Reitor da universidade do Porto denuncia pressões de pessoas influentes para facilitar a entrada no curso de medicina

O semanário Expresso divulga hoje logo na capa do seu caderno principal que o Reitor da Universidade do Porto (foto supra) se queixou que foi muito pressionado por “pessoas influentes com acesso ao poder” para aceitar a entrada de alunos no curso de medicina da sua universidade “sem a nota mínima”

O caso é muito grave, mas felizmente que a integridade do Reitor da Universidade do Porto, que se recusou a pactuar com violações da lei, impediu que as tais pessoas influentes conseguissem aquilo que a lei não lhes permite. Seja como for, o problema do acesso indevido ao curso de medicina, não passa tanto pelas referidas pressões, que como se viu deram em nada, mas através de meios muito pouco éticos, que estranhamente são legais no nosso país, como seja a inflação de notas nos colégios privados, que permite a alguns deles afirmar que tem quase uma receita mágica para garantir a entrada de muitos dos seus alunos em cursos de medicina, infame receita que ficou facilitada por conta de uma medida vergonhosa que também foi denunciada pelo Expresso https://pachecotorgal.com/2022/07/09/expresso-denuncia-omissao-escandalosa-do-governo-que-favorece-os-colegios-que-inflacionam-notas/

Se o partido Chega estivesse realmente interessado em ajudar este país, que não está, pois que apenas o move aquilo que move o PSD e o PS (o acesso ao poder para poder distribuir tachos pelos seus militantes, vide acusação do ex-Presidente Ramalho Eanes), podia obrigar à realização de uma CPI para investigar aquilo que se passa com a referida inflação de notas. Infelizmente, ao Chega apenas interessam noticias relacionadas com imigrantes, pelo que é óbvio que não o iremos ouvir nem sobre as tais pressões das tais pessoas influentes, nem muitos menos sobre os filhos de gente influente que entraram no curso de medicina unicamente porque tinham dinheiro para pagar a frequência de alguns dos tais colégios privados. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/11/vergonhosa-impunidade-no-acesso-ao.html

PS – A supracitada pressão das tais pessoas influentes é a melhor prova que (infelizmente) não há médicos a mais em Portugal, inverdade que repetidamente se ouve da boca do bastonário da Ordem dos Médicos. Aliás a prova de que a profissão de médico é a mais atractiva da função pública está no facto de ser a única que permite obter rendimentos milionários, como há poucos meses se soube através do caso do jovem médico que facturou quase meio milhão de euros em apenas alguns sábados https://pachecotorgal.com/2025/05/28/os-medicos-salafrarios-que-se-aproveitam-do-sns-para-se-tornarem-milionarios/ porém um dos problemas mais graves de se ter médicos que escolhem essa profissão unicamente pela possibilidade de se tornarem milionários é a perversão da própria missão da medicina, vide post anterior sobre “natural born doctors”, aqueles que efectivamente nasceram para ser médicos https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/04/os-medicos-que-nasceram-para-o.html

Aditamento – No final da tarde de hoje, vários órgãos da imprensa revelaram que o Ministro da Educação acusou o Reitor da Universidade do Porto de mentir publicamente acerca das pressões que alega ter sofrido. A gravidade dessa acusação dispensa eufemismos e deixa claro que está aberto um conflito institucional de que não há memória entre um Reitor e um Ministro da tutela.  Neste grave contexto impõem-se duas perguntas inevitáveis: poderá um Reitor de uma universidade pública manter-se em funções depois de ter sido publicamente acusado, pelo próprio Ministro que tutela o ensino superior, de ser mentiroso? E, inversamente, pode um Ministro manter-se em funções, depois de se ter permitido a indignidade de publicamente chamar mentiroso a um Reitor, sem apresentar uma prova absolutamente inequívoca dessa suposta mentira?

A universidade de Coimbra é oficialmente a campeã nacional de artigos “despublicados”

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2025/03/univ-de-coimbra-desfere-um-forte-contra.html

No passado mês de Março, divulguei no post acessível no link supra, uma interessante análise comparativa dos artigos “despublicados”, entre 2015 e 2025, da universidade de Coimbra (ex-campeã nacional) e da universidade de Lisboa, então a campeã em título, onde foi visível o “esforço” da primeira para voltar a reganhar a pouco lustrosa taça, que esteve na posse da segunda nos últimos três anos. Pois bem, uma análise efectuada hoje na Scopus, mostra que a universidade de Coimbra é novamente a campeã nacional.

