Governo corta o financiamento na área das humanidades e das ciências sociais para privilegiar somente as ciências “douradas”

https://www.science.org/content/article/amid-cuts-basic-research-new-zealand-scraps-all-support-social-sciences

Não foi uma decisão do Donald Trump, nem do anarcocapitalista Presidente da Argentina, o “Presidente favorito de Trump“, nem sequer de nenhum ditador de um país do terceiro mundo, mas logo do Governo da Nova Zelândia, vide noticia no link supra, onde se pode ler que a Ministra da Ciência, Inovação e Tecnologia daquele país (que certamente não por acaso até é um dos mais civilizados do Planeta, de acordo com o índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas) afirmou que doravante o financiamento de investigação, será dirigido somente a áreas que tenham impacto económico, incluindo nesse grupo, as áreas da física, da química, da matemática, das engenharias e das ciências biomédicas. 

Um dos maiores, senão mesmo o maior inconveniente desta abordagem passa pelo seu impacto previsível a nível mundial, porque levará à germinação de ideias similares na cabeça de dirigentes de países pobres, que logo correrão a copiar essa receita, com a argumentação, que se um país que está no grupo dos 25 mais ricos e com um PIB/capita similar ao da França e da Itália achou necessário financiar somente as áreas científicas com impacto económico, então mais razões tem países pobres para lhe seguirem o exemplo. 

E quando se começa a cortar nas despesas de investigação de algumas áreas, alegando que é preciso guardar o dinheiro, para as áreas que tenham mais impacto económico, então já se sabe que a seguir virá a exigência, no sentido dos projectos a financiar, dever ser feita favorecendo os projectos do tipo MIDAS, que prometam o maior retorno económico o mais rapidamente possível, o que levará ao financiamento de projectos, que muito embora prometam elevado retorno económico, no final ficarão apenas pelas promessas. 

PS – Sobre a questão supra vale a pena revisitar o post anterior de título “A serendipidade na ciência e a paralisação do progresso científico”

A Tale of Two ERC Presidents: Maria Leptin’s Silence vs. Bourguignon’s Courage

https://www.publico.pt/2024/12/08/ciencia/entrevista/maria-leptin-ciencia-investe-ganha-europa-ficou-tras-2114625

In a comprehensive interview published yesterday in one of Portugal’s leading daily newspapers (accessible via the link above), the septuagenarian scientist Maria Leptin, President of the European Research Council, highlights a stark reality: China invests 50% more in research annually than Europe. When asked by the journalist, “Is the lag in European science solely a matter of investment?” her response is reproduced below:

“You’re asking about innovation. It’s not just my opinion—the reports I cited have highlighted these issues. Additionally, economists like Jean Tirole, a Nobel laureate, have also commented on similar challenges. A common criticism is that scientists lack entrepreneurial spirit. However, that’s not what I observe among our researchers. Instead, the issue often lies elsewhere. One significant challenge is that universities don’t do enough to support the transfer of knowledge from academia to society or to bridge the gap between science and the market. This might be an important factor, but what’s abundantly clear from the voices I’ve mentioned is the issue of fragmentation within Europe. Consider this scenario: someone in Barcelona develops an innovation—a proof of concept, for instance—bringing it to market and securing all the necessary licenses. Now, they seek an investor to help launch a company to commercialize the product. Unfortunately, they’re at a disadvantage because their primary market is limited to Spain. Meanwhile, a colleague in the United States might undertake a similar endeavor, but their market encompasses the entire country. This difference in market scale creates a significant imbalance in opportunities…”

It is, however, deeply regrettable that she failed to point out to the journalist that the root cause of this issue lies squarely with the politicians. This oversight is particularly glaring given the clear evidence outlined in the Draghi report, specifically on page 214, which unequivocally states: Europe’s researchers have few incentives to become entrepreneurs. . The reality is far grimmer—those incentives are not merely lacking; they are non-existent, leaving Europe’s researchers shackled by a system that seems designed to stifle entrepreneurial ambition. This isn’t just neglect; it’s systemic self-sabotage

