No caderno principal do semanário Expresso, o Exmo Sr. Presidente da Assembleia da República, Aguiar-Branco, lamentou-se do alegadamente, baixo salário dos políticos Portugueses e ainda teve o atrevimento de ir ao extremo da hipocrisia e afirmar que (salarialmente) os políticos nacionais estão a ser discriminados!!! Sobre essa absolutamente inaudita alarvidade (leia-se descarada insanidade) afigura-se-me urgente replicar o seguinte:
1 – É rotundamente falso que os políticos Portugueses ganhem pouco. Na verdade e comparando o salário dos políticos de países, ricos, face à riqueza produzida por esses países, constata-se que os políticos Portugueses até recebem mais do que deviam receber. Vide email, que há alguns anos enviei a uma jornalista (pouco rigorosa) do Expresso e que posteriormente reproduzi num post aqui. Faço notar que essa comparação de rácios é até muito generosa para os políticos Portugueses, porque uma comparação realmente rigorosa, teria que lhes descontar do salário, todo o gigantesco prejuízo que eles causam a este país, seja directamente, por políticas altamente danosas, como a tal negociata da “justiça” arbitral, onde os contribuintes pagam centenas de milhões de euros por conta de contratos absolutamente inacreditáveis, seja indirectamente pela produção da legislação que legalizou a corrupção, a mesma que há muito vai empobrecendo este país, (quem afirmou tal, preto no branco, foi a famosa e corajosa Procuradora, agora Jubilada, Maria José Morgado https://pacheco-torgal.blogspot.com/2020/12/42-anos-no-combate-ao-crime-e.html
2 – Acresce ainda, que ao contrário do que sucede em países civilizados, onde a actividade política não se resume somente a um compasso de espera para cargos mais bem pagos, no nosso país, os políticos depois de abandonarem essa actividade, costumam passar a ganhar bastante mais, como Administradores de empresas públicas (ou do Banco de Portugal onde recebem o triplo do que recebe um catedrático), vide o artigo que a revista Sábado fez a esse respeito, vide também as inacreditáveis escutas, onde a Polícia Judiciária conseguiu ouvir um certo “senhor” a confessar que era uma puta e que nessa qualidade não se importava de ser presidente de uma empresa pública. E isto já para nem falar dos percursos de quase 800 políticos (bem pagos) mencionados num estudo de um conhecido catedrático, estudo esse que resume bem o vergonhoso legado, de 50 anos desta coisa, que alguns espertalhaços parasitas e apenas porque lhes dá bastante jeito, apelidam de “democracia”. Recordo que um Português, catedrático numa universidade dos EUA, afirmou que no nosso país vigora uma cleptocracia, já eu entendo que é mais rigoroso chamar-lhe corruptocracia.
3 – Quem efetivamente tem razões de sobra, para se queixar de perda de poder de compra, na função pública são precisamente os professores e investigadores do ensino superior, vide a este respeito a petição do Snesup ou o esclarecedor post de título “Até quando aguentarão os catedráticos este permanente enxovalho público ?”. E há uma diferença absolutamente abissal entre os políticos Portugueses e os professores e investigadores, é que no estrangeiro não há ninguém minimamente interessado em contratar os primeiros, pois há por lá excesso deles e até de qualidade muito superior, ao contrário do que sucede com muitos professores e investigadores Portugueses, que lá fora conseguirão um salário de valor muito superior aquele que recebem em Portugal e isso mesmo sem irem trabalhar para uma instituição como o Instituto Federal de Tecnologia ETHZ, onde há poucos anos atrás, um professor-auxiliar podia chegar a ganhar quase 15.000 euros/mês https://pacheco-torgal.blogspot.com/2021/09/os-luxuosos-salarios-de-professores.html