Esperemos que agora o Magnifico Reitor Amílcar Falcão, que no inicio do passado mês de Agosto, tentou de forma infeliz, pouco rigorosa e até descarada, endossar aos vários governos as culpas por ser a campeã nacional de endogamia académica, não tente repetir a manobra e não tente novamente procurar culpados externos para as culpas internas. 

PS – Recordo que a primeira vez que noticiei que a dita universidade era a campeã nacional de artigos “despublicados”, no inicio de 2021, recebi um email irritado de um catedrático daquela universidade, que preferia que esse facto não fosse do conhecimento geral https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/01/as-irritacoes-de-um-catedratico-coimbrao.html

O professor catedrático acusado de assédio e o professor catedrático que tantas vezes critiquei e que agora merece ser elogiado

É motivo de grande regozijo que vários Colegas da universidade de Lisboa se tenham unido para denunciar o assédio de um catedrático, pela óbvia razão que há muitos casos destes na academia Portuguesa, mas infelizmente há uma grande falta de coragem em denunciar estas situações. 

É claro que lendo a noticia hoje divulgada pelo jornal Público tenho no entanto que lamentar que no passado tenha tantas vezes malhado forte e feio no catedrático Manuel Heitor, quando aquele foi Ministro do Ensino Superior e da Ciência, porque relativamente a este caso concreto, sabe-se agora que ele teve um comportamento altamente elogiável. 

Não só se colocou do lado dos Colegas denunciadores, ao invés de como é da praxe, se solidarizar com o catedrático agora acusado, mas fez muito mais do que isso, tendo até criticado o Presidente do Técnico: “O presidente do Técnico decidiu não tratar este caso internamente e tratá-lo no foro jurídico, ao abrir um processo disciplinar. Isso é mau, porque protege o [suposto] agressor”, considera Manuel Heitor” 

Infelizmente, mesmo que o processo disciplinar faça prova abundante do referido assédio, o máximo que poderá acontecer ao catedrático agora acusado é receber uma pena mínima, que pode inclusive ficar-se apenas por uma repreensão ou uma advertência, ao contrário do que sucede lá fora em que o assédio é punido com demissão https://pachecotorgal.com/2024/05/21/um-par-de-catedraticos-canalhas/

Declaração de interesses – Sobre o presente tema vale a pena revisitar o post de título “Os secretos (catedráticos) assediadores da Universidade de Lisboa” 

The Invisible 85%: How Patents Create a False Economy of Innovation Value

Still following up on my previous post titled European Commission officials claim there’s an ‘unhealthy obsession with patents’, where I commented on a Business Insider article arguing that European innovators would do better to prioritize value creation over the mere protection of intellectual property, it seems particularly timely to highlight the findings of a recent study published in the journal Scientometrics.

By analyzing an extensive dataset of 4,460 Swedish innovations spanning several decades, the study reveals a striking and somewhat unsettling reality: the vast majority of these innovations were never patented at all. https://link.springer.com/article/10.1007/s11192-025-05406-y Even when patents were indeed filed, they captured only around 15% of the genuine innovation signal, leaving an overwhelming 85% informational void—a veritable black hole of knowledge that patents fail to convey. This stark discrepancy highlights that relying exclusively on patents provides a distorted and incomplete picture of innovation, underscoring the urgent need for richer, multidimensional approaches to more accurately measure, understand, and ultimately stimulate technological and creative progress.

PS – As reported in The Economist, the majority of international patents are either insignificant or never commercially exploited  https://pachecotorgal.com/2022/08/31/the-economist-the-inventors-whose-patents-are-worth-billions/ What the article in The Economist didn’t address—and what few seem to know—is the answer to the question I raised in the post that initiated this discussion: “among the vast multitude of patents granted thus far, how many share the same dubious “quality” as those associated with Theranos?

Será que o semanário Expresso tem o direito de contribuir para desvalorizar e até apoucar competências académicas

O semanário Expresso concedeu nada menos do que 9 páginas da sua revista a uma longa entrevista a um conhecido empresário, orgulhoso do seu muito reduzido nível de escolarização (6 anos), entrevista essa da qual extraio apenas uma única frase, que tem tanto de inquietante como de perigosa:  “Tenho uma máxima: o mais bem preparado trabalha para mim. Eu arrisco…o mais bem preparado tem medo de arriscar”

A referida afirmação não configura apenas uma exaltação do risco em detrimento das competências académicas: é também uma caricatura perigosa que desvaloriza uma formação superior, reduzindo-a a um sinónimo de aversão ao risco e até de medo. 