A glaring example of this failure is the obstinate refusal to embrace proven strategies that have the potential to revolutionize innovation within European universities. One such strategy is Sweden’s model: reinstating the “professor’s privilege,”. The evidence is irrefutable—eliminating this so-called privilege, which once granted professors ownership of the intellectual property stemming from their inventions, was not merely a grave misstep but an act of breathtaking short-sightednesshttps://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/new-evidence-shows-that-abolishment-of.html

European universities should follow ETH Zurich’s lead by implementing flexible employment policies that allow researchers to take entrepreneurial leave while pursuing business ventures. The Entrepreneurial Sabbatical model enables faculty and researchers to step away for up to a year to work on startups, without risking their academic position. This approach effectively bridges the gap between research and business, offering a secure safety net.

PS – Personally, I would advocate for adopting a more assertive and uncompromising stance against the evident cowardice of European politicians—a stance akin to that taken by the esteemed former President of the European Research Council (ERC), the French mathematician Jean-Pierre Bourguignon. Bourguignon did not mince words when he issued a powerful and inspiring call to action, urging researchers to demonstrate their “fighting spirit.” https://pacheco-torgal.blogspot.com/2019/12/there-are-times-when-scientists-must.html

Estarão os 100 investigadores mais citados de Portugal a conseguir aproveitar a notável ascensão da Ciência Chinesa ?

Na sequência do post anterior, onde se revelou quais as universidades e politécnicos públicos que mais (e menos) tem ajudado Portugal a tentar alcançar a meta de 7% de colaborações com China, como já sucede com a Alemanha e a Suiça, é pertinente tentar saber até que ponto os 100 investigadores mais citados de Portugal, de acordo com o ficheiro carreira do ranking Stanford, se preocuparam ao longo da sua carreira em estabelecer colaborações, com investigadores do referido país, que em poucos anos se tornou uma potência científica mundial, por mérito próprio.  Note-se que numa entrevista que hoje aparece no jornal Público,  a cientista septuagenária Maria Leptin, Presidente do Conselho Europeu de Investigação, avisa que anualmente a China investe em investigação 50% mais do que a Europa ! https://www.publico.pt/2024/12/08/ciencia/entrevista/maria-leptin-ciencia-investe-ganha-europa-ficou-tras-2114625

A média da amostra da lista infra é infelizmente de apenas 3%, havendo apenas uma dezena de investigadores com uma percentagem superior a 10% e um Investigador, Alan Lander Philips, com uma elevada percentagem de 41%, sem o qual a média global seria ainda mais baixa e que só é pena que já se tenha aposentado. No grupo dos que possuem baixas percentagens de colaborações com a China, merecem destaque pela positiva, aqueles vários que em contrapartida, possuem colaborações com outros países científicamente muito competitivos, como é por exemplo o caso dos investigadores Maria Carmo-Fonseca e Miguel Bastos Araújo, que possuem percentagens de colaborações com investigadores da Alemanha, de respectivamente 20% e 14%, porém dificilmente se entende, que haja outros investigadores que nas suas colaborações tenham decido privilegiar países científicamente pouco competitivos, como o Brasil, por falta de ambição ou incapacidade prospectiva https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/10/six-books-to-understand-future.html

