a esta decisão do Secretário de Estado foi “fantástica”: 0 Magnífico Reitor reuniu a Secção Disciplinar (apenas 5 dos seus 9 membros) e perante os presentes foi feito o resumo do “parecer” da Auditoria (com ligeiras deturpações pelo forma como foi referido), dando a entender que o processo fora devolvido à Universidade para esta proceder à “atenuação extraordinária da pena… Na verdade, o que se passara e foi mal explicado, foi que: O Secretário de Estado, a quem pertencia a competência para aplicar qualquer “pena expulsiva” não vira razão suficiente para tal e decidira não a aplicar…” https://mariolaima.dk/site/evora/Resumo.htm

Será que aumentar a actual inflacção de doutorados é aquilo que presentemente melhor serve os interesses de Portugal ?

Uma pesquisa no site do IEFP revela que estão registados naquela plataforma, à procura de emprego, mais de 2600 pessoas possuidoras de um doutoramento. Em face desse anormal desencontro entre elevadas qualificações e aquilo que são as necessidades efectivas dos empregadores deste país, faz sentido que o Estado Português pretenda continuar a gastar dezenas de milhões de euros a financiar mais bolsas de doutoramento, para aumentar o desemprego de doutorados, ao invés de utilizar a mesma verba a financiar contratos aos melhores investigadores, sob pena deles serem “roubados” por universidades estrangeiras ? Vide a noticia que ontem apareceu na ScienceBusiness, informando que a Alemanha pretende atrair 1000 investigadores estrangeiros de topo  https://sciencebusiness.net/international-news/germany-could-spend-part-its-eu500b-stimulus-package-attracting-us-scientists

Recordo também que há quatro anos atrás divulguei um caso lamentável, que foi trazido ao meu conhecimento por um colega da Universidade de Coimbra, que infelizmente não é único e que é bem prova da grossa incompetência (leia-se indigência) dos responsáveis políticos deste país, sobre uma jovem investigadora muito competente, que foi forçada a abandonar este país, onde a incompetência é considerada currículo de mérito https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/quando-estar-desempregado-e-uma-medalha.html Felizmente que encontrou um lugar numa universidade da Suécia, onde ainda hoje trabalha, tendo a mesma, em poucos anos conseguido ganhar mais de 1 milhão de euros em projectos de investigação.  

Neste contexto recordo que no passado mês de Janeiro, a conhecida revista The Economist, puxou para a sua capa um titulo com más noticias, para aqueles que andaram a pagar o elevado custo de um MBA e no mês seguinte, divulguei um estudo que analisou 11 milhões de anúncios de emprego, o qual revelou que nos últimos anos, houve uma redução pela procura de candidatos com um diploma universitário, em favor de formações curtas em contexto de trabalho e microcertificações https://pachecotorgal.com/2025/02/27/examining-11-million-job-postings-employers-are-moving-beyond-university-degrees/

PS – Excecionalmente, o Estado Português poderia continuar a financiar bolsas de doutoramento, mas somente nas áreas científicas mais competitivas, como por exemplo aquelas que estão entre as 100 melhores a nível mundial https://pachecotorgal.com/2024/11/10/universidades-portuguesas-com-areas-cientificas-no-top-100-mundial-do-ranking-shanghai/ Coisa diferente mas não menos importante, é questionar porque que é que a imprensa de referência, por vezes tão ocupada com assuntos menores, ainda não teve tempo para descobrir quais são afinal as áreas e as universidades que formam mais doutorados para o desemprego.

Tokyo Scientists’ Insight Insurrection – Unleashing Brain‑Shattering Breakthroughs

Building on my previous post highlighting Aarhus University’s recent analysis of creativity in research, I now draw attention to a newly published study from the University of Tokyo. This research indicates that breakthrough moments occur when individuals break free from repetitive thought patterns and engage in broader, long-range explorations within a knowledge network. The study suggests that true insight involves retrieving unlikely associations through optimal, expansive searches, rather than through numerous short-range attempts. https://www.nature.com/articles/s44271-025-00235-4

To cultivate genuine insight among students, universities should redesign curricula to foster cognitive flexibility and creative problem-solving. Implementing open-ended design thinking and project-based learning encourages students to explore diverse ideas and iterate solutions, moving beyond fixed thought patterns. Faculty development programs should equip instructors to recognize and interrupt cognitive fixation, promoting divergent questioning techniques. Assessment models should reward flexibility, and originality over single-answer correctness, aligning evaluation with the goal of nurturing innovative thinkers.