Contudo a ideia falaciosa de que o estudo e o conhecimento são entraves à ousadia e ao risco é intelectualmente superficial e contribui para reforçar o mito de que o sucesso empresarial depende muito mais dessa ousadia do que da preparação fundamentada e informada. 

Importa também questionar até que ponto a promoção deste tipo de discurso, logo pela imprensa mainstream nacional, (o semanário mais vendido em Portugal) não acaba por desvalorizar e até apoucar as formações académicas, legitimando uma visão estreita e anti-intelectual do empreendedorismo?

É verdade que em bom rigor a academia Portuguesa não está totalmente isenta de “culpas”, desde logo porque já há muito que podia ter tomado a decisão de valorizar o trabalho de catedráticos, como o daquele, da universidade do Porto, mencionado no post acessível no inicio do email infra do passado dia 19 de Abril e também há muito podia ter copiado o que fazem no famoso ETH Zurich, (onde recordo os professores auxiliares recebem salários entre 10.000 e 15.000 euros/mês) que concede licenças sabáticas para que os seus cientistas se possam dedicar à criação de empresas, como mencionei no mesmo email.

PS – É muito sintomático que o referido empresário tenha achado importante na dita entrevista descriminar os modelos dos seus vários carros de luxo, mas não tenha achado igualmente importante, revelar quantos dos seus funcionários recebem o ordenado mínimo, de forma radicalmente diferente de um outro empresário, doutorado pela universidade de Aveiro, que paga aos seus trabalhadores muito mais do que o salário mínimo nacional (alguns deles até já se tornaram milionários) e que ainda por cima faz o favor de dar um bónus de 20% aqueles que optem por ir viver para o Interior de Portugal https://pachecotorgal.com/2025/06/27/a-empresa-que-paga-aumentos-de-20-aos-funcionarios-que-estejam-dispostos-a-estar-em-teletrabalho-no-interior-de-portugal/

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De: F. Pacheco Torgal
Enviado: 19 de abril de 2025 19:21
Para: eng-todos; eng-investigadores
Assunto: A baixa apetência pelo risco das estudantes de engenharia da UMinho: Um caso de estudo.

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/01/catedratico-nada-modesto-classifica-de.html

Ainda na sequência de um post de há um ano atrás, vide link supra, sobre as declarações nada modestas de um catedrático de engenharia da Universidade do Porto, relativamente à capacidade de geração de empresas por parte do seu grupo de investigação, aproveito para divulgar o facto de hoje mesmo a revista Forbes, ter publicado um artigo onde analisa a tendência crescente dos cientistas se tornarem empreendedores através do lançamento de empresas de base tecnológica. https://www.forbes.com/sites/trevorclawson/2025/04/19/spin-out-strategy-turning-scientists-into-entrepreneurs/

Neste contexto recordo que num post anterior, do passado mês de Dezembro, no qual lamentei a inépcia (leia-se falta de coragem) da Presidente do ERC, Maria Leptin, mencionei o facto do famoso relatório Draghi ter criticado a inexistência de incentivos, a nível europeu, para que os investigadores se tornem empreendedores. Nesse post mencionei o caso do conhecido ETH Zurich, que concede licenças sabáticas aos seus cientistas para que se possam dedicar unicamente à criação de empresas https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/12/where-is-courage-ercs-maria-leptin.html  

Neste contexto particular, é pertinente referir que há poucos anos atrás, um capítulo de um livro indexado na Scopus, divulgou resultados de um estudo de investigadoras da universidade do Minho, que analisaram as respostas de duas centenas de estudantes de cursos de engenharia da mesma universidade (53% do campus de Gualtar e 47% do campus de Azurém), quanto às suas intenções de se poderem no fututo tornar empreendedores. Os resultados mostraram que as jovens mulheres dessa área mostraram-se menos motivadas para serem empreendedoras.  https://repositorium.sdum.uminho.pt/handle/1822/90299 

Curiosamente, as autoras do referido capítulo, não citaram um estudo que tinha sido publicado dois anos antes, na revista Sec. Organizational Psychology, com resultados opostos. O mesmo incidiu sobre 644 estudantes Portugueses, de 21 universidades e de 7 institutos politécnicos, tendo concluido que as mulheres dessa amostra, apresentavam uma intenção empreendedora superior à dos  homens https://www.frontiersin.org/journals/psychology/articles/10.3389/fpsyg.2020.615910/full