1.       Damásio, A.USouth Calif……….0%
2.       Hespanha, J. P.UCalifornia…………4%
3.       Davim, J. P.UAveiro………………4%
4.       Domingos, P.U.Washington……..0%
5.       Mano, João F.Aveiro………………..2%
6.       Araújo, M.B.CSIC………………….3%
7.       Liddle, Andrew R.ULisboa……………..6%
8.       Guedes Soares, C.ULisboa……………..13%
9.       Reis e Sousa, C.Francis Crick Inst..0.6%
10.   Damásio, HannaUSouth Calif…………0%
11.   Ferro, José M.ULisboa……………….3%
12.   Tenreiro Machado, J. A.Pol. Porto…………….11%
13.   Bioucas-Dias, José M.ULisboa……………….11%
14.   Heald, Richard J.Champalimaud F…..0%
15.   Coutinho, João A.P.UAveiro……………….0.1%
16.   Figueiredo, Mário A.T.ULisboa……………….1%
17.   Barros, CarlosULisboa………………..7%
18.   Chaves, Maria M.ULisboa………………..0%
19.   Figueiredo, José L.UPorto………………….0.5%
20.   Cunha, Rodrigo A.UCoimbra……………..3%
21.   Montemor, M. F.ULisboa………………..0.3%
22.   Ferreira, S.UPorto………………….-
23.   Rodrigues, Alírio E.UPorto…………………..5%
24.   Lobo, Francisco S.N.ULisboa…………………6%
25.   Bakermans-Kranenburg, M. J.ISPA………………………2%
26.   Lourenço, Paulo B.UMinho…………………0.3%
27.   Ferreira, A. J.M.UPorto…………………..4%
28.   Reis, Rui L.UMinho………………….4%
29.   Brett, Christopher M.A.UCoimbra………………0.6%
30.   Gama, JoãoUPorto……………………2%
31.   Cardoso, VitorULisboa………………….2%
32.   Malcata, Francisco X.UPorto……………………0%
33.   Catalão, João P.S.UPorto…………………..10%
34.   Lindman, BjörnUCoimbra………………..1%
35.   Moreira, Paula I.UCoimbra……………….2%
36.   Silveirinha, Mário G.ULisboa………………….0.7%
37.   Pereira, HelenaULisboa………………….0%
38.   Bertolami, OrfeuUPorto……………………0.4%
39.   Cardoso, FatimaChampalimaud F……..5%
40.   Pacheco-Torgal, F.UMinho…………………..17%
41.   Rocha, JoaoUAveiro…………………..4%
42.   Brito, JorgeULisboa…………………..2%
43.   Falcão, A. F.O.ULisboa…………………..0%
44.   Derouane, E. G.UAlgarve…………………1%
45.   Rodrigues, Joel J.P.C.ULusófona………………28%
46.   Pombeiro, ArmanULisboa…………………..6%
47.   Ferreira, Mario G.S.UAveiro…………………..11%
48.   Oliveira, Rui F.Inst. Gulbenkian………1%
49.   Varandas, António J.C.UCoimbra………………18%
50.   Pereira, Luis S.ULisboa………………….14%
51.   Veldhoen, MarcULisboa………………….3%
52.   Carmo-Fonseca, MariaULisboa…………………0.5%
53.   Sousa, NunoUMinho………………….2%
54.   Santos, Nuno C.UPorto……………………3%
55.   Peças Lopes, João A.UPorto……………………0%
56.   Kamel Boulos, M. N.ULisboa………………….12%
57.   Souto, Eliana B.UPorto……………………2%
58.   Rocha-Santos, TeresaUAveiro………………….2%
59.   Schütz, Gunter M.ULisboa…………………..0%
60.   Carvalho, F. P.ULisboa…………………..2%
61.   Cavaco-Paulo, ArturUMinho…………………..19%
62.   Rodrigues, Lígia R.UMinho…………………..3%
63.   Lemos, José P.S.ULisboa…………………..3%
64.   Sarmento, BrunoUPorto…………………….5%
65.   Gash, John H.ULisboa…………………..2%
66.   Oliva-Teles, AiresUPorto……………………..1%
67.   Vasconcelos, VítorUPorto……………………0.5%
68.   Miguel, Maria G.UAlgarve…………………..0%
69.   Saraiva, Maria JoãoUPorto………………………0%
70.   McGregor, Peter K.ISPA…………………………0%
71.   Graça, Manuel A.S.UCoimbra…………………1%
72.   Schmitt, Fernan C.UPorto……………………..2%
73.   Loureiro, Sandra M. C.Iscte…………………………2%
74.   Herdeiro, Carlos A.R.UAveiro……………………4%
75.   Simões, ManuelUPorto………………………0%
76.   Flores, PauloUMinho……………………3%
77.   Sousa Santos, B.UCoimbra…………………0%
78.   Paterson, Robert R.M.UMinho…………………….0%
79.   Ferreira, Isabel CPol.Bragança…………..0.3%
80.   Carlos, L. D.UAveiro……………………5%
81.   Edens, John F.Texas A&M……………….0%
82.   Phillips, Alan J.L.ULisboa…………………..41%
83.   Semin, Gün R.ISPA………………………..0%
84.   Kundu, Subhas C.UMinho…………………..19%
85.   Konotop, Vladimir V.ULisboa………………….12%
86.   Barros, LillianPol.  Bragança…………0.2%
87.   Vilar, RuiULisboa…………………..3%
88.   Carvalho, M.ULisboa……………………1%
89.   Kholkin, AndreiUAveiro…………………….3%
90.   Zilhão, JoãoULisboa……………………1%
91.   Marques, Rui C.ULusófona………………..1%
92.   Sobrinho-Simões, M.UPorto…………………..0.2%
93.   Martins, RodrigoUNova……………………..5%
94.   Órfão, José J.M.UPorto…………………….0%
95.   Antunes, Manuel J.UCoimbra………………..0%
96.   Leitão, PauloPol. Bragança…………0.5%
97.   Fernández-Rossier, J.INL………………………….1%
98.   Manaia, Célia M.UCatólica…………………5%
99.   Camarinha-Matos, Luis UNova…………………….0.5%
100.                      Fortunato, ElviraUNova……………………..5% 