PS – The previous post ‘Unveiling the Crucial Role of Divergent Thinking Among Early-Career Scientists‘ is also relevant in this context https://pachecotorgal.com/2024/04/25/unveiling-the-evolution-of-divergent-thinking-in-early-career-scientists/

A universidade que paga vencimentos mínimos acima de 10.000 euros/mês e que concede licenças sabáticas de 1 ano para os cientistas poderem desenvolver empresas

https://pachecotorgal.com/2024/01/25/catedratico-nada-modesto-classifica-de-mediocre-a-estrategia-do-governo/

Ainda na sequência de um post de há um ano atrás, vide link supra, sobre as declarações nada modestas de um catedrático da Universidade do Porto, relativamente à capacidade de geração de empresas por parte do seu grupo de investigação, aproveito para divulgar o facto de hoje mesmo a revista Forbes, ter publicado um artigo onde analisa a tendência crescente dos cientistas se tornarem empreendedores através do lançamento de empresas de base tecnológica. https://www.forbes.com/sites/trevorclawson/2025/04/19/spin-out-strategy-turning-scientists-into-entrepreneurs/

Neste contexto recordo que num post anterior, do passado mês de Dezembro, no qual lamentei a inépcia (leia-se falta de coragem) da Presidente do ERC, Maria Leptin, mencionei o facto do famoso relatório Draghi ter criticado a inexistência de incentivos, a nível europeu, para que os investigadores se tornem empreendedores. Nesse post mencionei o caso da conhecida e prestigiada universidade ETH Zurich, a 5ª melhor universidade europeia de acordo com o conhecido ranking Shanghai (onde os professores-auxiliares ganham mais de 10.000 euros por mês), que concede licenças sabáticas aos seus cientistas para que se possam dedicar unicamente à criação de empresas  https://pachecotorgal.com/2024/12/09/a-tale-of-two-erc-presidents-maria-leptins-silence-vs-bourguignons-courage/

Neste contexto particular, é pertinente referir que há poucos anos atrás, um capítulo de um livro indexado na Scopus, divulgou resultados de um estudo de investigadoras da universidade do Minho, que analisaram as respostas de duas centenas de estudantes de cursos de engenharia da mesma universidade (53% do campus de Gualtar e 47% do campus de Azurém), quanto às suas intenções de se poderem no fututo tornar empreendedores. Os resultados mostraram que as jovens mulheres dessa área mostraram-se menos motivadas (do que os homens) para serem empreendedoras.  https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/90299 

Curiosamente, as autoras do referido capítulo, não citaram um estudo que tinha sido publicado dois anos antes, na revista Sec. Organizational Psychology, com resultados opostos. O mesmo incidiu sobre 644 estudantes Portugueses, de 21 universidades e de 7 institutos politécnicos, tendo concluido que as mulheres dessa amostra, apresentavam uma intenção empreendedora superior à dos  homens https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2020.615910/full

PS – Ainda sobre o supracitado capítulo de livro, não posso deixar de registar positivamente, o facto das suas autoras terem feito questão de não deixar de referenciar obras altamente citadas, o que poderá contribuir (mostra a ciência) para o aumento do impacto da sua publicação.  

Autor TítuloCitações Scopus        
SchumpeterCapitalism, Socialism and Democracy20.249
Reynolds et al. GEM Executive Report1.886
Shapero Entrepreneurial Potential1.885
Krueger & Carsrud TPB applied to entrepreneurship1.199
Liñán & FayolleSystematic review on entrepreneurial intentions   989
ThompsonEI measurement scale   808

Ciência à Portuguesa: Métricas proibidas, rigor mínimo e classificações máximas

“…cerca de 75% das unidades de I&D foram avaliadas com Muito Bom ou Excelente, resultado difícil de conciliar com critérios de mérito exigentes…” https://www.publico.pt/2025/04/15/ciencia/opiniao/ciencia-portugal-avaliar-visao-financiar-coragem-2129865

A Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) divulgou hoje os resultados provisórios da avaliação das unidades de I&D, o resultado global esse, pode apreender-se na demolidora frase supra, da autoria do director do maior centro de investigação na área da ciência e da engenharia dos materiais, que foi novamente classificado com Excelente.