PS – Ainda sobre o supracitado capítulo de livro, não posso deixar de registar positivamente, o facto das suas autoras terem feito questão de não deixar de referenciar obras altamente citadas, o que poderá contribuir (mostra a ciência) para o aumento do impacto dessa publicação  

Autor TítuloCitações Scopus        
SchumpeterCapitalism, Socialism and Democracy20.249
Reynolds et al. GEM Executive Report1.886
Shapero Entrepreneurial Potential1.885
Krueger & Carsrud TPB applied to entrepreneurship1.199
Liñán & FayolleSystematic review on entrepreneurial intentions   989
ThompsonEI measurement scale   808
Mwasalwiba Entrepreneurship education   503

The Tragic Optimism Trap: AI, Imitation, and the Vanishing Human Advantage Crisis

https://19-pacheco-torgal-19.blogspot.com/2024/12/the-polymathic-revolution-new-dawn-or.html

Still following my previous post (linked above) on the optimistic paper “The Recent Physics and Chemistry Nobel Prizes, AI, and the Convergence of Knowledge Fields”, it is worth commenting on an even more optimistic Forbes article arguing that AI is not replacing humans but amplifying their abilities: https://www.forbes.com/sites/timbajarin/2025/08/25/the-human-advantage-in-an-ai-powered-economy

The challenge with this perspective is that, by presenting AI almost exclusively as a benevolent and empowering force, the article risks appearing overly simplistic and potentially disconnected from reality. For many readers who are already contending with layoffs, wage stagnation, or intensified workplace monitoring as a result of AI adoption, such optimism may seem out of touch. Moreover, the article’s focus on individual adaptation—summarized in the refrain “learn AI tools and you’ll thrive”—effectively sidesteps deeper, systemic concerns surrounding regulatory oversight and structural inequality. While some individuals may indeed flourish under these conditions, enduring societal imbalances could continue to constrain the distribution of AI’s benefits, limiting the prospect of meaningful, widespread social advantage.

More crucially, the notion that empathy, ethics, and creativity remain uniquely human advantages underestimates how quickly AI is advancing in precisely those domains. Large language models now compose music—one AI band, Velvet Sundown, has surpassed one million monthly streams on Spotify—while also generating fiction that blurs the line between imitation and originality, crafting persuasive narratives, and even simulating emotional understanding in therapeutic chatbots. A recent randomized trial with 300 college students, for instance, found that an AI-driven chatbot significantly reduced anxiety, underscoring the potential of such systems as scalable and accessible tools for mental health support.

These systems may lack true consciousness, yet they are increasingly proficient in domains where the appearance of understanding or creativity matters as much as genuine experience. With each advance, AI relentlessly erases the line between imitation and reality, propelling us toward a future in which it may seem more human than humans themselves. If AI can replicate our most fundamental human qualities, what will it mean to be truly human in a world where the boundary between authenticity and imitation has all but vanished?

Será que o aumento da procura do curso de Engenharia civil se fica a dever somente à gravíssima crise de habitação ?

Com um total de 572 colocados o curso de engenharia civil revela um aumento de 2.5% face ao número de colocados na primeira fase do ano passado, que embora à primeira vista possa parecer ligeiro, deve no entanto ser visto num contexto mais amplo, de uma redução total de 16% de candidatos e de uma redução de 12% de colocados no concurso nacional para todas as áreas deste ano. Vide lista abaixo dos resultados do referido curso desagregados por instituição, com a U.Lisboa, a U.Porto e o Pol. do Porto à cabeça.

Uma explicação possível para o aumento de procura do curso de engenharia civil, que se tem verificado nos últimos anos, pode passar pela gravíssima crise de habitação que o nosso país atravessa, porém como parte dos diplomados nesse curso não fica a trabalhar em Portugal onde se pagam vencimentos muito pouco interessantes, uma outra explicação passará pelo facto do parque edificado ter um elevado gasto energético e a nível mundial haver um consenso sobre dois temas que a sociedade acha que a comunidade científica deve priorizar e um deles é a energia. https://pachecotorgal.com/2025/02/04/estudo-em-quase-70-paises-revela-quais-os-temas-mais-importantes-que-a-sociedade-espera-que-os-cientistas-deem-prioridade/