U.Lisboa e U.Minho são as universidades com o maior crescimento em termos de colaborações com uma potência emergente da ciência mundial

Já não bastavam as péssimas noticias implícitas no facto da Europa já não ser capaz de “cativar” os seus melhores cientistas, e agora fica-se a saber, através de um recente relatório da Clarivate Analytics  “2024: Research Front-Active Fields, Leading Countries”, que a Europa faz triste figura frente à China. Na tabela 3 da página 9, pode ler-se que a China aparece em 1º lugar em 39 áreas, enquanto que a Europa faz figura de parente pobre, pois a soma dos primeiros lugares da Alemanha, do Reino Unido e da França, fica-se apenas por 6 (seis) áreas !!!

Neste contexto importa recordar que há alguns anos atrás mostrei que muito embora Portugal tenha sido capaz de aumentar o número das suas publicações científicas não tem tido a mesma capacidade para aumentar o impacto dessas publicações. Infelizmente de ano para ano, o impacto “cresce” em sentido contrário 

Como também então escrevi, uma das formas mais evidentes (e mais baratas) de conseguir aumentar o impacto dessas publicações passa por diminuir de intensidade as colaborações com investigadores de países cientificamente pouco competitivos, para privilegiar as publicações com co-autoria de investigadores de países muito mais competitivos. E nesta área Portugal tem tido um comportamento bastante criticável, porque uma análise das colaborações ao longo dos últimos 60 anos, mostra que as colaborações científicas tem descurado os países cientificamente mais competitivos. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/evolucao-das-colaboracoes-cientificas.html

Relativamente a esta questão, em Julho de 2023 analisei o desempenho das universidades e Politécnicos Portugueses que no biénio 2021 e 2022 tiveram mais (e menos) capacidade de produzir publicações conjuntas com investigadores dessa potência científica em ascensão que é a China e agora faz todo o sentido analisar como evoluiram essas colaborações no biénio 2023 e 2024. 

A nova lista que abaixo se reproduz permite constatar que há dez instituições que melhoraram a sua prestação no novo biénio, sendo que no grupo de instituições universitárias, as universidades de Lisboa e do Minho foram aquelas que tiveram o maior crescimento, representando mais de 40% de todas as publicações indexadas com afiliação Chinesa. 

É importante frisar que a média nacional das publicações com afiliação Chinesa subiu para 4.8%, uma subida ligeira de apenas 1% face aos 3.8% do biénio anterior, e essa subida teria sido ainda menor se a UMinho e a ULisboa tivessem tido o mesmo desempenho de outras universidades. Trata-se de um valor insatisfatório porque Portugal deve tentar alcançar a mesma percentagem da Alemanha e da Suiça que é de 7%.

Paradoxalmente a percentagem das colaborações com o Brasil manteve-se igual nos dois biénios, e logo num valor de 10% (o dobro da percentagem das afiliações Chinesas) o que significa que muitos investigadores Portugueses ainda continuam a apostar em colaborações que dificilmente irão contribuir para aumentar o impacto da ciência Portuguesa a nível mundial. 