Porém, a meu ver, a maior injustiça desta “avaliação”, é que muito embora haja áreas científicas em Portugal, que não conseguem entrar nem sequer no Top 500 do prestigiado ranking Shanghai, ao contrário de outras que aparecem no grupo das 100 melhores a nível mundial, é agora haver unidades das áreas mais competitivas que irão receber muito menos dinheiro do que outras unidades de áreas pouco ou nada competitivas. como por exemplo aquela mencionada no post scriptum deste post. 

Recordo que no passado, já eu por diversas vezes, tinha criticado a metodologia de avaliação das referidas unidades, porque só é possível avaliar aquilo que se consegue medir, como bem avisou um conhecido catedrático da universidade do Porto, porém nesta avaliação estavam paradoxalmente proibidas as métricas que interessavam a uma avaliação com um mínimo de rigor. Até mesmo a métrica, através da qual já foi possível acertar no nome de 75 vencedores do prémio Nobel, que é algo que a ciência Portuguesa, apesar de ser tão invulgarmente excelente, não consegue alcançar há mais de 70 anos.

Bastante beneficiadas com a ausência de métricas são as unidades de maior dimensão, como por exemplo aquela mencionada no post scriptum deste post, facto esse igualmente reconhecido pelo referido catedrático da Universidade do Porto, assim se ignorando que a Ciência já demonstrou que são precisamente as pequenas unidades e não as unidades gigantes, que conseguem aquilo que a ciência Portuguesa não tem conseguido, ser mais disruptiva. Vide critica anterior aqui https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/02/o-grande-laboratorioou-como-os.html

Tendo aliás em conta, que a absurda decisão de proibir de forma absoluta (leia-se catalogar todas as métricas como sendo coisa do diabo), foi tomada durante o inominável Governo de António Costa, é justo que agora se classifique a invulgar abundância de classificações máximas (quase 50% das unidades foram classificadas como Excelentes) que dela resultou, como socialismo científico.  

Declaração de interesses – Declaro que há alguns meses atrás divulguei uma das métricas utilizada no supracitado “maior centro de investigação na área da ciência e da engenharia dos materiais” 

PS – Estando proibidas as métricas, alguém se admira que a tal unidade de investigação gigante, sobre a qual um catedrático da universidade do Minho, escreveu que “O assédio e a violência sexual, se não faziam parte do core business do CES, eram, no minimo, muito comuns” tenha sido classificada com Excelente, com um financiamento de quase 4 milhões de euros ? Ironicamente e apesar dos milhões de euros que recebeu no passado e dos milhões de euros que irá receber no futuro, esta unidade pertence a uma área científica que não consegue sequer entrar no top 500 do ranking Shanghai. 

‘Now is not the time for despair’: Why Scientists Must Choose Resistance Over Resignation

https://pachecotorgal.com/2024/02/22/scientists-urged-to-become-influencers-as-ai-alters-the-fabric-of-scientific-communication/

The call made in the February 2024 post (linked above), for scientists to step into the role of influencers is more urgent now than ever, as science faces unprecedented attacks. A recent article in Nature underscores the vital need for scientists to actively engage in media and political mobilization to protect the integrity of science from growing political interference. It highlights unionization and collective labor action as powerful tools not only in defending not just science, but democracy itself. 

The article leaves no room for complacency: it is time for scientists to rise and act, for inaction or weak compromises will only leave science vulnerable. Now is the moment for scientists to step forward, use their voices, and become the champions of truth and progress the world needs.  https://www.nature.com/articles/d41586-025-01062-7

Catedrático da Universidade do Minho ataca a hipócrita indignação selectiva de Portugal

No seu último artigo no caderno principal do Expresso, o catedrático Luís Aguiar-Conraria, agora Presidente da Escola de Economia e Gestão da Univ. do Minho, escreve com grande à vontade sobre o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra (CES) que ao longo de décadas foi dirigido pelo catedrático Boaventura e em cursos de Verão organizados por aquele Centro, com um ambiente que ele caracterizou, como propiciando que as alunas se sentassem ao colo dos professores. E logo de seguida critica a hipocrisia da indignação, que percorreu Portugal de alto abaixo, relativamente ao vídeo em que alguns “influencers” terão violado um jovem de 16 anos, quando comparada com aquilo que ocorrreu no CES:

“O país anda chocado com três influencers que terão violado uma moça…A indignação é um pouco hipócrita. O assédio e a violência sexual, se não faziam parte do core business do CES, eram, no mínimo, muito comuns. O CES é um viveiro de…pessoas com mestrados e doutoramentos, de professores que passam a vida a pregar a moral…Se esta gente se cala, são os palermas que viram um vídeo, provavelmente similar a outros vídeos pornográficos-há muitas violações simuladas na pornografia-que tinham a obrigação de falar ? Os rapazes serão condenados e muito bem. No CES, está tudo prescrito.”

Declaração de interesses – Declaro que no passado critiquei o CES por incompreensivelmente receber milhões de euros do Orçamento de Estado sem que possuísse métricas de produção científica que minimamente os justificassem https://pachecotorgal.com/2023/05/06/os-milhoes-recebidos-pela-unidade-do-catedratico-boaventura-e-os-desagradaveis-segredos-revelados-pelas-metricas/

PS – Recordo que nem todos na Academia Portuguesa condenam o catedrático Boaventura, há quem o defenda de forma feroz, atacando a credibilidade das denunciantes: “Não é de descartar, mais uma vez, a hipótese de todas estas pessoas estarem simplesmente a imaginar, de modo revanchista, ou a efabular, sob um estatuto de presa num cenário de caça, cenários de transação sexual onde eles não existiam… ” https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/06/a-revista-universitaria-que-vem.html

Unshackled from Employment: Rethinking Human Purpose in a Post-Work World

https://pachecotorgal.com/2025/02/27/examining-11-million-job-postings-employers-are-moving-beyond-university-degrees/

The study referenced in the linked post, which analyzes 11 million job advertisements from 2018 to 2024, highlights a growing corporate preference for skills over academic degrees. In this context, it is relevant to mention the recent book Who Needs College Anymore? Imagining a Future Where Degrees Won’t Matter, authored by a Harvard University researcher and founder of an Educational Design Laboratory, who advocates for skills-based education, career training, and market-driven credentials.

Regardless of corporate expectations and the timeframe for this becoming a reality, it is essential to recall the insightful and assertive statement made by the Australian Government’s Chief Scientific Advisor. He unequivocally emphasized that the role of universities extends beyond merely preparing graduates for the job market, asserting that “producing job-ready graduates isn’t universities’ job.” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/the-university-of-future.html

Declaration of competing interests – If, as Fuller suggested, technology can one day sustain society with minimal labor, the real challenge shifts from production to the fair distribution of resources. The question then becomes whether society can transcend its identity—rooted in intensive work—and redefine human existence beyond mere employability https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/university-mission-in-jobless-future.html

PS – Regarding my personal perspective, I present below a brief excerpt from a document I originally prepared in 2017 as part of an international application. In 2019, after establishing my blog, I revisited and partially republished this excerpt, integrating it into a broader discussion within that platform: “…Initially established in medieval times with the noble mission to pursue a “triadic structure of human engagement with the world”, Truth (Academic Inquiry and Knowledge), Good (Ethics and Morality), and Beauty (Aesthetics and Culture), universities underwent a gradual evolution towards a more utilitarian purpose over time. While some managed to strike a delicate balance between their original ideals and practical utility, many universities lost their way. Continuing down this misguided path poses the risk of universities deviating from their true essence, resembling neither genuine educational institutions nor corporations. In my vision, universities play a distinctive role in inspiring, instilling hope, and nurturing the development of sustainable citizens essential for constructing the envisioned Type One Civilization—a society characterized by multiculturalism, tolerance, and a steadfast commitment to scientific progress…” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/the-role-of-academia-towards-type-1.html

U.Harvard: O princípio do fim dos cursos superiores de 4 anos ?

https://pachecotorgal.com/2025/02/27/examining-11-million-job-postings-employers-are-moving-beyond-university-degrees/