Ainda relativamente a este curso é pertinente recordar que há poucos meses atrás o Bastonário da Ordem dos Engenheiros revelou que há um défice de profissionais, pois o número de engenheiros civis que se aposenta a cada ano é superior ao número daqueles que as instituições de ensino superior estão a conseguir formar actualmente. https://pachecotorgal.com/2025/05/27/pessimas-noticias-para-recem-diplomados-relatorio-mostra-que-dezenas-de-milhoes-de-empresas-preferem-apostar-na-i-artificial/

1 – Universidade de Lisboa………..138 colocados   

2 – Universidade do Porto………….122

3 – Pol. Porto……………………………..51

4 – Universidade Nova………………..47

5 – Pol. Lisboa……………………………41

6 – Universidade de Coimbra……….39

7 – Universidade do Minho………….34

8 – Universidade de Aveiro…………..25

9 – Pol. Coimbra…………………………18

10 – UTAD………………………………..12

11 – Pol. Leiria…………………………..10

12 – UALG………………………………….9

13 – Pol. Viana Castelo…………………7

14 – Universidade da Madeira……….7

15 – UBI……………………………………..5

16 – Pol. Setúbal………………………….3

17- Pol. Viseu………………………………..3

18 – Pol. Bragança………………………..1

19 – Pol. Castelo Branco……………….0

Incêndios na Península Ibérica: A indignação inflamada dos Espanhóis e a passividade apagada dos Portugueses

Enquanto muitos milhares de portugueses enfrentam há várias semanas a tragédia dos incêndios, o lamentável primeiro-ministro Luís Montenegro considerou que esta seria a altura perfeita para anunciar, durante a festa do Pontal, um investimento de dezenas de milhões de euros no desporto de luxo da Fórmula 1. Desgraçadamente, a reação dos portugueses a esse anúncio infame foi de inércia e passividade, como se não fosse suficientemente chocante ver o primeiro-ministro em festa numa altura tão trágica. Em total contraste, ali ao lado, na vizinha Espanha, os incêndios levaram à rua milhares de espanhóis que exigem a demissão dos responsáveis políticos daquele país. https://ileon.eldiario.es/actualidad/multitudinaria-concentracion-leon-exigir-emergencia-nacional-incendios-dimision-responsables-junta_1_12542175.html

Acresce que desperdiçar dezenas de milhões de euros na Fórmula 1 – precisamente um desporto que celebra a queima de combustíveis fósseis – é um insulto político e ambiental. Num tempo em que se pede aos cidadãos que reduzam emissões de gases com efeito de estufa (como através do IUC, que penaliza os veículos com maiores níveis dessas emissões), o Governo decide apostar precisamente no oposto: num espetáculo altamente poluente, que é incoerente com os compromissos climáticos que Portugal assumiu conjuntamente com a União Europeia. E numa altura em que o Interior deste país arde de alto abaixo, devido a ondas de calor extremas e secas cada vez mais severas — sinais claros das alterações climáticas — sendo agora desgraçadamente o país europeu com a maior percentagem de território queimado, tal opção não é apenas um erro grave — constitui ainda uma irresponsabilidade de politica a roçar o crime culposo.

Declaração de interesses – Declaro que em 2020 já tinha criticado o desperdício incompreensível de dinheiros públicos em “desportos” de queima de combustíveis, no post de título “Um espectáculo criminoso pago com o dinheiro dos contribuinteshttps://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/10/um-espetaculo-criminoso-pago-com-o.html

PS – A negligência criminosa com que este e outros Governos tem tratado o Interior deste país não é alheia ao facto daqueles que vivem no Interior serem cidadãos de segunda-classe, já que o seu voto vale muitíssimo menos do que o voto de alguém que vive em Lisboa, vide post de Janeiro de 2022 sobre um sistema eleitoral viciado https://pachecotorgal.com/2022/01/31/um-sistema-eleitoral-viciado/

Portugal consegue aumentar o número de universidades no mais prestigiado ranking mundial

https://pachecotorgal.com/2024/08/15/a-universidade-lisboeta-que-uma-vez-mais-vergonhosamente-se-afunda-no-prestigiado-ranking-shanghai/

Há semelhança do que acontece todos os anos, o dia 15 de Agosto é aquele em que o ranking Shanghai sobre as 1000 melhores universidades do mundo é tornado público. Este ano os resultados para as universidades Portuguesas são praticamente os mesmos do ano passado, vide post acessível no link supra, com uma honrosa excepção, pela primeira vez, a UBI, acaba de entrar neste ranking para a posição 901-1000, dessa forma ajudando Portugal a ter no referido ranking o mesmo número de universidades da Irlanda e mais uma do que a Dinamarca.