Percentagem de publicações indexadas, com afiliação Chinesa, no biénio 2023 e 2024

1 – UMadeira…………8% 

2 – UMinho……………7% 

3 – ULisboa……………7% 

4 – UCoimbra…………6% 

5 – IPol.Viana C……..5% 

6 – IPol.Guarda………5%

7 – IPol.Lisboa……….4%

8 – ISCTE……………..4% 

9 – UAçores…………..4% 

10 – UAveiro…………..3% 

11 – UPorto……………3% 

12 – UNova…………….3% 

13 – UBI…………………3% 

14 – UALG……………..3% 

15 – IPol.Porto……….2% 

16 – IPol.Coimbra……2% 

17 – UÉvora……………2% 

18 – IPolPortalegre…..2% 

19 – IPol.C.Branco…..2% 

20 – IPol.Santarém…..2% 

21 – UTAD………………1% 

22 – IPol.Bragança…..1% 

23 – IPol.Leiria………….1%

24 – IPol.Tomar………..1% 

25 – IPol.Setubal………1% 

26 – IPol.Viseu…………1%

27 – UAberta…………..0.7% 

28 – IPol.Beja…………..0.4% 

29 – IPCA……………….0.2% 

INVENTHEI – Capacitar os alunos de doutoramento para os desafios do século 21

Não foi certamente por acaso, que num artigo publicado na revista da Ordem dos Engenheiros, no inicio do corrente ano, o extraordinário catedrático Adélio Mendes, da Universidade do Porto, afirmou que no grupo dele já nasceram 10 (dez) start-ups e que esse número cresce à razão de duas novas a cada ano, o que constitui uma dinâmica criativa invulgar, que compara de forma favorável com a produção da maior unidade de investigação na área da ciência e engenharia dos materiais-CICECO, onde há centenas de investigadores, mas que até hoje produziu apenas 8 (oito) start-ups. 

No final do passado mês de Março, a revista The Economist, previu um futuro péssimo para a economia Europeia, a juntar à invasão da Ucrânia, que levou à subida de preços de energia e à subida da inflação, e à invasão dos veículos elétricos Chineses, que ameaçam milhões de empregos, de que é reflexo o recente anúncio da Volkswagen de encerrar fábricas na Alemanha, juntar-se-ia também a possibilidade futura, de Donald Trump se tornar o próximo presidente dos EUA, que entretanto deixou de ser apenas uma possibilidade, para levar a uma inevitável uma guerra de tarifas, que contribuirá para tornar ainda mais negras as perspectivas futuras da economia europeia, o que por sua vez torna ainda mais importante e urgente programas, que facilitem a criação de empresas tecnológicas.

No presente contexto aproveito para divulgar uma recente publicação, onde se descreve um programa educativo, financiado pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia no âmbito da Iniciativa: Capacitação em Inovação para o Ensino Superior, https://ieeexplore.ieee.org/stamp/stamp.jsp?tp=&arnumber=10767758 e que foi especialmente projetado para ajudar os alunos de doutoramento na exploração e valorização dos resultados económicos das suas investigações e bem assim na sua capacitação para os desafios de uma economia europeia sujeita a uma competição brutal por parte dos  EUA e também da China (país cujo crescimento fulgurante até já lhe permite a audácia de roubar prémios Nobel à Europa), vide o relato dramático feito no relatório Draghi, onde não por acaso, na página 214, é explicitada a critica que na Europa (ainda) não existem incentivos suficientes para que os investigadores se tornem empresários, embora neste aspecto particular seja importante frisar que ao contrário de incentivos, paradoxalmente, o que tem havido são desincentivos, que mostra a ciência, constituem autênticos tiros nos pés https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/new-evidence-shows-that-abolishment-of.html

Pessoalmente, acho que o referido programa apresenta uma séria limitação. A palavra “failure” não aparece referida uma única vez no mesmo e porém como recordei anteriormente a capacidade de ultrapassar insucessos é determinante nesta área e não se consegue sequer perceber porque é que as universidades lhe dedicam tão pouca atenção: “A critical concern deserving increased emphasis within universities — the nuanced skill of overcoming failures and the profound lessons that inevitably unfold from these experiences underscore the importance for educational institutions to acknowledge the inherent value of such lessons in shaping individuals. It is crucial to note that the ability to overcome failure and continue taking risks is particularly vital in the knowledge economy and the realm of startup creation“. 