Sobre o estudo mencionado no post acessível no link supra, baseado na análise de 11 milhões de anúncios de emprego, entre 2018 e 2024, que mostrou que as empresas cada vez mais preferem competências a diplomas académicos, é pertinente divulgar um livro de uma investigadora da Universidade de Harvard, fundadora de um Laboratório de Design Educacional, a qual questiona a utilidade dos cursos de 4 anos https://hep.gse.harvard.edu/9781682539521/who-needs-college-anymore/

Independentemente daquilo que as empresas querem e de se saber quantos anos faltarão ainda para que isso se venha efectivamente a tornar uma realidade, é pertinente recordar neste contexto, as sábias e corajosas palavras do principal conselheiro científico do Governo Australiano, quando aquele afirmou, preto no branco, que a missão das universidades não passa por produzir diplomados prontos para o mercado de trabalho “producing job-ready graduates “isn’t universities’ job. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/01/the-university-of-future.html

Declaração de interesses – Se, como foi sugerido por Fuller, a tecnologia puder, um dia destes, sustentar a sociedade com um mínimo de trabalho, a verdadeira questão transita da produção para uma distribuição de recursos minimamente justa. A questão, passará a ser então, a de saber se a sociedade é capaz de transcender a sua identidade, baseada no trabalho intensivo, redefinindo a existência humana para lá da sua empregabilidade. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/02/university-mission-in-jobless-future.html

PS – Sobre a minha perspetiva, reproduzo abaixo um pequeno extracto retirado de um documento que em 2017 preparei para uma candidatura internacional e que posteriormente em 2019, depois de ter iniciado um blog, reproduzi no mesmo, ainda assim apenas de forma parcial: “…Initially established in medieval times with the noble mission to pursue a “triadic structure of human engagement with the world”, Truth (Academic Inquiry and Knowledge), Good (Ethics and Morality), and Beauty (Aesthetics and Culture), universities underwent a gradual evolution towards a more utilitarian purpose over time. While some managed to strike a delicate balance between their original ideals and practical utility, many universities lost their way. Continuing down this misguided path poses the risk of universities deviating from their true essence, resembling neither genuine educational institutions nor corporations. In my vision, universities play a distinctive role in inspiring, instilling hope, and nurturing the development of sustainable citizens essential for constructing the envisioned Type One Civilization—a society characterized by multiculturalism, tolerance, and a steadfast commitment to scientific progress…” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/10/the-role-of-academia-towards-type-1.html

Catorze instituições de ensino superior públicas com uma produção nula

https://pachecotorgal.com/2024/08/04/um-escandalo-academico-a-producao-conjunta-de-varias-universidades-e-inferior-a-de-um-certo-politecnico/

Se reputei de escandaloso, no post supra, que no ano de 2023, a produção conjunta de várias universidades públicas, em termos de livros indexados na Scopus, foi inferior à de um certo Politécnico, tenho de considerar igualmente escandaloso que em 2024 o mesmo Politécnico tenha conseguido produzir mais livros do que várias universidades públicas. 

E não menos escandaloso é que haja 14 instituições, onde trabalham centenas de docentes doutorados, que durante 2024 foram incapazes de produzir um único livro selecionado para indexação na Scopus. Recordo que em posts anteriores, mostrei que algumas delas, há vários anos que não conseguem produzir um único livro indexado. Tenha-se presente que durante o ano de 2024, a universidade de Oxford produziu mais livros indexados do que todas as universidade e politécnicos Portugueses juntos (públicos e privados).

U.Lisboa……….36 livros 

U.Coimbra……..32

U.Porto…….…..22

U.Minho………….21

U.Aveiro…….….17  

U.Nova………….14

UALG………………11

ISCTE……………..11

Pol. Porto…….….5

Pol. Setubal………3

Pol. Portalegre…..2

Pol. Leiria…..……2

Pol. Bragança……2

U.Aberta…………..1

UBI………………….1

U.Évora……….…0

UTAD………………0

U.Madeira………0

UAçores…………..0

IPCA………………..0

Pol. V.Cast……….0

Pol. Santarém……0

Pol. Viseu…..……0

Pol.Guarda.………0

Pol. Lisboa…..…..0

Pol. Coimbra……..0

Pol. Beja….………0

Pol. Tomar………. 0

Pol. C.Branco….…0