Exactamente como sucedeu no ano passado, Portugal só conta com 3 universidades nos primeiros 500 lugares, facto que como expliquei nessa altura se fica dever aos elevados cortes no financiamento da investigação. Sem surpresa o artigo no El Pais sobre o desempenho de Espanha (país que tem 36 universidades nesse ranking, sendo que 10 dessas aparecem no top 500), também refere a importância desse financiamento https://elpais.com/educacion/2025-08-15/sorpasso-en-el-ranking-de-shanghai-china-y-taiwan-ya-tienen-mas-universidades-que-ee-uu-en-los-500-primeros-puestos.html

É claro que o financiamento explica muito mas não explica tudo, porque em Portugal há universidades com financiamento muito superior a outras, como é por exemplo o caso da Universidade Nova de Lisboa, que durante vários anos esteve no top 500, mas que há poucos anos se começou a afundar no referido ranking, estando agora na posição 701-800. E quando a explicação não passa pelo montante de financiamento, terá forçosamente, goste-se ou não,  de passar pela falta de competência

Aliás sobre o desempenho da Universidade Nova, recordo que em 2020 quando aquela universidade deixou de estar no Top 500, sem que nenhum dos seus responsáveis explicassem a razão de ser desse resultado, comparei esse comportamento aquilo que sucede na Finlândia, onde um Vice-Reitor se mostrou muito preocupado, pelo facto da Universidade de Helsínquia, ter descido ligeiramente da posição 57 para 63 https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/08/o-que-e-que-distingue-as-universidades.html

Ainda no presente contexto, recordo que em 2018, o então Reitor da Universidade de Coimbra, questionado pelo jornal Público, pelo facto da sua universidade ter deixado de estar entre as 500 melhores do mundo, afirmou na altura publicamente, estar convencido que em 2019 voltaria a reentrar nesse grupo. Irónica e trágicamente, isso não aconteceu nem 2019, nem em 2020, nem em 2021, nem em 2022, nem em 2023, nem em 2024, e nem agora em 2025. 

E porque será que a universidade católica, que tem um orçamento superior ao da universidade de Aveiro e muito superior ao da UBI, a mesma cujas propinas do curso de medicina custam mais de 1600 euros por mês, não consegue entrar no Top 1000 do ranking Shanghai ? 

PS – Recordo que actualmente a Universidade de Lisboa ainda beneficia de ter tido um Nobel da Medicina há várias décadas atrás, embora cada vez menos, até ao dia, cada vez mais próximo, em que esse beneficio seja nulo, vide post “As quedas inevitáveis da universidade de Lisboa no prestigiado ranking Shanghai” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/08/as-descidas-da-universidade-de-lisboa.html

Será que estão a aumentar as classes sociais pouco instruídas em Portugal?

“…Cerca de 11% da população total da Alemanha é vegetariana. Mais surpreendente é o facto de 52% da população da Alemanha…ser aquilo a que a literatura científica designa por flexitarian…não come carne durante pelo menos três dias por semana…consumir muita carne naquele país é cada vez mais identificado como um hábito das classes sociais menos instruídas

O texto supra, extraído de um artigo do jornal Público, foi por mim reproduzido num post de 19-09-2019, e tendo em conta que agora, num artigo publicado na última revista do semanário Expresso, se pode ler que em 2024, cada Português consumiu em média 124 kg de carne (40% de aves, 35% de porco, 17% de bovinos, 8% outros tipos), o que representa mais do dobro do consumo médio de um Alemão, é caso para questionar se esse facto não constitui uma resposta à questão que dá título ao presente post ?

Independentemente dessa resposta, felizmente porém que há centenas de milhares de Portugueses, quase 10% da população, mais mulheres do que homens, que fazem parte do grupo, composto por veganos, vegetarianos e ou flexitarianos https://www.publico.pt/2024/04/10/impar/noticia/dez-portugueses-veggie-mulheres-continuam-liderar-2086520?utm_source=chatgpt.com

PS – Mas se infelizmente Portugal consome em termos médios muitíssimo mais carnes vermelhas do que o valor que é recomendado pela OMS, valha-nos ao menos para compensar, o facto de termos um consumo médio de frutas e produtos hortícolas, que é superior ao valor mínimo recomendado pela mesma OMS e um dos maiores valores da União Europeia https://www.cap.pt/noticias-cap/alimentacao-e-consumo/portugal-bem-classificado-no-consumo-diario-de-frutas-e-produtos-horticolas?utm_source=chatgpt.com