PS – Em 2017 critiquei pela sua ligeireza e notória ausência de sustentação científica, um descarado exercício de propaganda, que contou com a participação da FCT, que dava conta que numa única década teriam alegadamente sido criadas no nosso país 300.000 start-ups, o que a ser verdade, faria de Portugal o campeão do universo, embora na verdade nesse campeonato, nem sequer conseguimos ter metade do rácio da Estónia. 

PSD, CDS e Chega – O trio de inimigos declarados da Ciência Portuguesa

https://www.publico.pt/2024/11/27/ciencia/noticia/proposta-aumento-orcamento-fct-chumbada-parlamento-2113573

É bastante esclarecedor o facto de ontem os deputados do PSD, CDS e Chega se terem unido, para chumbar uma proposta que visava compensar o corte de quase 70 milhões de euros que o Governo de Luís Montenegro inscreveu no Orçamento de Estado para 2025, relativamente ao financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Vide artigo acessível no link supra. 

Ou seja já não bastavam os vários cortes que o Governo do António Costa efectuou nos orçamentos da Ciência e agora o actual Governo ainda pretende efectuar cortes muitíssimo superiores. É inacreditável que este Governo, com o apoio do Chega, pretenda fazer, aquilo que nem o Governo do Passos Coelho se atreveu a fazer, durante o resgate da Troika, pois em 2015, o Orçamento da FCT correspondeu a 0,23% do PIB, enquanto que agora essa percentagem vai baixar para o valor terceiro-mundista de 0.19%.  Mas se a justificação deste Primeiro-Ministro, é que não tem dinheiro para a Ciência, porque alegadamente precisa do “pouco” que tem para fins mais nobres, então eu aproveito para lhe dar o mesmíssimo conselho que há alguns anos atrás, publicamente dei ao então Primeiro-Ministro António Costa. Trate de o ir buscar onde ele anda a ser desbaratado por uma classe politica parasita. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/03/primeiro-ministro-defende-reducao-de.html

Mas se por absurdo, o Governo de Luís Montenegro, mesmo assim continuar a achar que é preferível retirar dinheiro à Ciência, porque não tem coragem para cortar nas dezenas de milhões de euros que todos os anos o Estado gasta com sociedades de advogados, ou nos milhões de euros que custam as subvenções vitalícias dos políticos, ou nos milhões de euros que se gastam na compra de viaturas de políticos, mesmo assim, ainda lhe resta uma outra hipótese, para conseguir arranjar dinheiro para a Ciência (e para outras áreas), basta que tenha a coragem de copiar a legislação do Reino Unido, que permite declarar perdido a favor do Estado o produto de actividades criminosas (Unexplained Wealth Order), pois convém lembrar a este respeito que em Portugal “…o nosso Ministério Público só conseguiu apreender (leia-se congelar) nos últimos 5 anos um valor miserável que representa menos de 1% do valor roubado (o valor efectivamente declarado perdido a favor do Estado no final do julgamento é apenas 0.01%)” .

PS – E quanto mais depressa o Governo Português começar a copiar o que fazem na Suécia e também na Alemanha, condenando a penas de cadeia efectivas, os grandes evasores fiscais, mais depressa conseguirá arranjar dinheiro para a Ciência, para a Sáude e para as restantes áreas: “…a Suécia condenou mais de mil pessoas a penas de cadeia efectiva enquanto que no mesmo período a justiça Portuguesa aplicou penas de prisão, por fuga aos impostos, a apenas 83 pessoas, o que é 12 (doze) vezes menos….na Alemanha há penas de cadeia efectivas para a fuga ao fisco superior a 1 milhão de euros, atenta porém a diferença salarial entre os dois países, então para Portugal o valor de fuga ao fisco que daria automaticamente pena de prisão deveria ser de 350.000 euros” 

The Mathematician Unmasking the Myth of Fraudulent ‘Super-Publication Powers

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/how-many-papers-can-superscientist.html

For far too long, academia and publishers have turned a blind eye to the absurd phenomenon of so-called “super-publication powers,” as highlighted in the post above. A glaring example is the Danish Full Professor who, in 2020, churned out an astonishing average of six (6) Scopus-indexed papers per week—yes, per week!. Such output defies not just credibility but also the basic limits of human intellectual and physical capacity. When individuals produce at rates that strain the boundaries of reason, the entire academic system risks collapsing under the weight of its own hypocrisy.

A few months ago, a mathematician (pictured at the start of this post) authored a paper that identified, quantified, and illustrated the typical signs of scientists exhibiting papermilling behavior. The paper presents clear examples, including a comparison of two researchers who have previously appeared on the Highly Cited Researchers list having similar career lengths. These profiles are depicted in Figure 1 and Figure 2 https://arxiv.org/html/2405.19872v2 He suggests that to quantify the observed patterns, the following indicators can be used when analyzing papermilling behavior:

  • High correlation (above 0.7–0.8) between publication and citation counts.
  • Minimal delay between citations and publications with high correlation.
  • Unusually high annual publication count, especially with an increasing trend.
  • Low integrity index

O estranho inconseguimento do departamento de engenharia civil da Universidade do Porto

https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2021636118

Tendo em conta que existe, a nível mundial, um excesso de publicações científicas, avulsas, que acrescentam muito pouco ao estado da arte, excesso esse que é prejudicial à ciência, vide artigo acessível no link supra, o que também tem que ver com o facto dos investigadores serem cada vez mais incapazes de sintetizar todo o conhecimento daquilo que é referido estado da arte, vide artigo “The memory of science“, e tendo ainda em conta o grave défice académico de Portugal, no respeitante à produção de livros indexados, bem patente no facto da pequena universidade de Oxford, produzir anualmente mais livros indexados, do que todas universidades e politécnicos Portugueses juntos, reproduzo abaixo os títulos dos 10 livros mais citados, de sempre, da área científica da Engenharia Civil, indexados na plataforma Scopus, onde existe um domínio evidente da universidade do Minho, mas onde estranhamente não existe um único que tenha sido produzido por investigadores da universidade do Porto.

1 – Handbook of Alkali-Activated Cements, Mortars and Concretes (UMinho)

2 – Handbook of Recycled Concrete and Demolition Waste (UMinho)

3 – Design of Steel Structures (UCoimbra)

4 – Eco-efficient concrete  (UMinho)

5 – Mechanics and strength of materials  (UCoimbra)

6 – Fibrous and Composite Materials for Civil Engineering Applications (UMinho)

7 – Toxicity of building materials  (UMinho)

8 – Seismic Design of Concrete Buildings to Eurocode 8 (LNEC)

9 – Sustainable Construction Materials: Copper Slag (ULisboa)

10 – Nano and biotech based materials for energy building efficiency (UMinho)

PS – 50% dos livros da referida lista são da responsabilidade do dono deste blogue, incluindo o primeiro livro dessa lista que se tornou o mais citado, entre todos aqueles, quase 1500, de todas as áreas científicas produzidas em todas as universidades Portuguesas nos últimos dez anos. Já o segundo da lista tornou-se o mais citado da sua área a nível mundial. 

A universidade com o pior desempenho no ranking do narcisismo académico

https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/03/o-cientista-que-se-auto-citou-numa.html

Há três anos atrás analisei o desempenho comparado das seis melhores universidades Portuguesas, para aferir quais aquelas que tinham mais investigadores influentes, que gostavam muito, de se citarem a si próprios, tendo nessa altura concluído que a Universidade de Lisboa era aquela onde havia a maior densidade de investigadores com percentagens de auto-citações superiores a 25%, e no pólo oposto, que a universidade do Minho era a que apresentava o menor número desses investigadores. Vide post acessível no link supra.

Uma atualização dessa análise, baseada no ficheiro carreira, do ranking Stanford que foi divulgado há poucos meses atrás, somente para os investigadores com percentagens de auto-citação superiores a 30%, mostra que a Universidade de Lisboa continua a liderar, esse lamentável ranking, sendo que essa liderança se deve na sua esmagadora maioria aos investigadores do Instituto Superior Técnico. Dessa análise também novamente se constata que os investigadores da Universidade do Minho, continuam a mostrar, uma peculiar mas saudável “aversão”, a citarem-se a si próprios.

ULisboa………25 investigadores com percentagens de auto-citação superiores a 30%

UPorto…………10

UAveiro…………8

UNova……………6

UCoimbra………5

UMinho………….1

PS – Há uma década atrás analisei a produção científica, de Professores Associados e Catedráticos de Departamentos de Engenharia Civil em seis Universidades Portuguesas, tendo utilizado para esse efeito as seguintes métricas: número de artigos em revista internacional indexada na Scopus, rácio artigos/ano, número de citações, rácio citações/artigo, índice-h, rácio índice-h/ano, percentagem de auto-citações e percentagem de artigos não citados. Na lista de referências, que então citei, há um artigo interessante, com afiliação daquele país que lidera o rácio mundial prémios Nobel/milhão de habitantes, que concluiu após analisar quase 800 artigos, que se há um factor que contribui bastante para um artigo científico se poder tornar bastante citado é o de ter autores de universidades de topo. Porém, se não há em Portugal uma única universidade de topo, nem do grupo das 20 melhores, nem do grupo das 50 melhores, ou do grupo das 100 melhores ou sequer das 150 melhores, isso significa que quem na ULisboa ou em qualquer outra universidade Portuguesa, acha “boa” ideia auto citar-se em excesso, mais não faz que desvalorizar esse artigo, com citações de alguém que não pertence a nenhuma universidade de topo. Não é narcisismo é apenas burrice.

Portugal vs Norway: A Clear Case Study Highlighting the Flaws in Clarivate’s HCR List

Clarivate Analytics has just unveiled its Highly Cited Researchers (HCR) list for 2024. Interestingly, both Portugal and Norway have 18 HCRs. However, when assessing their performance through the Stanford Scientist Ranking, particularly within the top 0.5% of researchers, Norway shows a remarkable 500% advantage over Portugal. List below. This disparity suggests a significant flaw in the methodology behind the Clarivate HCR list. 

It is worth noting that the Stanford Scientist ranking, is the only one worldwide that satisfies three critical conditions: accurate author disambiguation, the exclusion of self-citations, and fractional counting of contributions. Furthermore, this ranking effectively addresses a major flaw in Clarivate’s HCR list—its bias toward specific scientific disciplines. This issue persists despite the introduction of the Cross-Field category in recent years, which has failed to resolve the problem. 

Chaignon et al. (2023) unleashed a scathing rebuke of the HCR list, condemning its methodology for systematically erasing groundbreaking contributions in innovative or niche fields. They singled out the shocking exclusion of Alain Aspect, the French Nobel laureate in Physics (2022), as a glaring example of its shortcomings.

Declaration of Competing Interests – In November 2020, I criticized Clarivate’s Highly Cited Researchers list for its blatant bias toward specific scientific disciplines. A year later, in November 2021, I reiterated this condemnation, emphasizing that their token measure—excluding papers with more than 30 affiliations—amounts to little more than window dressing. It utterly fails to address the list’s core and glaring flaw: the stubborn refusal to implement fractional counting. https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/11/the-flawed-clarivate-list-of.html

PS – Revising the Clarivate Highly Cited Researchers list to incorporate fractional counting while ensuring an unbiased evaluation across all scientific disciplines would undoubtedly redefine the Shanghai Ranking of universities. This reform has the potential to curtail the dominance of a powerful nation within that ranking. The pressing question remains: which country will suffer the most when these entrenched biases are finally dismantled?

  1. Switzerland………108 scientists per million inhabitants in Top 0.5% Stanford Ranking
  2. Denmark…………. 84
  3. UK……………………77
  4. USA………………….75
  5. Sweden…………….70
  6. Australia……………65
  7. Netherlands……….63
  8. Canada……………..60
  9. Finland………………53
  10. Israel…………………45
  11. Norway………………41
  12. New Zealand………41
  13. Singapore………….39
  14. Belgium……………..35
  15. Germany……………33
  16. Ireland……………….32
  17. Austria……………….31
  18. Iceland………………27
  19. France……………….19
  20. Italy……………………15
  21. Luxembourg……….13
  22. Greece………………12
  23. Slovenia……………..9
  24. Cyprus………………..9
  25. Portugal………………8